Como explorar todo o potencial da pastagem - Digital Balde Branco
revista-balde-branco-pastagem-1-ed668

Vacas de melhor potencial de produção ampliam produtividade se alimento for de qualidade

PASTAGEM

Como explorar todo o 

Potencial da pastagem

Aproveitando o que tem na propriedade, o produtor de leite pode aprimorar seu sistema de pastagem, incrementando a produtividade e a rentabilidade 

João Antônio dos Santos

O sis­te­ma de pas­te­jo é a mais tra­di­ci­o­nal for­ma de ali­men­tar o reba­nho lei­tei­ro e está pre­sen­te em todas as regiões bra­si­lei­ras, com os mais diver­sos tipos de capins. Este sis­te­ma pode sem­pre melho­rar quan­to a ofe­re­cer ali­men­to em quan­ti­da­de e qua­li­da­de nutri­ci­o­nal, des­de que seja mane­ja­do com efi­ci­ên­cia, res­pei­tan­do-se as con­di­ções da pro­pri­e­da­de. Isso pode pare­cer mui­to óbvio. Porém, per­de-se a con­ta do núme­ro de pro­du­to­res que ain­da estão aquém do neces­sá­rio para explo­rar todo o poten­ci­al da pas­ta­gem que têm na pro­pri­e­da­de. Daí que vale sem­pre refor­çar as reco­men­da­ções das boas prá­ti­cas, que devem estar na base do uso de um sis­te­ma de pastejo.

“O sis­te­ma de pas­te­jo pode ser usa­do em qual­quer pro­pri­e­da­de, porém em algu­mas situ­a­ções, como no caso de ani­mais de excep­ci­o­nal poten­ci­al pro­du­ti­vo (aci­ma de 35 litros), com pou­ca adap­ta­ção a cli­mas quen­tes, podem não expres­sar seu poten­ci­al gené­ti­co. Nes­ses casos, o sis­te­ma con­fi­na­do com con­tro­le de ambi­ên­cia seria o ide­al”, ava­lia Ricar­do dos San­tos da Sil­va, médi­co vete­ri­ná­rio, assis­ten­te agro­pe­cuá­rio da Coor­de­na­do­ria de Desen­vol­vi­men­to Rural Sus­ten­tá­vel (CDRS), regi­o­nal Catan­du­va (SP), órgão da Secre­ta­ria de Agri­cul­tu­ra e Abas­te­ci­men­to do Esta­do de São Paulo.

Ele des­ta­ca ain­da que a prin­ci­pal van­ta­gem do sis­te­ma de pas­te­jo inten­si­vo, sobre­tu­do quan­do irri­ga­do, é a pro­du­ção de volu­mo­so com exce­len­te qua­li­da­de, com cus­to bai­xo, que é colhi­do pelas vacas, dis­pen­san­do a neces­si­da­de de equi­pa­men­tos, com­bus­tí­veis e mão de obra. “Temos, no Bra­sil, pas­te­jos mui­to efi­ci­en­tes em áre­as de 0,5 hec­ta­re e de cen­te­nas de hec­ta­res irri­ga­dos por pivôs cen­trais. O pas­te­jo inten­si­vo é uma tec­no­lo­gia mui­to fle­xí­vel, que aten­de a dife­ren­tes situ­a­ções de pro­pri­e­da­des e de regiões. Por isso ganhou tan­to espa­ço no sis­te­ma pecuá­rio brasileiro.”

Exis­tem mui­tos casos de pro­du­to­res com vacas pro­du­zin­do 30 a 35 litros em sis­te­ma de pas­te­jo inten­si­vo, des­ta­ca Sil­va. Em geral, são ani­mais que unem a rus­ti­ci­da­de e a resis­tên­cia ao calor da raça Gir Lei­tei­ro, com o poten­ci­al pro­du­ti­vo do Holan­dês. Há casos tam­bém com um grau de san­gue Jer­sey, o que dimi­nui o tama­nho do ani­mal, per­mi­tin­do uma man­ten­ça mais bai­xa e um gas­to menor de ener­gia de des­lo­ca­men­to para pastejo.

