Apontando caminhos - Digital Balde Branco

OPINIÃO

Coriolano Xavier

Membro do Conselho Científico Agro Sustentável (CCAS) e professor da ESPM

APONTANDO CAMINHOS

A agri­cul­tu­ra dos tró­pi­cos é um dos fatos mais rele­van­tes para a segu­ran­ça ali­men­tar mun­di­al, na pers­pec­ti­va de um futu­ro pró­xi­mo. Será do mun­do tro­pi­cal que sai­rão os ali­men­tos bási­cos para abas­te­cer o cres­ci­men­to popu­la­ci­o­nal do pla­ne­ta. Os paí­ses tro­pi­cais já repre­sen­tam cer­ca de 40% do valor das expor­ta­ções mun­di­ais de ali­men­tos e o papel da região no abas­te­ci­men­to do pla­ne­ta é ine­gá­vel. Só o Bra­sil expor­ta para mais de 170 paí­ses e ali­men­ta mais de 770 milhões de pes­so­as, cer­ca de 10% da popu­la­ção mun­di­al, segun­do o arti­go “O Agro Bra­si­lei­ro ali­men­ta 10% da popu­la­ção mun­di­al”, de Elí­sio Con­ti­ni e Adal­ber­to Ara­gão, pes­qui­sa­dor sêni­or e ana­lis­ta da Embra­pa, respectivamente.

Em mar­ço, ocor­reu a I Sema­na Inter­na­ci­o­nal de Agri­cul­tu­ra Tro­pi­cal – Agri­Trop, pro­mo­vi­da pela Embra­pa e pelo Ins­ti­tu­to Inte­ra­me­ri­ca­no de Coo­pe­ra­ção para a Agri­cul­tu­ra (IICA). O even­to (https://www.embrapa.br/agritrop21) reu­niu espe­ci­a­lis­tas do Bra­sil e de outros paí­ses tro­pi­cais da Amé­ri­ca Lati­na, Áfri­ca e Ásia; entre eles a Índia, país com uma popu­la­ção gigan­te, cer­ca de 1,4 bilhão de pes­so­as. Foi um olhar sobre o que está acon­te­cen­do na agri­cul­tu­ra tro­pi­cal, o que há de mais novo, moder­no e sus­ten­tá­vel no setor.

O enfo­que pri­o­ri­tá­rio foi ana­li­sar os pon­tos for­tes, os mai­o­res desa­fi­os e as estra­té­gi­as de melho­ria, tudo dis­cu­ti­do por gen­te de repu­ta­ção em ciên­cia e tec­no­lo­gia agrí­co­la, gover­nan­ça de cadei­as pro­du­ti­vas e rela­ções inter­na­ci­o­nais. A pro­pos­ta é cons­truir con­sen­sos para pro­du­zir mais e melhor, no cam­po e nas cadei­as pro­du­ti­vas. E tudo de olho no segun­do semes­tre, reu­nin­do sub­sí­di­os téc­ni­cos para a Cúpu­la Mun­di­al de Sis­te­mas Ali­men­ta­res das Nações Uni­das, que ocor­re em setem­bro de 2021, com o obje­ti­vo de tor­nar os sis­te­mas ali­men­ta­res mais sus­ten­tá­veis e igua­li­tá­ri­os, colo­can­do-os na dire­ção dos Obje­ti­vos de Desen­vol­vi­men­to Sus­ten­tá­vel (ODSs) da ONU.

Por que tudo isso é impor­tan­te para o Bra­sil? Pri­mei­ro, para esta­be­le­cer enten­di­men­tos sobre novos cami­nhos para a segu­ran­ça ali­men­tar e a sus­ten­ta­bi­li­da­de no agro, levan­do um pen­sa­men­to con­sis­ten­te do agro bra­si­lei­ro e lati­no-ame­ri­ca­no para a Cúpu­la das Nações Uni­das sobre ali­men­ta­ção. A agro­pe­cuá­ria tro­pi­cal foi a que mais avan­çou na pro­du­ção de ali­men­tos bási­cos, tor­nan­do-se um fiel da balan­ça para a segu­ran­ça ali­men­tar mun­di­al. E, para for­ta­le­cer ain­da mais a sua lide­ran­ça nes­sa nova rea­li­da­de, o Bra­sil pode­rá levar à Cúpu­la pro­po­si­ções de van­guar­da para a pro­du­ção sus­ten­tá­vel de alimentos.

Nos­so país tem his­tó­ria e cur­rí­cu­lo para tan­to, pois come­çou lá atrás, com a Revo­lu­ção Agrí­co­la Tro­pi­cal Sus­ten­tá­vel de Alys­son Pao­li­nel­li, anos 1970, que inclu­si­ve será home­na­ge­a­do no even­to Agri­Trop por sua indi­ca­ção para o Prê­mio Nobel da Paz 2021. O Bra­sil pode com­par­ti­lhar essa lon­ga expe­ri­ên­cia com o res­tan­te do mun­do tro­pi­cal. Agnes Kali­ba­ta, envi­a­da espe­ci­al da ONU ao Bra­sil, assim resu­miu em janei­ro últi­mo: “A Cúpu­la só terá efe­ti­vi­da­de em apon­tar cami­nhos, (…) se nós poten­ci­a­li­zar­mos com suces­so o conhe­ci­men­to e a expe­ri­ên­cia cole­ti­va da manei­ra mais ampla pos­sí­vel, em diver­sos seto­res”. Em outras pala­vras: inte­gra­ção, con­sen­so e coo­pe­ra­ção. Multilateral.

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