Bezerras: dieta líquida (parte 8) - Digital Balde Branco
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PERGUNTAS E RESPOSTAS

BEZERRAS

Dieta líquida (parte 8)

Sob o patrocínio do programa Alta Cria, a Balde Branco publica nesta seção – Perguntas e Respostas – uma série de matérias com informações sobre as Boas Práticas na Criação de Bezerras, sob a coordenação de Rafael Azevedo, gerente de produto da Alta Genetics e coordenador e conselheiro do programa Alta CRIA

É viá­vel eco­no­mi­ca­men­te des­car­tar o lei­te de anti­bió­ti­co e não o uti­li­zar para as bezerras?

Isso é uma opção do fazen­dei­ro e alguns aspec­tos devem ser con­si­de­ra­dos ao se tomar a deci­são de usar ou não lei­te de des­car­te. Caso a opção seja uti­li­zá-lo, ele deve ser pas­teu­ri­za­do, devi­do ao ris­co de alta con­ta­gem bac­te­ri­a­na e pre­sen­ça de agen­tes pato­gê­ni­cos como o Myco­plas­ma. De manei­ra geral, vacas tra­ta­das com anti­bió­ti­cos que são excre­ta­dos no lei­te repre­sen­tam de 0,5% a 1% do reba­nho, e esse lei­te pode não ser sufi­ci­en­te para ali­men­tar todas as bezer­ras. Nes­se caso, o uso de lei­te com resí­duo de anti­bió­ti­cos tem pou­ca impor­tân­cia do pon­to de vis­ta econô­mi­co para o reba­nho e seria pru­den­te des­car­tá-lo por com­ple­to. A difi­cul­da­de é quan­do o reba­nho pas­sa por pro­ble­mas de saú­de e inú­me­ras vacas estão sob tra­ta­men­to com pro­du­tos que exi­gem perío­do de des­car­te. Nes­se caso, a quan­ti­da­de de lei­te de des­car­te é gran­de e seu valor econô­mi­co se tor­na impor­tan­te. Nem todo lei­te de des­car­te é ori­gi­ná­rio de vacas que rece­bem anti­bió­ti­cos. Em mui­tos casos, uso de car­ra­pa­ti­ci­das, anti-infla­ma­tó­ri­os e outros pro­du­tos faz com que o lei­te deva ser des­car­ta­do e, nes­ses casos, o ris­co de resis­tên­cia anti­mi­cro­bi­a­na não é um ris­co para a bezer­ra. Cada situ­a­ção deve ser con­si­de­ra­da com cau­te­la e não há res­pos­ta úni­ca, já que depen­de­rá do total de lei­te des­ti­na­do ao des­car­te no rebanho.

Se não for for­ne­ci­do às bezer­ras, o que fazer com o lei­te de descarte? 

Caso a opção seja por não uti­li­zar o lei­te de des­car­te, então ele deve ser eli­mi­na­do por com­ple­to da ali­men­ta­ção ani­mal e des­car­ta­do jun­to com os outros resí­du­os da fazen­da, nas lago­as de decan­ta­ção de dejetos.

Exis­te algu­ma dife­ren­ça, nas pri­mei­ras sema­nas de vida, se o lei­te é for­ne­ci­do por mama­dei­ra ou em balde?

