Genotipagem dá garantia ao melhoramento - Digital Balde Branco
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Bezerras TE, hoje novilhas de primeira cria, apresentam um ganho expressivo em produtividade

AMAZONAS

Genotipagem

dá garantia ao melhoramento 

Amazonas começa a mapear genoma de novilhas utilizadas em pequenas propriedades leiteiras em projeto para impulsionar a atividade 

Luiz H. Pitombo

Aten­to à depen­dên­cia exter­na de pro­du­tos lác­te­os, difi­cul­da­des logís­ti­cas de abas­te­ci­men­to e à neces­si­da­de de cri­ar alter­na­ti­vas econô­mi­cas sus­ten­tá­veis, o esta­do do Ama­zo­nas vem se dedi­can­do a esti­mu­lar a pro­du­ção de lei­te nas peque­nas pro­pri­e­da­des, con­tan­do com apoio de órgãos esta­du­ais, pre­fei­tu­ras, Fede­ra­ção da Agri­cul­tu­ra e Sebrae Ama­zo­nas, den­tre outros.

Os tra­ba­lhos se ini­ci­a­ram com a con­tra­ta­ção de con­sul­to­ri­as espe­ci­a­li­za­das e adap­ta­das às con­di­ções regi­o­nais em ter­mos de mane­jo de pas­to e de ani­mais, che­gan­do até a ques­tão gené­ti­ca por meio do Pro­gra­ma de Melho­ra­men­to Gené­ti­co Sebrae Ama­zo­nas, em par­ce­ria com a cen­tral de gené­ti­ca bovi­na ABS Pec­plan. O ali­cer­ce do pro­je­to está no for­ne­ci­men­to de embriões aos inte­res­sa­dos com valo­res sub­si­di­a­dos pelo Sebrae (70%) e o res­tan­te pago pelo pro­du­tor (30%), ou R$ 480,00 no caso de uma Giro­lan­do meio-san­gue sexada.

A eta­pa mais recen­te do pro­gra­ma foi a rea­li­za­ção da geno­ti­pa­gem de ani­mais jovens de 16 pro­du­to­res da região de San­to Antô­nio do Matu­pi, que se tem des­ta­ca­do na pecuá­ria lei­tei­ra e con­tou com os pri­mei­ros adep­tos a rece­ber os embriões. O tra­ba­lho foi fei­to pela empre­sa Zoe­tis, por inter­mé­dio do seu Cla­ri­fi­de Giro­lan­do, e con­tem­plou, no pro­je­to-pilo­to, os pio­nei­ros com pro­du­tos da Fazen­das do Basa, em Minas Gerais, o prin­ci­pal for­ne­ce­dor de gené­ti­ca do programa.

“Somen­te a rea­li­za­ção da geno­ti­pa­gem em si por meio das con­sul­to­ri­as do Sebrae já foi um resul­ta­do posi­ti­vo, vis­to que ain­da não exis­tia esse tipo de ser­vi­ço dis­po­ní­vel aos pro­du­to­res aten­di­dos. Além dis­so, tive­mos um resul­ta­do bas­tan­te satis­fa­tó­rio em núme­ro de ani­mais, tes­ta­dos, por exem­plo, com GPTA aci­ma de 1.000 kg e a mai­o­ria posi­ti­va para pro­du­ção de lei­te com beta-caseí­na A2A2”, ava­lia Eri­van dos San­tos Oli­vei­ra, coor­de­na­dor do pro­je­to de pecuá­ria de leite.

Erivan dos S. Oliveira: “Graças ao trabalho com vários parceiros, constatamos a melhoria da qualidade do rebanho, o que representa uma evolução local para a pecuária sustentável”

Antes esses núme­ros não eram conhe­ci­dos, sali­en­ta Oli­vei­ra, mas diz que hoje se tem a cer­te­za de que o melho­ra­men­to gené­ti­co é uma rea­li­da­de no Esta­do do Ama­zo­nas, prin­ci­pal­men­te entre os peque­nos pro­du­to­res, que difi­cil­men­te teri­am aces­so à gené­ti­ca de pon­ta, senão por meio de sub­sí­di­os. “A melho­ria da qua­li­da­de do reba­nho repre­sen­ta uma evo­lu­ção local para se alcan­çar uma pecuá­ria sus­ten­tá­vel”, afirma.

