De volta, com o mesmo espetáculo de sempre, em qualidade genética - Digital Balde Branco
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Uma das mais importantes vitrines da cadeia produtiva do leite no País, a Megaleite 2022 superou as expectativas dos organizadores

MEGALEITE 2022

De volta, com o mesmo espetáculo de sempre,

em qualidade genética de raças leiteiras

A Megaleite reuniu, no Parque da Gameleira, em Belo Horizonte, mais de 1,3 mil animais de oito raças de bovinos leiteiros, um público de mais de 70 mil pessoas e gerou um movimento de negócios estimado em mais de R$ 200 milhões 

Erick Henrique e João Carlos de Faria

Minas Gerais é o mai­or pro­du­tor de lei­te do Bra­sil, com par­ti­ci­pa­ção de 27,1%, o que cor­res­pon­de a 9,4 bilhões de litros pro­du­zi­dos e 1,2 milhão de tra­ba­lha­do­res dire­tos na ati­vi­da­de, de acor­do com dados do IBGE. Com esse peso, a 17ª Expo­si­ção Bra­si­lei­ra do Agro­ne­gó­cio do Lei­te (Mega­lei­te) reu­niu cri­a­do­res de vári­as regiões do País na capi­tal minei­ra, de 15 a 18 de junho, no Par­que da Game­lei­ra. Foram exi­bi­dos ani­mais das raças Giro­lan­do, Gir Lei­tei­ro, Guze­rá, Guzo­lan­do, Jer­sey, Jer­so­lan­do, Simen­tal e Sim­bra­sil, além da par­ti­ci­pa­ção de um públi­co de mais de 70 mil pes­so­as, que conhe­ce­ram de per­to tudo o que envol­ve essa ati­vi­da­de tão impor­tan­te para a eco­no­mia brasileira.

Depois de dois anos sem ser rea­li­za­da por cau­sa da pan­de­mia, a Mega­lei­te 2022, na ava­li­a­ção do pre­si­den­te da Asso­ci­a­ção Bra­si­lei­ra dos Cri­a­do­res de Giro­lan­do (ABCG), Odi­lon de Rezen­de Bar­bo­sa Filho, “equi­va­leu a três edi­ções numa só”, com a pre­sen­ça de mais de 1,3 mil ani­mais de oito raças, além de oito lei­lões e dois shop­pings de ani­mais, do tor­neio lei­tei­ro e a par­ti­ci­pa­ção de mui­tas empre­sas nos estan­des mon­ta­dos nas ala­me­das do Par­que da Gameleira.

“Esta­mos mui­to feli­zes por esse gran­de even­to, prin­ci­pal vitri­ne da pecuá­ria de lei­te na Amé­ri­ca Lati­na, o que nos orgu­lha mui­to de poder par­ti­ci­par des­sa gran­de expo­si­ção para a pecuá­ria lei­tei­ra bra­si­lei­ra e, por que não, para a pecuá­ria mun­di­al, já que temos aqui visi­tan­tes de diver­sos paí­ses”, decla­rou Bar­bo­sa Filho, da ABCG, enti­da­de res­pon­sá­vel pela orga­ni­za­ção do evento.

 

Odilon de Rezende: “O Girolando é uma raça que se adapta a qualquer tipo de clima e nós conseguimos identificar geneticamente os animais que se adaptam melhor a climas mais quentes ou mais frios”

O pre­si­den­te falou ain­da sobre o que ele con­si­de­ra “a cere­ja do bolo” da Mega­lei­te 2022, que foi o lan­ça­men­to do Sumá­rio de Tou­ros da Raça Giro­lan­do. “Além dos ani­mais pre­sen­tes, esse foi o even­to mais impor­tan­te, com a apre­sen­ta­ção de 15 novas carac­te­rís­ti­cas, pas­san­do de 4 para 19, o que dá cor­po para o nos­so Sumá­rio e faci­li­ta a vida do cri­a­dor na hora de fazer aca­sa­la­men­tos e de cons­truir um Giro­lan­do cada vez mais efi­ci­en­te para os res­pec­ti­vos sis­te­mas de pro­du­ção”, disse.

