Além de prejuízos, produtor enfrenta problemas com as concessionárias de energia - Digital Balde Branco
revista-balde-branco-energia-02-ed683

Reunião no Ministério Público do Rio Grande do Sul, em Porto Alegre, sobre problemas com a RGE

ENERGIA ELÉTRICA

Além de prejuízos, produtor enfrenta problemas com as

concessionárias de energia

Uma grande parcela de produtores de leite, em todas as regiões do País, sofre frequentemente com a falta de energia na propriedade, fato que lhe traz grandes prejuízos 

João Carlos de Faria

Plec! Caiu a ener­gia na fazen­da, paran­do de fun­ci­o­nar a orde­nha­dei­ra, o tan­que de refri­ge­ra­ção, os ven­ti­la­do­res do gal­pão de con­fi­na­men­to, as lâm­pa­das… E tas­ca dor de cabe­ça no pro­du­tor, que já ante­vê os pre­juí­zos. Essa é uma situ­a­ção mui­to fre­quen­te em fazen­das lei­tei­ras em todas as regiões do Bra­sil, e isso há mui­tos anos. Na mai­o­ria dos casos, os res­pon­sá­veis pela trans­mis­são da ener­gia elé­tri­ca, assim como o poder públi­co, não sina­li­zam solu­ção, ou esta se arras­ta anos a fio, cau­san­do indig­na­ção e revol­ta na clas­se produtora. 

Para sanar esse gar­ga­lo res­ta aos pro­du­to­res bus­ca­rem alter­na­ti­vas tec­no­ló­gi­cas para man­ter em fun­ci­o­na­men­to sua ati­vi­da­de. Já vêm sen­do uti­li­za­das algu­mas que têm dado con­ta do reca­do em mui­tas fazen­das, como ener­gia solar com pla­cas foto­vol­tai­cas, gera­dor de ele­tri­ci­da­de e bio­di­ges­tor (bio­gás).

A rea­li­da­de comum de mui­tos pro­du­to­res de lei­te em todas as regiões do País é que pagam caro pela ener­gia e sofrem com os cor­tes ines­pe­ra­dos no for­ne­ci­men­to e a fal­ta de aten­ção das empre­sas con­ces­si­o­ná­ri­as na solu­ção rápi­da de seus pro­ble­mas, cau­sa­dos na mai­o­ria das vezes pela fal­ta de manu­ten­ção das redes de transmissão. 

Protesto de produtores de leite da comunidade Linha Leopoldina, no município de Colina, no Vale do Taquari (RS), em frente ao escritório da concessionária RGE

A indig­na­ção che­gou ao extre­mo recen­te­men­te, quan­do mora­do­res da comu­ni­da­de Linha Leo­pol­di­na, no muni­cí­pio de Coli­nas, no Vale do Taqua­ri, segun­da mai­or bacia lei­tei­ra gaú­cha, se diri­gi­ram ao escri­tó­rio da empre­sa res­pon­sá­vel pelo for­ne­ci­men­to para pro­tes­tar, jogan­do lei­te aze­do na entra­da do pré­dio, após mais de 50 horas sem ener­gia, com per­das de lei­te e de outros produtos.

“A agri­cul­tu­ra do Vale do Taqua­ri é de sub­sis­tên­cia e de mini­fún­di­os, porém são pro­pri­e­da­des de alta pro­du­ti­vi­da­de e todas equi­pa­das com tec­no­lo­gia para pro­du­zir com qua­li­da­de. Mas para isso neces­si­ta­mos de ener­gia elé­tri­ca dia­ri­a­men­te”, afir­ma Ali­ne Tais Mey­ring Loh­mann, que lide­rou o pro­tes­to. Na comu­ni­da­de são 30 famí­li­as, a mai­o­ria pro­duz lei­te e depen­de da ele­tri­ci­da­de para a orde­nha das vacas e con­ser­va­ção do lei­te até que siga para os lati­cí­ni­os da região.

