Como prevenir o deslocamento do abomaso - Digital Balde Branco

Cui­da­dos nes­se sen­ti­do envol­vem ações no pré e no pós-par­to. Con­fi­ra as cau­sas das inci­dên­ci­as e tam­bém as prá­ti­cas de pre­ven­ção e tratamento

Por Nathan Fon­tou­ra, médi­co vete­ri­ná­rio da equi­pe Lei­te do Reha­gro, site: www.rehagro.com.br

O des­lo­ca­men­to de abo­ma­so é uma doen­ça meta­bó­li­ca que aco­me­te prin­ci­pal­men­te vacas lei­tei­ras de alta pro­du­ção, com ele­va­da ocor­rên­cia nos pri­mei­ros 21 dias após o par­to. É uma enfer­mi­da­de cada vez mais recor­ren­te e sub-diag­nos­ti­ca­da, que se dá pela migra­ção da vís­ce­ra de sua posi­ção anatô­mi­ca ori­gi­nal, no asso­a­lho do abdô­men, para uma posi­ção entre o rúmen e a pare­de abdominal.

Dife­ren­te­men­te do que se pen­sa­va, não é uma doen­ça exclu­si­va de vacas das raças Holan­de­sa e Jer­sey, poden­do atin­gir tam­bém vacas Giro­lan­do, entre outras raças bovi­nas, prin­ci­pal­men­te ani­mais que inge­rem con­cen­tra­do em exces­so. Quan­to mai­or a pro­du­ção de lei­te e mais velha for a vaca, mai­or é a pro­ba­bi­li­da­de de ocor­rer o des­lo­ca­men­to, devi­do às falhas no meca­nis­mo de balan­ce­a­men­to de cálcio.

Os des­lo­ca­men­tos são veri­fi­ca­dos à esquer­da, o que repre­sen­ta a mai­or par­te dos casos rela­ta­dos, mas tam­bém podem ocor­rer à direi­ta e na par­te ante­ri­or do abo­ma­so. O prin­ci­pal fator de ris­co é a hipo­cal­ce­mia clí­ni­ca ou sub­clí­ni­ca, que dei­xa o ani­mal mais pro­pen­so ao deslocamento.

O não enchi­men­to com­ple­to do rúmen, aci­do­se rumi­nal sub­clí­ni­ca e quais­quer doen­ças infla­ma­tó­ri­as tam­bém podem ele­var as chan­ces da ocor­rên­cia do pro­ble­ma, pois ao dei­xar de comer a quan­ti­da­de ide­al de maté­ria seca, dimi­nuin­do o con­su­mo de ali­men­tos, há um favo­re­ci­men­to para a pas­sa­gem de gases pro­du­zi­dos no inte­ri­or do rúmen para o abo­ma­so, pro­vo­can­do enchi­men­to do órgão e pro­vá­vel deslocamento.

O segre­do da pre­ven­ção con­tra o des­lo­ca­men­to de abo­ma­so está no perío­do de tran­si­ção. Essa fase com­pre­en­de as três sema­nas ante­ri­o­res e as três sema­nas pos­te­ri­o­res ao par­to. Por isso, deve-se ini­ci­ar a pre­ven­ção do des­lo­ca­men­to já no perío­do pré-par­to, ou seja, quan­do é pre­ci­so for­ne­cer uma boa die­ta, bem balan­ce­a­da, e que faça o papel de adap­tar o rúmen à die­ta desa­fi­a­do­ra à qual o ani­mal vai ser sub­me­ti­do no pós-par­to. As vacas devem, então, inge­rir entre 2 e 3 kg de con­cen­tra­do nos 21 dias ante­ri­o­res ao par­to. Des­sa for­ma, se con­se­gue pre­ve­nir a aci­do­se sub­clí­ni­ca no pós-par­to. E com uma die­ta bem balan­ce­a­da é pos­sí­vel tam­bém pre­ve­nir a hipo­cal­ce­mia no pós-parto.

Já no pós-par­to é neces­sá­rio for­ne­cer uma boa ali­men­ta­ção prin­ci­pal­men­te em rela­ção aos fato­res de fibra efe­ti­va, que deve ficar em tor­no de 22%. É neces­sá­ria uma die­ta de nível ele­va­do de con­cen­tra­do, que faça o ani­mal pro­du­zir lei­te e dimi­nuir o balan­ço ener­gé­ti­co nega­ti­vo, pois nos pri­mei­ros dias de lac­ta­ção a vaca não con­se­gue atin­gir o con­su­mo neces­sá­rio para a fase em questão.

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Leia a ínte­gra des­ta maté­ria na edi­ção Bal­de Bran­co 637, de novem­bro 2017

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