Clima favorável para a safra de verão - Digital Balde Branco

MERCADO

Sophia Honigmann

Médica veterinária, Scot Consultoria

CLIMA FAVORÁVEL PARA A SAFRA DE VERÃO

No acu­mu­la­do de novem­bro, as pre­ci­pi­ta­ções foram meno­res em gran­de par­te do País, quan­do com­pa­ra­das com o mês ante­ri­or. Des­ta­que ape­nas para o nor­te de Mato Gros­so, onde as chu­vas che­ga­ram a 600 mm. No Rio Gran­de do Sul, Para­ná, San­ta Cata­ri­na, São Pau­lo, Rio Gran­de do Nor­te, Paraí­ba, Per­nam­bu­co e Ser­gi­pe, os regis­tros não ultra­pas­sa­ram os 50 mm. 

Ape­sar dos meno­res volu­mes, a água acu­mu­la­da no solo até o momen­to é favo­rá­vel para dar con­ti­nui­da­de ao plan­tio da safra de verão e ao desen­vol­vi­men­to vege­ta­ti­vo das cul­tu­ras já seme­a­das. Para o cur­to pra­zo (18 a 26 de novem­bro), os Esta­dos do Cea­rá, Rio Gran­de do Nor­te, Paraí­ba, Per­nam­bu­co, Ala­go­as e Ser­gi­pe e les­te da Bahia con­ti­nu­am sem pre­vi­são de chu­vas. Os volu­mes mai­o­res estão pre­vis­tos para Rorai­ma, Rondô­nia, Mato Gros­so, Goiás e Minas Gerais, vari­an­do entre 100 e 250 milímetros.

MERCADO DE FARELO DE SOJA

O mer­ca­do naci­o­nal abas­te­ci­do, o avan­ça­do plan­tio da safra de verão bra­si­lei­ra e a colhei­ta nor­te-ame­ri­ca­na em fase final têm influ­en­ci­a­do as cota­ções de soja e de seus copro­du­tos no mer­ca­do inter­no. Segun­do levan­ta­men­to da Scot Con­sul­to­ria, em São Pau­lo, a refe­rên­cia para o fare­lo de soja está em R$ 2.299,41 por tone­la­da, sem o fre­te. Hou­ve que­da de 2,8% na cota­ção do insu­mo na com­pa­ra­ção com a média de outu­bro e, no com­pa­ra­ti­vo ano a ano, o fare­lo de soja está cus­tan­do 16% a menos. 

Para o cur­to pra­zo, o cená­rio deve ser de mer­ca­do mais frou­xo para o fare­lo de soja, com o tér­mi­no da colhei­ta e o aumen­to do pro­ces­sa­men­to nor­te-ame­ri­ca­no, soma­dos à boa expec­ta­ti­va para a pri­mei­ra safra de soja, que está sen­do semeada.

ATUAL CENÁRIO PARA A SAFRA DE SOJA 2021/22

As atu­ais esti­ma­ti­vas da Conab para pro­du­ção bra­si­lei­ra são de aumen­to de 3,5% na área com soja para a atu­al tem­po­ra­da fren­te à tem­po­ra­da 2020/21, com expec­ta­ti­va de pro­du­ção de 142 milhões de tone­la­das de soja, aumen­to de 3,4% em rela­ção ao colhi­do na safra passada. 

Segun­do o Depar­ta­men­to de Agri­cul­tu­ra dos Esta­dos Uni­dos (USDA), até 14/11, 92% da área nor­te-ame­ri­ca­na já havia sido colhi­da, avan­ço de 5 pon­tos por­cen­tu­ais na com­pa­ra­ção semanal. 

São espe­ra­dos 120,43 milhões de tone­la­das de soja no país para a tem­po­ra­da 2021/22, fren­te aos 114,75 milhões de tone­la­das em 2020/21. No Bra­sil, a seme­a­du­ra da safra 2021/22 está em anda­men­to, e 79,2% da área pre­vis­ta já havia sido seme­a­da até 13/11, avan­ço de 11,9 pon­tos por­cen­tu­ais em rela­ção à sema­na ante­ri­or (Conab).