Ela e o mari­do, Gus­ta­vo Loh­mann, são pro­pri­e­tá­ri­os do Ran­cho Loh­mann, onde pro­du­zem 2 mil litros de leite/dia. Para suprir as falhas no for­ne­ci­men­to, usam um tra­tor para mover o gera­dor, mas este gas­ta cer­ca de 15 litros de die­sel por hora. “O cus­to sobe, a qua­li­da­de do lei­te fica com­pro­me­ti­da e a gen­te per­de dinhei­ro”, afir­ma. Mes­mo assim, a con­ta de luz da pro­pri­e­da­de varia em tor­no de R$ 3 mil por mês.

Dife­ren­ça – Por cau­sa dos lotes de con­ces­são, a comu­ni­da­de é abas­te­ci­da em par­te pela RGE-CPFL e em par­te pela Copel, mas um levan­ta­men­to fei­to no iní­cio des­te ano cons­ta­tou que, em 2021, enquan­to a RGE-CPFL teve mais de 500 horas de inter­rup­ção de ener­gia, a par­te da Copel não pas­sou de duas horas. Ali­ne diz que já foram fei­tas vári­as ten­ta­ti­vas de solu­ção envol­ven­do o Pro­con, algu­mas ações foram movi­das no Jui­za­do de Peque­nas Cau­sas, além de con­ta­tos com a pró­pria empre­sa, mas sem resultado.

Depois da reper­cus­são do ato, o Minis­té­rio Públi­co do Rio Gran­de do Sul rea­li­zou uma reu­nião em Por­to Ale­gre, em janei­ro, con­vo­ca­da pelo pro­cu­ra­dor-geral de Jus­ti­ça, Mar­ce­lo Dor­nel­les. Na audi­ên­cia, a empre­sa – que já havia sido mul­ta­da em mais de R$ 30 milhões pela Agên­cia Esta­du­al de Regu­la­ção dos Ser­vi­ços Públi­cos Dele­ga­dos do Rio Gran­de do Sul (Agergs) – ale­gou que os pro­ble­mas são cau­sa­dos, na mai­o­ria das vezes, pela vege­ta­ção que atin­ge os fios da linha de transmissão.

Para o pre­si­den­te do Con­se­lho de Desen­vol­vi­men­to do Vale do Taqua­ri (Code­vat), Luci­a­no Mores­co, o pro­ble­ma da má qua­li­da­de da ener­gia é anti­go. A mai­o­ria das pro­pri­e­da­des da região é de pro­du­ção fami­li­ar e tra­ba­lha inte­gra­da com gran­des empre­sas e coo­pe­ra­ti­vas. De acor­do com o Rela­tó­rio Soci­o­e­conô­mi­co da Cadeia Pro­du­ti­va do Lei­te no Rio Gran­de do Sul (2021), a região tem cer­ca de 10 mil pro­du­to­res e pro­duz 410 milhões de litros de leite/ano.

“A empre­sa sem­pre apre­sen­ta dados téc­ni­cos e uma média favo­rá­vel de aten­di­men­to, mas nun­ca con­si­de­ra o meio rural.” A reu­nião com o Minis­té­rio Públi­co foi agen­da­da pelo Code­vat, em mais uma ten­ta­ti­va a favor dos pro­du­to­res. A pro­pos­ta acor­da­da com o MP é cons­truir um Ter­mo de Ajus­ta­men­to de Con­du­ta (TAC) para esta­be­le­cer os com­pro­mis­sos da RGE-CPFL, sob pena de per­der a con­ces­são caso não os cumpra.

Luciano Moresco: “O problema da má qualidade da energia é antigo. A maioria das propriedades da região é de produção familiar e trabalha integrada com grandes empresas e cooperativas”

Per­das em Minas Gerais – No fim de 2020, a Fazen­da San­ta Hele­na, loca­li­za­da em Esme­ral­das, na região metro­po­li­ta­na de Belo Hori­zon­te, teve que jogar fora 5.000 litros de lei­te, após que­da na ten­são da ener­gia for­ne­ci­da pela Com­pa­nhia Ener­gé­ti­ca de Minas Gerais (Cemig), con­for­me noti­ciá­rio da época. 

