Dicas para melhorar a gestão na fazenda leiteira - Digital Balde Branco
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Buscar a eficiência na gestão da propriedade é o primeiro passo para a profissionalização da atividade leiteira

GESTÃO

Dicas para melhorar a 

gestão na fazenda leiteira 

Veja como obter maior controle e assertividade do gerenciamento da sua propriedade 

Bruno Marinho Mendonça Guimarães*

Ima­gi­ne uma situ­a­ção em que você pre­ci­sa ir a um local em uma deter­mi­na­da cida­de. Mui­to pro­va­vel­men­te você ado­ta­rá uma das duas ati­tu­des: per­gun­ta­rá a alguém como che­gar ao local ou bus­ca­rá em um GPS as coor­de­na­das e os cami­nhos pos­sí­veis. Caso opte pela pri­mei­ra opção, os ris­cos de errar o tra­je­to de for­ma a difi­cul­tar e atra­sar a sua che­ga­da são bem maiores.

Este mes­mo exem­plo pode ser apli­ca­do como uma ana­lo­gia na pecuá­ria lei­tei­ra. Vamos supor que a pro­du­ção de lei­te ou a repro­du­ção de seu reba­nho não este­jam boas e você deci­diu melho­rá-las. O que che­car? Por onde come­çar? Quais ati­tu­des tomar? Quais cami­nhos seguir?

Ter infor­ma­ções segu­ras, con­fiá­veis e cer­tei­ras da roti­na da pro­pri­e­da­de fazem toda a dife­ren­ça nes­sa situ­a­ção. Tais infor­ma­ções per­mi­tem o cál­cu­lo de indi­ca­do­res que nor­tei­am as ações den­tro da fazen­da, jus­ta­men­te por atu­a­rem como um “GPS” que guia a ges­tão da pro­pri­e­da­de. Além dis­so, tais indi­ca­do­res atu­am tam­bém como termô­me­tros, men­su­ran­do o desem­pe­nho do rebanho.

A ges­tão efi­ci­en­te de uma fazen­da lei­tei­ra só é alcan­ça­da por meio de indi­ca­do­res. Tê-los em mão, por­tan­to, é uma ques­tão de empe­nho, roti­na e dedicação.

Conhe­cer bem os indi­ca­do­res é fun­da­men­tal – Os indi­ca­do­res são impor­tan­tes fer­ra­men­tas de ges­tão e de toma­da de deci­são. Eles se basei­am em dados reais que são uti­li­za­dos para gerar núme­ros e taxas que apon­tam o desem­pe­nho de deter­mi­na­da ação ou processo.

Um exem­plo comum a todos são os indi­ca­do­res que expres­sam o ren­di­men­to de desem­pe­nho de um veí­cu­lo. Um deter­mi­na­do car­ro pode ter uma auto­no­mia de 480 km com 40 litros de com­bus­tí­vel, enquan­to outro pode rodar 600 km com os mes­mos 40 litros. Ou seja, o pri­mei­ro veí­cu­lo pos­sui um ren­di­men­to de 12 km/litro e já o segun­do veí­cu­lo apre­sen­ta um ren­di­men­to de desem­pe­nho mai­or, com 15 km/litro.

Veja que, no exem­plo cita­do, temos mais de uma opção de expres­sar­mos os indi­ca­do­res, com dife­ren­tes uni­da­des de medi­da. O mes­mo acon­te­ce na pecuá­ria lei­tei­ra. Pode­mos e deve­mos cal­cu­lar indi­ca­do­res para os mais diver­sos seto­res da ati­vi­da­de: pro­du­ção de lei­te, repro­du­ção, qua­li­da­de do lei­te, sani­da­de, ges­tão econô­mi­ca e finan­cei­ra, entre outros. 

Os indicadores se baseiam em dados reais que são utilizados para gerar números e taxas que apontam o desempenho de determinada ação ou processo

Indi­ca­do­res na pecuá­ria lei­tei­ra – A pró­pria média de pro­du­ção de lei­te do reba­nho é um exem­plo clás­si­co de um indi­ca­dor bas­tan­te acom­pa­nha­do nas fazen­das. Para obter­mos esse núme­ro, bas­ta divi­dir­mos o volu­me total de lei­te pro­du­zi­do no dia pelo núme­ro de vacas em lac­ta­ção. Se uma fazen­da pro­du­ziu 7.952 litros de lei­te no dia de hoje com um reba­nho de 250 vacas em lac­ta­ção, logo seu indi­ca­dor de média de pro­du­ção por vaca é de 31,8 kg de leite.

Per­ce­ba que esse núme­ro é dinâ­mi­co e depen­den­te de variá­veis, assim como qual­quer indi­ca­dor. Nes­se exem­plo, o volu­me total de lei­te pro­du­zi­do e o núme­ro de vacas em lac­ta­ção são as variá­veis que influ­en­ci­a­rão no indi­ca­dor de média de pro­du­ção dos animais.

