Censo agropecuário um retrato do leite no Brasil - Digital Balde Branco

LEI­TE EM NÚMEROS

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Denis Tei­xei­ra da Rocha

Ana­lis­ta da Embra­pa Gado de Leite

CENSO AGROPECUÁRIO

Um retrato do leite no Brasil

De 2006 a 2017, o ganho observado na produção diária dos estabelecimentos foi sustentado por um aumento na produtividade por animal e não pelo aumento do rebanho

O  IBGE divul­gou recen­te­men­te os resul­ta­dos defi­ni­ti­vos do Cen­so Agro­pe­cuá­rio refe­ren­te ao ano de 2017. A par­tir des­ta edi­ção, vamos apre­sen­tar algu­mas aná­li­ses dos prin­ci­pais resul­ta­dos do levan­ta­men­to, de modo a cons­truir um retra­to atu­al do lei­te no Bra­sil, além de demons­trar sua evo­lu­ção em rela­ção ao estu­do cen­si­tá­rio ante­ri­or, rea­li­za­do em 2006.

Em 2006, o Bra­sil con­ta­va com 1,351 milhão esta­be­le­ci­men­tos agro­pe­cuá­ri­os que pro­du­zi­am lei­te. A pro­du­ção era de 20,6 bilhões de litros/ano a par­tir de um reba­nho de 12,7 milhões de vacas orde­nha­das, o que repre­sen­ta­va uma pro­du­ti­vi­da­de ani­mal de 1.618 litros/vaca. Onze anos depois, em 2017, o núme­ro de esta­be­le­ci­men­tos se redu­ziu em mais de 174 mil (-12,9%), che­gan­do à mar­ca de 1,176 milhão. O reba­nho tam­bém dimi­nuiu, atin­gin­do 11,5 milhões de vacas orde­nha­das, que­da de 1,2 milhão de ani­mais (-9,5%).

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A des­pei­to de o núme­ro de pro­du­to­res e do reba­nho terem se redu­zi­do, a pro­du­ção de lei­te cami­nhou em sen­ti­do opos­to, supe­ran­do os 30,2 bilhões de litros (+46,6%), gra­ças ao aumen­to da pro­du­ti­vi­da­de ani­mal, que cres­ceu em mais de 1.000 litros no perío­do, regis­tran­do 2.621 litros/vaca (+62%). Nes­te perío­do, outro fator que se alte­rou bas­tan­te foi o tama­nho médio das fazen­das. A pro­du­ção diá­ria pas­sou de 42 litros para 70 litros/dia por esta­be­le­ci­men­to (+67%). Por outro lado, o tama­nho médio do reba­nho, medi­do em vacas ordenhadas/estabelecimento, pou­co se alte­rou, sain­do de 9,4 para 9,8 animais/estabelecimento de 2006 para 2017. Por­tan­to, o ganho obser­va­do na pro­du­ção diá­ria dos esta­be­le­ci­men­tos foi sus­ten­ta­do por um aumen­to na pro­du­ti­vi­da­de por ani­mal e não pelo aumen­to do rebanho.

Em rela­ção às regiões bra­si­lei­ras, o Nor­des­te detém o mai­or núme­ro de esta­be­le­ci­men­tos pro­du­to­res de lei­te, enquan­to o Sudes­te apre­sen­ta a mai­or pro­du­ção e tam­bém o mai­or reba­nho de vacas orde­nha­das no País. Já o Sul é cam­peão em pro­du­ti­vi­da­de ani­mal. O Nor­te, por sua vez, é a região menos lei­tei­ra do Bra­sil, com os meno­res indi­ca­do­res regi­o­nais nos que­si­tos pro­du­to­res, vacas orde­nha­das, pro­du­ção e pro­du­ti­vi­da­de animal.

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Ape­sar de serem res­pon­sá­veis por 70% do lei­te bra­si­lei­ro, as regiões Sul e Sudes­te detêm 49% dos pro­du­to­res e 56% do reba­nho de vacas orde­nha­das. Esses núme­ros resul­tam na mai­or pro­du­ti­vi­da­de ani­mal encon­tra­da nes­sas duas regiões, sen­do tam­bém as regiões nas quais este indi­ca­dor mais cres­ceu entre 2006 e 2017. No Sudes­te, o núme­ro de pro­du­to­res se redu­ziu nes­se perío­do, assim como o núme­ro de vacas. Já no Sul, que apre­sen­tou a mai­or redu­ção no núme­ro de pro­du­to­res, o reba­nho subiu um pou­co no perío­do, mos­tran­do um aumen­to no tama­nho médio das fazen­das. No Nor­des­te, o núme­ro de pro­du­to­res e o reba­nho se redu­zi­ram, enquan­to no Nor­te o movi­men­to foi em sen­ti­do con­trá­rio, com aumen­tos nes­ses dois indi­ca­do­res. No Cen­tro-Oes­te, o núme­ro de pro­du­to­res teve peque­na ele­va­ção, ao pas­so que o reba­nho se reduziu.

Ape­sar des­sas dife­ren­ças em ter­mos de pro­du­to­res e reba­nho, em todas as regiões a pro­du­ção de lei­te cres­ceu, assim como a pro­du­ti­vi­da­de por ani­mal, con­fir­man­do a ten­dên­cia de evo­lu­ção tec­no­ló­gi­ca pela qual a ati­vi­da­de lei­tei­ra naci­o­nal vem passando.

Co-auto­res: Glau­co Rodri­gues Car­va­lho, João César de Resen­de, pes­qui­sa­do­res da Embra­pa Gado de Lei­te, e Ânge­la da Con­cei­ção Laor­dão,  geren­te de Pecuá­ria do IBGE

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