IZ: 115 anos de contribuições científicas e tecnológicas para a agropecuária - Digital Balde Branco
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Sede do IZ em Nova Odessa (SP)

ESPECIAL

IZ: 115 anos de contribuições 

científicas e tecnológicas para a agropecuária 

O instituto leva ao campo pesquisas e tecnologias para o produtor rural oferecer aos consumidores alimentos seguros e de qualidade 

João Antônio dos Santos

Em 15 de julho de 2020, o Ins­ti­tu­to de Zoo­tec­nia (IZ-Apta), da Secre­ta­ria de Agri­cul­tu­ra e Abas­te­ci­men­to do Esta­do de São Pau­lo, com­ple­tou 115 anos. Uma lon­ga his­tó­ria, mar­ca­da pelo pio­nei­ris­mo na pes­qui­sa cien­tí­fi­ca, ten­do por mis­são desen­vol­ver e trans­fe­rir tec­no­lo­gi­as e insu­mos para a sus­ten­ta­bi­li­da­de dos sis­te­mas de pro­du­ção ani­mal, aten­den­do a pro­du­to­res rurais, téc­ni­cos e pro­fis­si­o­nais da área.

“O resul­ta­do dis­so são pro­du­tos de ori­gem ani­mal – car­ne, lei­te, ovos e deri­va­dos – pro­du­zi­dos com tec­no­lo­gia, garan­tin­do pro­du­tos sau­dá­veis e segu­ros na mesa do con­su­mi­dor. O refle­xo des­ses tra­ba­lhos tam­bém está no mer­ca­do inter­na­ci­o­nal, pois os resul­ta­dos ultra­pas­sam as fron­tei­ras, com a expor­ta­ção de pro­du­tos e tec­no­lo­gi­as agro­pe­cuá­ri­as”, des­ta­ca o dire­tor téc­ni­co de depar­ta­men­to, Luiz Mar­quez da Sil­va Ayroza.

Com sede no muni­cí­pio pau­lis­ta de Nova Odes­sa, o IZ pos­sui cin­co cen­tros de pes­qui­sa: na sede, ficam o de Bovi­nos de Lei­te, o de Nutri­ção Ani­mal e Pas­ta­gens, o de Gené­ti­ca e Repro­du­ção Ani­mal e o de Zoo­tec­nia Diver­si­fi­ca­da. Em Ser­tão­zi­nho, situa- se o Cen­tro Avan­ça­do de Pes­qui­sa de Bovi­nos de Cor­te. Além dis­so, há cin­co Uni­da­des de Pes­qui­sa e Desen­vol­vi­men­to (UPD) nos muni­cí­pi­os de Regis­tro, Tan­qui­nho, Ita­pe­va, Ribei­rão Pre­to e São José do Rio Pre­to, todos no inte­ri­or paulista.

Em todas as uni­da­des do IZ atu­am 156 fun­ci­o­ná­ri­os, sen­do 44 pes­qui­sa­do­res cien­tí­fi­cos com mes­tra­do, dou­to­ra­do e pós-dou­to­ra­do, e 112 ser­vi­do­res, entre assis­ten­tes, téc­ni­cos, auxi­li­a­res e ofi­ci­ais de apoio à pes­qui­sa cien­tí­fi­ca e tec­no­ló­gi­ca. Atu­al­men­te, o IZ man­tém mais de 30 par­cei­ros, entre empre­sas, indús­tri­as, fri­go­rí­fi­cos e pro­du­to­res. Há em anda­men­to 61 pro­je­tos de pes­qui­sa, com diver­sos arti­gos publi­ca­dos em revis­tas cien­tí­fi­cas de exce­lên­cia. E são essas pes­qui­sas e ino­va­ções que estão à dis­po­si­ção do pro­du­tor rural, inte­gran­do mer­ca­do e indústria.

