Com oferta limitada, preço ao produtor sobe 4,8% em maio - Digital Balde Branco

COLUNA DO CEPEA

Natália Grigol

Pesquisadora do Cepea

 A valo­ri­za­ção de lei­te no cam­po ocor­re devi­do à menor ofer­ta, que, inclu­si­ve, tem inten­si­fi­ca­do a con­cor­rên­cia entre as indús­tri­as de lati­cí­ni­os
para asse­gu­rar a cap­ta­ção de matéria-prima”

Com oferta limitada, preço ao produtor sobe 4,8% em maio

O pre­ço do lei­te cap­ta­do em abril/22 e pago aos pro­du­to­res em maio/22 subiu 4,8% fren­te ao mês ante­ri­or, che­gan­do a R$ 2,5444/litro na “Média Bra­sil” líqui­da do Cepea (Cen­tro de Estu­dos Avan­ça­dos em Eco­no­mia Apli­ca­da), da Esalq/USP. Em rela­ção ao mes­mo perío­do do ano pas­sa­do, hou­ve aumen­to de 12,4%, em ter­mos reais. Des­se modo, des­de janei­ro, o lei­te no cam­po acu­mu­la valo­ri­za­ção real de 15% (valo­res defla­ci­o­na­dos pelo IPCA de abril/22).

A valo­ri­za­ção de lei­te no cam­po ocor­re devi­do à menor ofer­ta, que, inclu­si­ve, tem inten­si­fi­ca­do a con­cor­rên­cia entre as indús­tri­as de lati­cí­ni­os para asse­gu­rar a cap­ta­ção de maté­ria-pri­ma. A menor pro­du­ção de lei­te, por sua vez, é expli­ca­da pelos cus­tos de pro­du­ção em alta e pela dimi­nui­ção dos inves­ti­men­tos ao lon­go dos últi­mos meses – o que tem redu­zi­do o poten­ci­al de recu­pe­ra­ção da ofer­ta mes­mo dian­te da ele­va­ção dos pre­ços ao produtor. 

Ape­sar de os gas­tos com o con­cen­tra­do terem recu­a­do ligei­ra­men­te devi­do às recen­tes des­va­lo­ri­za­ções da soja e do milho, o desem­bol­so do pro­du­tor com a ali­men­ta­ção do reba­nho segue ele­va­do. Além dis­so, outros insu­mos se valo­ri­za­ram, como com­bus­tí­veis, medi­ca­men­tos e suple­men­ta­ção mine­ral. Com isso, a mar­gem do pro­du­tor seguiu pres­si­o­na­da nes­te pri­mei­ro qua­dri­mes­tre do ano.

Tam­bém é pre­ci­so pon­tu­ar que a que­da nas impor­ta­ções e o for­te cres­ci­men­to nas expor­ta­ções em abril tam­bém con­tri­buiu para acir­rar a com­pe­ti­ção entre os lati­cí­ni­os para a cap­ta­ção de maté­ria-pri­ma. O levan­ta­men­to do Cepea mos­tra que, em Minas Gerais, o pre­ço médio men­sal do lei­te spot subiu 9%, em ter­mos reais, che­gan­do a R$ 3,02/litro.

Com a maté­ria-pri­ma mais cara e esto­ques enxu­tos, o pre­ço dos deri­va­dos lác­te­os seguiu em alta em abril. De acor­do com a pes­qui­sa do Cepea/OCB (Orga­ni­za­ção das Coo­pe­ra­ti­vas Bra­si­lei­ras), na nego­ci­a­ção entre lati­cí­ni­os e canais de dis­tri­bui­ção do esta­do de São Pau­lo, os pre­ços médi­os men­sais do lei­te UHT e da muça­re­la subi­ram mais de 12% de mar­ço para abril e os do lei­te em pó, qua­se 7%. Ape­sar des­se avan­ço men­sal, os pre­ços diá­ri­os des­tes lác­te­os osci­la­ram mais for­te­men­te em abril do que no mês ante­ri­or. Agen­tes con­sul­ta­dos pelo Cepea rela­ta­ram difi­cul­da­des em rea­li­zar o repas­se da alta da maté­ria-pri­ma aos canais de dis­tri­bui­ção, devi­do ao bai­xo con­su­mo de lác­te­os, que, por sua vez, está deses­ti­mu­la­do dian­te dos ele­va­dos pata­ma­res de preços.

 

Pers­pec­ti­va – As nego­ci­a­ções mais trun­ca­das de deri­va­dos no final de abril dimi­nuí­ram a neces­si­da­de dos lati­cí­ni­os de com­prar lei­te no spot – o que pres­si­o­nou as cota­ções nes­te mer­ca­do na pri­mei­ra quin­ze­na de maio. Porém, com ofer­ta limi­ta­da de lei­te cru no cam­po e nova redu­ção nos esto­ques de lác­te­os, as indús­tri­as vol­ta­ram a dis­pu­tar a com­pra da maté­ria-pri­ma na segun­da quin­ze­na de maio. Na média men­sal, de R$ 3,01/litro, hou­ve ligei­ro recuo de 0,1% em rela­ção a de abril, em ter­mos reais. No mer­ca­do de deri­va­dos, o movi­men­to tam­bém foi de avan­ço, mes­mo dian­te das ven­das fra­cas. Assim, a expec­ta­ti­va do setor é de haja sus­ten­ta­ção no pre­ço do lei­te cap­ta­do em maio e pago ao pro­du­tor em junho.