Gir Leiteiro presta grande contribuição à produção leiteira - Digital Balde Branco
revista-balde-branco-gir-leiteiro-01-ed671

A raça tem papel estratégico não só como produtora de leite, mas também na formação dos rebanhos leiteiros, com participação em vários sistemas de cruzamento outras raças leiteiras

MELHORAMENTO GENÉTICO

GIR LEITEIRO

avança em melhoramento genético e presta grande contribuição à produção leiteira

Iniciativas como o Programa Nacional de Melhoramento Genético do Gir Leiteiro, criado em 1985, a seleção genômica, além de outras pesquisas realizadas, colocam a raça num nível de protagonista da pecuária de leite tropical 

Erick Henrique

Con­si­de­ran­do-se as con­di­ções de pro­du­ção em cli­ma tro­pi­cal, na ava­li­a­ção do pes­qui­sa­dor da Embra­pa Gado de Lei­te Clau­dio do Car­mo Panet­to, o Gir Lei­tei­ro tem papel estra­té­gi­co na for­ma­ção dos reba­nhos lei­tei­ros, espe­ci­al­men­te por sua par­ti­ci­pa­ção em vári­os sis­te­mas de cru­za­men­to envol­ven­do as raças Gir e Holan­de­sa. Para o espe­ci­a­lis­ta em melho­ra­men­to gené­ti­co, hoje o Gir Lei­tei­ro não con­tri­bui ape­nas com a rus­ti­ci­da­de, como era no prin­cí­pio, mas tam­bém com gené­ti­ca favo­rá­vel à pro­du­ti­vi­da­de nos reba­nhos mes­ti­ços ou Giro­lan­dos resul­tan­tes des­ses cruzamentos.

“O Pro­gra­ma Naci­o­nal de Melho­ra­men­to do Gir Lei­tei­ro (PNM­GL), da Asso­ci­a­ção Bra­si­lei­ra de Gir Leiteiro/Embrapa Gado de Lei­te, é mar­ca­do, des­de o seu iní­cio, em 1985, pela cons­tan­te ino­va­ção e pela for­te cone­xão entre ciên­cia e setor pro­du­ti­vo. Ele foi o pri­mei­ro pro­gra­ma de melho­ra­men­to do mun­do a uti­li­zar um deli­ne­a­men­to de tes­te de pro­gê­nie para a melho­ria da pro­du­ção de lei­te em reba­nhos zebuí­nos”, lem­bra o pes­qui­sa­dor da Embra­pa e coor­de­na­dor téc­ni­co do PNM­GL.

Panet­to diz que já no iní­cio des­te milê­nio os téc­ni­cos come­ça­ram a cole­tar mate­ri­al bio­ló­gi­co de todos os tou­ros impor­tan­tes e de fême­as PO que pos­suíam regis­tros de con­tro­le lei­tei­ro nas fazen­das par­ti­ci­pan­tes. A Embra­pa esta­va vis­lum­bran­do a cres­cen­te impor­tân­cia da gené­ti­ca mole­cu­lar e das aná­li­ses do DNA para os pro­gra­mas de melho­ra­men­to. Isso pos­si­bi­li­tou, em 2016, ser o pri­mei­ro pro­gra­ma de melho­ra­men­to de zebuí­nos para lei­te a imple­men­tar a sele­ção genô­mi­ca de for­ma sis­te­má­ti­ca em sua roti­na de ava­li­a­ções.

Como resul­ta­do des­se tra­ba­lho, a evo­lu­ção gené­ti­ca dos reba­nhos par­ti­ci­pan­tes e cola­bo­ra­do­res do PNM­GL foi cres­cen­te ao lon­go dos anos. “A média de pro­du­ção pas­sou de algo em tor­no de 2 mil kg na lac­ta­ção, quan­do as filhas dos pri­mei­ros gru­pos de tou­ros come­ça­ram a ser tes­ta­das, no iní­cio dos anos 1990, para cer­ca de 4,6 mil kg nas lac­ta­ções das filhas de tou­ros nas­ci­das nos anos recen­tes”, res­sal­ta Panet­to, acres­cen­tan­do que essa evo­lu­ção pode ser obser­va­da tam­bém pelos valo­res gené­ti­cos esti­ma­dos para os tou­ros dos gru­pos recen­tes.