Segun­do a pro­pri­e­tá­ria, Car­la Lara, mes­mo ten­do cum­pri­do todas as exi­gên­ci­as da empre­sa para a ins­ta­la­ção de um sis­te­ma tri­fá­si­co na pro­pri­e­da­de, as que­das de ener­gia são cons­tan­tes. “Isso cau­sa inse­gu­ran­ça e mui­tos pre­juí­zos”, diz. Mas o pro­ble­ma não está res­tri­to ao for­ne­ci­men­to tri­fá­si­co, atin­gin­do tam­bém con­su­mi­do­res com bai­xa ten­são (mono­fá­si­co), afe­tan­do toda a cadeia de pro­du­ção do quei­jo no município. 

Um dos pro­du­to­res que se sen­tem pre­ju­di­ca­dos é Miguel dos San­tos, for­ne­ce­dor da Fazen­da San­ta Hele­na. Ele adqui­riu um gera­dor, mas como sua capa­ci­da­de é limi­ta­da a um dia, quan­do fal­ta ener­gia e o lei­te não é esco­a­do, o pre­juí­zo é cer­to. Em outra situ­a­ção, Arnal­do José Lara já che­gou a ficar 14 horas sem ener­gia, sem que nenhu­ma pro­vi­dên­cia fos­se toma­da pela Cemig, o que o obri­gou a des­car­tar 2.000 litros de lei­te de sua pro­du­ção, que é ven­di­da a outro lati­cí­nio, em Pará de Minas.

O pre­si­den­te da Coo­pe­ra­ti­va de Lati­cí­ni­os de Esme­ral­das, André Luiz Cos­ta, afir­ma que os casos de fal­ta de ener­gia são recor­ren­tes, pois acon­te­cem qua­se que sema­nal­men­te sem que a empre­sa tome pro­vi­dên­ci­as. O pro­ble­ma, segun­do ele, é que, além da per­da de lei­te, há o ris­co de aumen­to de mas­ti­te e do cus­to de manu­ten­ção de um gera­dor, pois, além da orde­nha, é pre­ci­so man­tê-lo liga­do para man­ter a tem­pe­ra­tu­ra do tan­que. “Alguns pro­du­to­res bus­cam fon­tes alter­na­ti­vas, mas ins­ta­lar um sis­te­ma de ener­gia foto­vol­tai­ca ain­da é mui­to caro.”

Reunião entre representantes de sindicatos do Vale do Paraíba e da EDP Bandeirantes

Vale do Paraí­ba – Na mai­or bacia lei­tei­ra do Esta­do de São Pau­lo, com pro­du­ção anu­al de 205 milhões de litros em 2020, os pro­du­to­res tam­bém enfren­tam pro­ble­mas de for­ne­ci­men­to de ener­gia. Em Gua­ra­tin­gue­tá, o pre­si­den­te do Sin­di­ca­to Rural, Edu­ar­do Caval­ca, expli­ca que a demo­ra na res­tau­ra­ção da ener­gia por par­te da EDP Ban­dei­ran­tes, res­pon­sá­vel pelo for­ne­ci­men­to, é a recla­ma­ção mais ouvida. 

“Os pro­du­to­res aca­bam sen­do afe­ta­dos, prin­ci­pal­men­te os que estão a dis­tân­ci­as mai­o­res da cida­de, que sem­pre rela­tam per­das da pro­du­ção”, afir­ma. A solu­ção está sen­do bus­ca­da con­jun­ta­men­te, por inter­mé­dio da Asso­ci­a­ção dos Sin­di­ca­tos Rurais do Vale do Paraí­ba (Asser­vap), que tem rea­li­za­do diver­sas reu­niões com a concessionária. 