A mes­ma pre­mis­sa é váli­da para diver­sos outros indi­ca­do­res. Olhan­do ago­ra para a repro­du­ção, ao ana­li­sar­mos o desem­pe­nho repro­du­ti­vo de um reba­nho, sem­pre veri­fi­ca­mos núme­ros como taxa de ser­vi­ço, taxa de con­cep­ção e taxa de pre­nhez. Todos eles são indi­ca­do­res e tam­bém pos­su­em um per­fil bas­tan­te dinâ­mi­co, ou seja, vari­am constantemente. 

Outros dois pon­tos bas­tan­te impor­tan­tes que são moni­to­ra­dos por indi­ca­do­res nas fazen­das são a qua­li­da­de do lei­te e a sani­da­de. Qual a CCS do lei­te? Qual inci­dên­cia de novos casos de mas­ti­te? Qual a inci­dên­cia de pneu­mo­nia nas bezer­ras? Qual a mor­ta­li­da­de da recria? Qual a taxa de des­car­te invo­lun­tá­rio do rebanho?

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Geração de indicadores se resume inicialmente no compromisso de implementar uma cultura de mensuração de desempenho e coleta de dados nas fazendas

A base de dados deve ser abastecida constantemente com anotações para que os indicadores gerados retratem a realidade atual da fazenda

Como obter indi­ca­do­res – Con­for­me já dis­cu­ti­do, a ges­tão efi­ci­en­te de uma fazen­da só é fei­ta com base em indi­ca­do­res. Os indi­ca­do­res só são obti­dos a par­tir de dados con­fiá­veis. A cole­ta de dados con­fiá­veis exi­ge empe­nho, roti­na e dedi­ca­ção. Por­tan­to, a gera­ção de indi­ca­do­res se resu­me ini­ci­al­men­te ao com­pro­mis­so de imple­men­tar uma cul­tu­ra de men­su­ra­ção de desem­pe­nho e cole­ta de dados nas fazen­das. Pesa­gens de lei­te, par­tos, inse­mi­na­ções, seca­gens, casos de mas­ti­te, ganho de peso, des­ma­ma, mor­tes, den­tre outros, são somen­te alguns exem­plos de itens que com­põem o gran­de uni­ver­so de ano­ta­ções que devem ser fei­tas na roti­na de uma pro­pri­e­da­de leiteira.

Com os dados em mãos, ago­ra é hora de cal­cu­lar os indi­ca­do­res. Alguns são rela­ti­va­men­te tran­qui­los de serem cal­cu­la­dos sem o auxí­lio de fer­ra­men­tas com­pu­ta­ci­o­nais mais sofis­ti­ca­das, como a média de pro­du­ção de lei­te diá­ria do reba­nho, por exem­plo. Já para o cál­cu­lo de outros indi­ca­do­res, como a taxa de ser­vi­ço, o reco­men­da­do é que sejam uti­li­za­dos softwa­res espe­cí­fi­cos de geren­ci­a­men­to zoo­téc­ni­co do reba­nho, vis­to apre­sen­ta­rem uma mai­or com­ple­xi­da­de de tra­ta­men­to dos dados e terem uma dina­mi­ci­da­de geral­men­te alta.

Con­cen­trar todas as ano­ta­ções e men­su­ra­ções da fazen­da (ou gran­de par­te delas) em uma úni­ca base de dados, como em um soft­ware de geren­ci­a­men­to zoo­téc­ni­co, pode ser bené­fi­co, pois per­mi­te uma melhor aná­li­se e apro­vei­ta­men­to das infor­ma­ções. Lem­bran­do que essa base de dados deve ser abas­te­ci­da cons­tan­te­men­te para que os indi­ca­do­res gera­dos retra­tem a rea­li­da­de atu­al da fazenda.

Tenha sua fazen­da nas mãos – Uma conhe­ci­da fra­se de Fer­nan­do Pen­te­a­do Car­do­so, enge­nhei­ro agrô­no­mo bra­si­lei­ro, diz que o Bra­sil é um país onde as pes­so­as acham mui­to, obser­vam pou­co e não medem pra­ti­ca­men­te nada. Deve­mos ter cons­ci­ên­cia dis­so, com­pre­en­der a impor­tân­cia de men­su­rar e cole­tar dados e inter­na­li­zar esse pro­ces­so cada vez mais na pecuá­ria lei­tei­ra, inde­pen­den­te­men­te do tama­nho do reba­nho ou da propriedade.

Somen­te com a obten­ção e aná­li­se de indi­ca­do­res é que tere­mos a fazen­da nas mãos, com con­di­ções segu­ras e con­fiá­veis para tomar­mos deci­sões asser­ti­vas na ati­vi­da­de. Qual­quer coi­sa fora isso já per­meia o cami­nho do achis­mo, colo­can­do em gran­de ris­co o suces­so do negócio.

*Bru­no Mari­nho Men­don­ça Gui­ma­rães é médi­co vete­ri­ná­rio,
com espe­ci­a­li­za­ção em pecuá­ria lei­tei­ra e con­sul­tor Rehagro