Silva Ayroza: “Graças à integração, com a aproximação das Coordenadorias da Secretaria, obtém-se maior conhecimento quanto às demandas do setor produtivo e as exigências do consumidor” 

O ins­ti­tu­to con­ta com o Pla­no de Desen­vol­vi­men­to Ins­ti­tu­ci­o­nal em Pes­qui­sa (PDIP/IZ), que dá pri­o­ri­da­de a três áre­as estra­té­gi­cas: Pro­du­ção sus­ten­tá­vel de lei­te (Pro­gra­ma Lei­te Mais); Pro­du­ção sus­ten­tá­vel de car­ne (Pro­gra­ma de sele­ção de bovi­nos de cor­te, e Pro­gra­ma de sele­ção de ovi­nos San­ta Inês), e Sis­te­mas inte­gra­dos de pro­du­ção agro­pe­cuá­ria (Pro­gra­ma de pro­du­ção ani­mal em sis­te­mas inte­gra­dos). “Todas essas áre­as estão ali­nha­das com a mis­são ins­ti­tu­ci­o­nal, com os pro­gra­mas estra­té­gi­cos da SAA e com as polí­ti­cas públi­cas do esta­do de São Pau­lo”, infor­ma Sil­va Ayroza.

De acor­do com o balan­ço de janei­ro de 2018 a abril de 2020 do PDIP/IZ, as três áre­as estra­té­gi­cas atu­am com cer­ca de 30 pes­qui­sa­do­res, que já publi­ca­ram 171 arti­gos cien­tí­fi­cos na ínte­gra. Jun­tos, man­têm um total de 59 con­tra­tos de pro­je­tos de pes­qui­sa, que somam R$ 3.265.123,59. O Pla­no de Desen­vol­vi­men­to rece­beu apor­te finan­cei­ro da Fun­da­ção de Ampa­ro à Pes­qui­sa do Esta­do de São Pau­lo (Fapesp) no valor de R$ 11.692.479,98, apli­ca­dos na moder­ni­za­ção dos labo­ra­tó­ri­os, na com­pra de equi­pa­men­tos, em bol­sas de trei­na­men­tos no exte­ri­or para pes­qui­sa­dor visi­tan­te, pós-dou­to­ra­do e jovem pesquisador.

 

Nélcio Carvalho: “O manejo correto no pasto, aliado à genética, ajuda na qualidade do leite, no maior teor de sólidos e consequentemente no maior rendimento nos derivados”

Ensi­no e capa­ci­ta­ção - Para dimi­nuir a dis­tân­cia entre a pes­qui­sa, o pro­du­tor e a soci­e­da­de, o IZ man­tém as por­tas aber­tas à soci­e­da­de, prin­ci­pal­men­te aos estu­dan­tes, gran­des for­ma­do­res de opi­nião. Ain­da con­ta com ati­vi­da­des para esta­giá­ri­os, por meio de con­vê­ni­os com universidades.

O IZ tam­bém man­tém, des­de 2009, o pro­gra­ma de pós-gra­du­a­ção em Pro­du­ção Ani­mal Sus­ten­tá­vel, nível mes­tra­do, reco­nhe­ci­do pela Capes. Este pro­gra­ma tem como obje­ti­vo capa­ci­tar e for­mar pro­fis­si­o­nais das áre­as de zoo­tec­nia, medi­ci­na vete­ri­ná­ria, agro­no­mia, bio­lo­gia, bioquí­mi­ca e afins, com conhe­ci­men­tos dire­ci­o­na­dos à pro­du­ti­vi­da­de ani­mal, à qua­li­da­de do pro­du­to e aos impac­tos ambi­en­tais das atividades.

 

Pro­je­to lei­te A2 - O lei­te A2, com pro­du­ção cres­cen­te, está aten­den­do cada vez mais a um impor­tan­te nicho de mer­ca­do: o dos con­su­mi­do­res que deman­dam um lei­te de mais fácil diges­tão, por não pos­suir a beta-caseí­na A1, que pode cau­sar mal estar em uma par­ce­la da popu­la­ção. São Pau­lo foi o pri­mei­ro esta­do a pro­du­zir o lei­te A2A2 em lar­ga esca­la. E, mais recen­te­men­te, o Labo­ra­tó­rio de Bio­tec­no­lo­gia do Cen­tro de Pes­qui­sa de Gené­ti­ca e Repro­du­ção Ani­mal, do IZ, desen­vol­veu dois méto­dos para detec­tar o ale­lo A1 dire­ta­men­te em amos­tras de lei­te e seus deri­va­dos comer­ci­a­li­za­dos como A2.