Não exis­tem dife­ren­ças, des­de que a higi­e­ne seja mui­to bem fei­ta. A higi­e­ni­za­ção das mama­dei­ras é mais difí­cil e, por isso, mui­tos bezer­rei­ros têm mai­or ocor­rên­cia de diar­rei­as. Essa é a mai­or van­ta­gem dos bal­des. No entan­to, para o for­ne­ci­men­to com bal­des, exis­te a neces­si­da­de de trei­na­men­to do bezer­ro, o que requer paci­ên­cia e com­pro­me­ti­men­to do tra­ta­dor. Do pon­to de vis­ta com­por­ta­men­tal, exis­te uma ten­dên­cia de se enten­der a mama­dei­ra como melhor, pelo fato de haver um bico e pro­por­ci­o­nar uma posi­ção da cabe­ça do ani­mal simi­lar ao que ocor­re­ria com o bezer­ro ao pé da vaca. No entan­to, a mai­or par­te dos sis­te­mas for­ne­ce um peque­no volu­me de die­ta líqui­da em pou­cas refei­ções de for­ma que a neces­si­da­de de mamar de um bico não é total­men­te aten­di­da. Mais impor­tan­te que o méto­do de for­ne­ci­men­to do lei­te é asse­gu­rar que tan­to o bal­de como as mama­dei­ras sejam higi­e­ni­za­das cor­re­ta­men­te para evi­tar con­ta­mi­na­ção e ris­co de diar­reia. Entre­tan­to, quan­do é fei­to o uso de bal­des nos pri­mei­ros dias de vida, é fun­da­men­tal trei­nar a bezer­ra para que ela apren­da como mamar.

A uti­li­za­ção de bal­des com bico é indicada?

Sim, exis­te indi­ca­ção. A ado­ção de bal­des com bicos para o alei­ta­men­to de bezer­ros melho­ra o grau de bem-estar dos ani­mais nas fazen­das. De fato, a opor­tu­ni­da­de de expres­sar o com­por­ta­men­to ina­to de sugar o lei­te aten­de a um dos qua­tro prin­cí­pi­os da pro­mo­ção do bem-estar ani­mal, nes­se caso o prin­cí­pio do “com­por­ta­men­to apro­pri­a­do”, sen­do que os outros três são “boa saú­de”, “boa nutri­ção” e “bom ambi­en­te”. O alei­ta­men­to arti­fi­ci­al é, geral­men­te, rea­li­za­do em bal­des sem bicos, o que não ofe­re­ce a opor­tu­ni­da­de de os bezer­ros suga­rem o lei­te. Isso pode gerar pro­ble­mas de ordem moti­va­ci­o­nal, levan­do os bezer­ros a alte­ra­rem seu com­por­ta­men­to, poden­do aumen­tar a ocor­rên­cia de mama­das cru­za­das, que é a suc­ção de par­tes dos cor­pos de outros bezer­ros. A uti­li­za­ção des­se tipo de bal­de favo­re­ce o bom fun­ci­o­na­men­to da gotei­ra eso­fá­gi­ca pelo posi­ci­o­na­men­to cor­re­to do pes­co­ço dos bezer­ros. Resul­ta­dos prá­ti­cos nas fazen­das apon­tam para a faci­li­da­de do bezer­ro em tomar todo o lei­te ofe­re­ci­do des­de os pri­mei­ros dias de vida. Além dis­so, per­mi­tir que os ani­mais expres­sem seus com­por­ta­men­tos natu­rais, nes­se caso, o de sugar o lei­te, é uma das novas deman­das do mer­ca­do con­su­mi­dor, que pre­zam pela qua­li­da­de de vida dos ani­mais nas fazen­das. Para que esses bons resul­ta­dos sejam obser­va­dos na fazen­da, é neces­sá­ria a ado­ção de boas prá­ti­cas de mane­jo, aten­tan­do-se ao tama­nho do furo do bico, que não pode ser gran­de, a higi­e­ni­za­ção cor­re­ta dos equi­pa­men­tos e a altu­ra cor­re­ta do bal­de, onde o bico deve estar a 45 cm do chão para que se alcan­cem resul­ta­dos posi­ti­vos em sua plenitude.

É indi­ca­do o for­ne­ci­men­to de lei­te ou suce­dâ­neo por son­da quan­do a bezer­ra não apre­sen­ta ape­ti­te (redu­ção de con­su­mo para zero ou menos de 25% do que esta­va con­su­min­do)? Se sim, qual o pro­ce­di­men­to ade­qua­do para esse fornecimento?

