Com gestão eficiente e tecnologia, família de produtores melhora desempenho na produção de leite - Digital Balde Branco

O compost barn foi o ponto de virada para mudar a história do leite na fazenda

GESTÃO

COM GESTÃO EFICIENTE E TECNOLOGIA,

família de produtores melhora desempenho na produção de leite

A família toda está empenhada em fazer o melhor para elevar a produtividade, a qualidade e a rentabilidade. E está conseguindo

João Antônio dos Santos

Na Fazen­da Hio­mar Neu­ber­ger e Famí­lia, loca­li­za­da no dis­tri­to de Ser­ra do Pon­tão, muni­cí­pio de Coquei­ros do Sul (RS), a pró­pria deno­mi­na­ção já defi­ne o per­fil do negó­cio: 100% fami­li­ar. Os pro­pri­e­tá­ri­os, Hio­mar e sua espo­sa, Ivo­ne Maria, con­tam com a aju­da dos filhos Ricar­do Air­ton, André Luís e da nora, Mai­a­ra, espo­sa de Ricar­do. Com foco na ati­vi­da­de lei­tei­ra a par­tir de 2008, a pro­pri­e­da­de, ape­sar de falhas na ges­tão, no mane­jo em geral, con­se­guia ren­ta­bi­li­da­de. A famí­lia sabia que havia poten­ci­al para cres­cer, porém, para isso, seria pre­ci­so supe­rar as falhas. Deci­diu, então, dar um outro rumo ao negó­cio em 2016, pro­fis­si­o­na­li­zan­do-se para garan­tir uma ati­vi­da­de sus­ten­tá­vel e que pudes­se apro­vei­tar todo o poten­ci­al da fazen­da. Em pou­co tem­po, os resul­ta­dos posi­ti­vos foram dan­do um novo per­fil à ati­vi­da­de, fazen­do com que a fazen­da se tor­nas­se refe­rên­cia de bom desem­pe­nho na pro­du­ção de lei­te. Tan­to que Mai­a­ra, que cur­sa, à dis­tân­cia, MBA em Ges­tão do Agro­ne­gó­cio na Esalq/USP, está sen­do con­vi­da­da para falar sobre esses avan­ços em even­tos do setor leiteiro.

“Eu e meu mari­do, Ricar­do, esta­mos à fren­te da ati­vi­da­de, sobre­tu­do na ges­tão. Mas foca­mos bas­tan­te na orde­nha, no con­tro­le lei­tei­ro, no con­tro­le repro­du­ti­vo, no con­tro­le sani­tá­rio, no cui­da­do com as bezer­ras, nas ano­ta­ções diver­sas e no levan­ta­men­to dos cus­tos”, diz Mai­a­ra, expli­can­do que André cui­da da ali­men­ta­ção das vacas, novi­lhas, vacas secas e vacas pré-par­to. Seu Hio­mar auxi­lia no mane­jo da cama do com­post barn, na lim­pe­za da pis­ta de ali­men­ta­ção e no mane­jo do ester­co. Dona Ivo­ne Maria auxi­lia tam­bém na orde­nha. “Resu­min­do, é uma lida total­men­te fami­li­ar, não temos mão de obra de fora, quem só não está na lida da pro­du­ção é Jai­ne, espo­sa do André Luís, que tem outra ati­vi­da­de e está cur­san­do ges­tão do agro­ne­gó­cio”, com­ple­ta Maiara. 

A ati­vi­da­de lei­tei­ra da pro­pri­e­da­de se ini­ci­ou mes­mo em 2008, após uma chu­va de gra­ni­zo dizi­mar as lavou­ras de soja da pro­pri­e­da­de e de pro­pri­e­da­des vizi­nhas, pro­vo­can­do um pre­juí­zo mui­to gran­de. A soja era a prin­ci­pal ren­da da famí­lia. Para bus­car uma outra fon­te de ren­da, opta­ram por refor­çar a ati­vi­da­de leiteira. 