Ele pon­tua que, após a imple­men­ta­ção da sele­ção genô­mi­ca na pré-sele­ção dos tou­ros que entram no tes­te de pro­gê­nie, as médi­as dos gru­pos são cada vez mai­o­res. “Para se ter ideia, a média dos gru­pos atu­ais de tou­ros, cujo sêmen está sen­do dis­tri­buí­do ago­ra, é pró­xi­ma ao valor dos tou­ros de mai­o­res GPTAs para lei­te dis­po­ní­veis no mer­ca­do. Isso sig­ni­fi­ca que mui­to deles serão pro­va­dos bem aci­ma do que temos hoje, ace­le­ran­do ain­da mais os ganhos gené­ti­cos da raça.” 

Cláudio Panetto | A evolução genética dos rebanhos participantes e colaboradores do PNMGL foi crescente ao longo dos anos. A média de produção passou de algo em torno de 2 mil kg na lactação, no início dos anos 1990, para cerca de 4,6 mil kg nas lactações das filhas de touros nascidas nos anos recentes

Para o supe­rin­ten­den­te téc­ni­co da ABC­GIL, André Rabe­lo, além do aumen­to na pro­du­ção de lei­te, o PNM­GL pro­pi­ci­ou melho­ri­as em carac­te­rís­ti­cas liga­das a con­for­ma­ção e mane­jo da raça, como estru­tu­ra, úbe­re, apru­mos, tem­pe­ra­men­to, faci­li­da­de de orde­nha, além de melho­rar a ida­de ao pri­mei­ro par­to das fême­as Gir lei­tei­ras.

“Vale fri­sar tam­bém que o aumen­to de pro­du­ti­vi­da­de do Gir Lei­tei­ro con­tri­bui dire­ta­men­te para o aumen­to da média do Giro­lan­do, raça esta que pre­do­mi­na na mai­o­ria das fazen­das pro­du­to­ras de lei­te do Bra­sil. Ou seja, é uma raça de gran­de impor­tân­cia para a pecuá­ria lei­tei­ra naci­o­nal, vis­to que con­fe­re ao País uma con­di­ção de pro­du­zir lei­te de for­ma sus­ten­tá­vel nos tró­pi­cos, tan­to como raça pura ou em cru­za­men­tos”, diz Rabelo.

André Rabelo | A raça é de grande importância para a pecuária leiteira nacional, visto que confere ao País uma condição de produzir leite de forma sustentável nos trópicos, tanto como raça pura ou em cruzamentos

João Vicente A. de Ávila | Recebo feedback de produtores brasileiros e de países como a Colômbia, que utilizam a genética de gabarito AVLA em seus cruzamentos com vacas Gir Leiteiro e também com holandesas PO

Pai­xão pelo Gir Lei­tei­ro des­de a ten­ra ida­de – O cri­a­dor e sele­ci­o­na­dor de ani­mais melho­ra­do­res João Vicen­te Alves de Ávi­la acom­pa­nha de per­to a evo­lu­ção da raça e se enche de orgu­lho por inte­grar o time de 450 fazen­das cola­bo­ra­do­ras do tes­te de pro­gê­nie. O pecu­a­ris­ta de Bar­ra Lon­ga (MG), que cri­a­va cava­los de raça, e resol­veu inves­tir, em 2007, numa pai­xão de infân­cia: a cri­a­ção de ani­mais lei­tei­ros, espe­ci­al­men­te o gado Gir Lei­tei­ro.

“Eu sem­pre quis melho­rar o gado lei­tei­ro, logo come­cei o meu reba­nho inves­tin­do na tec­no­lo­gia de trans­fe­rên­cia de embrião (TE), pois essa fer­ra­men­ta, bem como a inse­mi­na­ção arti­fi­ci­al, demo­cra­ti­zou mui­to o melho­ra­men­to gené­ti­co das fazen­das. No entan­to, o uso da TE era mui­to caro, há 15 anos, quan­do uti­li­za­da a gené­ti­ca de doa­do­ras famo­sas”, expli­ca Ávi­la.