Ele elo­gi­ou ain­da a “exce­len­te qua­li­da­de” das vacas 1/4 que com­pu­se­ram a pis­ta de jul­ga­men­to des­sa cate­go­ria duran­te a Mega­lei­te 2022, para res­sal­tar a impor­tân­cia do padrão 5/8 para a raça. “São essas vacas as futu­ras mães dos ani­mais 5/8, que é a raça pro­pri­a­men­te dita.”

Comen­tou tam­bém que a cam­pa­nha que está sen­do vei­cu­la­da pela asso­ci­a­ção é impor­tan­te para mos­trar para o mer­ca­do as van­ta­gens dos ani­mais des­se padrão racial. 

O Sumá­rio de Tou­ros, lan­ça­do no dia 16 de junho, duran­te a Mega­lei­te 2022, traz:

- PTAs gené­ti­cas e genô­mi­cas para a pro­du­ção de lei­te em até 305 dias (PTAL);
- inter­va­lo de par­tos (PTA IP);
- ida­de ao pri­mei­ro par­to (PTA IPP);
- tole­rân­cia ao estres­se tér­mi­co (TE);
- peso do bezer­ro ao nas­ci­men­to (PTA PN);
- perío­do ges­ta­ci­o­nal da vaca (PTA PG);
- Índi­ce de Pro­du­ção e Per­sis­tên­cia na Lac­ta­ção do Giro­lan­do (IPPLG);
- Índi­ce de Efi­ci­ên­cia Tro­pi­cal do Giro­lan­do (IETG);
- Índi­ce de Faci­li­da­de de Par­to do Giro­lan­do (IFPG);
- Índi­ce de Repro­du­ção do Giro­lan­do (IRG);
- Com­pos­to do Sis­te­ma Loco­mo­tor do Giro­lan­do (CSLG) e Com­pos­to do Sis­te­ma Mamá­rio do Giro­lan­do (CSMG).

Sumário de Touros da Raça Girolando foi apresentado com 15 novas características pesquisadas pela Embrapa Gado de Leite, juntamente com a ABCG

Edivaldo Ferreira Junior; “O Sumário 2022 é, com certeza, o maior sumário já publicado sobre o rebanho sintético”

Na ava­li­a­ção do coor­de­na­dor do Pro­gra­ma de Melho­ra­men­to Gené­ti­co da Raça Giro­lan­do (PMGG), Edi­val­do Fer­rei­ra Júni­or, esse foi, com cer­te­za, o mai­or sumá­rio já publi­ca­do sobre o reba­nho sintético.

“Nós publi­ca­mos as carac­te­rís­ti­cas com rela­ção à repro­du­ção, à par­te de ter­mo­to­le­rân­cia, con­for­ma­ção, em espe­ci­al ao sis­te­ma mamá­rio e loco­mo­tor. Den­tro des­sas carac­te­rís­ti­cas, mui­tas delas serão ampla­men­te uti­li­za­das pelos cri­a­do­res, como é o caso da ter­mo­to­le­rân­cia. Já que esta­mos desen­vol­ven­do uma raça tro­pi­cal, nada mais inte­res­san­te do que ter uma ava­li­a­ção gené­ti­ca para iden­ti­fi­car ani­mais que real­men­te sejam adap­ta­dos para pro­du­zir em altas tem­pe­ra­tu­ras ou umi­da­de elevada.” 

Segun­do coor­de­na­dor do PMGG, ao uti­li­zar esses dados, o pro­du­tor vai con­se­guir sele­ci­o­nar vacas que cami­nhem melhor em bus­ca de ali­men­to, entre vári­os outros aspec­tos posi­ti­vos para o melhor desem­pe­nho do ani­mal. “Vale des­ta­car tam­bém o lan­ça­men­to do com­pos­to do sis­te­ma mamá­rio, que vai tra­zer um pou­co mais de con­for­ma­ção, faci­li­tan­do a orde­nha e aumen­tan­do a lon­ge­vi­da­de da vaca den­tro do reba­nho. Isso, con­se­quen­te­men­te, tra­rá mais ren­da ao pro­du­tor de leite.”

