Desafio de inovação - Digital Balde Branco

CRÔNICA

Paulo do Carmo Martins

Chefe geral da Embrapa Gado de Leite

Desafio de inovação

Nes­ta edi­ção, que jun­ta os meses de junho e julho, tive­mos duas impor­tan­tes come­mo­ra­ções. Em 1.º de junho, o Dia Mun­di­al do Lei­te, e, em 4 de julho, o Dia Inter­na­ci­o­nal do Coo­pe­ra­ti­vis­mo, e as coo­pe­ra­ti­vas liga­das ao setor lei­tei­ro têm tudo a ver com o tema des­ta crô­ni­ca.  No Dia Mun­di­al do Lei­te tive a opor­tu­ni­da­de de par­ti­ci­par de dois even­tos come­mo­ra­ti­vos. No pri­mei­ro, pro­mo­vi­do pelo canal de TV Ter­ra Viva/Band, par­ti­ci­pa­ram Maria Anto­ni­e­ta Gua­zel­li e Rober­to Jank, repre­sen­tan­do os pro­du­to­res; José Tejon Meji­do, Thi­a­go de Car­va­lho e eu como ana­lis­tas de mer­ca­do, e Nival­do Jr. como técnico.

Deba­te­mos as trans­for­ma­ções que esta­mos viven­do no setor nes­te momen­to. A deman­da de deri­va­dos lác­te­os foi mui­to afe­ta­da pelo que cha­ma­mos de mer­ca­do ins­ti­tu­ci­o­nal. Caí­ram as com­pras antes fei­tas por hotéis, bares, res­tau­ran­tes, ham­bur­gue­ri­as, esco­las, casas de even­tos e de empre­sas, que usa­vam lei­te para pro­du­zir gulo­sei­mas. Isso tem afe­ta­do mui­to os peque­nos lati­cí­ni­os. Por outro lado, os pre­ços pagos aos pro­du­to­res ain­da estão mui­to ins­tá­veis, repro­du­zin­do a ins­ta­bi­li­da­de de toda a economia.

Já no outro deba­te a con­ver­sa foi com uma visão futu­ris­ta. Par­ti­ci­pa­ram o ex-minis­tro da Agri­cul­tu­ra Alys­son Pao­li­nel­li; o pre­si­den­te da Abra­lei­te, Geral­do Bor­ges; o pre­si­den­te da OCB Már­cio Frei­tas; o pre­si­den­te da Abia, João Dor­nel­las; o prof. da Uni­ver­si­da­de da Fló­ri­da José Edu­ar­do Por­tel­la, e eu. Quem rea­li­zou este even­to foi a Embra­pa Gado de Lei­te, com o pro­pó­si­to de conhe­cer a posi­ção de líde­res das prin­ci­pais enti­da­des do setor sobre “o futu­ro do lei­te e o lei­te do futuro”.

Com par­ti­ci­pa­ção expres­si­va de inte­gran­tes de todos os elos que com­põem a cadeia pro­du­ti­va assis­tin­do, ficou mui­to cla­ro que novos desa­fi­os estão pos­tos e pre­ci­sam de novos posi­ci­o­na­men­tos. O novo con­su­mi­dor exi­ge carac­te­rís­ti­cas novas para o lei­te. Já não bas­ta ser livre de resí­du­os como anti­bió­ti­cos, com índi­ces de CCS e CBT bai­xas. O con­su­mi­dor quer saber como a vaca é tra­ta­da. E a pró­pria expres­são “vaca é tra­ta­da” tem outro sen­ti­do. Antes, “tra­tar a vaca” era sim­ples­men­te dar aces­so a ali­men­to. Ago­ra, “tra­tar a vaca” sig­ni­fi­ca garan­tir conforto!

O novo con­su­mi­dor que sur­giu quer saber como vive o empre­ga­do da fazen­da, o que o lati­cí­nio faz com os deje­tos, se a empre­sa deten­to­ra da mar­ca é cida­dã. Já se foi o tem­po em que uma empre­sa cui­da­va só de asse­gu­rar a ado­ção de boas prá­ti­cas de pro­du­ção. Ago­ra, é pre­ci­so pen­sar em toda a cadeia de valor, para que o con­su­mi­dor pos­sa se mos­trar fiel.

