Ferramenta indispensável para garantir alta produtividade e qualidade da silagem de milho - Digital Balde Branco
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GUIA DA FORRAGEM

Ferramenta indispensável para garantir alta produtividade e qualidade da

silagem de milho

Diversas variáveis de desempenho do híbrido – agronômicas, composição bromatológica e escore de fitossanidade – estão presentes no Guia da Forragem

Aqua­li­da­de do volu­mo­so uti­li­za­do na die­ta dos ani­mais rumi­nan­tes afe­ta dire­ta­men­te os resul­ta­dos e a eco­no­mi­ci­da­de dos sis­te­mas pro­du­ti­vos e, devi­do a isso, é neces­sá­rio ter mui­ta aten­ção a todas as eta­pas rela­ti­vas aos pro­ces­sos de pro­du­ção e ao arma­ze­na­men­to dos volu­mo­sos. Atu­al­men­te, a sila­gem de milho é o prin­ci­pal volu­mo­so uti­li­za­do na die­ta de vacas lei­tei­ras e bovi­nos con­fi­na­dos, sen­do que alguns fato­res pos­su­em impac­to dire­to na qua­li­da­de nutri­ci­o­nal da silagem.

Vale des­ta­car os prin­ci­pais fato­res: fer­ti­li­da­de do solo, épo­ca de plan­tio (safra ou safri­nha), região onde foi rea­li­za­do o plan­tio, altu­ra de cor­te e o con­jun­to de equi­pa­men­tos uti­li­za­dos no pro­ces­so de cor­te da for­ra­gei­ra. Além dis­so, o híbri­do uti­li­za­do para o plan­tio exer­ce gran­de influên­cia nos resul­ta­dos pro­du­ti­vos e qua­li­ta­ti­vos da sila­gem de milho. Isso por­que a gené­ti­ca da semen­te uti­li­za­da no plan­tio pode apre­sen­tar mai­or ou menor adap­ta­bi­li­da­de ao local e cli­ma onde será rea­li­za­da a seme­a­du­ra, além da tole­rân­cia a desa­fi­os sani­tá­ri­os, como fer­ru­gem, man­cha bran­ca, enfe­za­men­to e viro­se (esco­re de sanidade).

A pros­pec­ção de mate­ri­ais mais qua­li­fi­ca­dos para a pro­du­ção de sila­gem de milho tem sido obje­to de estu­dos na Esalq-USP e no IAC-Apta há mais de 30 anos. Em ensai­os anu­ais de safra e safri­nha, algu­mas bases de tes­te no Esta­do de São Pau­lo man­ti­ve­ram-se em ava­li­a­ções inin­ter­rup­tas des­de 1988.

Lavoura de milho pronta para a colheita

Em maio de 2018, ao come­mo­rar as três déca­das de esfor­ços envol­vi­dos com essa ati­vi­da­de, deci­diu-se pela con­cep­ção de uma nova pla­ta­for­ma, com o obje­ti­vo de cri­ar uma fer­ra­men­ta mais inte­ra­ti­va, que auxi­li­as­se os pro­du­to­res na esco­lha do híbri­do a ser uti­li­za­do na seme­a­du­ra, dan­do iní­cio ao apli­ca­ti­vo Guia da For­ra­gem (site e App).

Esse pro­je­to foi ide­a­li­za­do em par­ce­ria entre a G12 Agro (Guarapuava/PR), IAC-Apta, Esalq-USP e Esalq­Lab (Piracicaba/SP). Ape­sar de recen­te, em pou­co mais de três anos a pla­ta­for­ma con­ta com dados de mais de 35 ensai­os rea­li­za­dos e com mais de 5.300 usuá­ri­os. Com essa estra­té­gia, os ensai­os pude­ram ser geren­ci­a­dos de for­ma mais efe­ti­va e a expan­são da base de tes­tes pros­pe­rou em outros Esta­dos brasileiros.