Mes­mo assim, o pro­du­tor José Luiz Caval­ca Mar­ques, da Fazen­da San­ta Cruz, loca­li­za­da no muni­cí­pio, que da últi­ma vez per­deu 560 litros de lei­te, tem mui­to a recla­mar da empre­sa, que nor­mal­men­te demo­ra a aten­der os pedi­dos de socor­ro. “Às vezes até vol­ta rápi­do, mas há dias em que o res­ta­be­le­ci­men­to demo­ra 24 horas e até três dias. Esse é o pro­ble­ma”, diz. As cau­sas, em sua opi­nião, são os mui­tos pos­tes podres e a fal­ta de poda das árvo­res que aca­bam atin­gin­do a rede, que por sua vez tam­bém é anti­ga e pre­ci­sa ser tro­ca­da. A empre­sa, segun­do ele, ape­sar de sem­pre ale­gar que está fazen­do inves­ti­men­tos na região, não con­ven­ce. “Não adi­an­ta ouvir isso e não ter a ener­gia que eu pre­ci­so”, reclama. 

Eduardo Cavalca, do Sindicato Rural de Guaratinguetá: “Os produtores acabam sendo afetados, principalmente os que estão a distâncias maiores da cidade, que sempre relatam perdas da produção”

Em meio a pro­tes­tos e con­fli­tos entre pro­du­to­res e empre­sas for­ne­ce­do­ras de ener­gia, no Vale do Paraí­ba a exce­ção foge à regra. A par­ti­ci­pa­ção ati­va do setor pro­du­ti­vo rural no con­se­lho de con­su­mi­do­res da empre­sa EDP Ban­dei­ran­tes e a apro­xi­ma­ção arti­cu­la­da pela Asso­ci­a­ção dos Sin­di­ca­tos Rurais do Vale do Paraí­ba (Asser­vap) dão sinais de que em bre­ve pode­rá haver um entendimento. 

Quan­to a isso, o repre­sen­tan­te da Fede­ra­ção da Agri­cul­tu­ra do Esta­do de São Pau­lo (Faesp) e de 28 muni­cí­pi­os das regiões do Alto Tie­tê e Vale do Paraí­ba, no Con­se­lho de Con­su­mi­do­res da EDP Ban­dei­ran­tes, Ricar­do Sato, que é pre­si­den­te do Sin­di­ca­to Rural de Suza­no, tem uma posi­ção pragmática. 

“A regra esta­be­le­ci­da pela pri­va­ti­za­ção deter­mi­nou que as con­ces­si­o­ná­ri­as e pres­ta­do­ras de ser­vi­ços que aten­de­rem a pelo menos 80% da cli­en­te­la com qua­li­da­de esta­rão cum­prin­do as nor­ma­ti­vas que regem o setor. É o que eles fazem, mas a zona rural nun­ca é con­si­de­ra­da na ava­li­a­ção. A bri­ga deve ser pela mudan­ça da regra e com urgên­cia”, afirma. 

Sato reco­nhe­ce, porém, que tem havi­do um bom rela­ci­o­na­men­to com a empre­sa, se com­pa­ra­do a outras empre­sas e regiões do País. “Mas é pre­ci­so se apro­xi­mar ain­da mais e isso tem ocor­ri­do mui­to bem, com a inter­me­di­a­ção da Asser­vap e com a nos­sa par­ti­ci­pa­ção no Con­se­lho”, afirma.

A Asser­vap, da qual par­ti­ci­pam sin­di­ca­tos da região e que é diri­gi­da pelo pre­si­den­te do Sin­di­ca­to Rural de Cru­zei­ro, Wan­der Bas­tos, tem se reu­ni­do com repre­sen­tan­tes da empre­sa e pre­ten­de esta­be­le­cer pro­to­co­los a serem cum­pri­dos pelas duas partes.