Por mais que haja óti­mos exem­plos que mere­çam des­ta­que, o Bra­sil ain­da enga­ti­nha na efi­ci­ên­cia pro­du­ti­va de ani­mais a pas­to. “São pou­co mais de duas déca­das de conhe­ci­men­to real des­se tipo de explo­ra­ção. Somos sur­pre­en­di­dos posi­ti­va­men­te a cada ano com a pro­du­ção de vari­e­da­des de capins e capi­nei­ras e com a adap­ta­ção de vacas cru­za­das a este mode­lo”, nota ele.

Ricardo S. da Silva: somos surpreendidos positivamente a cada ano com a produção de variedades de capins e capineiras e com a adaptação de vacas cruzadas a este modelo

Já exis­te amplo conhe­ci­men­to dis­po­ní­vel des­sa tec­no­lo­gia, além de téc­ni­cos espe­ci­al­men­te pre­pa­ra­dos para ori­en­tar os pro­du­to­res, por meio de con­sul­to­ri­as e pro­gra­mas de assis­tên­cia téc­ni­ca liga­dos a ins­ti­tui­ções ofi­ci­ais, a coo­pe­ra­ti­vas e a lati­cí­ni­os. Por isso, bas­ta o pro­du­tor bus­car ori­en­ta­ção téc­ni­ca para explo­rar ao máxi­mo seu sis­te­ma de pas­te­jo. Sil­va indi­ca algu­mas ori­en­ta­ções bási­cas para o pro­du­tor alcan­çar, com o apri­mo­ra­men­to con­tí­nuo, alto nível de explo­ra­ção de seu sis­te­ma de pro­du­ção de lei­te.
- Água – Há na pro­pri­e­da­de água sufi­ci­en­te para irri­gar quan­tos hec­ta­res de pas­ta­gem? Este é o pon­to limi­tan­te em mui­tos casos e que só é obser­va­do depois do pro­je­to ser ini­ci­a­do;
- Pla­ne­ja­men­to – Fei­to o levan­ta­men­to da área em poten­ci­al a ser inten­si­fi­ca­da, qual a capa­ci­da­de de inves­ti­men­to? Quan­tos hec­ta­res pode­rão ser irri­ga­dos, divi­di­dos em pique­tes, adu­ba­dos, roça­dos quan­do for o caso e, é cla­ro, de acor­do com o núme­ro de vacas que con­su­mi­rão essa for­ra­gem que será pro­du­zi­da? Isso faz par­te de um diag­nós­ti­co e em segui­da deve cons­tar do pla­ne­ja­men­to, a ser fei­to jun­ta­men­te com o téc­ni­co especializado.

Sil­va faz ques­tão de lem­brar um comen­tá­rio do pes­qui­sa­dor André Novo, da Embra­pa Pecuá­ria Sudes­te, em São Car­los (SP), liga­do ao Pro­je­to Bal­de Cheio: “O sis­te­ma de pas­te­jo é de conhe­ci­men­to táci­to”. Ou seja, o pro­du­tor só con­se­gue apren­dê-lo fazen­do. Por isso, o pro­du­tor deve come­çar com áre­as peque­nas, explo­ran­do a pro­pri­e­da­de em módu­los, que per­mi­tam o apren­di­za­do sem atra­pa­lhar o pla­ne­ja­men­to finan­cei­ro do pro­je­to quan­do erros forem cometidos.

Assim, após o pla­ne­ja­men­to, o pri­mei­ro pas­so é fazer a aná­li­se de solo, essen­ci­al para que se pos­sa explo­rar todo o poten­ci­al de um sis­te­ma inten­si­vo. “A aná­li­se de solo deve ser repe­ti­da anu­al­men­te e a reco­men­da­ção deve ser pen­sa­da de for­ma dife­ren­te da tra­di­ci­o­nal, como a do Bole­tim 100, por exem­plo. Nos­sos sis­te­mas têm altís­si­ma extra­ção de nutri­en­tes, com lota­ção de verão que che­ga a 15 UA/ha, pro­du­zin­do 40 tone­la­das de maté­ria seca por hectare/ano, e isso deman­da alta repo­si­ção de fós­fo­ro, potás­sio e, prin­ci­pal­men­te, maté­ria orgâ­ni­ca e nitro­gê­nio”, nota ele.

