Alta nas cotações do milho no país - Digital Balde Branco

MERCADO

Rafael Ribeiro

Zootecnista, msc. Scot Consultoriaa

Alta nas cotações do milho no país 

Segun­do levan­ta­men­to da Scot Con­sul­to­ria, na região de Cam­pi­nas (SP), a refe­rên­cia para o milho está em R$ 97,00 por saca de 60 qui­los (19/3), sem o fre­te, recor­de nomi­nal. Hou­ve valo­ri­za­ção de 10,1% em mar­ço, em rela­ção à média de feve­rei­ro des­te ano e, na com­pa­ra­ção com igual mês do ano pas­sa­do, o cere­al está cus­tan­do 69,2% mais este ano.

Os fato­res de sus­ten­ta­ção foram as altas do dólar no iní­cio do mês, os atra­sos na colhei­ta da safra de verão e atra­sos na seme­a­du­ra da segun­da safra de milho (safra de inver­no) no País.

Para o cur­to pra­zo (abril), a expec­ta­ti­va é de pre­ços fir­mes no mer­ca­do bra­si­lei­ro, con­si­de­ran­do o câm­bio ain­da em pata­mar ele­va­do, ape­sar das que­das ao lon­go da segun­da meta­de mar­ço, além dos atra­sos na colhei­ta da safra de verão e na seme­a­du­ra da segun­da safra, que man­têm os agen­tes de mer­ca­do atentos.

Revisão para cima na produção de Milho e soja no brasil em 2020/21

A Com­pa­nhia Naci­o­nal de Abas­te­ci­men­to (Conab) divul­gou, no dia 11 de mar­ço, o sex­to levan­ta­men­to de acom­pa­nha­men­to da safra bra­si­lei­ra de grãos 2020/21. Com rela­ção à soja, a área seme­a­da e a pro­du­ti­vi­da­de média foram revi­sa­das para cima em 0,5%, fren­te às esti­ma­ti­vas de feve­rei­ro últi­mo. Com isso, está pre­vis­ta a pro­du­ção de 135,12 milhões de tone­la­das do grão na tem­po­ra­da atu­al, em fase de colhei­ta.

O volu­me é 1% mai­or que o esti­ma­do ante­ri­or­men­te e 8,2% aci­ma dos 124,84 milhões de tone­la­das colhi­das na safra pas­sa­da (2019/20), recor­de até então. Com rela­ção ao milho de pri­mei­ra safra (safra de verão), a área foi revi­sa­da para cima em 1,9%, mas o ren­di­men­to médio caiu 2,5% fren­te à esti­ma­ti­va ante­ri­or.

Com isso, é espe­ra­da a pro­du­ção de 23,49 milhões de tone­la­das do cere­al na pri­mei­ra safra 2020/21, cuja colhei­ta está em anda­men­to no Bra­sil. Esse volu­me é 0,6% menor que o esti­ma­do no rela­tó­rio pas­sa­do para esse ciclo e 8,6% abai­xo do colhi­do na tem­po­ra­da pas­sa­da (2019/20).

Para a segun­da safra de milho (safra de inver­no), em fase de seme­a­du­ra, a Conab aumen­tou a esti­ma­ti­va com rela­ção à área plan­ta­da (+2,2%) e a pro­du­ti­vi­da­de média (+1,1%) no ciclo atu­al, em rela­ção ao esti­ma­do em feve­rei­ro. Estão pre­vis­tos 82,8 milhões de tone­la­das de milho na segun­da safra 2020/21, 3,4% mais que o esti­ma­do ante­ri­or­men­te e 10,3% aci­ma do colhi­do na segun­da safra 2019/20.

Com rela­ção ao milho total (1ª, 2ª e 3ª safras), são espe­ra­dos 108,06 milhões de tone­la­das no Bra­sil em 2020/21, 5,4% mais que o colhi­do no ciclo pas­sa­do. A pro­du­ção total será recor­de, se con­fir­ma­do esse volume.

Ligeiro recuo no preço do farelo de soja no mercado brasileiro 

Depois das for­tes altas do dólar na pri­mei­ra sema­na de mar­ço, o câm­bio recu­ou, afe­tan­do os pre­ços da soja em grão no mer­ca­do bra­si­lei­ro, em reais. A moe­da nor­te-ame­ri­ca­na, que che­gou a ser cota­da em R$ 5,83 no dia 9 de mar­ço, fechou em R$ 5,66/US$ no dia 17/3.

Além do câm­bio, o avan­ço da colhei­ta no Bra­sil e a expec­ta­ti­va de safra recor­de nes­ta tem­po­ra­da (2020/21) tira­ram a sus­ten­ta­ção dos pre­ços da soja. No caso do fare­lo de soja, as cota­ções acom­pa­nha­ram os recu­os do grão e tam­bém o aumen­to do esma­ga­men­to e a mai­or ofer­ta do ali­men­to con­cen­tra­do.

Segun­do levan­ta­men­to da Scot Con­sul­to­ria, em São Pau­lo, o fare­lo de soja está cota­do, em média, em R$ 2.818,95, por tone­la­da, sem o fre­te, uma que­da de 3,8% na com­pa­ra­ção com feve­rei­ro des­te ano. Ape­sar da que­da, o insu­mo está cus­tan­do 84,9% mais este ano na com­pa­ra­ção com mar­ço de 2020.

