CFMV preocupado com cursos à distância - Digital Balde Branco

O Con­se­lho Fede­ral de Medi­ci­na Vete­ri­ná­ria (CFMV) envi­ou no últi­mo dia 2 de feve­rei­ro ofí­cio ao Minis­té­rio da Edu­ca­ção (MEC) pedin­do escla­re­ci­men­tos sobre o regis­tro de cur­so de Medi­ci­na Vete­ri­ná­ria inte­gral­men­te à distância.

Foi com sur­pre­sa e enor­me pre­o­cu­pa­ção que o CFMV veri­fi­cou que cons­ta como regis­tra­do no sis­te­ma ele­trô­ni­co dos pro­ces­sos que regu­lam a edu­ca­ção supe­ri­or no Bra­sil (e‑MEC), do Minis­té­rio da Edu­ca­ção, cur­so de bacha­re­la­do em Medi­ci­na Vete­ri­ná­ria minis­tra­do à dis­tân­cia pelo Cen­tro Uni­ver­si­tá­rio Fac­vest, de San­ta Catarina.

No docu­men­to assi­na­do pelo pre­si­den­te do CFMV, Bene­di­to For­tes de Arru­da, é soli­ci­ta­do que o MEC infor­me o núme­ro do pro­ces­so de auto­ri­za­ção do fun­ci­o­na­men­to do cur­so cita­do, a data de auto­ri­za­ção, além de infor­ma­ções sobre a rela­to­ria do pro­ces­so e a publi­ca­ção da deci­são no Diá­rio Ofi­ci­al da União. O CFMV tam­bém pede que seja envi­a­da uma cópia do rela­tó­rio de auto­ri­za­ção do fun­ci­o­na­men­to do curso.

“Pri­mei­ra­men­te que­re­mos res­pos­tas aos nos­sos ques­ti­o­na­men­tos jun­to ao MEC. Dare­mos pra­zo razoá­vel para que as res­pos­tas nos che­guem. Espe­ra­mos que tenha sido algum erro de infor­ma­ção, caso con­trá­rio usa­re­mos de todos os mei­os legí­ti­mos e legais para impe­dir essa aber­ra­ção, se ver­da­dei­ra. Reco­men­da­mos aos jovens que não se ins­cre­vam nes­sa moda­li­da­de de ensi­no, que para nós é um ver­da­dei­ro este­li­o­na­to”, afir­ma o pre­si­den­te do CFMV, Bene­di­to For­tes de Arruda.

A Asses­so­ria de Comu­ni­ca­ção do CFMV foi infor­ma­da pela Fac­vest que o cur­so será ofe­re­ci­do a par­tir des­se semes­tre em três cida­des, e que ele tem como pre­vi­são um cur­rí­cu­lo majo­ri­ta­ri­a­men­te à dis­tân­cia, com um núme­ro limi­ta­do de aulas pre­sen­ci­ais. A ins­ti­tui­ção defi­niu o cur­so como “semi­pre­sen­ci­al”, uma moda­li­da­de que é reco­nhe­ci­da pelo MEC para os cur­sos com, no máxi­mo, 20% da car­ga horá­ria ofe­re­ci­da à distância.

“Con­si­de­ra­mos o fato revol­tan­te. A nos­sa comis­são é um órgão con­sul­ti­vo do gover­no para essas ques­tões e não fomos ques­ti­o­na­dos”, afir­ma o pre­si­den­te da Comis­são Naci­o­nal de Edu­ca­ção em Medi­ci­na Vete­ri­ná­ria do CFMV, Feli­pe Wouk.

O CFMV reco­nhe­ce pro­gres­sos no empre­go da meto­do­lo­gia do ensi­no à dis­tân­cia como par­te de um pro­ces­so de ensi­no, porém res­sal­ta as limi­ta­ções no seu alcan­ce para a for­ma­ção teó­ri­co-prá­ti­ca de um médi­co vete­ri­ná­rio, poden­do gerar ris­cos à vida huma­na, ani­mal e ao meio ambiente.

“Para for­mar um médi­co vete­ri­ná­rio deve haver uma tuto­ria pre­sen­ci­al e mui­to pró­xi­ma em labo­ra­tó­ri­os, clí­ni­cas, hos­pi­tal, fazen­da e outros espa­ços. Um cur­so total­men­te à dis­tân­cia não per­mi­te esta con­di­ção”, res­sal­ta Feli­pe Wouk.

Há mais de 250 cur­sos de gra­du­a­ção em Medi­ci­na Vete­ri­ná­ria no Bra­sil, e todos devem ser cadas­tra­dos no MEC como pre­sen­ci­ais. No entan­to, a lei per­mi­te que as ins­ti­tui­ções de ensi­no supe­ri­or ofer­tem algu­mas dis­ci­pli­nas dos seus cur­sos na moda­li­da­de semi­pre­sen­ci­al, isto é, com base em ati­vi­da­des didá­ti­cas e uni­da­des de ensi­no cen­tra­das na autoaprendizagem.

O CFMV envi­a­rá, em bre­ve, ao Con­se­lho Naci­o­nal de Edu­ca­ção (CNE), docu­men­to com suges­tões de atu­a­li­za­ção das Dire­tri­zes Cur­ri­cu­la­res Naci­o­nais dos cur­sos de gra­du­a­ção em Medi­ci­na Vete­ri­ná­ria. Uma delas inclui o pará­gra­fo úni­co que afir­ma que “As meto­do­lo­gi­as de ensi­no à dis­tân­cia deve­rão ser uti­li­za­das como recur­so com­ple­men­tar ao ensi­no presencial”.

Ao lon­go dos anos, o CFMV, por inter­mé­dio de suas dife­ren­tes comis­sões de edu­ca­ção, tem sido o guar­dião da qua­li­da­de da edu­ca­ção vete­ri­ná­ria no país. As pri­mei­ras dire­tri­zes cur­ri­cu­la­res da medi­ci­na vete­ri­ná­ria edi­ta­das pelo MEC foram influ­en­ci­a­das, em gran­de par­te, por um docu­men­to pro­du­zi­do pelo CFMV que esta­be­le­cia os padrões ide­ais para a edu­ca­ção veterinária.

Em junho de 2016, o CFMV tam­bém publi­cou a Reso­lu­ção nº 1.114, que esta­be­le­ce que algu­mas dis­ci­pli­nas dos cur­sos de gra­du­a­ção em Medi­ci­na Vete­ri­ná­ria devem ser minis­tra­das exclu­si­va­men­te sob a moda­li­da­de presencial.

No mes­mo mês, o Con­se­lho Naci­o­nal de Saú­de (CNS) se posi­ci­o­nou con­trá­rio à auto­ri­za­ção de todo e qual­quer cur­so de gra­du­a­ção da área de saú­de minis­tra­do na moda­li­da­de à dis­tân­cia. O CNS res­sal­tou que tais cur­sos podem ofe­re­cer pre­juí­zos à “qua­li­da­de da for­ma­ção de seus pro­fis­si­o­nais, bem como pelos ris­cos que estes pro­fis­si­o­nais pos­sam cau­sar à sociedade”.

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