Sumá­rio de Fême­as – Já o Sumá­rio de Fême­as traz a rela­ção das vacas TOP 1.000 da raça Giro­lan­do para pro­du­ção de lei­te, com os res­pec­ti­vos PTAs para pro­du­ção de lei­te em até 305 dias (PTAL); inter­va­lo de par­tos (PTA IP); PTA genô­mi­ca para ida­de ao pri­mei­ro par­to (GPTA IPP) e acu­rá­cia (Ac.), con­for­me cada com­po­si­ção racial.

O Tes­te de Pro­gê­nie da raça Giro­lan­do foi ini­ci­a­do em 1997 e, des­de então, hou­ve uma gran­de evo­lu­ção da raça. Bas­ta con­si­de­rar que a pro­du­ção média de lei­te em até 305 dias, em 2000, alcan­ça­va 3.695 kg; já em 2021, essa média subiu para 6.032 kg, repre­sen­tan­do um aumen­to de 60% no perío­do de 20 anos.

Para encor­par as ava­li­a­ções da raça, o coor­de­na­dor do PMGG infor­ma que foi uti­li­za­da uma base de 290 mil regis­tros, publi­can­do o valor gené­ti­co de cer­ca de 190 mil vacas Giro­lan­do. Ambos os sumá­ri­os estão dis­po­ní­veis no site da asso­ci­a­ção https://www.girolando.com.br/

 

Tor­neio lei­tei­ro – Com a par­ti­ci­pa­ção de 15 ani­mais e oito expo­si­to­res vin­dos de Minas Gerais, Rio de Janei­ro e Goiás, o 31º Tor­neio Lei­tei­ro da Raça Giro­lan­do movi­men­tou os pro­du­to­res e teve até tor­ci­da duran­te a Mega­lei­te 2022, numa dis­pu­ta acir­ra­da entre as pri­mei­ras colo­ca­das nas duas clas­ses de pre­mi­a­ção: Pro­du­ção Abso­lu­ta de Lei­te e Com­po­si­ção do Leite.

 

Edivaldo Ferreira Junior; “O Sumário 2022 é, com certeza, o maior sumário já publicado sobre o rebanho sintético”

A gran­de cam­peã da clas­se Pro­du­ção Abso­lu­ta de Lei­te em nove orde­nhas foi a vaca Fran­cis­ca FIV da PEZ (CCG 3/4 Gir + 1/4 Hol), de pro­pri­e­da­de de Maria Bea­triz do Pra­do Zago, de Per­di­zes (MG), com pro­du­ção total de 255,680 kg/leite e média de 85,227 kg/leite. 

Ela é filha de Estre­li­nha FIV da PEZ, gran­de cam­peã naci­o­nal da Mega­lei­te 2016 e recor­dis­ta mun­di­al de pro­du­ção de lei­te, na cate­go­ria vaca jovem.

Na clas­se Com­po­si­ção de Lei­te, a gran­de cam­peã foi a vaca Solar do Enge­nho Garoa (CCG 1/2 Hol + 1/2 Gir), de pro­pri­e­da­de de Thi­a­go Via­na Noguei­ra, de Sete Lago­as (MG), que teve pro­du­ção de 201,485 kg/leite em nove orde­nhas, com média diá­ria de 67,162 kg/leite.