A famí­lia de Ricar­do sem­pre tirou lei­te para con­su­mo e fazia alguns quei­jos, mas foi somen­te em 2008 que eles deci­di­ram incre­men­tar a pro­du­ção para ven­der o lei­te. Era uma for­ma de diver­si­fi­car as ati­vi­da­des, com a pos­si­bi­li­da­de de ele­var a ren­da. Ou seja, se uma ren­da não vai tão bem, a outra com­ple­men­ta e assim a pro­pri­e­da­de con­se­guiu se man­ter. Na épo­ca pro­du­zi­am soja como ren­da prin­ci­pal, milho e tri­go e o lei­te em menor escala. 

COM AS MUDANÇAS, O DESEMPENHO NO LEITE FOI MELHORANDO ATÉ SE TORNAR A PRINCIPAL ATIVIDADE DA FAZENDA

A vira­da do negó­cio mes­mo se deu em 2016, quan­do, em con­jun­to, deci­di­ram ele­var a esca­la de pro­du­ção, inves­tin­do num gal­pão de com­post barn para até 70 vacas em lac­ta­ção. “Isso por­que che­ga­mos à con­clu­são de que, para ter um plan­tel mai­or e com melhor pro­du­ti­vi­da­de vaca/dia, seria pre­ci­so con­fi­nar os ani­mais. A pro­du­ti­vi­da­de média vaca/dia esta­va em tor­no de 18 litros, que­ría­mos melho­rar isso e aumen­tar o plan­tel, por­que a famí­lia esta­va aumen­tan­do e nós, os jovens, que­ría­mos ficar na pro­pri­e­da­de”, con­ta Maiara. 

Hio­mar se asso­ci­ou à Cotri­jal, pas­san­do então a con­tar com ori­en­ta­ção dos téc­ni­cos da coo­pe­ra­ti­va, tan­to na par­te de pro­du­ção de grãos, como depois, na ati­vi­da­de lei­tei­ra (par­te repro­du­ti­va, nutri­ção, sani­da­de, cam­pa­nhas de for­ra­gei­ras de verão e inver­no, entre outros itens).

Ela rela­ta que, ante­ri­or­men­te, dos 76 ha da pro­pri­e­da­de, 3 ha eram des­ti­na­dos à ati­vi­da­de lei­tei­ra (1,8 ha de tif­ton irri­ga­do e o res­tan­te sor­go e milhe­to), no verão. Já no inver­no eram cul­ti­va­dos aze­vém e aveia em tor­no de 10 ha. Na épo­ca, a pro­du­ção de grãos era a mais impor­tan­te (prin­ci­pal a soja, segui­da de milho e trigo)

Maiara e Ricardo estão à frente da gestão e dos controles do sistema de produção

Até 2016, o reba­nho era for­ma­do por ani­mais  Jer­sey, Holan­dês, mes­ti­ços (Jer­sey e holan­dês), num total de 40 ani­mais, com 28 vacas pro­du­zin­do na média de 18 litros de lei­te por dia, tota­li­zan­do cer­ca de 500 litros, cole­ta­dos a cada dois dias pela indús­tria. Dis­pu­nham de dois con­jun­tos de tetei­ras, trans­fe­ri­dor de lei­te e um tan­que res­fri­a­dor de 1.500 litros. O sis­te­ma era a pas­to, com aveia, aze­vém no inver­no e no verão era sor­go, milhe­to e tif­ton 85, ambos com­ple­men­ta­dos com ração no cocho, somen­te. “Era des­ti­na­da, a olho, uma quan­ti­da­de peque­na de ração por vaca de lei­te, no cocho, enquan­to eram orde­nha­das”, con­ta Mai­a­ra, assi­na­lan­do que os ani­mais tinham um bai­xo padrão gené­ti­co, sen­do inse­mi­na­dos sem o devi­do cri­té­rio de melhoramento. 

Quan­to à mas­ti­te, só toma­vam pro­vi­dên­ci­as quan­do sur­gia a mas­ti­te clí­ni­ca, detec­ta­da no tes­te da cane­ca. Daí, era fei­to tra­ta­men­to com um anti­bió­ti­co, somen­te. A qua­li­da­de do lei­te gira­va ao redor de 518 mil de CCS e 102 mil de CBT. A pro­teí­na era de 3,27% e a gor­du­ra, 3,74%. 