O cri­a­dor recor­da que, pelo fato de a fazen­da não dis­por de mui­to dinhei­ro em cai­xa, eles resol­ve­ram estu­dar os aca­sa­la­men­tos, obser­var qual ani­mal é com­ple­men­tar, por­que, segun­do ele, algo que o cri­a­tó­rio AVLA GIR nun­ca fez foi inse­mi­nar de bica cor­ri­da, por exem­plo, uti­li­zan­do ape­nas sêmen do mes­mo tou­ro em todas as fême­as. “Sem­pre bus­ca­mos cor­ri­gir a neces­si­da­de de cada ani­mal, cla­ro que com aju­da de asses­so­ria téc­ni­ca, olhan­do o que os cri­a­do­res vizi­nhos estão fazen­do, estu­dan­do o sumá­rio do PNM­GL, pois o melho­ra­men­to gené­ti­co é algo de que eu gos­to mui­to.”

Todo esse tra­ba­lho tem obti­do exce­len­tes resul­ta­dos, tan­to que o cri­a­tó­rio con­ta com des­ta­ca­dos ani­mais nas prin­ci­pais cen­trais de inse­mi­na­ção do Bra­sil, como o tou­ro Gaba­ri­to AVLA, que se sagrou bi-Gran­de Cam­peão da Mega­lei­te e Gran­de Cam­peão da últi­ma Expo­Ze­bu, rea­li­za­da em 2019. Dupli­ca­ta, sua mãe, pro­du­ziu 11.335 kg na pri­mei­ra lac­ta­ção, algo que demons­tra todo o poten­ci­al des­sa gené­ti­ca do cri­a­dor minei­ro. Além dis­so, o pecu­a­ris­ta comer­ci­a­li­za bezer­ros, bezer­ras e doa­do­ras Gir Lei­tei­ro em lei­lões ou em ven­da dire­ta duran­te o ano.

“Rece­bo feed­back de pro­du­to­res bra­si­lei­ros e de paí­ses como a Colôm­bia, que uti­li­zam a gené­ti­ca de Gaba­ri­to AVLA em seus cru­za­men­tos com vacas Gir Lei­tei­ro e tam­bém com holan­de­sas PO. Esses pecu­a­ris­tas dis­se­ram que as filhas des­se repro­du­tor estão apre­sen­tan­do exce­len­tes resul­ta­dos em ter­mos de pro­du­ti­vi­da­de. Tal retor­no dos cri­a­do­res é bas­tan­te satis­fa­tó­rio para nós.”

Bruna Hortolani | Volto a dizer que a seleção via melhoramento genético deve ser sempre vista como um conjunto. Por exemplo, de nada adianta buscar o A2A2, mas com baixa produção de leite, problemas de aprumos, úberes mal inseridos, ligamentos fracos e conformação corporal fraca

Gir Lei­tei­ro pelos estu­dos do IZ – A zoo­tec­nis­ta for­ma­da pela Unesp/Jaboticabal Bru­na Hor­to­la­ni pro­cu­rou o Ins­ti­tu­to de Zoo­tec­nia, do Esta­do de São Pau­lo, para desen­vol­ver sua tese de mes­tra­do em pro­du­ção ani­mal – com ênfa­se em melho­ra­men­to gené­ti­co por meio do “Estu­do de Carac­te­rís­ti­cas Pro­du­ti­vas da Raça Gir Lei­tei­ro”. De acor­do com o estu­do publi­ca­do em 2019, foram esti­ma­dos os parâ­me­tros gené­ti­cos para as carac­te­rís­ti­cas de peso da vaca ao par­to e pro­du­ção de lei­te. Tam­bém foram ava­li­a­das as frequên­ci­as geno­tí­pi­cas dos ani­mais para a beta-caseí­na e kap­pa-caseí­na, bem como sua asso­ci­a­ção com as carac­te­rís­ti­cas de pro­du­ção e com­po­si­ção do lei­te.

No estu­do de esti­ma­ti­va de parâ­me­tros gené­ti­cos para peso da vaca ao par­to (PP) e pro­du­ção de lei­te acu­mu­la­da aos 305 dias de lac­ta­ção (P305) foram apli­ca­das aná­li­ses bica­rac­te­rís­ti­cas, sob um mode­lo ani­mal, com dados oriun­dos de duas fazen­das, de par­tos ocor­ri­dos entre os anos de 1984 e 2019. Foram uti­li­za­das 1.587 infor­ma­ções de pesos da vaca ao par­to (PP) e 3.617 lac­ta­ções encer­ra­das (P305), per­ten­cen­tes a 2.131 fême­as.