NO PARANÁ PROGRAMA INCENTIVA USO DA ENERGIA SOLAR E DO BIOGÁS 

A instalação do biodigestor proporcionou autossuficiência de energia à propriedade e a destinação correta do que até então era um passivo ambiental (Granja Comunello)

O pro­du­tor Maci­el Comu­nel­lo, pro­pri­e­tá­rio da Gran­ja Comu­nel­lo, loca­li­za­da em Fran­cis­co Bel­trão (PR), encon­trou na ins­ta­la­ção de um bio­di­ges­tor, em 2015, a solu­ção mais ade­qua­da para a des­ti­na­ção dos deje­tos gera­dos pelo seu sis­te­ma de com­post-barn e para redu­zir seus cus­tos de pro­du­ção, mas tam­bém resol­veu seus pro­ble­mas de inter­rup­ções fre­quen­tes no for­ne­ci­men­to e osci­la­ções da ener­gia, além de ganhar com o bio­fer­ti­li­zan­te e o gás meta­no gera­dos pelo sistema.

Ele já está pla­ne­jan­do dobrar sua capa­ci­da­de de pro­du­ção de ener­gia ain­da nes­te ano e, para isso, estu­da a pos­si­bi­li­da­de de aces­sar o finan­ci­a­men­to do Reno­va­PR, pro­je­to ino­va­dor do gover­no do Esta­do, que incen­ti­va o uso de ener­gi­as sus­ten­tá­veis para redu­zir cus­tos do pro­du­tor e aju­dá-lo a enfren­tar os pro­ble­mas com fornecimento.

A pro­pri­e­da­de sem­pre este­ve vol­ta­da para a pecuá­ria de lei­te e, em 2015, quan­do ado­tou o sis­te­ma com­post barn, se depa­rou com o acú­mu­lo de deje­tos e com o aumen­to no valor da con­ta de luz e, con­se­quen­te­men­te, do cus­to de produção.

Na épo­ca, um estu­do apon­tou que o volu­me de deje­tos via­bi­li­za­ria a ins­ta­la­ção de um bio­di­ges­tor. O pro­je­to, esti­ma­do ini­ci­al­men­te para 180 vacas de alta lac­ta­ção, exi­giu inves­ti­men­to de R$ 300 mil, com pra­zo de retor­no de 4,8 anos. Hoje são 300 ani­mais e o bio­di­ges­tor já está no limi­te. O pla­no é dobrar a capa­ci­da­de do gru­po gera­dor, de 65 KWa para 130 KWa.

O produtor Idemar Dalberto, com sua esposa e filho, no Sítio Pedacinho do Céu (ao fundo, o galpão com teto de placas fotovoltaicas)

O bio­gás pro­por­ci­o­nou autos­su­fi­ci­ên­cia à pro­pri­e­da­de e a des­ti­na­ção cor­re­ta do que até então era um pas­si­vo ambi­en­tal. Em ter­mos de valo­res, a eco­no­mia foi de cer­ca de R$ 80 mil por ano e os pro­ble­mas com a ener­gia con­ven­ci­o­nal, que con­ti­nu­am ocor­ren­do pra­ti­ca­men­te toda sema­na, fazem par­te do pas­sa­do. “Nós nun­ca mais fica­mos sem ener­gia”, afir­ma Comunello.

Em Nova Pra­ta do Igua­çu, no sudo­es­te do Esta­do, o pro­du­tor Ide­mar Dal­ber­to, do Sítio Peda­ci­nho do Céu, um dos pri­mei­ros a terem um sis­te­ma de ener­gia solar finan­ci­a­do pelo Reno­va­PR, con­ta que, entre as pri­mei­ras tra­ta­ti­vas e a ins­ta­la­ção das pla­cas, não se pas­sa­ram mais de 70 dias. 