“Hoje, o IZ tra­ba­lha em seu Labo­ra­tó­rio de Bio­tec­no­lo­gia para iden­ti­fi­car ani­mais que pos­su­em somen­te o ale­lo A2A2 e que pro­du­zi­rão lei­te des­sa qua­li­da­de. Tam­bém faze­mos aná­li­ses para saber se o lei­te puro ou seus pro­du­tos, como quei­jos, iogur­tes e man­tei­ga, pos­su­em somen­te as pro­teí­nas A2A2, uma garan­tia para a indús­tria e para o con­su­mi­dor final”, afir­ma o pes­qui­sa­dor Ani­bal Eugê­nio Ver­ce­si Filho, dire­tor do Labo­ra­tó­rio de Gené­ti­ca do IZ. Ele assi­na­la que a téc­ni­ca desen­vol­vi­da pelo IZ é mui­to rele­van­te para empre­sas que comer­ci­a­li­zam pro­du­tos pro­ve­ni­en­tes de ani­mais sele­ci­o­na­dos A2A2.

 

Aná­li­se e cer­ti­fi­ca­ção de lei­te de búfa­la - Com a alta deman­da pelos deri­va­dos de lei­te de búfa­la e dian­te da ile­ga­li­da­de de alguns pro­du­to­res e lati­cí­ni­os, que mis­tu­ram lei­te de vaca ao de búfa­la, frau­dan­do o pro­du­to, o Labo­ra­tó­rio de Bio­tec­no­lo­gia do IZ desen­vol­veu o tes­te mole­cu­lar para a iden­ti­fi­ca­ção rápi­da e pre­ci­sa de lei­te de vaca em amos­tras de lei­te de búfa­la. O labo­ra­tó­rio cri­ou a meto­do­lo­gia em par­ce­ria com a empre­sa de lati­cí­ni­os Bom Des­ti­no, de Minas Gerais, que cedeu as amostras.

“Há pro­du­tos impu­ros que podem ser comer­ci­a­li­za­dos dire­ta ou indi­re­ta­men­te, com quan­ti­da­des variá­veis de lei­te de vaca duran­te a fabri­ca­ção”, escla­re­ce o assis­ten­te téc­ni­co de pes­qui­sa cien­tí­fi­ca e tec­no­ló­gi­ca do IZ, Rodri­go Gigli­o­ti, dou­tor em Gené­ti­ca e Melho­ra­men­to Animal.

A meto­do­lo­gia do IZ pos­si­bi­li­ta a iden­ti­fi­ca­ção de frau­de nos pro­du­tos (adi­ção de lei­te bovi­no). “É mui­to impor­tan­te saber que até hoje todas as espé­ci­es de búfa­los não pos­su­em vari­a­ções do ale­lo do gene da beta-caseí­na. Con­se­quen­te­men­te, todos os ani­mais são do tipo A2A2”, res­sal­ta Giglioti.

Segun­do Ver­ce­si Filho, no Bra­sil a comer­ci­a­li­za­ção de quei­jo de búfa­la vem cres­cen­do anu­al­men­te, e isso leva à neces­si­da­de de aná­li­ses e cer­ti­fi­ca­ções, garan­tin­do qua­li­da­de e pure­za dos pro­du­tos. “O IZ já tem padro­ni­za­da a extra­ção de DNA de pro­du­tos lác­te­os, como moz­za­rel­la sóli­da, moz­za­rel­la bola, quei­jo bur­ra­ta, coa­lha­da, cre­me de rico­ta, doce de lei­te, quei­jo minas fres­cal, man­tei­ga, quei­jo cot­ta­ge, requei­jão e rico­ta fres­ca. Aliás, o nome moz­za­rel­la só é atri­buí­do ao pro­du­to se for exclu­si­va­men­te deri­va­do do lei­te de búfa­la”, explica.