“Com o lei­te A2A2 (beta-caseí­na) o assun­to já está bem na mídia, mos­tran­do as pos­si­bi­li­da­des que este pro­du­to pode ofe­re­cer. Por­tan­to, no meu tra­ba­lho bus­quei a asso­ci­a­ção des­se pro­du­to final, pen­san­do nas carac­te­rís­ti­cas de pro­du­ção e com­po­si­ção do lei­te (% de gor­du­ra e pro­teí­na), ou seja, jun­tan­do o enfo­que de mer­ca­do com os bene­fí­ci­os para a indús­tria. E, cla­ro, pen­san­do no valor agre­ga­do que isso pode gerar para o cri­a­dor que pro­duz nes­te for­ma­to”, res­sal­ta a zootecnista.

Con­for­me a pes­qui­sa­do­ra, no Gir Lei­tei­ro a frequên­cia do ale­lo A2 é bem supe­ri­or ao A1, o que faci­li­ta o pro­ces­so, porém os reba­nhos pos­su­em ani­mais com per­fil A1A2 (hete­ro­zi­go­to) e estes pre­ci­sam ser sele­ci­o­na­dos para garan­tir as futu­ras gera­ções ape­nas homo­zi­go­tas, A2A2. “Porém, vale des­ta­car que não pode ser uma sele­ção iso­la­da, ou seja, ape­nas para o gene A2. De nada adi­an­ta­rá ter um reba­nho 100% A2A2, mas com bai­xa pro­du­ção de lei­te, pro­ble­mas de apru­mos, úbe­res mal inse­ri­dos, liga­men­tos fra­cos, con­for­ma­ção cor­po­ral fra­ca, e outros. Vol­to a dizer que a sele­ção via melho­ra­men­to gené­ti­co deve ser sem­pre vis­ta como um con­jun­to.”

Já na outra pes­qui­sa, ela ava­li­ou a asso­ci­a­ção das carac­te­rís­ti­cas de peso da vaca e pro­du­ção de lei­te, bus­can­do enten­der os impac­tos que a sele­ção pro­vo­cou e que ain­da podem acon­te­cer caso o cami­nho segui­do seja o de mai­or pro­du­ção de lei­te ape­nas. “Ou seja, nos­sa pre­o­cu­pa­ção é enten­der se isso pode gerar impac­tos nega­ti­vos ao sis­te­ma pro­du­ti­vo.”

De acor­do com Bru­na Hor­to­la­ni, é pre­ci­so enten­der se uma sele­ção inten­sa e exclu­si­va para uma deter­mi­na­da carac­te­rís­ti­ca, como a pro­du­ção de lei­te, por exem­plo, pode afe­tar nega­ti­va­men­te a outra. “Nes­te caso, a nos­sa pre­o­cu­pa­ção é se, ao sele­ci­o­nar para pro­du­ção de lei­te, não esta­mos sele­ci­o­nan­do indi­re­ta­men­te para vacas de mai­or tama­nho. Pen­san­do no sis­te­ma de pro­du­ção da raça, isso pode­ria influ­en­ci­ar nega­ti­va­men­te, inclu­si­ve finan­cei­ra­men­te, pois bovi­nos Gir Lei­tei­ro mai­o­res têm mai­o­res deman­das nutri­ci­o­nais e con­se­quen­te­men­te one­ram o sis­te­ma. Ade­mais, uma sele­ção para ani­mais mai­o­res pode tra­zer outros pre­juí­zos, como pro­ble­mas no par­to, por exem­plo, e outros.”

A zoo­tec­nis­ta ava­lia que cada cri­a­dor deve ter o seu enfo­que, e assim dese­nhar os pas­sos para a lucra­ti­vi­da­de da sua ati­vi­da­de. “Tenho um amor enor­me pelo Gir Lei­tei­ro (que não é segre­do para nin­guém), tam­bém acre­di­to mui­to no poten­ci­al da raça. É um ani­mal com carac­te­rís­ti­cas impor­tan­tes, que vem sen­do melho­ra­do gene­ti­ca­men­te e está tra­zen­do resul­ta­dos posi­ti­vos nos sis­te­mas tro­pi­cais, seja como pro­du­ção de lei­te exclu­si­va, seja como for­ne­ce­do­ra de gené­ti­ca (inclu­si­ve para pro­du­ção do Girolando).”