Recor­de de negó­ci­os e de públi­co – O movi­men­to de negó­ci­os rea­li­za­dos no Par­que da Game­lei­ra, pelas mais de 80 empre­sas expo­si­to­ras e pelos pro­mo­to­res de lei­lões e shop­ping de ani­mais, atin­giu um fatu­ra­men­to esti­ma­do de R$ 200 milhões, ante R$ 30 milhões de 2019 (ano da últi­ma edi­ção pre­sen­ci­al), segun­do infor­ma­ções da Asso­ci­a­ção Bra­si­lei­ra dos Cri­a­do­res de Giro­lan­do, orga­ni­za­do­ra da expo­si­ção. Des­se mon­tan­te, mais de R$ 8 milhões vie­ram da comer­ci­a­li­za­ção de bovi­nos nos oito lei­lões e dois shop­pings, ante cer­ca de R$ 4 milhões da edi­ção anterior.

O dire­tor de Rela­ções Ins­ti­tu­ci­o­nais da ABCG, Domí­cio Arru­da Sil­va, dis­se que o movi­men­to da fei­ra favo­re­ceu e con­tri­buiu mui­to com a rea­li­za­ção des­ses negó­ci­os, mas hou­ve tam­bém mui­ta qua­li­da­de gené­ti­ca, fator impor­tan­te para que fos­se atin­gi­do esse valor. “Foi uma reto­ma­da com o pé direi­to”, destacou.

Faemg: soman­do for­ças na Mega­lei­te – O Encon­tro de Pro­du­to­res de Lei­te, pro­mo­vi­do pela Comis­são Téc­ni­ca (CT) da Pecuá­ria de Lei­te do Sis­te­ma Faemg, reu­niu cer­ca de 100 pes­so­as no dia 16, den­tre elas o pre­si­den­te da Comis­são Naci­o­nal de Pecuá­ria de Lei­te (CNA), Ronei Vol­pi, a che­fe-geral da Embra­pa Gado de Lei­te, Eli­sa­beth Noguei­ra Fer­nan­des, e repre­sen­tan­tes dos laticínios.

O even­to, uma das ati­vi­da­des rea­li­za­das duran­te a Mega­Lei­te 2022, trou­xe três pau­tas impor­tan­tes para o bovi­no­cul­tor: os desa­fi­os da pro­du­ção, a visão do con­su­mi­dor final em rela­ção ao lei­te como ali­men­to e o lan­ça­men­to do Infor­ma­ti­vo da Pecuá­ria Lei­tei­ra, que mos­tra­rá as ações rea­li­za­das pela CT do Sis­te­ma Faemg e as movi­men­ta­ções do mercado.

 

Para o presidente da Comissão Técnica, Jônadan Ma, encontro foi importante porque abordou questões como visão estratégica de futuro do leite, investimentos e a preparação para a sucessão nas propriedades de leite

Segun­do o pre­si­den­te da Comis­são Téc­ni­ca da Pecuá­ria de Lei­te do Sis­te­ma-Faemg, Jôna­dan Ma, o encon­tro reu­niu não só o pes­so­al de Minas Gerais, mas tam­bém con­tou com a pre­sen­ça pro­du­to­res de vári­os can­tos do Bra­sil, que esti­ve­ram na Mega­lei­te 2022.

“O obje­ti­vo é refor­çar a repre­sen­ta­ti­vi­da­de dos pro­du­to­res jun­to aos mem­bros da Comis­são Téc­ni­ca, para que pos­sa­mos levar deman­das que aju­dem a resol­ver os pro­ble­mas não só de Minas Gerais, mas em nível fede­ral, jun­to à Con­fe­de­ra­ção da Agri­cul­tu­ra e Pecuá­ria do Bra­sil (CNA)”, expli­cou o dirigente.

Na ava­li­a­ção de Ma, o encon­tro foi mui­to impor­tan­te por­que abor­dou algu­mas ques­tões espe­cí­fi­cas, como a visão estra­té­gi­ca de futu­ro, os inves­ti­men­tos e a pre­pa­ra­ção da suces­são nas pro­pri­e­da­des lei­tei­ras. “Vimos que tem um gran­de mer­ca­do para o cres­ci­men­to da pecuá­ria lei­tei­ra não só no Bra­sil, mas no mun­do, sen­do o nos­so País um gran­de player.”