Com os conhe­ci­men­tos de que dis­põem hoje, Mai­a­ra e Ricar­do obser­vam o quan­to era crí­ti­ca a situ­a­ção de mane­jo dos ani­mais, do desem­pe­nho repro­du­ti­vo e como a fal­ta de conhe­ci­men­tos os impe­dia de fazer as coi­sas corretamente. 

André Luís é o responsável pelos tratos dos animais, entre outras atribuições

Naque­la épo­ca, antes de 2016, a média do DEL era ao redor dos 243 dias, o inter­va­lo entre par­tos, de 13,2 meses. 

A cri­a­ção de bezer­ras tam­bém era pro­ble­má­ti­ca, pois rece­bi­am pou­co colos­tro, não era fei­ta a cura do umbi­go e não havia ins­ta­la­ções ade­qua­das, fican­do amar­ra­das num gal­pão e rece­ben­do 4 litros de lei­te até os 60 dias. Não era fei­ta nenhu­ma pre­ven­ção à diar­reia. Depois, sem rece­ber uma die­ta ade­qua­da à ida­de, as novi­lhas não tinham bom desem­pe­nho e ganho de peso ade­qua­do. Com essas falhas, que pros­se­gui­am na recria,  as novi­lhas eram inse­mi­na­das abai­xo do peso cor­re­to, com  ida­de entre 17 e 20 meses. 

Melho­ra­ram um pou­co, naque­le tem­po, depois do acom­pa­nha­men­to men­sal do vete­ri­ná­rio da coo­pe­ra­ti­va na par­te de repro­du­ção. “Gra­ças a essa ori­en­ta­ção, come­çou a ser veri­fi­ca­do e expli­ca­do o que era uma taxa de pre­nhez boa, taxa de con­cep­ção, taxa de inse­mi­na­ção, entre outros indi­ca­do­res.” A ges­tão da fazen­da se resu­mia a algu­mas ano­ta­ções bási­cas num cader­no esco­lar, como inse­mi­na­ções, seca­gens e par­tos. Nas­ci­men­tos de bezer­ras tam­bém eram anotados.

Em 2016, come­ça­ram a pro­du­zir sila­gem, plan­tan­do 10 ha de milho no verão e 10 ha de milho de inver­no, seguin­do indi­ca­ções e ori­en­ta­ções da coo­pe­ra­ti­va que pres­ta assis­tên­cia na par­te da nutri­ção. O téc­ni­co da coo­pe­ra­ti­va ori­en­tou na esco­lha dos híbri­dos de melhor qua­li­da­de e pro­du­ti­vi­da­de. Em rela­ção à pro­du­ti­vi­da­de, todo ano se faz a aná­li­se para esco­lher o melhor milho para sila­gem, con­for­me deman­da da pro­pri­e­da­de, a área a ser cul­ti­va­da, o que vai de fer­ti­li­zan­te e assim por diante.

O pre­ço médio pago pelo litro de lei­te na épo­ca era de R$ 1,44. O cus­to para pro­du­zir 1 litro de lei­te era bem bai­xo, e o item que pesa­va mais era a ali­men­ta­ção (ração), que fica­va em tor­no de R$ 0,70, o que per­mi­ta uma mar­gem de lucro em tor­no de 50%. “Esta­va dan­do resul­ta­do por­que cobria as des­pe­sas da pro­pri­e­da­de, per­mi­tia inves­tir em alguns equi­pa­men­tos, melho­ri­as na infra­es­tru­tu­ra da pro­pri­e­da­de, entre outros. Porém, sabía­mos que seria pre­ci­so melho­rar em mui­tas coi­sas para ter um negó­cio pro­fis­si­o­nal e sustentável.”

