Bezerras: sanidade/diarréia - Digital Balde Branco
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PERGUNTAS E RESPOSTAS

BEZERRAS

Sanidade – Diarréia

Sob patrocínio do programa Alta Cria, a Balde Branco publica nesta seção – Perguntas e Respostas – uma série de matérias com informações sobre as boas práticas na criação de bezerras, sob a coordenação de Rafael Azevedo, gerente de produto da Alta Genetics e coordenador e conselheiro do programa Alta Cria

Quais os prin­ci­pais agen­tes de diar­rei­as em bezer­ras?
Cryp­tos­po­ri­dium spp., rota­ví­rus, Sal­mo­nel­la spp., Eime­ria spp., E. coli, coro­na­ví­rus e Giar­dia spp.

Qual a ida­de mais comum de ação dos prin­ci­pais agen­tes de diar­reia em bezerras?

  • Antes de 5 dias de ida­de: E. Coli
  • 5 a 14 dias de ida­de: Rota­ví­rus, coro­na­ví­rus, Sal­mo­nel­la spp e Cryptosporidium
  • > 14 dias de ida­de: E. coli, Sal­mo­nel­la spp, ou desa­lei­ta­das Eime­ria spp e Giar­dia spp.

Inde­pen­den­te do agen­te que cau­sou a diar­reia, a dura­ção da doen­ça será em tor­no de três dias?
Usu­al­men­te, três dias é o perío­do míni­mo de diar­reia neo­na­tal quan­do um ani­mal é aco­me­ti­do por algum agen­te infec­ci­o­so. No entan­to, obser­va-se com frequên­cia que os ani­mais aco­me­ti­dos prin­ci­pal­men­te por Cryp­tos­po­ri­dium par­vum apre­sen­tam dura­ção de cin­co a sete dias de diar­reia. É impor­tan­te sali­en­tar que fato­res rela­ci­o­na­dos à vaci­na­ção de vacas no pré-par­to, boa colos­tra­gem e ambi­en­te com bai­xo desa­fio são impor­tan­tes para a redu­ção da inten­si­da­de e dura­ção da diar­reia neonatal.

Quais alte­ra­ções fisi­o­ló­gi­cas acon­te­cem em bezer­ras com diar­reia?
A pri­mei­ra alte­ra­ção evi­den­te é a desi­dra­ta­ção, que é segui­da de aci­do­se meta­bó­li­ca. Além dis­so, pode ocor­rer hipo ou hiper­po­tas­se­mia, hipo­na­tre­mia (redu­ção de sódio san­guí­neo) e hipocloremia.

Por que algu­mas bezer­ras mor­rem por diar­reia?
A cau­sa da mor­te de bezer­ras com diar­reia é a desi­dra­ta­ção. No entan­to, alguns casos de mor­te podem ser con­sequên­cia de sep­se (infec­ção gene­ra­li­za­da) devi­do à dis­se­mi­na­ção de bac­té­ria do intes­ti­no para todo o cor­po do animal.