Mer­ca­do de gené­ti­ca lei­tei­ra – No balan­ço do supe­rin­ten­den­te da ABC­GIL, a raça vem aumen­tan­do a ven­da de sêmen e de ani­mais nos últi­mos anos. Pro­va dis­so, segun­do Rabe­lo, são os lei­lões e as cen­trais de inse­mi­na­ção que aumen­ta­ram sua deman­da por ani­mais Gir Lei­tei­ro.

Quem ates­ta tal cres­ci­men­to é o zoo­tec­nis­ta e geren­te de Pro­du­to Lei­te Tro­pi­cal da Semex, Chris­ti­an Mila­ni: “Na nos­sa bate­ria a raça Gir Lei­tei­ro é a quar­ta mais bem ven­di­da no Bra­sil. Nós temos em pri­mei­ro lugar a raça Holan­de­sa, e, em segui­da, a Giro­lan­do, a Jer­sey e depois a Gir”.

A pro­pó­si­to, Mila­ni infor­ma que, em 2020, a Semex detec­tou um bom cres­ci­men­to pela gené­ti­ca da raça, mui­to em vir­tu­de do tra­ba­lho rea­li­za­do pela ABC­GIL em par­ce­ria com a Embra­pa Gado de Lei­te, no mape­a­men­to da genô­mi­ca dos ani­mais, sobre­tu­do das fême­as, des­co­brin­do que são os melho­res indi­ví­du­os em PTA Lei­te, auxi­li­an­do o mer­ca­do a pro­mo­ver os melho­res aca­sa­la­men­tos.

“O Gir Lei­tei­ro tem uma repre­sen­ta­ti­vi­da­de impor­tan­te den­tro do cená­rio naci­o­nal, por ser uma raça rús­ti­ca, e isso é mui­to inte­res­san­te, pois vive­mos num país tro­pi­cal. Logo, o cru­za­men­to do Gir Lei­tei­ro entra exa­ta­men­te nes­se seg­men­to, bus­can­do tra­zer essa pita­da de rus­ti­ci­da­de ao reba­nho para que as vacas real­men­te não sofram com estres­se caló­ri­co. Aliás, a raça traz a pos­si­bi­li­da­de de ter ani­mais mais lon­ge­vos, de melhor pro­du­ção, poden­do pas­to­re­ar mais sob essas condições.”

Christian Milani: “O Gir Leiteiro tem uma representatividade importante dentro do cenário nacional, por ser uma raça rústica, e isso é muito interessante, pois vivemos num país tropical”

Já o médi­co vete­ri­ná­rio e geren­te de Pro­du­to Lei­te da Genex, Bru­no Scar­pa Nilo, des­ta­ca que, den­tro do port­fó­lio de tou­ros da cen­tral, o Gir Lei­tei­ro tem um papel bas­tan­te impor­tan­te. “A cada ano a gen­te vem aumen­tan­do prin­ci­pal­men­te a nos­sa expor­ta­ção de sêmen Gir Lei­tei­ro, além dis­so, dobra­mos as ven­das de sêmen naci­o­nal em 2020, e a raça entra nes­sa con­ta. Mas pre­ci­sa­mos melho­rar, de manei­ra geral, os entra­ves de alguns paí­ses, por cau­sa dos pro­to­co­los sani­tá­ri­os, que são bem com­pli­ca­dos. No entan­to, não é nada impos­sí­vel de ser resol­vi­do. Fei­to isso, as por­tas para o Gir Lei­tei­ro se abrem sobre­ma­nei­ra.”

Scar­pa, no entan­to, acres­cen­ta que o inves­ti­men­to em mate­ri­al gené­ti­co ain­da não ocor­re da manei­ra como deve­ria ser na bovi­no­cul­tu­ra lei­tei­ra bra­si­lei­ra por fal­ta de não serem medi­dos os dados de pro­du­ção, vis­to que a gran­de mai­o­ria das fazen­das lei­tei­ras não pos­sui nenhum tipo de con­tro­le, e com isso não é pos­sí­vel men­su­rar o ganho adqui­ri­do.

“Este é um gran­de gar­ga­lo, uma vez que o pro­du­tor aca­ba por não enxer­gar o valor de tra­ba­lhar com uma gené­ti­ca de melhor qua­li­da­de. Mas quan­do se fecha uma lac­ta­ção com 2 mil qui­los a mais, ten­do uma vaca pro­du­zin­do duas cri­as a mais, empre­nhan­do com dois ciclos antes, o pecu­a­ris­ta come­ça a men­su­rar esses dados, e pas­sa a sen­tir o impac­to dis­so tudo na propriedade.”