Com trabalho rigoroso na cria e na recria, as novilhas apresentam padrão genético cada vez melhor

Novo cená­rio na fazen­da — Hoje, nos 76 ha da Fazen­da Hio­mar Neu­ber­ger e Famí­lia, 19 ha são des­ti­na­dos à pro­du­ção de lei­te, sen­do des­tes, 15 ha para sila­gem de milho verão e, em segui­da, o cul­ti­vo de 15 ha de milho safri­nha para sila­gem. O res­tan­te é a ins­ta­la­ção do com­post barn, da sala de orde­nha, da ester­quei­ra, da área de tif­ton para  bezer­ras, novi­lhas e vacas secas. Hoje, a ren­da e a pro­du­ção prin­ci­pal da pro­pri­e­da­de estão na ati­vi­da­de leiteira. 

Ao todo, a fazen­da tem 86 ani­mais, sen­do 49 vacas na orde­nha, 9 vacas secas, 18 novi­lhas e 10 bezer­ras. Apro­xi­ma­da­men­te 20% são da raça Jer­sey e 80% da raça Holan­de­sa. A média do com­post barn está em 28 litros vaca/dia, e as vacas rece­bem sila­gem de milho safri­nha, mais concentrado. 

Segun­do Mai­a­ra, as mudan­ças toma­ram fôle­go mes­mo em 2017, com o inves­ti­men­to na cons­tru­ção do com­post barn. “Bus­ca­mos melho­rar a estru­tu­ra da sala de orde­nha pulan­do de dois con­jun­tos de tetei­ras para seis. Ani­mais den­tro da sala saí­ram de qua­tro para 12 ani­mais, seis de cada lado. Ins­ta­la­mos uma sali­nha para a far­má­cia, uma peque­na escri­va­ni­nha para ano­ta­ções, gave­tas para os docu­men­tos, banhei­ro ane­xa­do jun­to, e sala do resfriador.”

Ela faz ques­tão de fri­sar que des­de o iní­cio fize­ram a lição de casa do jei­to cer­to: o novo pro­je­to foi defi­ni­do depois de mui­ta con­ver­sa entre os fami­li­a­res, visi­tas a diver­sas pro­pri­e­da­des que tinham esse sis­te­ma de con­fi­na­men­to, bus­ca de infor­ma­ções e toda a ava­li­a­ção de sua via­bi­li­da­de e, por fim, a bus­ca dos recur­sos jun­to a uma ins­ti­tui­ção finan­cei­ra. “Inclu­si­ve, se toda a famí­lia iria tra­ba­lhar jun­to, dis­cu­ti­mos as atri­bui­ções de cada um, para que tudo vies­se a fun­ci­o­nar a contento.”

Falando a mesma linguagem e em harmonia na lida da produção leiteira, a família Neuberger só tem a comemorar os avanços que vem conseguindo

A famí­lia fez mui­tos inves­ti­men­tos nes­ses últi­mos três anos. Como a cons­tru­ção do com­post barn, com qua­tro ven­ti­la­do­res, por meio de finan­ci­a­men­to ban­cá­rio.  “Já a aqui­si­ção de matri­zes lei­tei­ras, novi­lhas, com­pra de uma desen­si­la­dei­ra mai­or para tra­to do plan­tel, cons­tru­ção da sala de orde­nha nova, isso tudo foi com recur­sos pró­pri­os, além da aqui­si­ção de um tra­tor com pos­te­ri­or com­pra de uma con­cha fron­tal para auxi­li­ar no tra­to da sila­gem, e lim­pe­za do tra­ta­dor. Tam­bém a aqui­si­ção de um espa­lha­dor de ester­co e de uma estu­fa bac­te­ri­o­ló­gi­ca, foi tudo recur­so pró­prio”, diz Maiara.

A pro­du­to­ra expli­ca que sem­pre tive­ram pre­o­cu­pa­ção com o meio ambi­en­te, fazen­do mane­jo cor­re­to dos resí­du­os (ester­quei­ras), bem como ten­do as áre­as pre­ser­va­das com as nas­cen­tes e mata cili­ar. A pro­pri­e­da­de con­ta com ener­gia solar, que abas­te­ce o setor lei­tei­ro e as neces­si­da­des da família. 