Tam­bém este mês che­ga­mos ao clí­max de uma brin­ca­dei­ra séria, que foi o Desa­fio do Lei­te. Meio mun­do foi desa­fi­a­do a tomar um copo ou cane­ca de lei­te e pos­tar nas redes soci­ais. Isso saiu do setor, che­gou na soci­e­da­de e extra­po­lou as fron­tei­ras do Bra­sil. O que isso repre­sen­ta? Ora, para mim é a mudan­ça de pen­sa­men­to. O setor está com auto­es­ti­ma ele­va­da, o que é mui­to bom! Não conhe­ço cam­pa­nha simi­lar fei­ta por avi­cul­to­res, sui­no­cul­to­res ou pro­du­to­res de grãos.

  As empre­sas vin­cu­la­das ao lei­te dese­jam se moder­ni­zar e que­rem inves­tir em ino­va­ção

Para quem está há mais tem­po na ati­vi­da­de sabe que, no pas­sa­do, a Embra­pa gera­va uma tec­no­lo­gia e trans­fe­ria para os pro­du­to­res. Mas tudo mudou e a for­ma de fazer a tec­no­lo­gia che­gar até o pro­du­tor tam­bém mudou. Ago­ra é fun­da­men­tal cons­truir uma solu­ção tec­no­ló­gi­ca, des­de o iní­cio envol­ven­do o setor pro­du­ti­vo como par­cei­ro. Nes­ta par­ce­ria cabem star­tups, empre­sas peque­nas e gran­des e asso­ci­a­ções de pro­du­to­res e pro­du­to­res indi­vi­du­ais. O que impor­ta é somar esforços.

Abri­mos um edi­tal na Embra­pa, bus­can­do par­ce­ri­as em ino­va­ção para o setor lei­tei­ro. Ofe­re­ce­mos R$ 1,5 milhão em capi­tal huma­no e finan­cei­ro e infra­es­tru­tu­ra para for­ma­li­zar­mos par­ce­ri­as. Fize­mos uma reu­nião tira-dúvi­das pela inter­net e 137 pes­so­as par­ti­ci­pa­ram, de vári­as empre­sas. Ter­mi­na­do o perío­do de ins­cri­ção, para a nos­sa sur­pre­sa, rece­be­mos 97 pro­pos­tas, vin­das de qua­tro regiões (Sul, Sudes­te, Cen­tro-Oes­te, Nor­des­te) e de 11 entes da Fede­ra­ção (RS, SC, PR, SP, RJ, MG, GO, MT, DF, BA, RN).

Rece­be­mos pro­pos­tas de gran­des empre­sas, algu­mas mul­ti­na­ci­o­nais ou esta­tais, como Asbia, CCGL, Cei­tec, Cemig, Cotri­jal, Ema­ter, KWS e Inme­tro. Rece­be­mos pro­pos­tas de Asso­ci­a­ções de Cri­a­do­res e Pro­du­to­res, como CBMG2, Apro­lei­te, Apru­ri­sa e de pro­du­to­res indi­vi­du­ais. Rece­be­mos pro­pos­tas de uni­ver­si­da­des, ONGs, peque­nas e médi­as empre­sas e mui­tas star­tups, o que mos­tra um vigor imen­so do setor de lei­te e deri­va­dos. As empre­sas vin­cu­la­das ao lei­te dese­jam se moder­ni­zar e que­rem inves­tir em inovação.

Des­co­bri­mos que tem pro­du­tor se dis­pon­do a inves­tir em pes­qui­sa e fun­do de inves­ti­men­to que­ren­do conhe­cer as pro­pos­tas apre­sen­ta­das, o que será fei­to somen­te se for do inte­res­se dos nos­sos par­cei­ros, por ques­tões de con­fi­den­ci­a­li­da­de, ou seja, de manu­ten­ção do segre­do nos negócios.

Os temas pro­pos­tos são mui­to vari­a­dos, tais como qua­li­da­de do lei­te, bem-estar ani­mal, nutri­ção ani­mal, repro­du­ção, cria de bezer­ras, resí­du­os, pas­ta­gem, sila­gem, melho­ra­men­to gené­ti­co, mas­ti­te e saú­de ani­mal, nano­tec­no­lo­gia, ges­tão da pro­pri­e­da­de, mar­ket­pla­ce, ras­tre­a­bi­li­da­de, orgâ­ni­cos, fito­te­rá­pi­cos, pro­bió­ti­cos, queijos.

Em meio a toda esta ins­ta­bi­li­da­de que esta­mos viven­do, no lei­te esta­mos cons­truin­do um novo futu­ro! Lei­te é vida! Vivas ao Leite!

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