Ava­li­a­ção de mais de 80 híbri­dos em oito Esta­dos –
O Guia da For­ra­gem faz ava­li­a­ções de híbri­dos nos Esta­dos de SP, RS, SC, PR, MG, GO, MT e BA, tota­li­zan­do 12 loca­li­da­des em que os expe­ri­men­tos são rea­li­za­dos. A pla­ta­for­ma con­ta com mais de 35 estu­dos rea­li­za­dos, e, somen­te no ciclo 2020/2021, con­si­de­ran­do safra e safri­nha, foram ava­li­a­dos mais de 80 híbri­dos, tota­li­zan­do mais de 1.000 amos­tras analisadas.


Os ensai­os são con­du­zi­dos de manei­ra cri­te­ri­o­sa, des­cre­ven­do as con­di­ções e o his­tó­ri­co agronô­mi­co da cul­tu­ra para o abas­te­ci­men­to da pla­ta­for­ma. Algu­mas das variá­veis dis­po­ní­veis para con­sul­ta no Guia da For­ra­gem são o ciclo de pro­du­ção de sila­gem (dias), pro­du­ti­vi­da­de de maté­ria seca/ha, valor nutri­ci­o­nal (tone­la­da, leite/tonelada/MS), pro­du­ti­vi­da­de de lei­te (tone­la­da leite/ha), além da com­po­si­ção bro­ma­to­ló­gi­ca (maté­ria seca, ami­do, fibra em deter­gen­te neu­tro e diges­ti­bi­li­da­de da fibra). Outra infor­ma­ção de gran­de rele­vân­cia dis­po­ní­vel no Guia é o esco­re de fitos­sa­ni­da­de, o qual é defi­ni­do com base na ava­li­a­ção pre­ci­sa da ocor­rên­cia e tole­rân­cia do híbri­do fren­te a fer­ru­gem, cer­cos­po­ri­o­se, tur­ci­cum, man­cha bran­ca, diplo­dia, enfe­za­men­to e viroses.


O Guia da For­ra­gem não auxi­lia ape­nas os pro­du­to­res que vão pro­du­zir sila­gem; a pla­ta­for­ma tam­bém auxi­lia os pro­du­to­res de milho grão. Outra variá­vel ava­li­a­da duran­te os estu­dos é a pro­du­ção total de grãos na matu­ri­da­de, infor­ma­ção essa de suma impor­tân­cia no cená­rio atu­al, em que o pre­ço do milho atin­giu pata­ma­res recor­des nos últi­mos meses.

Pro­du­ção de milho grão – A evo­lu­ção da matu­ri­da­de fisi­o­ló­gi­ca em híbri­dos ava­li­a­dos sob as mes­mas con­di­ções agronô­mi­cas per­mi­te vis­lum­brar os ganhos poten­ci­ais em pro­du­ti­vi­da­de de ami­do diges­tí­vel por área com colhei­ta sob mai­or teor de maté­ria seca, opor­tu­ni­za­do em situ­a­ções com colhe­do­ras pro­vi­das de pro­ces­sa­dor de grãos. Os estu­dos con­du­zi­dos recen­te­men­te demons­tram que a esco­lha do híbri­do que melhor se adap­te a deter­mi­na­da região pode resul­tar em aumen­to de até 35% na pro­du­ti­vi­da­de de milho grão na safra e até 42% na safrinha.