Se com­pa­ra­da a igual épo­ca de 2020, a seme­a­du­ra da atu­al safra está em bom rit­mo, já que havi­am sido seme­a­dos 69% da área espe­ra­da para a safra (Conab).

Em Mato Gros­so, o plan­tio está no está­gio final, com 99,5% da área espe­ra­da já seme­a­da até 12/11, avan­ço de 5,5% quan­do com­pa­ra­da a igual perío­do da safra 2020/21 (Imea). Já em Mato Gros­so do Sul, até 12/11, 97,5% da área já havia sido plan­ta­da (Fama­sul).

No Para­ná, até 16/11, foram seme­a­dos 95% da área espe­ra­da no Esta­do, avan­ço de 7 pon­tos por­cen­tu­ais em rela­ção à sema­na ante­ri­or (Deral).

Para o cur­to pra­zo, per­sis­tin­do o cli­ma favo­rá­vel para as lavou­ras no Bra­sil, a seme­a­du­ra dos prin­ci­pais Esta­dos pro­du­to­res deve ser con­cluí­da. A colhei­ta nor­te-ame­ri­ca­na está em bom rit­mo e a expec­ta­ti­va é de con­clu­são dos tra­ba­lhos nas pró­xi­mas sema­nas, abas­te­cen­do o mer­ca­do inter­na­ci­o­nal no pri­mei­ro semes­tre de 2022.

ALTA NOS PREÇOS DOS FERTILIZANTES 

A alta de pre­ços das com­mo­di­ti­es agrí­co­las, entre elas milho e soja, e os resul­ta­dos econô­mi­cos posi­ti­vos na tem­po­ra­da 2020/21, con­tri­buí­ram para o aumen­to da área seme­a­da. Esse cres­ci­men­to de pro­du­ção e de pro­du­ti­vi­da­de está rela­ci­o­na­do ao uso de tec­no­lo­gia, tais como o uso de fertilizantes.

Os fer­ti­li­zan­tes esta­vam com pre­ços menos volá­teis em 2019 e 2020. Con­tu­do, em 2021, as cota­ções subi­ram for­te­men­te. Um fator que impul­si­o­nou os pre­ços foi a des­va­lo­ri­za­ção do real fren­te ao dólar, pois o Bra­sil é gran­de impor­ta­dor de adu­bo. Em 2021, foram entre­gues 23,89 milhões de tone­la­das de fer­ti­li­zan­tes, sen­do mais de 20 milhões de tone­la­das impor­ta­das (Anda).

Em 2021, as cota­ções da ureia, super­sim­ples, MAP, clo­re­to de potás­sio e 20–00-20 subi­ram, res­pec­ti­va­men­te, 91,2%, 93,5%, 119,7%, 160,4% e 89%. Os paí­ses pro­du­to­res de fer­ti­li­zan­tes (Chi­na, Rús­sia, Cana­dá e Mar­ro­cos) redu­zi­ram a fabri­ca­ção e, con­se­quen­te­men­te, a ofer­ta de adubos.

A pro­du­ção bra­si­lei­ra tam­bém caiu. A pro­du­ção de 3,74 milhões de tone­la­das até junho equi­va­le a uma que­da de 5% com rela­ção a igual perío­do de 2020 (Anda).

Com o cres­ci­men­to da área seme­a­da nos prin­ci­pais paí­ses pro­du­to­res de grãos, a deman­da inter­na­ci­o­nal aumen­tou. Com o cená­rio de desa­bas­te­ci­men­to mun­di­al, asso­ci­a­do à mai­or deman­da naci­o­nal e inter­na­ci­o­nal por fer­ti­li­zan­tes, a expec­ta­ti­va é de pre­ços fir­mes. Assim, a nego­ci­a­ção ante­ci­pa­da, por meio de con­tra­tos e tra­va­men­to dos pre­ços para os grãos e fer­ti­li­zan­tes, é uma estra­té­gia para o cená­rio de alta de pre­ços de insumos.