PARA EXPLORAR BEM A PASTAGEM, O PRODUTOR PRECISA APRENDER FAZENDO. POR ISSO, DEVE COMEÇAR COM ÁREAS PEQUENAS, EXPLORANDO A PROPRIEDADE EM MÓDULOS, QUE PERMITAM O APRENDIZADO SEM ATRAPALHAR O PLANEJAMENTO FINANCEIRO DO PROJETO QUANDO ERROS FOREM COMETIDOS

Quan­to à for­ra­gei­ra, ele diz que a melhor para a pro­pri­e­da­de é aque­la que já exis­te. Raros são os exem­pla­res de gra­mí­ne­as que não sejam pas­sí­veis de serem apro­vei­ta­dos para o pas­te­jo. “É pre­ci­so levar em con­ta: exis­tem mui­tas plan­tas inva­so­ras na área? Exis­te uma mis­tu­ra mui­to gran­de de gra­mí­ne­as na mes­ma área? A degra­da­ção da área impe­de a recu­pe­ra­ção? Se a res­pos­ta for sim para qual­quer uma des­sas per­gun­tas, é melhor refor­mar a área.”

Em caso de refor­ma, a reco­men­da­ção é esco­lher vari­e­da­des com alta pro­du­ti­vi­da­de de maté­ria ver­de por hec­ta­re e mais ricas em nutri­en­tes. A aju­da de um téc­ni­co da região é mui­to impor­tan­te nes­sa esco­lha, pois nem sem­pre o melhor é o ide­al para as con­di­ções da pro­pri­e­da­de. “Vale dizer que não exis­te capim melhor ou pior, exis­te o capim ade­qua­do para dife­ren­tes exi­gên­ci­as de pro­teí­na.”

Com a aju­da do téc­ni­co, o pro­du­tor deve defi­nir a estra­té­gia da pro­pri­e­da­de e fazer um pla­ne­ja­men­to da sua área, dividindo‑a em módu­los. Por exem­plo: Módu­lo 1 – Pique­tes de tif­ton ou jiggs, para vacas do lote de mai­or pro­du­ção; Módu­lo 2 – Pique­tes de zuri, quê­nia ou mom­ba­ça, para vacas do lote de média pro­du­ção; Módu­lo 3 – Pique­tes de bra­qui­a­rão (ou fazer repas­se nos módu­los 1 e 2), para vacas secas e novi­lhas em pré-par­to.

Impor­tân­cia do con­cen­tra­do — Depen­den­do da for­ra­gem dis­po­ní­vel, vacas com pro­du­ção aci­ma de 10 a 12 litros de lei­te já pre­ci­sam de suple­men­ta­ção de con­cen­tra­do, mes­mo que seja só um pou­co de milho grão moí­do e mine­ral. Por isso, o con­cen­tra­do é mui­to impor­tan­te no sis­te­ma inten­si­vo.

“A gran­de van­ta­gem de se tra­ba­lhar com gra­mí­ne­as com alta qua­li­da­de, sen­do colhi­das em sis­te­mas orga­ni­za­dos, como é o caso do pas­te­jo rota­ci­o­na­do, é que se pode bara­te­ar o cus­to do con­cen­tra­do, com o uso de die­tas basi­ca­men­te ener­gé­ti­cas, base­a­das em milho e pol­pa cítri­ca, por exem­plo”, nota Sil­va.

Porém, conhe­cer os teo­res de pro­teí­na e ener­gia da for­ra­gem é um desa­fio. Quan­do se tra­ta de sila­gem, é pos­sí­vel con­se­guir uma amos­tra bem repre­sen­ta­ti­va, envi­ar a um labo­ra­tó­rio e ser bem pre­ci­so no balan­ce­a­men­to. Mas quan­do a ali­men­ta­ção volu­mo­sa é a pas­ta­gem, a vari­a­ção da qua­li­da­de pode ser diá­ria. “A for­ma de cole­ta da amos­tra, a sele­ção natu­ral no pas­te­jo das vacas, a lumi­no­si­da­de, adu­ba­ção e irri­ga­ção, entre outros fato­res, podem afe­tar os teo­res de pro­teí­na e ener­gia da plan­ta, fazen­do do balan­ce­a­men­to um ver­da­dei­ro desa­fio ao nutri­ci­o­nis­ta da propriedade.”

Vacas com produção acima de 10 a 12 litros de leite, em sistema de pastejo, precisam de suplementação de concentrado

Para mini­mi­zar esse pro­ble­ma de acer­to na die­ta, usam-se medi­das indi­re­tas, como: pro­du­ção das vacas, teo­res de gor­du­ra, pro­teí­na e NUL (nitro­gê­nio urei­co do lei­te), esco­re cor­po­ral e esco­re de fezes das vacas, resí­du­os de grãos nas fezes e esco­re de cocho. A cada ajus­te na die­ta, esses fato­res devem ser ava­li­a­dos para con­fir­mar que a die­ta esti­ma­da real­men­te foi a cor­re­ta.