Ma tam­bém comen­tou sobre a visão estra­té­gi­ca do pro­du­tor em rela­ção ao negó­cio lei­te e a visão do con­su­mi­dor. “Temos que obser­var como o pro­du­to é vis­to, quais os ris­cos, as ame­a­ças e opor­tu­ni­da­des do negó­cio e como pode­mos inse­rir as neces­si­da­des ambi­en­tais, soci­ais e de gover­nan­ça, incluin­do o bem-estar ani­mal e a sus­ten­ta­bi­li­da­de como um todo”, des­ta­ca o pre­si­den­te da Comis­são de Lei­te da Faemg, que tam­bém é cri­a­dor de Giro­lan­do na Fazen­da Boa Fé, em Con­quis­ta (MG).

Par­ti­ci­pan­do do encon­tro e da mesa de deba­tes, Yago Sar­to­ri, geren­te de cap­ta­ção e fomen­to da Emba­ré, des­ta­ca que o lati­cí­nio come­çou uma par­ce­ria com a Asso­ci­a­ção dos Cri­a­do­res de Giro­lan­do em 2016, levan­do em con­ta o fato de esta raça com­por a mai­o­ria dos reba­nhos lei­tei­ros no Esta­do de Minas Gerais.

“Mais de 80% do lei­te dos pro­du­to­res que nos for­ne­cem é oriun­do de ani­mais Giro­lan­do, por isso fize­mos essa apro­xi­ma­ção e logo em segui­da acon­te­ceu a deci­são de levar a Mega­lei­te para o Par­que Game­lei­ra, em Belo Hori­zon­te. Para nós, isso foi mui­to impor­tan­te, por­que o even­to está den­tro do nos­so prin­ci­pal mer­ca­do, atrain­do para cá os con­su­mi­do­res da nos­sa mar­ca, a Cam­po­ne­sa, dan­do-lhes a opor­tu­ni­da­de de conhe­cer as ori­gens da maté­ria-pri­ma”, expli­ca Sartori.

O lati­cí­nio Emba­ré patro­ci­na o espa­ço Mini­fa­zen­da e, gra­ças à par­ce­ria com a Agro­Tur, a empre­sa vai a todas as esco­las muni­ci­pais de BH para tra­zer as cri­an­ças ao even­to, para que elas pos­sam conhe­cer os ani­mais e um pou­co mais sobre a pecuá­ria lei­tei­ra, pro­mo­ven­do assim a inte­gra­ção da popu­la­ção urba­na com o pro­du­tor rural.

“Para o nos­so negó­cio, a Mega­lei­te é um momen­to de con­fra­ter­ni­za­ção com o pro­du­tor, com quem con­ver­sa­mos a todo momen­to, ouvin­do suas deman­das e desa­fi­os. Tive­mos tam­bém uma par­ti­ci­pa­ção impor­tan­te na reu­nião rea­li­za­da pela Faemg, onde esta­vam a indús­tria e o pro­du­tor dia­lo­gan­do jun­tos, fazen­do um diag­nós­ti­co e as pro­po­si­ções para que o bovi­no­cul­tor tenha mais ren­ta­bi­li­da­de”, diz Sartori.

Yago Sartori: “A gente entende que o principal gargalo para o produtor crescer na atividade é a falta de uma assistência técnica; o pecuarista que não conta com esse tipo de serviço não cresce”

Ele con­ta que a Emba­ré tem um pro­gra­ma de assis­tên­cia téc­ni­ca e geren­ci­al para 380 for­ne­ce­do­res de lei­te, com visi­tas men­sais. “A gen­te enten­de que o prin­ci­pal gar­ga­lo para o pro­du­tor cres­cer na ati­vi­da­de é a fal­ta de uma assis­tên­cia téc­ni­ca e o pecu­a­ris­ta que não con­ta com esse tipo de ser­vi­ço não cresce.” 