Bruno Scarpa Nilo: “Dentro do portfólio de touros da central, o Gir Leiteiro tem um papel bastante importante. A cada ano a gente vem aumentando principalmente a nossa exportação de sêmen da raça”

ESTÂNCIA SILVANIA TEM PIONEIRISMO NO LEITE A2


No que­si­to melho­ra­men­to gené­ti­co da raça, vale lem­brar o que dis­se Bru­na Hor­to­la­ni: “Vol­to a dizer que a sele­ção via melho­ra­men­to gené­ti­co deve ser sem­pre vis­ta como um con­jun­to”. Quem faz isso com maes­tria é o médi­co vete­ri­ná­rio e pecu­a­ris­ta Edu­ar­do Fal­cão de Car­va­lho, da Estân­cia Sil­va­nia, loca­li­za­da em Caça­pa­va (SP), des­de que assu­miu a ges­tão da fazen­da e pro­fis­si­o­na­li­zou as ati­vi­da­des do negó­cio. Ava­li­a­ções gené­ti­cas, tou­ros pro­va­dos, mul­ti­pli­ca­ção gené­ti­ca e aca­sa­la­men­tos dire­ci­o­na­dos, com a intro­du­ção da sele­ção do lei­te A2 no Bra­sil, oriun­dos da raça Gir Lei­tei­ro, tra­ba­lho ini­ci­a­do em 2010, pro­por­ci­o­na­ram à Estân­cia Sil­va­nia alcan­çar o mar­co desejado.

“Como resul­ta­dos, fomos a pri­mei­ra fazen­da da Amé­ri­ca Lati­na cer­ti­fi­ca­da para Lei­te A2A2 e Bem-Estar Ani­mal, ates­tan­do nos­so com­pro­mis­so de pro­du­zir den­tro de nor­mas com res­pei­to à natu­re­za, aos ani­mais e aos con­su­mi­do­res que a cada dia são mais exi­gen­tes. Com isso, o pro­du­to ganhou visi­bi­li­da­de, fomen­tan­do a qua­li­da­de e o poten­ci­al de pro­du­ção de lei­te A2 no Bra­sil, que pode e deve se tor­nar um gran­de pro­du­tor, inclu­si­ve com gran­de poten­ci­al de expor­ta­ção”, res­sal­ta Carvalho.

Eduardo e Camila: a Estância Silvania se posiciona no Brasil e no exterior como uma das referências na pecuária tropical, com o Gir Leiteiro como raça produtora de leite comercialmente rentável

Ele e sua espo­sa, Cami­la, dire­ci­o­nam os tra­ba­lhos para pro­du­ção de quei­jos matu­ra­dos de lei­te A2 de Gir Lei­tei­ro, cri­a­dos a pas­to, sem uso de hormô­ni­os para esti­mu­lar a pro­du­ção ou des­ci­da do lei­te e orde­nha meca­ni­za­da com bezer­ro ao pé. “Nos­sos pro­du­tos têm se des­ta­ca­do no mer­ca­do con­su­mi­dor e tam­bém em ava­li­a­ções e con­cur­sos, como no IV Prê­mio Bra­sil 2018, em que con­quis­ta­mos dez meda­lhas com nos­sos quei­jos. E a pro­du­ção atu­al é de 650 kg de lei­te A2 por dia”, diz ela.

Segun­do Car­va­lho, a Estân­cia Sil­va­nia vem, ao lon­go de seus 58 anos de exis­tên­cia, se dedi­can­do ao melho­ra­men­to gené­ti­co do Gir Lei­tei­ro e por meio des­se tra­ba­lho de sele­ção tem con­se­gui­do se posi­ci­o­nar no Bra­sil e no exte­ri­or como uma das refe­rên­ci­as na pecuá­ria tro­pi­cal, tan­to na ques­tão de for­ne­ci­men­to de mate­ri­al gené­ti­co supe­ri­or, como no for­ta­le­ci­men­to do Gir Lei­tei­ro como raça pro­du­to­ra de lei­te comer­ci­al­men­te rentável.

Rolar para cima