A prin­cí­pio, os ani­mais serão uti­li­za­dos como plan­tel de pro­du­ção nas pro­pri­e­da­des, uma vez que tive­ram exce­len­tes resul­ta­dos no lei­te. Já aque­las que não alcan­ça­ram resul­ta­dos expres­si­vos em pro­du­ção ser­vi­rão de recep­to­ras para futu­ras TE de meio-san­gue de Giro­lan­do. Em caso de aca­sa­la­men­tos na fazen­da, será uti­li­za­do sêmen de tou­ros Gir para for­mar ani­mais ¼, mais adap­ta­dos para a região tro­pi­cal. Abre-se tam­bém uma nova opor­tu­ni­da­de, que é a de dei­xar as fême­as supe­ri­o­res para o plan­tel de doa­do­ras e comer­ci­a­li­za­ção de mate­ri­al genético.

“Nos­sos pro­du­to­res sabem que cri­ar vacas lei­tei­ras no Ama­zo­nas é um desa­fio, mas cri­ar com sus­ten­ta­bi­li­da­de, com uso de tec­no­lo­gia esses bovi­nos melho­ra­dos gene­ti­ca­men­te e já acli­ma­ta­dos, é um desa­fio mai­or ain­da”, reco­nhe­ce Oli­vei­ra. Mas ele se mos­tra con­fi­an­te nos bons resul­ta­dos dian­te das fer­ra­men­tas de tra­ba­lho exis­ten­tes nas mãos dos pro­du­to­res assistidos.


Geno­ti­pa­gem – O Sebrae fechou em 2019 par­ce­ria com a empre­sa Zoe­tis, que comer­ci­a­li­za essas aná­li­ses no Bra­sil, e esta­be­le­ceu um pro­je­to-pilo­to de ava­li­a­ção de 80 fême­as jovens de dife­ren­tes graus de san­gue, entre 5 e 20 meses de ida­de, oriun­das da região de San­to Antô­nio de Matu­pi, ao sul do Esta­do, e con­tan­do com o apoio do lati­cí­nio local. Pelos da cau­da dos ani­mais foram reco­lhi­dos como mate­ri­al para a avaliação. 

TECNOLOGIA TRAZ BENEFÍCIOS E NOVAS PERSPECTIVAS NA PRODUÇÃO LEITEIRA 

Diego Santos: “O animal com melhor desempenho, com GPTA 1.450 kg, poderia figurar na 21.ª posição no ranking do sumário das fêmeas, caso fosse registrado na associação da raça”

O médi­co vete­ri­ná­rio Die­go San­tos, coor­de­na­dor de ser­vi­ços téc­ni­cos Gené­ti­ca Lei­te da empre­sa, indi­ca que foi pes­qui­sa­da a GPTA da pro­du­ção de lei­te, a ida­de ao pri­mei­ro par­to (IPP) e o inter­va­lo entre par­tos (IEP), com acu­rá­cia mui­to alta, de 71%.

San­tos ava­li­ou posi­ti­va­men­te o volu­me de lei­te obti­do, afir­man­do que “25% dos ani­mais tinham GPTA para lei­te com média de 983 kg, o que é um bom núme­ro e mos­tra que estão no cami­nho cer­to”. De todo o lote, somen­te um tes­tou nega­ti­vo. A vaca de mai­or volu­me, com 1.454 kg, caso fos­se regis­tra­da na asso­ci­a­ção da raça, pode­ria estar ocu­pan­do a 21ª posi­ção do ran­king do sumá­rio das fêmeas.

