Bezzerras: Sanidade - Doenças respiratórias - Digital Balde Branco
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PERGUNTAS E RESPOSTAS

BEZERRAS

Sanidade – Doenças respiratórias (parte 16)

Sob patrocínio do programa Alta Cria, a Balde Branco publica nesta seção – Perguntas e Respostas – uma série de matérias com orientações sobre as boas práticas na criação de bezerras, sob a coordenação de Rafael Azevedo, gerente de produto da Alta Genetics e coordenador e conselheiro do programa Alta Cria

Qual o melhor méto­do de ven­ti­la­ção no bezer­rei­ro, pen­san­do em pro­por­ci­o­nar ambi­en­te ide­al para redu­zir casos de doen­ças res­pi­ra­tó­ri­as?
Há vári­os méto­dos para man­ter o bezer­rei­ro com qua­li­da­de de ar ade­qua­da. O mais comum é ambi­en­te aber­to com ven­ti­la­ção natu­ral. No entan­to, ven­ti­la­ção natu­ral é, em mui­tos casos, insu­fi­ci­en­te. Nes­ses casos, o uso de ven­ti­la­do­res – que, além de faci­li­tar a eli­mi­na­ção de ar de má qua­li­da­de, tem a opção de pro­por­ci­o­nar res­fri­a­men­to por con­du­ção e con­vec­ção – é reco­men­da­do nos bezer­rei­ros. Para tal, é indi­ca­do que a velo­ci­da­de do ar seja de pelo menos 2 metros por segun­do. Depen­den­do do sis­te­ma de cri­a­ção, há a opção de uso de tubos de ven­ti­la­ção for­ça­da, tam­bém cha­ma­dos sis­te­mas de ven­ti­la­ção posi­ti­va com tubos. Esses são loca­li­za­dos pró­xi­mos ao teto da ins­ta­la­ção ao lon­go de todo o gal­pão. Esse tipo de sis­te­ma com tubos é comum em locais onde o inver­no é mais rigo­ro­so e, duran­te os meses de inver­no, não há calor sufi­ci­en­te para cri­ar movi­men­to do ar pelas cor­ti­nas ou cha­mi­nés devi­do à fal­ta de flu­tu­a­bi­li­da­de do ar frio. Quan­do se uti­li­zam tubos com ven­ti­la­ção posi­ti­va, é indi­ca­do fazer o cál­cu­lo para o míni­mo de 15 pés cúbi­cos por minu­to (cer­ca de 0,4 m³/minuto) de ar por bezerra.

Qual o nível crí­ti­co de amô­nia que pode cau­sar pro­ble­mas res­pi­ra­tó­ri­os?
Mui­to da lite­ra­tu­ra sobre qua­li­da­de de ar e níveis de amô­nia que podem afe­tar o tra­to res­pi­ra­tó­rio das bezer­ras é pro­ve­ni­en­te de ris­co ocu­pa­ci­o­nal por tra­ba­lha­do­res em locais onde há con­cen­tra­ção de amô­nia aci­ma de 25 par­tes por milhão (ppm, ou mg/kg). Níveis aci­ma de 35 ppm por mais de 15 minu­tos não são reco­men­da­dos. No caso de bezer­ras, é cita­do, na lite­ra­tu­ra, valor máxi­mo de até 15 ppm em bezer­rei­ros. Um aspec­to impor­tan­te para redu­zir a con­cen­tra­ção de amô­nia no ar das ins­ta­la­ções de bezer­ras, além da ven­ti­la­ção, é a remo­ção e a tro­ca da maté­ria de cama no qual se acu­mu­la ester­co e uri­na. Amô­nia uri­ná­ria se vola­ti­li­za facil­men­te, o que pre­ju­di­ca a qua­li­da­de do ar.

A cal uti­li­za­da para desin­fec­ção das ins­ta­la­ções pode con­tri­buir para o desen­vol­vi­men­to de doen­ças res­pi­ra­tó­ri­as nas bezer­ras?
Sim. Depen­den­do da for­ma que é uti­li­za­da, pode gerar mui­ta poei­ra e irri­tar o tra­to res­pi­ra­tó­rio dos animais.

A cri­a­ção indi­vi­du­a­li­za­da das bezer­ras pode dimi­nuir o ris­co de doen­ças res­pi­ra­tó­ri­as?
Sim. A cri­a­ção indi­vi­du­a­li­za­da visa ao impe­di­men­to do con­ta­to dire­to entre os ani­mais e essa é uma for­ma de mini­mi­zar a dis­se­mi­na­ção de doenças.

Em sis­te­mas cole­ti­vos de cri­a­ção, com alta lota­ção e mui­tos casos de doen­ças res­pi­ra­tó­ri­as, quais seri­am os méto­dos mais efi­ca­zes para pre­ven­ção e redu­ção des­sa doen­ça?
Melho­rar a con­di­ção de ven­ti­la­ção, a frequên­cia da lim­pe­za do ambi­en­te e vaci­nar os ani­mais con­tra doen­ças respiratórias.

Em cri­a­ções cole­ti­vas, quan­do a bezer­ra é diag­nos­ti­ca­da com doen­ça res­pi­ra­tó­ria, ela deve ser iso­la­da das outras para tra­ta­men­to?
Sim, pois a bezer­ra doen­te excre­ta gran­de quan­ti­da­de de pató­ge­nos, aumen­tan­do o desa­fio para os demais ani­mais. Além dis­so, o ani­mal doen­te tem menor capa­ci­da­de de com­pe­tir com os demais, difi­cul­tan­do a sua recuperação.

Qual a rela­ção entre o modo de for­ne­cer lei­te às bezer­ras (bal­de, bal­de com bico ou mama­dei­ra) com casos de doen­ças res­pi­ra­tó­ri­as?
For­ne­ci­men­to de lei­te por mama­dei­ra ou em bal­des não alte­ra o ris­co de doen­ças res­pi­ra­tó­ri­as. A exce­ção ocor­re ape­nas nos casos em que o uso de mama­dei­ras com bicos mal­con­ser­va­dos e com flu­xo de lei­te exa­ge­ra­do, poden­do levar a bezer­ra a aspi­rar o con­teú­do. É comum pes­so­as aumen­ta­rem, de manei­ra exa­ge­ra­da, o tama­nho do ori­fí­cio do bico da mama­dei­ra com o intui­to de ali­men­tar a bezer­ra mais rapi­da­men­te. Isso não deve ser fei­to para evi­tar o ris­co de aspi­ra­ção e ocor­rên­cia de pneu­mo­nia. De manei­ra geral, pneu­mo­nia por aspi­ra­ção tem bai­xa res­pos­ta aos tra­ta­men­tos tra­di­ci­o­nais com anti­bió­ti­cos e anti-inflamatórios.

Acompanhe mais algumas das principais dúvidas dos produtores sobre o problema das doenças respiratórias, com prevenção e tratamento, visando garantir a saúde e o bom desenvolvimento das bezerras
Perguntas respondidas por: • José Azael Zambrano – Rehagro • José Eduardo Portela Santos — UF • Rodrigo Melo Meneses – EV/UFMG