Em con­tra­par­ti­da, segun­do Sar­to­ri, o pro­du­tor que rece­be assis­tên­cia téc­ni­ca está cres­cen­do subs­tan­ci­al­men­te, com ren­ta­bi­li­da­de e inves­ti­men­to em tec­no­lo­gia. Para ele, se os pro­du­to­res esti­ve­rem satis­fei­tos, obvi­a­men­te con­ti­nu­a­rão na ati­vi­da­de, cres­cen­do jun­to com a indús­tria e desen­vol­ven­do a cadeia produtiva. 

“Por isso enten­do que a assis­tên­cia seja o cami­nho e o pro­du­tor tem que enxer­gar isso como algo cru­ci­al para a sua sobre­vi­vên­cia, por­que todo mun­do pre­ci­sa ganhar dinhei­ro e ter qua­li­da­de de vida”, finaliza.

O queijo Barões da Mantiqueira, produzido pela família Scarpa, em Itanhandu (MG), obteve 205 votos e foi o campeão do concurso da Megaleite

Con­cur­so de quei­jos – Quei­jos pro­du­zi­dos por cri­a­do­res de Giro­lan­do de vári­as regiões par­ti­ci­pa­ram do Con­cur­so de Quei­jos dos Núcle­os da Mega­lei­te 2022, reu­nin­do sete pro­du­tos de Minas Gerais e do Rio Gran­de do Norte. 

A esco­lha foi fei­ta por meio de vota­ção do públi­co, que degus­tou e votou no quei­jo pre­fe­ri­do, sen­do com­pu­ta­dos 205 votos ao ven­ce­dor: o quei­jo arte­sa­nal Barões da Man­ti­quei­ra. Ele é pro­du­zi­do na Fazen­da Barões da Man­ti­quei­ra, na Ser­ra da Man­ti­quei­ra, em Ita­nhan­du (MG), de pro­pri­e­da­de da famí­lia do cri­a­dor Bru­no Scar­pa, que des­ta­ca que o quei­jo é matu­ra­do por 120 dias, em pra­te­lei­ras de madeira. 

Segun­do Scar­pa, a pro­du­ção de quei­jo come­çou por cau­sa da gre­ve dos cami­nho­nei­ros em 2018, quan­do o lei­te pro­du­zi­do na fazen­da não pôde ser entre­gue ao lati­cí­nio. “Para não per­der o pro­du­to, tive­mos a ideia de fazer o quei­jo. Com mui­tos cui­da­dos e dedi­ca­ção na fabri­ca­ção e na matu­ra­ção, ali­a­dos ao cli­ma pro­pí­cio da região, con­se­gui­mos um pro­du­to dife­ren­ci­a­do e assim garan­tir a iden­ti­da­de do nos­so pro­du­to”, explica.

Raça Jersey marcou presença na feira com 70 animais de várias categorias

Raças Jersey e Gir Leiteiro também foram destaque

 
Além do Giro­lan­do, par­ti­ci­pa­ram da Mega­lei­te 2022 outras sete raças, como a Jer­sey e a Gir Lei­tei­ro, que trou­xe­ram para a expo­si­ção ani­mais dos mais reno­ma­dos cri­a­tó­ri­os naci­o­nais. No caso do Jer­sey foram 70 ani­mais no total, sen­do 40 jovens e 30 vacas adul­tas; do Gir Lei­tei­ro foram apre­sen­ta­dos para jul­ga­men­to cer­ca de 260 ani­mais, vin­dos de 50 expo­si­to­res dife­ren­tes e de vári­as regiões do Bra­sil, além de 40 ani­mais que par­ti­ci­pa­ram do con­cur­so lei­tei­ro e da rea­li­za­ção de três lei­lões da raça.