Tam­bém foram tes­ta­das para beta lac­to­glo­bo­li­na; beta-caseí­na A2 e kap­pa caseí­na I e II, sen­do que para beta-caseí­na A2A2 qua­se 70% dos ani­mais foram assim iden­ti­fi­ca­dos, além de outros 29% A1A2, que pode­rão pas­sar a aten­der os lati­cí­ni­os da região para pes­so­as que têm aler­gia à beta-caseí­na A1, geran­do assim mer­ca­do para seus pro­du­tos. Doen­ças gené­ti­cas pre­e­xis­ten­tes foram mape­a­das, não sen­do iden­ti­fi­ca­das Dumps, CVM, Blad e Brachyspina.

Por ora, essas são as carac­te­rís­ti­cas ana­li­sa­das, mas San­tos con­ta que já estão sen­do levan­ta­dos, pela asso­ci­a­ção, dados sobre con­ta­gem de célu­las somá­ti­cas (CCS) e sóli­dos no lei­te, para que sejam pes­qui­sa­dos seus res­pec­ti­vos mar­ca­do­res moleculares.

Ele infor­ma que o pro­je­to já tem con­ti­nui­da­de garan­ti­da após algu­mas adap­ta­ções e que pos­sui a indi­ca­ção de mais ani­mais para serem cole­ta­dos por meio do Sebra­e­tec, que pas­sa­rá a pres­tar os ser­vi­ços tam­bém sub­si­di­a­dos em 70%, cus­tan­do R$ 60,00/animal ao produtor.

Exis­tem dife­ren­tes for­mas de uso des­ta fer­ra­men­ta, suge­re o médi­co vete­ri­ná­rio San­tos, como o des­car­te ou a ven­da de ani­mais infe­ri­o­res. “Se pos­suo 50 novi­lhas, mas pre­ci­so de 25 para repo­si­ção, dis­pen­so as de menor poten­ci­al, tra­zen­do eco­no­mia na cria e mai­or garan­tia de evo­lu­ção genética.”

Outra alter­na­ti­va é o uso inte­li­gen­te do sêmen sexa­do de mai­or valor, optan­do pelo uso des­te nas melho­res fême­as. A sele­ção de pos­sí­veis doa­do­ras para a fecun­da­ção in vitro tam­bém é uti­li­za­da com a geno­ti­pa­gem e com fême­as jovens, redu­zin­do-se, assim, o inter­va­lo entre gera­ções e ace­le­ran­do o ganho gené­ti­co. Vale apon­tar que a aná­li­se genô­mi­ca tam­bém está dis­po­ní­vel para machos, mas estes pre­ci­sam ser regis­tra­dos na asso­ci­a­ção e indi­ca­dos para tes­te de pro­gê­nie. Des­ta manei­ra, o gran­de volu­me de ava­li­a­ção é de fêmeas.

 

Tam­bém na buba­li­no­cul­tu­ra - A nova eta­pa do pro­je­to será o melho­ra­men­to gené­ti­co de buba­li­nos lei­tei­ros, ati­vi­da­de que está vol­tan­do a ter des­ta­que, prin­ci­pal­men­te em regiões de vár­zea, onde meta­de do ano as ter­ras pas­sam alagadas.

O teste apontou que quase 70% dos animais são A2A2 e o restante de A1A2

A novi­da­de do Pro­je­to Pecuá­ria no Ama­zo­nas é a expan­são para novos muni­cí­pi­os, prin­ci­pal­men­te da região do Bai­xo Ama­zo­nas (Parin­tins, Uru­ca­rá e Nha­mun­dá), onde a pecuá­ria lei­tei­ra está vol­tan­do com for­ça e com uso de tec­no­lo­gia na área de pas­ta­gem, melho­ra­men­to gené­ti­co e tes­te genô­mi­co. Exis­te ideia da for­ma­ção de plan­tel e novas raças (Guze­rá lei­tei­ro) para melho­ra­men­to gené­ti­co. Tam­bém deve­rão ser ampli­a­dos os tra­ba­lhos na região do entor­no de Manaus.

Além dis­so, Eri­van Oli­vei­ra con­ta que estão em tra­ta­ti­vas com uma gran­de empre­sa do setor de soft­ware para for­ne­ci­men­to de apli­ca­ti­vo aos pecu­a­ris­tas do Ama­zo­nas para geren­ci­a­men­to de reba­nho e ges­tão da fazenda.

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