Há ain­da que se con­si­de­rar a sazo­na­li­da­de de pro­du­ção de for­ra­gem. Alta pro­du­ção no verão e bai­xa pro­du­ção no inver­no. Essa vari­a­ção de pro­du­ção de for­ra­gem deve ser pre­vis­ta no pla­ne­ja­men­to da pro­pri­e­da­de. Se as áre­as de pas­ta­gem dis­po­ní­veis no inver­no não aten­dem às deman­das do reba­nho da pro­pri­e­da­de, é neces­sá­rio plan­tar for­ra­gei­ras, como cana-de-açú­car, milho, sor­go, capi­nei­ras de napi­er e capi­a­çu, entre outras para suprir esse déficit.

Redu­ção de cus­tos — Redu­zir os cus­tos do ali­men­to sem per­der a qua­li­da­de nutri­ci­o­nal é um gran­de desa­fio e não há uma res­pos­ta úni­ca. Os cus­tos de ali­men­ta­ção geral­men­te são de 50% a 60% do Cus­to Ope­ra­ci­o­nal Efe­ti­vo e achar o equi­lí­brio entre qua­li­da­de, quan­ti­da­de e dis­po­ni­bi­li­da­de da melho­ra for­ra­gem é um exer­cí­cio desa­fi­a­dor. “O pro­du­tor deve ter for­ra­gem de alta qua­li­da­de para ani­mais mais exi­gen­tes e for­ra­gem mais pobre que pos­sa aten­der às exi­gên­ci­as de cate­go­ri­as como vacas secas e novi­lhas”, ori­en­ta Sil­va.

Sem­pre que hou­ver água dis­po­ní­vel em quan­ti­da­de sufi­ci­en­te para a irri­ga­ção, o pro­du­tor só tem a ganhar com essa téc­ni­ca. Porém, ele deve ter em men­te que a água é um bem vali­o­sís­si­mo e “deve ser usa­da com cri­té­rio e o des­per­dí­cio deve ser pró­xi­mo de zero”.

Além dis­so, é pre­ci­so saber que irri­ga­ção não é molhar o pas­to. Exis­tem cri­té­ri­os téc­ni­cos de volu­me a ser apli­ca­do dia­ri­a­men­te, que vari­am ao lon­go do ano. Se explo­ra­da com cri­té­rio, ali­a­da ao mane­jo de fer­ti­li­da­de do solo, é uma téc­ni­ca que per­mi­te alcan­çar altís­si­mas taxas de lota­ção (facil­men­te che­ga-se a 10 a 12 UA/ha) no verão. “E ain­da per­mi­te sobres­se­me­ar cul­tu­ras que cres­cem no inver­no, com tem­pe­ra­tu­ras mais ame­nas, como aveia e aze­vém, que não ger­mi­nam em sis­te­mas de sequei­ro, pois nos meses de explo­ra­ção des­sas for­ra­gens, a água das chu­vas é mui­to pouca.”

O produtor Eder Duarte mais que dobrou a produtividade de leite/ha/ano em dois anos, graças à assistência técnica

Em pouco tempo pastejo intensivo mostra bons resultados


Com auxí­lio da assis­tên­cia téc­ni­ca, pro­du­to­res muda­ram o cená­rio de sua pro­du­ção lei­tei­ra, ao foca­rem no melho­ra­men­to do pas­te­jo inten­si­vo, con­se­guin­do mai­or efi­ci­ên­cia finan­cei­ra des­te sis­te­ma. Sil­va exem­pli­fi­ca com duas pro­pri­e­da­des, às quais aten­de. A Chá­ca­ra da Vó Emí­lia, em Uru­pês (SP), per­ten­cen­te a Éder Augus­to Duar­te, que come­çou no pro­je­to Bal­de Cheio, em setem­bro de 2017. Den­tre outros resul­ta­dos inte­res­san­tes, mere­ce des­ta­que o aumen­to con­se­gui­do na pro­du­ti­vi­da­de de litros de lei­te por hectare/ano, que pas­sou de 5.732 litros nos pri­mei­ros 12 meses para os atu­ais 13.215 litros. A pro­pri­e­da­de que arren­da­va 1 ha para alo­jar par­te do reba­nho, hoje con­se­gue em área pró­pria de 4,9 hec­ta­res man­ter seu reba­nho com 14 vacas (12 em lac­ta­ção) e 13 ani­mais em recria, com peque­na suple­men­ta­ção de sila­gem com­pra­da, foca­da nos ani­mais de recria.

