Conhecimento e o leite refrigerado - Digital Balde Branco

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Pedro Braga Arcuri 

Pesquisador da Embrapa Gado de Leite

“A Embrapa, com nossos parceiros em todas as regiões brasileiras, desenvolve e entrega as soluções tecnológicas a partir do conhecimento gerado, universal e atemporal nessas fontes renováveis e sustentáveis de energia”

Conhecimento e o leite refrigerado

De uma des­co­ber­ta cien­tí­fi­ca até o uso do conhe­ci­men­to gera­do por algum tipo de tec­no­lo­gia, pro­du­to ou pro­ces­so, ocor­re um cami­nho, em geral, lon­go e rela­ti­va­men­te demo­ra­do. O pro­ces­so de trans­for­ma­ção da ener­gia da luz em ele­tri­ci­da­de foi des­cri­to bem no iní­cio do sécu­lo 20 pelo físi­co ale­mão Albert Eins­tein e lhe ren­deu o Prê­mio Nobel em 1921. A par­tir da déca­da de 1960, a agên­cia aero­es­pa­ci­al ame­ri­ca­na, a Nasa, desen­vol­veu pla­cas foto­vol­tai­cas para gerar ele­tri­ci­da­de para saté­li­tes e cáp­su­las espa­ci­ais e, des­de então, a tec­no­lo­gia não para de evo­luir. Seu uso vem se expan­din­do. Um deles é a gera­ção de ele­tri­ci­da­de por peque­nas usi­nas, que podem estar na cida­de ou no cam­po, conec­ta­das ou não à rede naci­o­nal de eletricidade. 

O uso da ener­gia eóli­ca, pala­vra gre­ga para ven­to, é bem mais anti­go, remon­tan­do aos per­sas, há cer­ca de mil anos antes de Cris­to, para moer grãos e bom­be­ar água. Para gerar ener­gia elé­tri­ca, a refe­rên­cia é do sécu­lo 19, nos Esta­dos Uni­dos. No fim des­te mes­mo sécu­lo, os ingle­ses desen­vol­ve­ram a tec­no­lo­gia para o bio­gás ser usa­do na ilu­mi­na­ção públi­ca, a par­tir do conhe­ci­men­to da sua pro­du­ção em pân­ta­nos des­de o sécu­lo 17. 

Três fon­tes de ener­gia des­cri­tas cien­ti­fi­ca­men­te há tem­pos que hoje, no sécu­lo 21, geram ele­tri­ci­da­de e que podem ser usa­das em pro­pri­e­da­des lei­tei­ras para res­fri­ar o lei­te, e mui­tas outras fun­ções. As três tec­no­lo­gi­as já foram des­cri­tas nas pági­nas da revis­ta Bal­de Branco. 

Vol­to a comen­tar a res­pei­to delas, por­que há uma ten­dên­cia nova e pre­o­cu­pan­te, no cur­to pra­zo: dados ofi­ci­ais indi­cam que a defi­ci­ên­cia de chu­vas nas prin­ci­pais baci­as lei­tei­ras é a mai­or em mui­tas déca­das. Esse fenô­me­no natu­ral, con­sequên­cia ou não de mudan­ças cli­má­ti­cas cau­sa­das pela huma­ni­da­de, soma­do aos pou­cos inves­ti­men­tos fei­tos no País em novas hidre­lé­tri­cas ou em outras fon­tes de ele­tri­ci­da­de nos últi­mos 20 anos, aumen­ta­ram em mui­to o ris­co de ocor­re­rem apa­gões, o cus­to da ener­gia elé­tri­ca (por outras razões, os com­bus­tí­veis fós­seis tam­bém estão caros) e mes­mo o ris­co do raci­o­na­men­to de água nas cidades. 

Por­tan­to, nes­te segun­do semes­tre de 2021, é tem­po de pen­sar em como man­ter o lei­te res­fri­a­do, sem depen­der da ele­tri­ci­da­de ven­di­da pelas con­ces­si­o­ná­ri­as. Por isso, vol­to às tec­no­lo­gi­as desen­vol­vi­das a par­tir do conhe­ci­men­to de mui­tos anos atrás. O inves­ti­men­to em gera­ção de ele­tri­ci­da­de na pro­pri­e­da­de é uma garan­tia con­fiá­vel, para evi­tar per­das do lei­te orde­nha­do, pelo cor­te súbi­to de ele­tri­ci­da­de, e que se mos­tra segu­ro, pelo desen­vol­vi­men­to tec­no­ló­gi­co já alcan­ça­do. No cená­rio em que vive­mos, e no futu­ro pró­xi­mo, o inves­ti­men­to em fon­tes reno­vá­veis e con­fiá­veis de ener­gia na pro­pri­e­da­de se mos­tra necessário. 

A Embra­pa, com nos­sos par­cei­ros em todas as regiões bra­si­lei­ras, desen­vol­ve e entre­ga as solu­ções tec­no­ló­gi­cas a par­tir do conhe­ci­men­to gera­do, uni­ver­sal e atem­po­ral nes­sas fon­tes reno­vá­veis e sus­ten­tá­veis de ener­gia. No cam­po expe­ri­men­tal da Embra­pa Gado de Lei­te, ini­ci­a­mos a gera­ção de 34 kW de ener­gia elé­tri­ca para aten­der ao nos­so com­post barn “Vacas e Pes­so­as Feli­zes”, em par­ce­ria com uma empre­sa privada.

Pela pro­du­ção do bio­gás, que tam­bém é usa­do na Embra­pa Gado de Lei­te, o pro­du­tor pode obter o bio­fer­ti­li­zan­te, além da ener­gia elé­tri­ca, como resul­tan­te do uso dos deje­tos no pro­ces­so e, com isso, ain­da redu­zir o impac­to ambi­en­tal cau­sa­do pela ati­vi­da­de. Atu­al­men­te, os pro­du­to­res de suí­nos são os que mais ado­tam essa tec­no­lo­gia. Porém, pela quan­ti­da­de de deje­tos pro­du­zi­dos nos está­bu­los pela ati­vi­da­de lei­tei­ra, há um poten­ci­al mui­to gran­de de pro­du­ção de energia. 

Apoio téc­ni­co é mui­to impor­tan­te, apoio finan­cei­ro tam­bém. Empre­sas e coo­pe­ra­ti­vas devem con­si­de­rar o uso de fon­tes de ener­gia reno­vá­vel e que vai asse­gu­rar o for­ne­ci­men­to de lei­te de qua­li­da­de, com exce­len­te ima­gem jun­to aos consumidores.

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