O pro­je­to cus­tou R$ 105 mil, com pra­zo de dez anos e pres­ta­ção men­sal de R$ 900, valor bem menor do que a con­ta de luz, antes em tor­no de R$ 1.200,00/mês, que ago­ra caiu para R$ 60. “Isso incen­ti­va a gen­te, por­que, além de ser uma ener­gia reno­vá­vel e de não pagar juros do finan­ci­a­men­to, a pres­ta­ção é fixa, enquan­to o cus­to da ener­gia vai sem­pre osci­lar para cima.”

Um dos pró­xi­mos inves­ti­men­tos de Dal­ber­to é irri­gar uma área de pas­ta­gem e ins­ta­lar ven­ti­la­do­res mais poten­tes para pro­por­ci­o­nar mais con­for­to aos ani­mais, algo que antes seria impra­ti­cá­vel, pelo cus­to a mais de ener­gia. “Tudo isso traz um ganho com o aumen­to da média das vacas”, afir­ma. Hoje seu reba­nho é de 50 ani­mais, com 31 vacas em lac­ta­ção e média anu­al de 25 mil litros/hectare.

Reno­va­PR – O Pro­gra­ma Para­ná Ener­gia Reno­vá­vel (Reno­va­PR), lan­ça­do em agos­to de 2021, fechou o ano com 1.641 pro­je­tos ins­cri­tos, 432 empre­sas de ener­gia solar e 32 de bio­gás cadas­tra­das e cin­co ban­cos con­ve­ni­a­dos para o finan­ci­a­men­to, soman­do R$ 280 milhões de inves­ti­men­to. “O pro­du­tor pre­ci­sa de ener­gia para ter efi­ci­ên­cia e não se melho­ra a pro­du­ti­vi­da­de sem se con­si­de­rar o cus­to da ener­gia”, afir­ma o coor­de­na­dor do pro­gra­ma, Her­lon Goel­zer de Almei­da, do Ins­ti­tu­to de Desen­vol­vi­men­to Rural do Para­ná (Iapar).

Foi com base nes­sa pre­mis­sa que se for­ma­tou o Reno­va­PR, que é exe­cu­ta­do pelo Iapar, mas que agre­ga tam­bém pres­ta­do­res de ser­vi­ços de ener­gia solar e bio­gás, que, no ato de ade­são, assi­nam um ter­mo de com­pro­mis­so, que pre­vê adver­tên­cia, sus­pen­são tem­po­rá­ria ou até exclu­são do pro­gra­ma, caso não cum­pram com­pro­mis­sos assu­mi­dos com o produtor. 

Até dezem­bro des­te ano, o Ban­co do Agri­cul­tor Para­na­en­se vai sub­si­di­ar 100% das taxas de juros, no caso do Pla­no Safra, e 5% quan­do o finan­ci­a­men­to for do pró­prio ban­co, inde­pen­den­te­men­te do por­te do pro­du­tor. A meta é fechar 2022 com 10 mil pro­je­tos cadas­tra­dos e che­gar a 2030 com 100 mil uni­da­des de pro­du­ção com ener­gia sustentável.

Herlon G. de Almeida: “O produtor precisa de energia para ter eficiência e não se melhora a produtividade sem considerar o custo da energia”

Por enquan­to, os pro­je­tos de ener­gia solar repre­sen­tam qua­se a tota­li­da­de (98%), pois o bio­gás, segun­do Almei­da, ain­da “pre­ci­sa ser melhor enten­di­do pelo pro­du­tor, que não se deu con­ta de que a bio­di­ges­tão trans­for­ma um pas­si­vo ambi­en­tal num ati­vo econô­mi­co, que é a ener­gia gera­da”, diz. “É uma ques­tão de tem­po e de infor­ma­ção, pois os bene­fí­ci­os e o retor­no do bio­gás são incom­pa­ra­vel­men­te mai­o­res”, diz.

