Bezerras: dieta líquida (parte 7) - Digital Balde Branco
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PERGUNTAS E RESPOSTAS

BEZERRAS

Dieta líquida (parte 7)

Sob o patrocínio do programa Alta Cria, a Balde Branco publica nesta seção – Perguntas e Respostas – uma série de matérias com informações sobre as Boas Práticas na Criação de Bezerras, sob a coordenação de Rafael Azevedo, gerente de produto da Alta Genetics e coordenador e conselheiro do programa Alta Cria

Se tenho lei­te de des­car­te pas­teu­ri­za­do e de boa qua­li­da­de (CBT menor que 1.000 UFC/mililitro, com aspec­to nor­mal e boa por­cen­ta­gem de gor­du­ra), mas o volu­me não é sufi­ci­en­te para todas as bezer­ras em alei­ta­men­to, o que seria melhor: dar esse lei­te de des­car­te pas­teu­ri­za­do e aden­sa­do para 14% de sóli­dos totais ou for­ne­cer suce­dâ­neo puro com 14% de sóli­dos para bezer­ras até 15 dias de idade?

A melhor opção para bezer­ras é sem­pre for­ne­cer um pro­du­to que não ofe­re­ça ris­co para a saú­de e man­te­nha valo­res de sóli­dos ade­qua­dos (míni­mo 12,5% sóli­dos totais). Ao for­ne­cer lei­te de des­car­te pas­teu­ri­za­do e aden­sa­do, redu­zi­mos o ris­co de for­ne­cer lei­te com gran­de núme­ro de bac­té­ri­as e cor­ri­gi­mos o teor de sóli­dos. Essas medi­das melho­ram as carac­te­rís­ti­cas do pro­du­to; no entan­to, não pode­mos esque­cer que esse pro­du­to tem resí­du­os de dro­gas anti­mi­cro­bi­a­nas e pode pro­vo­car resis­tên­cia bac­te­ri­a­na, o que traz ris­cos para o ani­mal, para o meio ambi­en­te e para todos os que estão em con­ta­to com os ani­mais.
Na situ­a­ção pro­pos­ta aci­ma (lei­te com menos de 1.000 UFC/ml), pro­va­vel­men­te esse lei­te está sen­do des­car­ta­do por con­ter alta con­ta­gem de célu­las somá­ti­cas, mas com bai­xa con­ta­gem de UFC, além de estar mis­tu­ra­do com lei­te de tran­si­ção, lei­te de carên­cia de anti­bió­ti­cos, car­ra­pa­ti­ci­das, etc. Nes­te caso, a qua­li­da­de nutri­ci­o­nal do pro­du­to é boa e vai pro­por­ci­o­nar mai­or diges­ti­bi­li­da­de em rela­ção a qual­quer suce­dâ­neo, tor­nan­do-se a melhor opção. Porém, caso tenha resí­du­os de anti­bió­ti­cos, ele deve­ria ser des­car­ta­do e um bom suce­dâ­neo pode ser fornecido.

O lei­te com resí­du­os de anti­bió­ti­co pode tra­zer algum male­fí­cio para a bezerra? 

Sim, o resí­duo de anti­bió­ti­co pro­vo­ca resis­tên­cia das bac­té­ri­as do tra­to diges­ti­vo e res­pi­ra­tó­rio das bezer­ras em rela­ção à dro­ga uti­li­za­da para o tra­ta­men­to das vacas. Isso sele­ci­o­na, no orga­nis­mo do ani­mal e no meio ambi­en­te, bac­té­ri­as que cres­cem e se repro­du­zem, mes­mo que o ani­mal este­ja sen­do tra­ta­do com anti­bió­ti­cos, o que faz com que os tra­ta­men­tos sejam ine­fi­ca­zes, aumen­tan­do o ris­co de mor­ta­li­da­de dos animais.

Quais as van­ta­gens de se pas­teu­ri­zar o lei­te para for­ne­ci­men­to às bezerras?

Redu­zir o núme­ro de bac­té­ri­as no lei­te, expon­do os ani­mais a meno­res ris­cos de trans­tor­nos cau­sa­dos pelas bactérias.

Qual o melhor tipo de pas­teu­ri­za­ção do lei­te de descarte?

Tan­to a pas­teu­ri­za­ção len­ta (63°C por 30 minu­tos) quan­to a pas­teu­ri­za­ção rápi­da (72°C por 10 a 15 segun­dos), segui­das de res­fri­a­men­to rápi­do do lei­te, são efe­ti­vas na redu­ção do núme­ro de pató­ge­nos. Porém, é pre­ci­so lem­brar que o pro­ces­so de pas­teu­ri­za­ção não sig­ni­fi­ca este­ri­li­za­ção, e a qua­li­da­de do pro­du­to final vai depen­der de alguns pon­tos como qua­li­da­de do pro­du­to que entrou no pas­teu­ri­za­dor, capa­ci­da­de de o pas­teu­ri­za­dor atin­gir a tem­pe­ra­tu­ra e o tem­po ade­qua­do de pas­teu­ri­za­ção, efi­ci­ên­cia de res­fri­a­men­to ime­di­a­to e esto­ca­gem refri­ge­ra­da do pro­du­to, caso ele não seja for­ne­ci­do imediatamente.

O lei­te sem anti­bió­ti­co, mas com con­ta­gem de célu­las somá­ti­cas (CCS) alta, pode ser for­ne­ci­do para a bezer­ra? Pode acar­re­tar algum pro­ble­ma na fase adulta?

O lei­te com alta CCS tam­bém pos­sui bac­té­ri­as pre­sen­tes, uma vez que o aumen­to da CCS é cau­sa­do pelo pro­ces­so inflamatório/infeccioso. Todas as vezes que for­ne­ce­mos às bezer­ras lei­te com mui­tas bac­té­ri­as, pode­mos deses­ta­bi­li­zar a micro­bi­o­ta comen­sal pre­sen­te no intes­ti­no e aumen­tar o ris­co de dis­túr­bi­os gas­troin­tes­ti­nais (diar­reia). Sen­do assim, caso a fazen­da opte por for­ne­cer esse pro­du­to, ele deve ser pas­teu­ri­za­do e dire­ci­o­na­do aos ani­mais mais velhos.

Acompanhe mais algumas das principais dúvidas dos produtores sobre como fazer corretamente a cura de umbigo das bezerras, para evitar uma série de problemas 
Perguntas respondidas por: • Rafael Alves de Azevedo – Alta Genetics • José Eduardo Portela Santos – UF • Rodrigo Melo Meneses – EV/UFMG • Lívia Carolina Magalhães Silva Antunes – Fazu • Sandra Gesteira Coelho – EV/UFMG
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