Como men­ci­o­na­do aci­ma, atu­al­men­te, a Fazen­da Hio­mar Neu­ber­ger e Famí­lia con­ta com 49 vacas na orde­nha, nove vacas secas, 18 novi­lhas e dez bezer­ras, tota­li­zan­do 86 ani­mais. Con­ta com a assis­tên­cia de médi­co vete­ri­ná­rio no mane­jo repro­du­ti­vo a cada 15 dias. “Um espe­ci­a­lis­ta em nutri­ção tam­bém nos ori­en­ta na for­mu­la­ção da die­ta. Faze­mos o con­tro­le lei­tei­ro men­sal, e ago­ra sabe­mos quais as vacas que estão com CCS alta e como pro­ce­der para con­tro­lar a mas­ti­te sub­clí­ni­ca”, afir­ma Maiara. 

A qua­li­da­de do lei­te teve um sal­to bas­tan­te sig­ni­fi­ca­ti­vo, con­for­me a pro­du­to­ra faz ques­tão de res­sal­tar: a média da CCS está em 211 mil célu­las por ml, a CBT em 8 mil;  a pro­teí­na em 3,51% e a gor­du­ra, em 4,19%. “Focan­do mui­to na qua­li­da­de, a empre­sa para a qual entre­ga­mos o lei­te nos boni­fi­ca melhor”, nota ela, des­ta­can­do o quan­to foi impor­tan­te ins­ta­lar o mini­la­bo­ra­tó­rio de cul­tu­ra que iden­ti­fi­ca a bac­té­ria cau­sa­do­ra da mas­ti­te, num tes­te fei­to na pro­pri­e­da­de com resul­ta­do den­tro de 24 horas. 

Outra tec­no­lo­gia ado­ta­da é o uso cola­res com sen­so­res em 40 ani­mais, que medem a rumi­na­ção da vaca, o tem­po de ati­vi­da­de e de ócio do ani­mal, entre outros aspec­tos. “Essas infor­ma­ções me geram, depois de ana­li­sa­das, aler­tas se a vaca está no cio, doen­te, se há algo de anor­mal com ela. Tudo isso auxi­lia mui­to na ati­vi­da­de no dia a dia”, diz ela. 

Com mai­or rigor e apri­mo­ra­men­to na ges­tão e aná­li­se das infor­ma­ções, as deci­sões são toma­das com mai­or obje­ti­vi­da­de e segu­ran­ça. Lan­ça­men­tos e ano­ta­ções, que não eram fei­tas ante­ri­or­men­te, ago­ra são rea­li­za­das em cader­nos, pla­ni­lhas Excel, e vão para uma cen­tral de infor­ma­ções. Para tan­to, res­sal­ta Mai­a­ra, uti­li­za tam­bém o pro­gra­ma Geren­ci­a­men­to de Cus­tos da Pro­pri­e­da­de Lei­tei­ra-Cotri­jal. “Temos um geren­ci­a­dor de infor­ma­ções repro­du­ti­vas da vaca. Na lida do lei­te, tenho inter­net dis­po­ní­vel para aces­so a algum dado, lan­ça­men­to de algu­ma infor­ma­ção. Dian­te dis­so, tira­mos rela­tó­ri­os, faze­mos aná­li­ses de inves­ti­men­tos, inves­ti­mos em um negó­cio, segu­ra­mos, pou­pa­mos e pen­sa­mos no futu­ro”, assinala.

O cus­to de feve­rei­ro, por exem­plo, ficou em R$ 1,39 o litro, para uma remu­ne­ra­ção de R$ 1,53 por litro, pago pelo Lati­cí­nio Bela Vis­ta, mar­ca Pira­can­ju­ba. “Nos­sa mar­gem está em média, nos últi­mos 12 meses, de 13%, e que­re­mos che­gar a 18%.” 