Além de tudo, o bio­me­ta­no garan­te ener­gia 24 horas por dia, por ser uma ener­gia que pode ser arma­ze­na­da e usa­da de acor­do com a neces­si­da­de, sen­do ain­da um com­bus­tí­vel equi­va­len­te ao Gás Natu­ral Vei­cu­lar (GNV), poden­do ser uti­li­za­do como com­bus­tí­vel vei­cu­lar; já o bio­fer­ti­li­zan­te que é gera­do vol­ta para a lavou­ra, o que reduz ain­da mais os custos.

 

Micror­re­des – Des­de o ano pas­sa­do, uma gran­ja loca­li­za­da em São Miguel do Igua­çu tor­nou-se a pri­mei­ra uni­da­de de micror­re­de do Esta­do do Para­ná, com seu sis­te­ma de bio­gás sen­do conec­ta­do à rede de ener­gia da Copel, abas­te­cen­do outras qua­tro pro­pri­e­da­des vizi­nhas, na fal­ta de ener­gia na rede, sen­do remu­ne­ra­da pelo ser­vi­ço. “Com a sus­ten­ta­ção do Reno­va­PR vamos via­bi­li­zar a gera­ção de ener­gia sus­ten­tá­vel e ins­ta­lar micror­re­des nas vári­as regiões do Esta­do”, fina­li­za Almeida.

Posionamento das concessionárias

 
EDP Ban­dei­ran­tes –
Em nota, a EDP Ban­dei­ran­tes dis­se que vai inves­tir R$ 3 bilhões entre 2021 e 2025 em sua área de con­ces­são em São Pau­lo, “refor­çan­do a qua­li­da­de e segu­ran­ça no ser­vi­ço pres­ta­do pela con­ces­si­o­ná­ria”.
“A EDP tam­bém atua com a par­ce­ria con­tí­nua do Con­se­lho de Con­su­mi­do­res e por meio de reu­nião com sin­di­ca­tos e asso­ci­a­ções locais. Com esses órgãos estão sen­do ali­nha­dos novos gru­pos de tra­ba­lho que pos­si­bi­li­ta­rão aná­li­ses de casos mais indi­vi­du­a­li­za­dos, visan­do à melho­ria do for­ne­ci­men­to de ener­gia elé­tri­ca”, afir­ma a nota.

Cemig - A Com­pa­nhia Ener­gé­ti­ca de Minas Gerais (Cemig) afir­ma que vai inves­tir R$ 22,5 bilhões na gera­ção, trans­mis­são e dis­tri­bui­ção de ener­gia elé­tri­ca no perío­do de 2021 a 2025. Entre os pro­gra­mas inclu­sos no pla­no de inves­ti­men­tos está o “Minas Tri­fá­si­co”, que vai trans­for­mar cer­ca de 30 mil quilô­me­tros de redes mono­fá­si­cas em tri­fá­si­cas no inte­ri­or do Esta­do, “levan­do assim um sis­te­ma elé­tri­co de mai­or qua­li­da­de e capa­ci­da­de, cri­an­do con­di­ções para o desen­vol­vi­men­to do agro­ne­gó­cio minei­ro, para aten­der aos pro­du­to­res rurais”.

RGE – A RGE-CPFL não res­pon­deu ao ques­ti­o­na­men­to da repor­ta­gem da revis­ta Bal­de Bran­co, até o fecha­men­to des­ta edi­ção. Na audi­ên­cia rea­li­za­da em Por­to Ale­gre, no fim de janei­ro, apon­tou como a gran­de cau­sa das inter­rup­ções de ener­gia na região a alta vege­ta­ção na rede elé­tri­ca e suge­riu ações con­jun­tas para auxi­li­ar na lim­pe­za e manu­ten­ção das redes nes­sa fai­xa da vege­ta­ção. Pos­te­ri­or­men­te, a empre­sa divul­gou nota afir­man­do ter um “pla­no de manu­ten­ção e inves­ti­men­tos para todas as regiões de sua área de con­ces­são, incluin­do o Vale do Taquari”.