Como está a CBT no sudeste brasileiro? - Digital Balde Branco

Um diag­nós­ti­co com­ple­to da Con­ta­gem Bac­te­ri­a­na Total do lei­te na região Sudes­te aca­ba de ser lan­ça­do pela Clí­ni­ca do Leite-Esalq-USP


No mês de outu­bro foi lan­ça­do o segun­do volu­me da série do Mapa da Qua­li­da­de do Lei­te, ela­bo­ra­do pela Clí­ni­ca do Lei­te. Nes­te segun­do volu­me é apre­sen­ta­do o diag­nós­ti­co da qua­li­da­de micro­bi­o­ló­gi­ca do lei­te ava­li­a­da atra­vés da con­ta­gem bac­te­ri­a­na total (CBT), não somen­te do lei­te que está sen­do cole­ta­do nas fazen­das, mas tam­bém do lei­te que che­ga a indús­tria e do lei­te ime­di­a­ta­men­te antes de ser processado.

Dife­ren­te­men­te da CCS, cujo resul­ta­do depen­de exclu­si­va­men­te dos pro­ces­sos exe­cu­ta­dos na fazen­da, como já foi abor­da­do no pri­mei­ro volu­me do Mapa da Qua­li­da­de do Lei­te, a CBT depen­de tam­bém dos pro­ces­sos de logís­ti­ca e de arma­ze­na­men­to. Ou seja, para que tenha­mos um lei­te de alta qua­li­da­de sen­do pro­ces­sa­do, pre­ci­sa­mos atu­ar em dife­ren­tes pon­tos crí­ti­cos ao lon­go da cadeia de cap­ta­ção, e não somen­te “den­tro da porteira”.

Os resul­ta­dos apre­sen­ta­dos indi­cam que é pre­ci­so, além de melho­rar os pro­ces­sos na fazen­da para que 100% dos pro­du­to­res aten­dam a IN-62, melho­rar, tam­bém, o trans­por­te e o arma­ze­na­men­to do lei­te até o seu pro­ces­sa­men­to. Per­de-se mui­ta qua­li­da­de quan­do se com­pa­ra o lei­te que está na fazen­da e o que está sen­do pro­ces­sa­do (lei­te arma­ze­na­do nos silos das indús­tri­as), o que irá afe­tar dire­ta­men­te a qua­li­da­de do pro­du­to final ofe­re­ci­do aos con­su­mi­do­res, além de pre­juí­zos às indús­tri­as por que­da de ren­di­men­to, por pro­ble­mas de pro­ces­sa­men­to e por menor tem­po de prateleira.

Quan­do se fala de CBT, é comum infe­rir que nos últi­mos anos hou­ve melho­ra sig­ni­fi­ca­ti­va e que os pro­ble­mas rela­ci­o­na­dos a alta car­ga bac­te­ri­a­na são rela­ti­va­men­te fáceis de serem solu­ci­o­na­dos (higi­e­ne de orde­nha e refri­ge­ra­ção), prin­ci­pal­men­te quan­do se com­pa­ra com a CCS. Real­men­te, entre o perío­do de 2008 a 2012, obser­vou-se uma redu­ção nos valo­res médi­os. Porém, já nos anos seguin­tes, hou­ve uma inver­são do cená­rio com novo aumen­to da CBT.

Atu­al­men­te, quan­to ao aten­di­men­to à IN-62, con­si­de­ran­do o limi­te atu­al de 300 mil UFC/mL, temos 65% dos pro­du­to­res con­for­mes. Se pro­je­tar­mos para o limi­te de 2018, que será de 100 mil UFC/mL, tere­mos somen­te 40% deles.

Como é pos­sí­vel obser­var na Figu­ra 1, abai­xo de 10 mil UFC/mL, exis­tem qua­se 1.800 pro­du­to­res (4% do total), lem­bran­do que este é o limi­te pre­co­ni­za­do para o lei­te cru uti­li­za­do na pro­du­ção de lei­te tipo A. Por outro lado, exis­tem qua­se 10 mil reba­nhos com CBT aci­ma de 600 mil UFC/mL (21% do total), valor este que evi­den­cia pro­ble­mas séri­os de higi­e­ne na orde­nha e de con­ser­va­ção do lei­te, e que tem gran­de impac­to na qua­li­da­de dos pro­du­tos pro­ces­sa­dos a par­tir des­te lei­te. A gran­de mai­o­ria dos reba­nhos (42%) pos­sui média entre 40 e 300 mil UFC/mL.

cbtDis­tri­bui­ção de 44 mil reba­nhos que envi­a­ram amos­tras para a Clí­ni­ca do Lei­te em fun­ção da CBT (mil UFC/mL) em 2015.
Fon­te: Macha­do, P. F.; Cas­so­li, L. D. Con­ta­gem Bac­te­ri­a­na Total (CBT) – 2016.

Assim como para CCS, os resul­ta­dos de CBT indi­cam que temos uma gran­de área de opor­tu­ni­da­de. Conhe­cer e carac­te­ri­zar o pro­ble­ma é o pri­mei­ro pas­so para que se pos­sa de fato agir com efi­cá­cia. Que este mate­ri­al pos­sa con­tri­buir com a cadeia e que, jun­tos, pos­sa­mos melho­rar a efi­ci­ên­cia da pecuá­ria de lei­te assim como outras cadei­as agro­pe­cuá­ri­as já o fize­ram no Brasil.

Esta ini­ci­a­ti­va tem como obje­ti­vo con­tri­buir com a cons­tru­ção de polí­ti­cas públi­cas asser­ti­vas e o apri­mo­ra­men­to de pro­gra­mas de melho­ra­men­to da qua­li­da­de do lei­te. “Este tra­ba­lho de diag­nós­ti­co de qua­li­da­de do lei­te é um dos com­po­nen­tes bási­cos para que pos­sa­mos cum­prir a nos­sa mis­são, que é aju­dar a pecuá­ria de lei­te a melho­rar a pro­du­ti­vi­da­de e a qua­li­da­de, por meio de con­cei­tos de ges­tão pela qua­li­da­de total. Sem dados e infor­ma­ção não é pos­sí­vel iden­ti­fi­car os pro­ble­mas e agir para cor­ri­gi-los”, apon­ta Pau­lo Fer­nan­do Macha­do, pro­fes­sor do Depar­ta­men­to de Zoo­tec­nia da ESALQ e coor­de­na­dor da Clí­ni­ca do Leite.

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Para bai­xar e ver o con­teú­do com­ple­to do Mapa da Qua­li­da­de do Lei­te de CBT, você pode aces­sar: https://mq.clinicadoleite.com.br/cbt

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