O for­ne­ci­men­to de lei­te ou suce­dâ­neo por son­da nun­ca é indi­ca­do, mes­mo quan­do o ani­mal não apre­sen­ta ape­ti­te. Duran­te o par­to, a bezer­ra já ini­cia o seu con­ta­to com micror­ga­nis­mos pre­sen­tes na vagi­na da vaca. Logo após o par­to, micror­ga­nis­mos oriun­dos das lam­bi­das da vaca e aque­les pre­sen­tes no ambi­en­te vão colo­ni­zan­do gra­du­al­men­te o tra­to gas­troin­tes­ti­nal da bezer­ra. A prá­ti­ca de for­ne­ci­men­to de lei­te ou suce­dâ­neo via son­da faz com que esse ali­men­to caia dire­ta­men­te no rúmen, per­mi­tin­do a sua fer­men­ta­ção nes­se local pela micro­bi­o­ta ali exis­ten­te. Isso gera qua­dro de aci­do­se rumi­nal agu­da, conhe­ci­da como beber rumi­nal. Esse qua­dro leva à dis­ten­são abdo­mi­nal devi­do ao acú­mu­lo de líqui­do e gás no rúmen oriun­do da fer­men­ta­ção láti­ca agu­da. Em resu­mo, a úni­ca die­ta líqui­da que pode ser for­ne­ci­da via son­da é o colos­tro, nas pri­mei­ras horas de vida.

Quais os prós e con­tras da prá­ti­ca de desa­lei­ta­men­to pre­co­ce (< 50 dias de vida)?

A prin­ci­pal razão do desa­lei­ta­men­to ao redor dos 50 dias de vida é econô­mi­ca, já que o for­ne­ci­men­to de lei­te é mais caro que o uso de con­cen­tra­dos. No entan­to, para que a bezer­ra seja desa­lei­ta­da aos 50 dias, ela pre­ci­sa ter pas­sa­do por um pro­gra­ma nutri­ci­o­nal que pro­mo­va não somen­te ganho de peso e cres­ci­men­to ade­qua­do, mas tam­bém desen­vol­vi­men­to rumi­nal e capa­ci­da­de de inges­tão de ali­men­tos sóli­dos. Isso só ocor­re se a bezer­ra rece­ber lei­te sufi­ci­en­te para seu cres­ci­men­to nas pri­mei­ras 5 a 6 sema­nas de vida e se hou­ver redu­ção gra­du­al do for­ne­ci­men­to de lei­te ao mes­mo tem­po que a inges­tão de ali­men­to con­cen­tra­do tenha aumen­to gra­da­ti­vo. Desa­lei­ta­men­to mui­to pre­co­ce vai, em mui­tos casos, res­trin­gir o cres­ci­men­to da bezer­ra e aumen­tar o ris­co de doen­ças. Por outro lado, o desa­lei­ta­men­to mui­to tar­dio aumen­ta­rá os cus­tos de recria sem nenhum bene­fí­cio apa­ren­te no desem­pe­nho da bezer­ra. Devi­do aos ris­cos do desa­lei­ta­men­to mui­to pre­co­ce, quan­do o con­su­mo de con­cen­tra­do é insu­fi­ci­en­te, é mais reco­men­da­do fazê-lo entre 55 e 60 dias de vida. Nes­se caso, para raças de gran­de por­te como a Holan­de­sa, espe­ra-se que a bezer­ra a ser desa­lei­ta­da apre­sen­te inges­tão de con­cen­tra­do de 1,5 kg/dia e que tenha dobra­do o seu peso cor­po­ral ao nascimento.

Acompanhe mais algumas das principais dúvidas dos produtores sobre como fazer corretamente a cura de umbigo das bezerras, para evitar uma série de problemas 
Perguntas respondidas por: • Rafael Alves de Azevedo – Alta Genetics • José Eduardo Portela Santos – UF • Rodrigo Melo Meneses – EV/UFMG • Lívia Carolina Magalhães Silva Antunes – Fazu • Sandra Gesteira Coelho – EV/UFMG
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