Pes­qui­sa em buba­li­no­cul­tu­ra - A Uni­da­de de Pes­qui­sa e Desen­vol­vi­men­to do IZ situ­a­da em Regis­tro (SP), no Vale do Ribei­ra, é uma das pou­cas uni­da­des de pes­qui­sas do Bra­sil a rea­li­za­rem tra­ba­lhos exclu­si­va­men­te com búfa­los, e isso há mais 34 anos, em uma região em que a agro­pe­cuá­ria é a segun­da ati­vi­da­de mais impor­tan­te, per­den­do ape­nas para o setor de ser­vi­ços. O plan­tel de búfa­los na região soma cer­ca de 44 mil cabe­ças, segun­do levan­ta­men­to fei­to duran­te a cam­pa­nha de vaci­na­ção de afto­sa em 2019, situ­an­do o Vale do Ribei­ra como a região com o mai­or reba­nho buba­li­no no Estado.

Segun­do o pes­qui­sa­dor e dire­tor na uni­da­de, Nél­cio Anto­nio Toniz­za de Car­va­lho, a expan­são da buba­li­no­cul­tu­ra no Vale do Ribei­ra atraiu qua­tro lati­cí­ni­os espe­ci­a­li­za­dos em deri­va­dos lác­te­os da espé­cie e gerou fon­te de ren­da para peque­nas e médi­as pro­pri­e­da­des. Atu­al­men­te, o valor médio pago pelo litro de lei­te de búfa­la é de R$ 2,00.

Cristina Maria Pacheco Barbosa: “É preciso produzir em um ambiente sustentável e de qualidade”

HIS­TÓ­RIA DO IZ

Refe­rên­cia naci­o­nal e inter­na­ci­o­nal por suas pes­qui­sas cien­tí­fi­cas nas áre­as de pro­du­ção ani­mal e pas­ta­gens des­de 1909, o Ins­ti­tu­to de Zoo­tec­nia já rea­li­za­va as pri­mei­ras sele­ções de gado Cara­cu na Fazen­da de Sele­ção do Gado Naci­o­nal, em Nova Odes­sa (SP).

Foi com a con­tri­bui­ção do médi­co Car­los Bote­lho, des­ta­que no cam­po da agro­pe­cuá­ria, e ocu­pan­do o car­go de secre­tá­rio de Agri­cul­tu­ra, que em 15 de julho de 1905 foi cri­a­do, no bair­ro da Moo­ca, em São Pau­lo, o Pos­to Zoo­téc­ni­co Cen­tral, que per­ma­ne­ceu ali até 1929, e depois foi trans­fe­ri­do para o Par­que da Água Bran­ca, tam­bém na capi­tal paulista.

Em 1970, pas­sou a ser deno­mi­na­do Ins­ti­tu­to de Zo­otecnia, adaptando‑o às neces­si­da­des exi­gi­das pela gran­de expan­são que vinha alcan­çan­do a pro­du­ção ani­mal nas últi­mas déca­das. De 1970 a 1975, a sede per­ma­ne­ceu no Par­que da Água Bran­ca, trans­fe­rin­do-se então para o muni­cí­pio de Nova Odes­sa. Des­de 1941, o IZ tam­bém publi­ca o Bole­tim de Indús­tria Ani­mal, de aces­so livre, com seus resul­ta­dos cien­tí­fi­cos e de outras instituições.

