Brasil produz alimentos para o mundo com segurança - Digital Balde Branco

OPINIÃO

José Otávio Menten

Presidente do Conselho Científico Agro Sustentável (CCAS), engenheiro agrônomo e professor sênior da Esalq/USP

Brasil produz alimentos para o mundo com segurança

Mui­tos ques­ti­o­nam se é pos­sí­vel o Bra­sil pro­du­zir ali­men­tos para todo o país e ain­da expor­tar para mais de 1,2 bilhão de habi­tan­tes em todo o mun­do. E com sus­ten­ta­bi­li­da­de. E a res­pos­ta é sim.

Não pre­ci­sa­mos aumen­tar nos­sa área cul­ti­va­da para pro­du­zir mais. Hoje, aumen­ta­mos nos­sa pro­du­ção, prin­ci­pal­men­te, gra­ças ao aumen­to da pro­du­ti­vi­da­de. Isto é, com a incor­po­ra­ção de novas tec­no­lo­gi­as para os agri­cul­to­res, gera­das pela pesquisa.

Se tivés­se­mos que entre­gar a quan­ti­da­de de grãos que pro­du­zi­mos hoje ten­do a mes­ma pro­du­ti­vi­da­de de 40 anos atrás, seria pre­ci­so ter duas vezes mais a atu­al área cul­ti­va­da, o que sig­ni­fi­ca­ria a des­trui­ção de flo­res­tas para que pudes­se ter a área expan­di­da.

Entre os diver­sos fato­res que influ­en­ci­am na pro­du­ti­vi­da­de, um deles são as pra­gas, que são todos os seres vivos noci­vos à pro­du­ção: inse­tos, áca­ros, fun­gos, bac­té­ri­as, nema­toi­des e plan­tas dani­nhas. Essas pra­gas, ape­sar de todas as téc­ni­cas que usa­mos hoje, cau­sam cer­ca de 40% de danos à pro­du­ção, ou seja, uma vari­e­da­de que tem poten­ci­al de pro­du­zir 10 tone­la­das por hec­ta­re con­se­gue pro­du­zir ape­nas 6 tone­la­das.

Por isso, deve-se fazer o mane­jo ade­qua­do de pra­gas, que é o uso de todos os méto­dos e pro­ces­sos dis­po­ní­veis, de for­ma inte­gra­da. Temos que evi­tar a intro­du­ção de pra­gas que não exis­tem no País, uti­li­zar mate­ri­ais de pro­pa­ga­ção sadi­os, cul­ti­va­res resis­ten­tes e prá­ti­cas de cul­ti­vo ade­qua­dos; porém, quan­do esses méto­dos pre­ven­ti­vos não têm suces­so, há a neces­si­da­de de se uti­li­za­rem pes­ti­ci­das, tan­to quí­mi­cos quan­to bio­ló­gi­cos. Por meio deles, con­se­gui­mos con­tro­lar as pra­gas e man­ter suas popu­la­ções bai­xas. Se não os uti­li­zar­mos no Bra­sil, a esti­ma­ti­va é de que haja uma per­da de 50% na produção.

Pre­ci­sa­mos garan­tir que pro­du­to­res uti­li­za­rão os pes­ti­ci­das com segu­ran­ça; que sejam pro­du­tos bons e efi­ci­en­tes para con­tro­lar pra­gas, mas que tam­bém aten­dam a exi­gên­ci­as ambi­en­tais e toxi­co­ló­gi­cas.

Por isso exis­te aqui um pro­ces­so de regis­tro: só são uti­li­za­dos pro­du­tos que são regis­tra­dos após pas­sa­rem por uma rigo­ro­sa ava­li­a­ção do Minis­té­rio da Agri­cul­tu­ra, Pecuá­ria e Abas­te­ci­men­to (Mapa) con­si­de­ran­do aspec­tos agronô­mi­cos; do Iba­ma, con­si­de­ran­do aspec­tos ambi­en­tais, e da Anvi­sa, para aspec­tos toxi­co­ló­gi­cos.

Para se che­gar a essa situ­a­ção, é neces­sá­rio gran­de inves­ti­men­to. Um novo pro­du­to só che­ga ao mer­ca­do depois de dez anos de tra­ba­lho envol­ven­do pes­qui­sa­do­res e cien­tis­tas de diver­sas áre­as, com um cus­to apro­xi­ma­do de 250 milhões de dóla­res.
Uma vez pro­du­zi­dos e apro­va­dos, os pro­du­tos devem ser uti­li­za­dos ade­qua­da­men­te. Sem­pre seguin­do boas prá­ti­cas agrí­co­las, com recei­ta agronô­mi­ca, res­pei­tan­do itens como dose e perío­do de carên­cia. Isso garan­te a pro­du­ção de ali­men­tos de qua­li­da­de.

O Bra­sil é um país que pro­duz em quan­ti­da­de e em qua­li­da­de. Pro­du­zi­mos ali­men­tos sau­dá­veis e a um pre­ço menor que no pas­sa­do para a popu­la­ção bra­si­lei­ra, que hoje pos­sui uma qua­li­da­de de vida melhor, como para a expor­ta­ção para mais de 150 paí­ses. Esta­mos entre os mai­o­res pro­du­to­res e expor­ta­do­res de soja, milho, açú­car, café, suco de laran­ja, car­nes (bovi­na, fran­go, suí­na) e tam­bém expor­ta­mos fru­tas e hor­ta­li­ças.

Nos­sos com­pra­do­res exter­nos, por meio de um sis­te­ma de moni­to­ra­men­to, refe­ren­dam a qua­li­da­de dos nos­sos pro­du­tos. Nos­sos ali­men­tos estão den­tro dos padrões inter­na­ci­o­nais. Somos o ter­cei­ro mai­or expor­ta­dor de pro­du­tos agrí­co­las do mun­do, só supe­ra­dos por Esta­dos Uni­dos e União Euro­peia.

Quan­do segui­das as reco­men­da­ções de téc­ni­cos, os pes­ti­ci­das garan­tem pro­du­tos de qua­li­da­de e uma agri­cul­tu­ra sus­ten­tá­vel, sufi­ci­en­te para con­ti­nu­ar colo­can­do o Bra­sil como o mai­or celei­ro do mun­do e o país que aten­de­rá à deman­da de ali­men­tos em todo o mundo.

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