Para o cur­to pra­zo, se o câm­bio seguir mais frou­xo, a expec­ta­ti­va é de que os pre­ços da soja em grão e do fare­lo de soja sigam mais frou­xos no mer­ca­do bra­si­lei­ro, mas com as que­das limi­ta­das pela boa deman­da e atra­sos nos tra­ba­lhos no cam­po. De olho no câm­bio e clima!

Expectativa de aumento nas áreas de milho e soja nos Estados Unidos em 2021/22

Segun­do dados apre­sen­ta­dos no Agri­cul­tu­ral Outlo­ok Forum, pelo Depar­ta­men­to de Agri­cul­tu­ra dos Esta­dos Uni­dos, no fim de feve­rei­ro, os nor­te-ame­ri­ca­nos deve­rão seme­ar 37,23 milhões de hec­ta­res com milho no ciclo atu­al (2021/22), fren­te aos 33,37 milhões de hec­ta­res na safra pas­sa­da (2020/21).

A pro­du­ção está esti­ma­da em 384,43 milhões de tone­la­das, fren­te aos 360,25 milhões de tone­la­das colhi­das em 2020/21. Além do aumen­to na área, a pro­du­ti­vi­da­de média deve­rá ser mai­or que na safra pas­sa­da.

Para a soja, a expec­ta­ti­va é que sejam plan­ta­dos 36,42 milhões de hec­ta­res no ciclo atu­al, fren­te aos 33,31 milhões de hec­ta­res na safra pas­sa­da (2020/21). A pro­du­ção nor­te-ame­ri­ca­na foi esti­ma­da em 123,15 milhões de tone­la­das em 2021/22, fren­te aos 112,54 milhões de tone­la­das colhi­das no ciclo pas­sa­do. Os ren­di­men­tos médi­os tam­bém deve­rão ser mai­o­res na tem­po­ra­da que está ini­ci­an­do nos Esta­dos Uni­dos.

Ape­sar do aumen­to pre­vis­to em área e pro­du­ti­vi­da­de de milho e soja, o cli­ma frio e as gea­das recen­tes nos Esta­dos Uni­dos gera­ram espe­cu­la­ções nes­ses meses que ante­ce­dem o plan­tio. Des­sa for­ma, o cli­ma nos Esta­dos Uni­dos será um fator impor­tan­te na pre­ci­fi­ca­ção do milho e soja no mer­ca­do inter­na­ci­o­nal em cur­to e médio prazos.

Disparada nos preços dos adubos 

Os pre­ços dos fer­ti­li­zan­tes dis­pa­ra­ram no mer­ca­do bra­si­lei­ro em 2021, com a alta do dólar, soma­da à boa movi­men­ta­ção inter­na, ofer­ta res­tri­ta de alguns pro­du­tos e às altas nas cota­ções no mer­ca­do inter­na­ci­o­nal. Des­de o iní­cio do ano, o mer­ca­do está fir­me e as cota­ções em alta no País.

Segun­do levan­ta­men­to da Scot Con­sul­to­ria, em São Pau­lo, a ureia ficou cota­da, em média, em R$ 2.988,24 por tone­la­da, sem o fre­te, em mar­ço. Hou­ve aumen­to de 13,8% na com­pa­ra­ção men­sal e, em rela­ção a mar­ço de 2020, o adu­bo está cus­tan­do 80,6% mais este ano.

Con­si­de­ran­do os fer­ti­li­zan­tes nitro­ge­na­dos pes­qui­sa­dos, os pre­ços subi­ram, em média, 7,1% em mar­ço, na com­pa­ra­ção men­sal. Para os potás­si­cos e fos­fa­ta­dos, os aumen­tos foram, em média, de 9,3% e 13%, res­pec­ti­va­men­te.

Para o cur­to pra­zo, a expec­ta­ti­va é de pre­ços fir­mes para os fer­ti­li­zan­tes no mer­ca­do bra­si­lei­ro, com o câm­bio em pata­ma­res ele­va­dos e a deman­da inter­na aque­ci­da.

Com rela­ção às ven­das de fer­ti­li­zan­tes no Bra­sil, a Asso­ci­a­ção Naci­o­nal para Difu­são de Adu­bos (Anda) divul­gou recen­te­men­te os dados de outu­bro de 2020. Naque­la opor­tu­ni­da­de foram entre­gues 4,13 milhões de tone­la­das de fer­ti­li­zan­tes, 0,4% mais que em igual mês de 2019.

Com isso, no acu­mu­la­do de janei­ro a outu­bro de 2020, dados mais recen­tes dis­po­ní­veis, as entre­gas tota­li­za­ram 33,5 milhões de tone­la­das de adu­bos no Bra­sil, 10,0% mais que em igual perío­do do ano ante­ri­or.

A expec­ta­ti­va da Scot Con­sul­to­ria é de que as entre­gas totais tenham fica­do entre 39,5 milhões e 40,5 milhões de tone­la­das de fer­ti­li­zan­tes em 2020, que, se con­fir­ma­das, serão recor­de. O recor­de até então foi em 2019, quan­do foram entre­gues 36,24 milhões de tone­la­das de adu­bos no Bra­sil.

As altas nos pre­ços das prin­ci­pais com­mo­di­ti­es agrí­co­las no ano pas­sa­do puxa­ram a deman­da por adu­bos no País para a tem­po­ra­da 2020/21 e tam­bém as ante­ci­pa­ções na tro­ca para a tem­po­ra­da 2021/22. Para 2021, as pro­je­ções apon­tam para uma deman­da de pelo menos 40 milhões de tone­la­das de adu­bos no Brasil.

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