Balde Cheio se expande na Embrapa - Digital Balde Branco

Pro­je­to será trans­for­ma­do em macro pro­gra­ma de trans­fe­rên­cia de tec­no­lo­gia para aten­der vári­as regiões do país a par­tir de 16 uni­da­des da Embrapa

Por Rubens Nei­va (com repor­ta­gem de Gise­le Rosso)

O pro­je­to Bal­de Cheio, que se tor­nou uma refe­rên­cia em capa­ci­ta­ção de pro­fis­si­o­nais de assis­tên­cia téc­ni­ca e pro­du­to­res de lei­te, pode se tor­nar um macro pro­gra­ma de trans­fe­rên­cia de tec­no­lo­gi­as da Embra­pa. Den­tro do sis­te­ma de ges­tão da ins­ti­tui­ção, macro pro­gra­mas são as ins­tân­ci­as que abri­gam vári­os pro­je­tos de pes­qui­sa sobre um mes­mo tema.

Des­sa for­ma, o Bal­de Cheio dei­xa­ria de ser uma ação de uma das uni­da­des da Embra­pa, de São Car­los-SP, para se tor­nar um pro­gra­ma da ins­ti­tui­ção, englo­ban­do outras uni­da­des com a mes­ma fina­li­da­de. Esse redi­men­si­o­na­men­to ampli­a­rá as ações do pro­je­to, per­mi­tin­do mai­or apor­te de recur­sos, tan­to da Embra­pa, como de órgãos par­cei­ros, o que pos­si­bi­li­ta­rá a ampli­a­ção do núme­ro de pro­du­to­res assistidos.

Vári­as reu­niões estão já foram rea­li­za­das com esse obje­ti­vo. Entre elas, o Semi­ná­rio Lei­te e Deri­va­dos-Bal­de Cheio e Outras Tec­no­lo­gi­as, ocor­ri­do no iní­cio de dezem­bro, em Goi­a­ná-MG. O even­to que durou qua­tro dias reu­niu repre­sen­tan­tes do Sebrae e pes­qui­sa­do­res e ana­lis­tas das uni­da­des da Embra­pa que tra­ba­lham com leite.

Segun­do o che­fe do Depar­ta­men­to de Trans­fe­rên­cia de Tec­no­lo­gi­as da Embra­pa, Fer­nan­do Ama­ral, o obje­ti­vo foi defi­nir as linhas de atu­a­ção da Embra­pa e do Sebrae na cons­tru­ção de uma rede com as meto­do­lo­gi­as con­so­li­da­das do pro­je­to Bal­de Cheio, com coor­de­na­ção naci­o­nal. Além da Embra­pa Pecuá­ria Sudes­te e da Embra­pa Gado de Lei­te, o Sebrae (entre outras ins­ti­tui­ções, con­for­me a região) terá papel fun­da­men­tal na for­mu­la­ção e con­du­ção do projeto.

Pro­du­tor fami­li­ar – O Bal­de Cheio sur­giu há 18 anos, ide­a­li­za­do pelo pes­qui­sa­dor Arthur Chi­ne­la­to de Camar­go, da Embra­pa Pecuá­ria Sudes­te, em São Car­los-SP. Em linhas gerais, o obje­ti­vo é capa­ci­tar exten­si­o­nis­tas e pro­du­to­res de lei­te, uti­li­zan­do pro­pri­e­da­des rurais para difun­dir infor­ma­ções e tec­no­lo­gi­as apli­ca­das em cada região, moni­to­ran­do os impac­tos ambi­en­tais, econô­mi­cos e soci­ais nos sis­te­mas de pro­du­ção que ado­tam as tec­no­lo­gi­as propostas.

Segun­do Chi­ne­la­to, o foco do Bal­de Cheio são as pro­pri­e­da­des de base fami­li­ar: “Além do aumen­to da pro­du­ti­vi­da­de e da ren­ta­bi­li­da­de, bus­ca­mos a recu­pe­ra­ção da auto­es­ti­ma e da dig­ni­da­de do pro­du­tor de lei­te por meio do aumen­to da ren­da, per­mi­tin­do a fixa­ção da famí­lia no meio rural”. Quan­to à exten­são rural, o pes­qui­sa­dor diz que o obje­ti­vo é res­ta­be­le­cer a impor­tân­cia do exten­si­o­nis­ta como fator essen­ci­al no desen­vol­vi­men­to sus­ten­tá­vel da ati­vi­da­de leiteira.

Em linhas gerais, o que o Bal­de Cheio pre­ten­de é incre­men­tar a pecuá­ria de lei­te via trans­fe­rên­cia das tec­no­lo­gi­as que melhor se adap­tem à rea­li­da­de de cada pro­pri­e­da­de. Sobre essa pers­pec­ti­va, o che­fe-adjun­to da Embra­pa Pecuá­ria Sudes­te, André Novo, des­faz um gran­de mito do pro­je­to: “O Bal­de Cheio não quer impor um paco­te tec­no­ló­gi­co, mas fazer com que o pro­du­tor tra­ba­lhe de for­ma profissional”.

Uma das exi­gên­ci­as para par­ti­ci­par do pro­je­to é fazer a escri­tu­ra­ção bási­ca: ano­ta­ções zoo­téc­ni­cas como con­tro­le lei­tei­ro e repro­du­ti­vo e con­tro­le finan­cei­ro da pro­pri­e­da­de. Tam­bém são neces­sá­ri­os os con­tro­les de bru­ce­lo­se e tuber­cu­lo­se e o aten­di­men­to de todas as exi­gên­ci­as legais rela­ti­vas à ati­vi­da­de. O pro­je­to tra­ba­lha com o con­cei­to de uni­da­des demons­tra­ti­vas, onde a fazen­da é a sala de aula para o téc­ni­co da exten­são. Reu­niões e dias de cam­po envol­ven­do os pro­du­to­res de uma loca­li­da­de são rea­li­za­dos peri­o­di­ca­men­te, sem­pre com a auto­ri­za­ção do dono.

Em tais encon­tros, os pro­du­to­res rece­bem as ori­en­ta­ções dos pro­fis­si­o­nais da assis­tên­cia téc­ni­ca, bem como de um ins­tru­tor, capa­ci­ta­dos pelos pes­qui­sa­do­res da Embra­pa. “O que pre­co­ni­za­mos são tec­no­lo­gi­as con­sa­gra­das de inten­si­fi­ca­ção da pro­du­ção como adu­ba­ção de cul­tu­ras for­ra­gei­ras, obe­de­cen­do pecu­li­a­ri­da­des regi­o­nais”, diz Novo. Outra exi­gên­cia para que uma pro­pri­e­da­de se tor­ne uma uni­da­de demons­tra­ti­va é que o pro­pri­e­tá­rio per­mi­ta a visi­ta­ção por outros téc­ni­cos e pro­du­to­res da região.

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