5 De junho: dia mundial do meio ambiente - Digital Balde Branco

OPINIÃO

José Otavio Menten

Engenheiro agrônomo, professor na Esalq/USP e membro do Conselho Científico Agro Sustentável (CCAS)

É urgente avançarmos. Desde ações diárias e comportamentos individuais, incorporando hábitos mais adequados em nossos lares e ambientes de trabalho, até a elaboração e adoção de políticas públicas adequadas em nível regional, municipal, estadual, nacional e mundial.”

5 de junho: dia mundial do meio ambiente

Importância da educação, do conhecimento e da comunicação

O meio ambi­en­te mere­ce res­pei­to em todos os níveis. Des­de cada cida­dão, urba­no ou rural, jovem ou ido­so, inde­pen­den­te­men­te do nível de esco­la­ri­da­de, até as gran­des ins­ti­tui­ções e empre­sas públi­cas e pri­va­das, dos seto­res pri­má­rio, secun­dá­rio e ter­ciá­rio da eco­no­mia mundial.

Vive­mos em um úni­co pla­ne­ta e exis­tem cone­xões ambi­en­tais entre todas as regiões da Ter­ra. Para res­pei­tar o ambi­en­te é neces­sá­rio edu­ca­ção, conhe­ci­men­to e infor­ma­ção ade­qua­da. Mudan­ças de cul­tu­ra e pro­ce­di­men­tos exi­gem empe­nho e per­se­ve­ran­ça dos res­pon­sá­veis pelas ações de alte­ra­ções de com­por­ta­men­tos, sem­pre em bus­ca de uma soci­e­da­de cada vez mais sus­ten­tá­vel, que res­pei­te as pró­xi­mas gera­ções que habi­ta­rão o nos­so planeta.

O Dia Mun­di­al do Meio Ambi­en­te, cri­a­do há cer­ca de 50 anos, em fun­ção da pri­mei­ra con­fe­rên­cia das Nações Uni­das sobre o meio ambi­en­te, na Sué­cia, aju­da a ampli­ar vozes e esti­mu­lar incor­po­ra­ções de apri­mo­ra­men­tos ambientais.

É urgen­te avan­çar­mos. Des­de ações diá­ri­as e com­por­ta­men­tos indi­vi­du­ais, incor­po­ran­do hábi­tos mais ade­qua­dos em nos­sos lares e ambi­en­tes de tra­ba­lho, até a ela­bo­ra­ção e ado­ção de polí­ti­cas públi­cas ade­qua­das em nível regi­o­nal, muni­ci­pal, esta­du­al, naci­o­nal e mundial.

Isso depen­de de mui­to diá­lo­go, des­pren­di­men­to e conhe­ci­men­to. É neces­sá­rio valo­ri­zar cada vez mais a ciên­cia e a tec­no­lo­gia na defi­ni­ção das melho­res deci­sões e é fun­da­men­tal uma comu­ni­ca­ção de qua­li­da­de, para que todos tenham aces­so aos pro­ce­di­men­tos acordados.

Regu­la­men­ta­ções que indi­quem cla­ra­men­te as ações mais cor­re­tas e fis­ca­li­za­ção para ava­li­ar se as regras estão sen­do segui­das são fun­da­men­tais. Aspec­tos ambi­en­tais devem ser inse­ri­dos em todos os níveis de edu­ca­ção e em todas as áre­as de conhecimento.

Embo­ra exis­tam pro­fis­si­o­nais espe­ci­a­li­za­dos, como enge­nhei­ros e ges­to­res ambi­en­tais, os cur­rí­cu­los esco­la­res devem con­tem­plar assun­tos ambi­en­tais em todos os níveis (pré-esco­la, fun­da­men­tal, médio, supe­ri­or, espe­ci­a­li­za­ção, pós-gra­du­a­ção, etc.) e em todas as áre­as (bio­ló­gi­cas, exa­tas e humanas).

Exis­tem alguns temas que estão em mai­or evi­dên­cia, como as mudan­ças cli­má­ti­cas, com orga­ni­za­ção de fóruns e enti­da­des naci­o­nais e inter­na­ci­o­nais como o IPCC (Pai­nel Inter­go­ver­na­men­tal para Mudan­ça do Clima/OMM e PNU­MA) e as COPs (Con­fe­rên­ci­as das Par­tes/­Con­ven­ção-Qua­dro das Nações Uni­das sobre Mudan­ças do Cli­ma). Tam­bém estão se tor­nan­do cada vez mais fami­li­a­res siglas e ter­mos como ODS (Obje­ti­vos de Desen­vol­vi­men­to Sus­ten­tá­vel, da ONU); ESG (Ambi­en­tal, Soci­al e Gover­nan­ça); bio­e­co­no­mia e eco­no­mia cir­cu­lar; PSA (Paga­men­to por Ser­vi­ços Ambi­en­tais); mer­ca­do de car­bo­no; GEE (Gases do Efei­to Estu­fa); ener­gi­as alter­na­ti­vas; agri­cul­tu­ra de bai­xo car­bo­no; PNRS (Polí­ti­ca Naci­o­nal de Resí­du­os Sóli­dos); Códi­go Flo­res­tal; con­tro­le do des­ma­ta­men­to; com­ba­te a incên­di­os e quei­ma­das ile­gais; recu­pe­ra­ção de áre­as degra­da­das (rurais e urba­nas); recu­pe­ra­ção de nas­cen­tes; Pro­gra­ma Naci­o­nal de Bioin­su­mos, etc.

Pes­so­as devi­da­men­te edu­ca­das pas­sam a enten­der a impor­tân­cia da pre­ser­va­ção, da con­ser­va­ção ambi­en­tal e da incor­po­ra­ção de hábi­tos sau­dá­veis em suas ati­vi­da­des pes­so­ais e pro­fis­si­o­nais. Todos os seg­men­tos são impor­tan­tes nes­se movi­men­to em defe­sa de um ambi­en­te que pro­por­ci­o­ne melhor qua­li­da­de de vida às pes­so­as. É pre­ci­so encon­trar um equi­lí­brio entre cus­to e bene­fí­cio des­ses novos hábi­tos e há a neces­si­da­de de men­su­rar e valo­rar as ações. Não há espa­ço para extre­mis­mos. É fun­da­men­tal que sejam valo­ri­za­das as com­pe­tên­ci­as com posi­ções equi­li­bra­das, diá­lo­go entre gru­pos e o bom exem­plo, inde­pen­den­te­men­te de pos­tu­ras ide­o­ló­gi­cas e inte­res­ses econômicos. 

Vamos cui­dar da nos­sa Ter­ra. Vamos dis­po­ni­bi­li­zar um guia prá­ti­co que ori­en­te gover­nos, cida­des, empre­sas, gru­pos comu­ni­tá­ri­os e indi­ví­du­os sobre as prin­ci­pais ações ambi­en­tais que podem ser imple­men­ta­das a cur­to, médio e lon­go prazos.