Fazendas de universidades: gestão criativa para superar dificuldades - Digital Balde Branco

Essen­ci­al para a boa for­ma­ção pro­fis­si­o­nal e pes­qui­sas aca­dê­mi­cas, a manu­ten­ção das fazen­das lei­tei­ras de uni­ver­si­da­des mos­tra difi­cul­da­des de vári­as ordens

Por Luiz H. Pitombo

Se a orga­ni­za­ção e o cus­teio de um reba­nho lei­tei­ro comer­ci­al sob a batu­ta de seu pro­pri­e­tá­rio já não é tare­fa fácil, o que dizer daque­les que pos­su­em mui­tos patrões ou mes­mo nenhum? Esta é uma situ­a­ção que pode ser apli­ca­da às fazen­das exis­ten­tes em ins­ti­tui­ções de ensi­no, que geram incon­ve­ni­en­tes e exi­gem boa capa­ci­da­de de adap­ta­ção dos envol­vi­dos. Roti­nas buro­crá­ti­cas tam­bém tra­zem desa­fi­os como a pou­ca agi­li­da­de na aqui­si­ção de insu­mos e repa­ros de equipamentos.

Por outro lado, as ins­ta­la­ções nem sem­pre con­se­guem estar atu­a­li­za­das ou ade­qua­das para a prá­ti­ca dos alu­nos ou às neces­si­da­des da pes­qui­sa, que igual­men­te pre­ci­sam de reba­nhos de por¬te para via­bi­li­zar seus estu­dos e que per­mi­tam resul­ta­dos sig­ni­fi­ca­ti­vos em ter­mos numé­ri­cos. Há ins­ti­tui­ções que opta­ram por extin­gui-los dian­te da fal­ta de recur­sos e cus­tos ele­va­dos. Mes­mo assim, é cer­to que não dei­xam de ser impor­tan­tes ao repre­sen­ta­rem um aspec­to extre­ma­men­te posi­ti­vo a favor das ins­ti­tui­ções que os mantêm.

Em mai­or ou menor inten­si­da­de, limi­ta­ções sur­gem tan­to na uni­ver­si­da­de par­ti­cu­lar como nas de ges­tão esta­du­al, fede­ral, ou em reba­nho man­ti­do por fun­da­ção, como foi pos­sí­vel cons­ta­tar por Bal­de Bran­co atra­vés de qua­tro impor­tan­tes ins­ti­tui­ções de ensi­no: Uni­ver­si­da­de Fede­ral de Lavras (Ufla), Uni­ver­si­da­de Fede­ral de Minas Gerais (UFMG), Esco­la Supe­ri­or de Agri­cul­tu­ra Luiz de Quei­roz (Esalq/USP) e Pon­ti­fí­cia Uni­ver­si­da­de Cató­li­ca do Para­ná (PUC­PR).

Limi­ta­ções em Lavras ou Wisconsin
Na Ufla, vári­as ati­vi­da­des aca­dê­mi­cas acon­te­cem na Fazen­da Pal­mi­tal, a 10 km da cida­de de Lavras-MG, no muni­cí­pio de Ija­ci. Atu­al­men­te exis­tem 100 ani­mais da raça Holan­de­sa, com 50 a 60 vacas em lac­ta­ção e pro­du­ções médi­as de 20 kg a 25 kg de leite/dia. O free-stall exis­ten­te é da déca­da de 1980 e já sofreu refor­ma, e como a pró­pria fazen­da, per­ten­cia à Fae­pe-Fun­da­ção de Apoio, Ensi­no, Pes­qui­sa e Exten­são, liga­da à uni­ver­si­da­de. Con­tu­do, há cer­ca de qua­tro anos a pro­pri­e­da­de e sua estru­tu­ra foram adqui­ri­das pela ins­ti­tui­ção de ensino.

O lei­te é ven­di­do para um lati­cí­nio da região, embo­ra exis­ta a ideia de se vol­tar a comer­ci­a­li­zá-lo dire­ta­men­te como antes. O sis­te­ma não che­ga a ser efi­ci­en­te como os comer­ci­ais, o que faz com que seus cus­tos sejam ele­va­dos, sen­do que para seu sus­ten­to igual­men­te exis­tem recur­sos ofi­ci­ais, que por vezes atra­sam. O mai­or uso da estru­tu­ra é fei­to pelos alu­nos dos cur­sos de agro­no­mia, zoo­tec­nia e vete­ri­ná­ria, com seis fun­ci­o­ná­ri­os cui­dan­do do dia a dia do reba­nho, além de outras ati­vi­da­des da fazen­da. Mas aos domin­gos, tudo fica por con­ta dos alunos.

Leia a ínte­gra des­ta maté­ria na edi­ção Bal­de Bran­co 627, de janei­ro 2017

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