A pro­pri­e­da­de, que recen­te­men­te ini­ci­ou a explo­ra­ção de mais 1 ha de pas­te­jo irri­ga­do, com BRS Quê­nia, tem ain­da 1,5 ha de mombaça/braquiária e 0,2 ha de tif­ton tam­bém irri­ga­dos.

O Sítio São Domin­gos, em Paraí­so (SP), de Olair Bovo­ni e seu filho Rena­to, com pou­co mais de 18 meses de pro­je­to, mos­tra evo­lu­ção mui­to expres­si­va.

Sen­do uma pro­pri­e­da­de mode­lo em explo­ra­ção de sis­te­mas de pas­te­jo, eles con­tam hoje com 1,4 ha de jiggs, divi­di­do em dois módu­los de 16 pique­tes cada, mais 0,8 ha de mom­ba­ça divi­di­do em 26 pique­tes. Para a ali­men­ta­ção de inver­no hoje con­tam com 0,3 ha de cana-de-açú­car, que este ano foi usa­da basi­ca­men­te para vacas secas e devem sobrar mudas para a implan­ta­ção do novo cana­vi­al, pla­ne­ja­do para a seca do ano que vem, de no míni­mo 1 ha, pre­ven­do o cres­ci­men­to do reba­nho.

A pro­pri­e­da­de con­ta ain­da com 0,3 ha de jiggs para bezer­ras e novi­lhas em cres­ci­men­to e cer­ca de 3 ha de bra­qui­a­rão em sis­te­ma de sequei­ro, que hoje é ocu­pa­do por ani­mais em recria e vacas secas, mas que em 2021 terá um novo módu­lo de zuri e a nova área de cana.

Com média das vacas em lac­ta­ção no mês de agos­to de 21 litros, a pro­pri­e­da­de tem no pas­to sua prin­ci­pal fon­te de pro­teí­na e ener­gia, com vacas que alcan­ça­ram 38 litros de pro­du­ção diá­ria, comen­do uma die­ta mui­to bara­ta, indi­vi­du­a­li­za­da para cada ani­mal, de acor­do com a pro­du­ção, que nes­te caso é pas­ta­gem de jiggs, sobres­se­me­a­do com aveia e aze­vém, 4 kg de qui­re­ra de milho, 3 kg de pol­pa cítri­ca pele­ti­za­da, 1 kg de fare­lo de soja, 1,5 kg de caro­ço de algo­dão e 300 gra­mas de núcleo mine­ral.

Esta com­bi­na­ção de comi­da bara­ta de qua­li­da­de no pas­to e vacas de alto poten­ci­al gené­ti­co se refle­te no resul­ta­do finan­cei­ro da pro­pri­e­da­de, que ain­da tem mui­to a explo­rar, com meta de 500 a 550 litros de pro­du­ção diá­ria em 2022, o que repre­sen­ta­rá cer­ca de 30.000 litros/ha/ano.

Em ambos os casos, são pro­du­to­res fami­li­a­res, sem des­pe­sas de mão de obra de fun­ci­o­ná­ri­os. Por ain­da esta­rem em fases ini­ci­ais do pro­je­to, os inves­ti­men­tos ain­da são sig­ni­fi­ca­ti­vos, o que faz com que o flu­xo de cai­xa men­sal ain­da não seja alto. “Bus­ca­mos uma esta­bi­li­da­de nos inves­ti­men­tos, que geral­men­te ocor­re no ter­cei­ro ano do pro­je­to, quan­do o flu­xo de cai­xa men­sal dese­ja­do é no míni­mo R$ 2.500/ mês”, fina­li­za Silva.

Mais infor­ma­ções: Ricar­do S. da Sil­va – email: ricardosantossilva@sp.gov.br

Olair Bovoni e seu filho Renato, com pouco mais de 18 meses de projeto, mostram evolução muito expressiva na produção de leite

Rolar para cima