Para o pre­si­den­te da Asso­ci­a­ção dos Cri­a­do­res de Gado Jer­sey do Bra­sil (Jer­sey Bra­sil), Nel­ci Mai­nar­des, a Mega­lei­te 2022 foi um gran­de mar­co para a raça. “Fomos a úni­ca raça pura pre­sen­te no even­to, que sem­pre é uma mos­tra mui­to repre­sen­ta­ti­va no âmbi­to naci­o­nal. Foram nove expo­si­to­res pre­sen­tes, o que tam­bém demons­tra que hou­ve uma par­ti­ci­pa­ção ati­va da raça Jer­sey”, disse.

A dis­pu­ta em pis­ta, segun­do ele, foi bas­tan­te equi­li­bra­da. “A gran­de cam­peã foi de um nível excep­ci­o­nal, mas a reser­va­da gran­de cam­peã este­ve mui­to pró­xi­ma dela em ter­mos de qua­li­da­de”, diz. Expo­si­ções como a Mega­lei­te, segun­do Mai­nar­di, são sem­pre uma opor­tu­ni­da­de de cha­mar a aten­ção do públi­co e da mídia para os ani­mais e para o tra­ba­lho dos criadores.

Nelci Mainardes: “Fomos a única raça pura presente no evento, que é sempre uma mostra muito representativa no âmbito nacional”

Tiffany FIV 2B, do expositor e criador José Afonso Bicalho B. da Silva, conquistou o título de Grande Campeã da Raça

Gir Lei­tei­ro – A gran­de cam­peã da raça Gir Lei­tei­ro foi a vaca Tif­fany FIV 2B, do cri­a­dor e expo­si­tor José Afon­so Bica­lho B. da Sil­va, ten­do como reser­va­da gran­de cam­peã a vaca Jai­ma FIV JMMA, do cri­a­dor José Mario Miran­da Abdo, sen­do expo­si­to­ra Rober­ta Ber­tin Barros.

“A reto­ma­da na Mega­lei­te foi mui­to boa, com óti­ma par­ti­ci­pa­ção dos cri­a­do­res, lei­lões de boa liqui­dez e a pre­sen­ça de mui­tos visi­tan­tes, inclu­si­ve de outros paí­ses. Foi uma fei­ra à altu­ra dos mes­mos padrões de qua­li­da­de de antes da pan­de­mia”, ava­li­ou o dire­tor de Ope­ra­ções da Asso­ci­a­ção Bra­si­lei­ra de Cri­a­do­res da Raça Gir Lei­tei­ro (ABC­GIL), André Rober­to Fernandes.

A fei­ra, segun­do ele, é o prin­ci­pal pal­co das raças lei­tei­ras no Bra­sil e por isso uma gran­de vitri­ne para a raça e para a ven­da de gené­ti­ca. “Nós tínha­mos que estar pre­sen­tes por­que, afi­nal de con­tas, o Giro­lan­do, que é a raça anfi­triã, tem como base na sua for­ma­ção o Gir lei­tei­ro. Por isso, tan­to o públi­co que vai ver o Gir lei­tei­ro, como quem vai ver o Giro­lan­do, são cli­en­tes em comum”, disse.

Do con­cur­so lei­tei­ro par­ti­ci­pa­ram 30 vacas, em três cate­go­ri­as: Fêmea Jovem (até 36 meses); Vaca Jovem (aci­ma de 36 até 48 meses) e Vaca Adul­ta (aci­ma de 48 meses). Na pri­mei­ra cate­go­ria, sagrou-se cam­peã a vaca Jai­ma FIV JMMA, ten­do como expo­si­to­ra Rober­ta Ber­tin Bar­ros, com média de 45,436 kg; na cate­go­ria Vaca Jovem a pre­mi­a­ção ficou com Belin­da FIV, do expo­si­tor Leo Macha­do Fer­rei­ra, com média de 50,126 kg, e na cate­go­ria Vaca Adul­ta, a cam­peã foi Dra­ce­na FIV Roland, da LLD Pes­qui­sa de Desen­vol­vi­men­to de Pro­du­ção Ani­mal, com média de 63,490 kg.