Como pos­so ras­tre­ar as cau­sas de diar­reia no bezer­rei­ro?
Para ras­tre­ar as cau­sas da diar­reia é neces­sá­rio bom levan­ta­men­to dos dados: é pre­ci­so levan­tar o núme­ro de ani­mais no bezer­rei­ro, núme­ro de ani­mais doen­tes, ida­de de ocor­rên­cia, cal­cu­lar as taxas de mor­bi­da­de e mor­ta­li­da­de, inves­ti­ga­ção do local de nas­ci­men­to, alo­ja­men­to, ali­men­ta­ção, qua­dro clí­ni­co e aspec­to das fezes (pre­sen­ça de muco, san­gue, etc.).
É pre­ci­so enten­der tam­bém que a mai­o­ria dos pro­ble­mas de diar­reia de bezer­ras é cau­sa­da por com­bi­na­ção de fato­res, e que nem todos são infec­ci­o­sos.
Segun­do McGuirk (2008), os pató­ge­nos enté­ri­cos de mai­or impor­tân­cia para as bezer­ras têm perío­dos de incu­ba­ção que vari­am de 12 horas a cin­co dias. Des­sa for­ma, quan­do a diar­reia afe­ta as bezer­ras nos pri­mei­ros cin­co dias de vida, a fon­te de infec­ção ocor­reu geral­men­te antes de a bezer­ra che­gar ao seu local de alo­ja­men­to no bezer­rei­ro, ou seja, a con­ta­mi­na­ção ocor­reu na mater­ni­da­de. Nas diar­rei­as que come­çam após sete dias de ida­de, a fon­te de con­ta­mi­na­ção geral­men­te ocor­reu no bezer­rei­ro.
A par­tir do conhe­ci­men­to do local de con­ta­mi­na­ção, é pre­ci­so ago­ra ava­li­ar a con­di­ção de higi­e­ne: da mater­ni­da­de, esco­re de lim­pe­za da vaca, lim­pe­za do colos­tro (CBT), dos vasi­lha­mes uti­li­za­dos para ali­men­ta­ção (son­das, mama­dei­ras, bal­des uti­li­za­dos para alei­ta­men­to, con­cen­tra­do e água), ava­li­ar a qua­li­da­de sani­tá­ria e nutri­ci­o­nal do lei­te ou suce­dâ­neo, con­cen­tra­do for­ne­ci­do às bezer­ras e a lim­pe­za da casi­nha ou gai­o­la. Além dis­so, deve-se ava­li­ar as carac­te­rís­ti­cas das fezes: frequên­cia, aspec­to (pre­sen­ça de san­gue, muco) e sin­to­mas sis­tê­mi­cos asso­ci­a­dos, his­tó­ri­co ali­men­tar, con­ta­to com outros ani­mais doen­tes, pre­sen­ça de comor­bi­da­des e uso de medi­ca­men­tos, incluin­do anti­mi­cro­bi­a­nos, além de veri­fi­car tam­bém como foi a colos­tra­gem do ani­mal, uti­li­zan­do-se o dado obti­do no refratô­me­tro. Para pes­qui­sa dos pató­ge­nos que estão cau­san­do a diar­reia, devem ser obti­das amos­tras de, pelo menos, seis bezer­ras. Quan­do dois em seis ani­mais são posi­ti­vos, con­si­de­ra-se que a con­ta­mi­na­ção está alta.

O que fazer em casos de sur­to de diar­reia no bezer­rei­ro?
O pri­mei­ro pas­so é man­ter a cal­ma, medir a tem­pe­ra­tu­ra dos ani­mais e ini­ci­ar ime­di­a­ta­men­te o tra­ta­men­to dos ani­mais doen­tes (flui­do­te­ra­pia e, se neces­sá­rio, usar anti-infla­ma­tó­rio e/ou anti­bió­ti­co). Além da medi­ca­ção, é pre­ci­so tam­bém imple­men­tar as medi­das de enfer­ma­gem, man­ten­do os ani­mais aque­ci­dos (pre­pa­re uma boa cama) e abri­ga­dos de sol, chu­va e ven­tos. Sem­pre ali­men­te pri­mei­ro os ani­mais sau­dá­veis e depois os doen­tes, assim redu­zi­mos o ris­co de o tra­ta­dor con­ta­mi­nar as bezer­ras e áre­as do bezer­rei­ro que ain­da não estão con­ta­mi­na­das. Res­pei­te a von­ta­de de inges­tão de ali­men­tos do ani­mal (não for­ce a ali­men­ta­ção). Se pos­sí­vel, ofe­re­ça a die­ta líqui­da em meno­res por­ções e mais vezes ao lon­go do dia. Refor­ce as medi­das de higi­e­ne (lim­pe­za de vasi­lha­mes, casi­nhas, uti­li­za­ção de cal, pedi­lú­vio, lim­pe­za de mão e uti­li­za­ção de luvas). Faça a necrop­sia dos ani­mais para auxi­li­ar o diag­nós­ti­co do agen­te eti­o­ló­gi­co. Inves­ti­gue a pos­sí­vel cau­sa do sur­to de diar­reia. Após fina­li­za­do o sur­to, trei­ne toda a equi­pe sobre medi­das de colos­tra­gem, higi­e­ne de ins­ta­la­ções e ali­men­ta­ção dos animais.

Acompanhe mais algumas das principais dúvidas dos produtores sobre o problema da diarreia, prevenção e tratamento, visando garantir a saúde e o bom desenvolvimento das bezerras
Perguntas respondidas por: • Rodrigo Melo Meneses – EV/UFMG • José Azael Zambrano – Rehagro • Sandra Gesteira Coelho – EV/UFMG
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