Bezerras: dieta sólida - Digital Balde Branco
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PERGUNTAS E RESPOSTAS

BEZERRAS

Dieta sólida

Sob o patrocínio do programa Alta Cria, a Balde Branco publica nesta seção – Perguntas e Respostas – uma série de matérias com informações sobre as Boas Práticas na Criação de Bezerras, sob a coordenação de Rafael Azevedo, gerente de produto da Alta Genetics e coordenador e conselheiro do programa Alta Cria

Qual o teor de pro­teí­na bru­ta (PB) ide­al do con­cen­tra­do duran­te o perío­do de alei­ta­men­to? Esse teor muda depois do desa­lei­ta­men­to da bezerra?

O NRC (2001) reco­men­da 18% de pro­teí­na bru­ta (PB) na maté­ria seca do con­cen­tra­do para bezer­ras em alei­ta­men­to. No entan­to, tra­ba­lhos mais recen­tes suge­rem 20% de PB. Pode-se tra­ba­lhar com con­cen­tra­dos com teo­res supe­ri­o­res, com res­pos­tas posi­ti­vas em ganho de peso até por vol­ta de 24%, quan­do ali­a­do ao for­ne­ci­men­to de altos volu­mes de die­ta líqui­da. Após o desa­lei­ta­men­to, a die­ta das bezer­ras pas­sa a ter mai­or inclu­são de volu­mo­sos, dia­ri­a­men­te. Des­sa for­ma, após o desa­lei­ta­men­to, o ide­al é cal­cu­lar o teor de pro­teí­na na die­ta total, deven­do ser man­ti­do em 18% a 20% até 4 meses de ida­de; de 4 a 9 meses, de 15% a 16%; de 9 a 13 meses, de 14% a 15%.

Quan­to mai­or o teor de pro­teí­na bru­ta do con­cen­tra­do for­ne­ci­do às bezer­ras, melhor? 

Não. Tra­ba­lhos de pes­qui­sa ava­li­an­do mai­o­res teo­res de PB mos­tram que exis­te limi­te para essa res­pos­ta, que está em tor­no de 24% de PB. A par­tir des­se por­cen­tu­al, ocor­re redu­ção de con­su­mo e os ganhos em desem­pe­nho são cada vez meno­res, de for­ma que não exis­te bene­fí­cio do for­ne­ci­men­to de con­cen­tra­do mais pro­tei­co quan­do se con­si­de­ra o aumen­to no custo.

Exis­te con­su­mo máxi­mo de con­cen­tra­do, por bezer­ra, duran­te a fase de aleitamento?

Não. O que se bus­ca nes­sa fase é exa­ta­men­te maxi­mi­zar o con­su­mo de con­cen­tra­do de for­ma que o ani­mal tenha seu rúmen desen­vol­vi­do para que o desa­lei­ta­men­to ocor­ra sem pre­juí­zos ao desem­pe­nho ani­mal. O con­su­mo de con­cen­tra­do é modu­la­do basi­ca­men­te por três fato­res: o volu­me de for­ne­ci­men­to de die­ta líqui­da, o peso do ani­mal e a qua­li­da­de do con­cen­tra­do. Quan­to mai­or o volu­me de die­ta líqui­da for­ne­ci­da, menor será o con­su­mo de con­cen­tra­do, de for­ma que ani­mais em alei­ta­men­to inten­si­vo devem ser desa­lei­ta­dos de for­ma gra­da­ti­va. O peso do ani­mal tam­bém afe­ta o seu con­su­mo, uma vez que defi­ne suas exi­gên­ci­as nutri­ci­o­nais. Assim, quan­do se têm ani­mais em alei­ta­men­to com volu­me fixo de die­ta líqui­da, à medi­da que os ani­mais aumen­tam seu peso, o con­su­mo de con­cen­tra­do tam­bém deve aumen­tar. O últi­mo fator que defi­ne o con­su­mo é sua qua­li­da­de. Os con­cen­tra­dos devem ser com­pos­tos por ingre­di­en­tes de alta diges­ti­bi­li­da­de e pala­ta­bi­li­da­de. Além dis­so, quan­do se uti­li­zam con­cen­tra­dos fare­la­dos, estes devem ser gros­sei­ros, apre­sen­tan­do tama­nho de par­tí­cu­la de 1,19 mm. Con­cen­tra­dos fina­men­te moí­dos redu­zem o consumo.

É impor­tan­te for­ne­cer con­cen­tra­do com tex­tu­ra mais grosseira?

Sim. Con­cen­tra­dos fina­men­te moí­dos podem redu­zir o con­su­mo. Os con­cen­tra­dos fare­la­dos devem ter tama­nho de par­tí­cu­la de 1,19 mm. Quan­do fina­men­te moí­dos, os ingre­di­en­tes têm mai­or taxa de degra­da­ção e, depen­den­do da quan­ti­da­de inge­ri­da, podem levar o ani­mal à aci­do­se. Por isso, as gran­des vari­a­ções no con­su­mo de concentrado.

Exis­te dife­ren­ça de desem­pe­nho quan­do se for­ne­ce con­cen­tra­do fare­la­do em vez do peletizado? 

Não, des­de que se este­ja com­pa­ran­do con­cen­tra­dos com a mes­ma for­mu­la­ção. A for­ma físi­ca não afe­ta o con­su­mo ou o desen­vol­vi­men­to rumi­nal e, con­se­quen­te­men­te, o ganho de peso dos ani­mais, des­de que o tama­nho de par­tí­cu­la seja gros­sei­ro (>1,19 mm). O que nor­mal­men­te ocor­re é a per­cep­ção do pro­du­tor de que o pele­ti­za­do é melhor que o fare­la­do. Isso ocor­re quan­do o pro­du­tor dei­xa de usar fare­la­do com for­mu­la­ção casei­ra e sem con­tro­le de qua­li­da­de de ingre­di­en­tes e pas­sa a for­ne­cer con­cen­tra­do comer­ci­al pele­ti­za­do, for­mu­la­do para aten­der às exi­gên­ci­as dos ani­mais e pro­du­zi­do com con­tro­le de qua­li­da­de de ingredientes.

A uti­li­za­ção de ração micro­pe­le­ti­za­da no alei­ta­men­to é reco­men­da­da? Até que idade?

Não. A ração micro­pe­le­ti­za­da, nor­mal­men­te, tem altas taxas de degra­da­ção, poden­do levar à aci­do­se rumi­nal. Esses con­cen­tra­dos são fina­men­te moí­dos antes de sofrer pele­ti­za­ção e, como o pel­let é mui­to peque­no e tem bai­xa esta­bi­li­da­de, quan­do cai no rúmen, aca­ba sen­do degra­da­do como uma ração fina­men­te moída.

Acompanhe mais algumas das principais dúvidas dos produtores sobre a forma correta de fornecer a dieta sólida, de forma a garantir a saúde e o bom desenvolvimento das bezerras
Perguntas respondidas por: • Carla Maris Machado Bittar – Esalq/USP • Alex de Matos Teixeira – Famev/UFU • Rodrigo Melo Meneses – EV/UFMG • Sandra Gesteira Coelho – EV/UFMG
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