A Uni­da­de do IZ con­du­ziu, de 1989 a 2003, o “Pro­gra­ma de Desen­vol­vi­men­to da Buba­li­no­cul­tu­ra no Vale do Ribei­ra”, que con­sis­tia na ces­são de módu­los de dez fême­as e um macho buba­li­no a peque­nos pro­du­to­res rurais. Em 2004, tam­bém com a atu­a­ção da Uni­da­de de Pes­qui­sa, o Pro­gra­ma foi ree­di­ta­do e reno­me­a­do como “Pro­je­to Pau­lis­ta de Cri­a­ção de Búfa­los”, com a ado­ção de novos módu­los de cri­a­ção no Vale do Ribei­ra. Com a cadeia pro­du­ti­va esta­be­le­ci­da, Car­va­lho des­ta­ca que os desa­fi­os regi­o­nais da buba­li­no­cul­tu­ra são outros, como o aumen­to da pro­du­ti­vi­da­de leiteira.

Res­pon­sá­vel pelos pro­je­tos cien­tí­fi­cos na uni­da­de do IZ, Car­va­lho expli­ca que o mane­jo cor­re­to no pas­to, ali­a­do à gené­ti­ca, aju­da na qua­li­da­de do lei­te, e con­se­quen­te­men­te nos deri­va­dos. O lei­te de búfa­la terá ain­da mais gor­du­ra e mais pro­teí­na, quan­do com­pa­ra­do ao lei­te de bovi­nos. “A pro­teí­na é impor­tan­te para a pro­du­ção de deri­va­dos, alcan­çan­do mai­or ren­di­men­to, e a gor­du­ra é rele­van­te para pro­du­ção de mozzarella.”

PDIP - A área estra­té­gi­ca Pro­du­ção Sus­ten­tá­vel de Lei­te do Ins­ti­tu­to de Zoo­tec­nia con­ta com três uni­da­des de pes­qui­sa: Nova Odes­sa e Ribei­rão Pre­to (que tra­ba­lham com pes­qui­sas com bovi­nos de lei­te), e Regis­tro (que desen­vol­ve pes­qui­sas com buba­li­nos). As ver­bas obti­das na Fapesp têm sido, por­tan­to, inves­ti­das para a aqui­si­ção de equi­pa­men­tos e refor­mas nes­sas três uni­da­des, bus­can­do melho­rar a infra­es­tru­tu­ra de pes­qui­sa e moti­var as equi­pes de pes­qui­sa­do­res e técnicos.

Segun­do Leni­ra El Faro Zadra, coor­de­na­do­ra da área estra­té­gi­ca Pro­du­ção Sus­ten­tá­vel de Lei­te, os tra­ba­lhos envol­vem bovi­nos de lei­te e buba­li­nos. “A área pos­sui sig­ni­fi­ca­ti­vas ações de inte­ra­ção com a cadeia pro­du­ti­va do lei­te, des­de os pro­du­to­res rurais até a indús­tria, prin­ci­pal­men­te nos seg­men­tos de aná­li­ses de lei­te, nutri­ção, mane­jo, com­por­ta­men­to, sani­da­de, repro­du­ção, sele­ção e melho­ra­men­to gené­ti­co de bovi­nos e buba­li­nos lei­tei­ros, por meio de aten­di­men­tos dire­tos, cur­sos prá­ti­cos, dias de cam­po e par­ce­ri­as de pes­qui­sas e desen­vol­vi­men­to”, deta­lha ela, com­ple­men­tan­do que o pon­to for­te des­sa área estra­té­gi­ca é a inte­ra­ção da pes­qui­sa com elos da cadeia pro­du­ti­va, como coo­pe­ra­ti­vas e lati­cí­ni­os, além de pro­je­tos nas áre­as de bem-estar ani­mal, nutri­ção e melho­ra­men­to genético.

Ela infor­ma que os inves­ti­men­tos pre­vis­tos para a área estra­té­gi­ca Pro­du­ção Sus­ten­tá­vel de Lei­te deve­rão somar R$ 1.650.710,31. Na par­te de recur­sos huma­nos e trei­na­men­to do cor­po téc­ni­co, a área estra­té­gi­ca foi con­tem­pla­da com um bol­sis­ta de nível de pós-dou­to­ra­do, com trei­na­men­to de pes­qui­sa­do­res no exte­ri­or e a vin­da de pro­fes­sor visi­tan­te na unidade.