Os dados obti­dos nos ensai­os rea­li­za­dos duran­te a safra 2020/2021 e safri­nha 2021 foram com­pi­la­dos, e os três melho­res híbri­dos para pro­du­ção de leite/ha e para pro­du­ção de grãos na matu­ri­da­de de cada ensaio estão apre­sen­ta­dos nas tabe­las apre­sen­ta­das. É impor­tan­te des­ta­car as dife­ren­ças obser­va­das entre o poten­ci­al pro­du­ti­vo entre as regiões ava­li­a­das. Tais dife­ren­ças são rela­ci­o­na­das a cli­ma, plu­vi­o­si­da­de, fer­ti­li­da­de do solo, lati­tu­de, lon­gi­tu­de e a pres­são local de doen­ças. Duran­te os estu­dos rea­li­za­dos na safra, foi pos­sí­vel obser­var regiões com pro­du­ti­vi­da­de média supe­ri­or a 38 tone­la­das de leite/ha e outras infe­ri­o­res a 21 t de leite/ha.

Nes­se sen­ti­do, exis­tem híbri­dos que pos­su­em mai­or pro­du­ti­vi­da­de em deter­mi­na­das regiões, ou seja, a esco­lha do híbri­do deve ser rea­li­za­da em fun­ção da loca­li­da­de em que será rea­li­za­da a semeadura.


É neces­sá­rio des­ta­car tam­bém que os dados obti­dos nos ensai­os rea­li­za­dos demons­tram que os híbri­dos pos­su­em carac­te­rís­ti­cas espe­cí­fi­cas, os quais podem tor­ná-los mais ade­qua­dos para a pro­du­ção de sila­gem ou para a pro­du­ção de grãos. Nas tabe­las apre­sen­ta­das, é pos­sí­vel obser­var que, na mai­o­ria dos casos, o melhor híbri­do para pro­du­ção de leite/ha pode estar tam­bém entre os três melho­res híbri­dos para a pro­du­ção de grãos, mas não neces­sa­ri­a­men­te. Sen­do assim, é impor­tan­te que a esco­lha do híbri­do seja rea­li­za­da em fun­ção do obje­ti­vo final do produtor.


Os dados apre­sen­ta­dos nas tabe­las tam­bém demons­tram dife­ren­ça rela­ti­va à pro­du­ção obti­da na safra e na safri­nha. Como o últi­mo ciclo pro­du­ti­vo foi atin­gi­do por inter­cor­rên­ci­as cli­má­ti­cas, como inten­sos vera­ni­cos no iní­cio da safra, e gea­das no fim da safri­nha, os desa­fi­os impos­tos aos híbri­dos foram intensos.


Em Votu­po­ran­ga (SP), por exem­plo, o ensaio foi aco­me­ti­do por um perío­do de vera­ni­co, que resul­tou em menor pro­du­ti­vi­da­de em rela­ção ao que era espe­ra­do, mas o inte­res­san­te é que o desa­fio cli­má­ti­co impul­si­o­nou o aumen­to rela­ti­vo do melhor híbri­do em rela­ção à média expe­ri­men­tal. Isso tam­bém foi algo obser­va­do nos expe­ri­men­tos rea­li­za­dos duran­te a safri­nha, suge­rin­do que, na pos­si­bi­li­da­de de vari­a­ções cli­má­ti­cas, a esco­lha do híbri­do exer­ce uma impor­tân­cia ain­da mai­or, visan­do ao suces­so pro­du­ti­vo. A inte­ra­ção híbri­do e extre­mos de cli­ma reve­la-se pro­gres­si­va­men­te mais impor­tan­te a cada safra.


O aumen­to do uso da pla­ta­for­ma Guia da For­ra­gem evi­den­cia que as infor­ma­ções gera­das na rede coo­pe­ra­ti­va de ensai­os estão sen­do uti­li­za­das na prá­ti­ca pelos téc­ni­cos e agri­cul­to­res. Isso aumen­ta o índi­ce de acer­to na esco­lha de híbri­dos adap­ta­dos e ade­qua­dos para a fina­li­da­de da lavou­ra, espe­ci­al­men­te daque­les lan­ça­dos recen­te­men­te pelas empre­sas, redu­zin­do os cus­tos da pro­du­ção de for­ra­gem e grãos de milho para a ali­men­ta­ção de bovi­nos de lei­te e carne.

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