Isabela Cavalcanti: O programa visa não somente o acompanhamento e gestão de custos dos participantes, mas também à elaboração de indicadores de referência para outros produtores

GERENCIAMENTO DE CUSTOS 

Fazen­da Hio­mar Neu­ber­ger e Famí­lia, con­for­me assi­na­la Mai­a­ra, uti­li­za o pro­gra­ma de Geren­ci­a­men­to de Cus­tos da Pro­pri­e­da­de Lei­tei­ra, desen­vol­vi­do pela Cotri­jal. Há mais de 15 anos essa fer­ra­men­ta auxi­lia seus asso­ci­a­dos a acom­pa­nhar seus cus­tos de pro­du­ção na ati­vi­da­de lei­tei­ra, expli­ca Isa­be­la Caval­can­ti, ana­lis­ta de Infor­ma­ções de Mer­ca­do da Cotri­jal. “Em 2019, o pro­gra­ma de geren­ci­a­men­to de cus­tos foi refor­mu­la­do com o obje­ti­vo de auxi­li­ar o asso­ci­a­do a obter melhor ges­tão de seus cus­tos por meio do acom­pa­nha­men­to deta­lha­do dos dados finan­cei­ros da pro­pri­e­da­de a fim ren­ta­bi­li­zar o pro­du­tor”, diz. 

Foram sele­ci­o­na­dos 30 pro­du­to­res asso­ci­a­dos da Cotri­jal, divi­di­dos em gru­pos de acor­do com o sis­te­ma de pro­du­ção. Após essa eta­pa, o pro­gra­ma foi ini­ci­a­do por meio do levan­ta­men­to dos diver­sos dados de pro­du­ção de cada pro­pri­e­da­de. “Com essas infor­ma­ções, o pro­gra­ma apre­sen­ta grá­fi­cos com indi­ca­do­res sele­ci­o­na­dos para que pos­sa­mos ana­li­sar os dados de pro­du­ti­vi­da­de de for­ma cla­ra e obje­ti­va, para que o pro­du­tor e os pro­fis­si­o­nais que os auxi­li­am tenham um raio‑x finan­cei­ro da pro­pri­e­da­de, visan­do melho­rar a pro­du­ção a alcan­çar parâ­me­tros de alto desem­pe­nho para os dife­ren­tes sis­te­mas de pro­du­ção”, nota Isabela.

O pro­gra­ma obje­ti­va não somen­te o acom­pa­nha­men­to e ges­tão de cus­tos dos par­ti­ci­pan­tes, mas tam­bém a ela­bo­ra­ção de indi­ca­do­res que sir­vam de refe­rên­cia para os demais pro­du­to­res, com o obje­ti­vo de bene­fi­ciá-los com a expo­si­ção de tais parâ­me­tros, que ser­vi­rão de metas para ava­li­a­ção da efe­ti­vi­da­de de cada produtor.

Metas — O pla­ne­ja­men­to, segun­do Mai­a­ra, é atin­gir em um ano toda a capa­ci­da­de do sis­te­ma, com 70 vacas em lac­ta­ção ao lon­go do ano. Com o reba­nho esta­bi­li­za­do, che­gar a uma pro­du­ti­vi­da­de de no míni­mo 30 litros de leite/vaca/dia, e, em alguns perío­dos, ter médi­as supe­ri­o­res a 33 litros/vaca/dia. 

Nos últi­mos anos, a famí­lia apri­mo­rou a cri­a­ção das bezer­ras e os cui­da­dos pos­te­ri­o­res com novi­lhas com alto padrão gené­ti­co, gra­ças ao pro­gra­ma de aca­sa­la­men­to que a pro­pri­e­da­de vem tra­ba­lhan­do. Tam­bém há mais aten­ção na  repo­si­ção dos ani­mais mais velhos ou com pro­ble­mas ao lon­go do ano, com novi­lhas de melhor padrão gené­ti­co. “Tudo isso sem­pre com foco no moni­to­ra­men­to dos índi­ces repro­du­ti­vos e outros que pre­ci­sa­mos melho­rar, com uma ges­tão bas­tan­te efi­ci­en­te des­ses núme­ros da pro­pri­e­da­de. Cla­ro que a qua­li­da­de é pri­mor­di­al nes­se con­tex­to”, diz a pro­du­to­ra, obser­van­do que, no médio pra­zo, farão inves­ti­men­tos em novas tec­no­lo­gi­as do Agro 4.0 e tam­bém aumen­ta­rão o com­post barn para ter mais ani­mais em lac­ta­ção. “Ago­ra sabe­mos fazer o cer­to e nos­so apren­di­za­do é con­tí­nuo, pois sem­pre é pos­sí­vel melho­rar mais”, con­clui ela.

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