As uni­da­des con­tem­pla­das na área estra­té­gi­ca Lei­te são Cen­tro de Pes­qui­sa de Bovi­nos de Lei­te em Nova Odes­sa, Uni­da­de de Pes­qui­sa de Ribei­rão Pre­to e Uni­da­de de Pes­qui­sa de Regis­tro, que pos­sui um reba­nho de búfa­los. Os mai­o­res inves­ti­men­tos estão vol­ta­dos à melho­ria da infra­es­tru­tu­ra do labo­ra­tó­rio de qua­li­da­de do lei­te, a salas de orde­nha e a gal­pões de arra­ço­a­men­to dos bovi­nos de lei­te e buba­li­nos, incluin­do ain­da a aqui­si­ção de equi­pa­men­tos que visam faci­li­tar o mane­jo dos ani­mais e a cole­ta de infor­ma­ções para pes­qui­sa, assim como equi­pa­men­tos para a rea­li­za­ção mais acu­ra­da de aná­li­ses labo­ra­to­ri­ais, em mai­or escala.

Até o momen­to, os resul­ta­dos dos inves­ti­men­tos da Fapesp per­mi­ti­ram aumen­tar o núme­ro de publi­ca­ções téc­ni­cas e cien­tí­fi­cas, de par­ce­ri­as naci­o­nais e inter­na­ci­o­nais, de pro­je­tos apro­va­dos em agên­ci­as de fomen­to e com empre­sas pri­va­das, assim como a for­ma­ção de recur­sos huma­nos (téc­ni­cos e alu­nos de gra­du­a­ção, mes­tra­do e doutorado).

Lenira El Faro Zadra: “Os trabalhos envolvem bovinos de leite e bubalinos, com foco na interação com os produtores rurais até a indústria”

Pesquisa científica e tecnológica 

a serviço da qualidade do leite

Esse objetivo se baseia na interação da pesquisa com os elos da cadeia produtiva, como cooperativas e laticínios, além de projetos nas áreas de bem-estar animal, nutrição e melhoramento genético

Na área de Pro­du­ção Sus­ten­tá­vel de Bovi­nos de Lei­te, con­for­me o Pla­no de Desen­vol­vi­men­to Ins­ti­tu­ci­o­nal de Pes­qui­sa (PDIP) do Ins­ti­tu­to de Zoo­tec­nia, os tra­ba­lhos envol­vem bovi­nos de lei­te e buba­li­nos, con­si­de­ran­do-se as ações de inte­ra­ção com a cadeia pro­du­ti­va do lei­te, que abran­gem des­de os pro­du­to­res rurais até a indústria.

 “O foco está prin­ci­pal­men­te nas áre­as de aná­li­ses de lei­te, nutri­ção, mane­jo, com­por­ta­men­to, sani­da­de, repro­du­ção, sele­ção e melho­ra­men­to gené­ti­co de bovi­nos e buba­li­nos lei­tei­ros, por meio de aten­di­men­tos dire­tos, cur­sos prá­ti­cos, dias de cam­po e par­ce­ri­as de pes­qui­sas e desen­vol­vi­men­to”, expli­ca Luiz Car­los Roma Júni­or, pes­qui­sa­dor e dire­tor do Cen­tro de Pes­qui­sa de Bovi­nos de Leite.

O pon­to for­te des­sa área estra­té­gi­ca é a inte­ra­ção da pes­qui­sa com elos da cadeia pro­du­ti­va, como coo­pe­ra­ti­vas e lati­cí­ni­os, além de pro­je­tos nas áre­as de bem-estar ani­mal, nutri­ção e melho­ra­men­to gené­ti­co.  Por essa razão, os inves­ti­men­tos atu­ais estão dire­ci­o­na­dos à melho­ria da infra­es­tru­tu­ra do labo­ra­tó­rio de qua­li­da­de do lei­te, a salas de orde­nha e a gal­pões de arra­ço­a­men­to dos bovi­nos de lei­te e buba­li­nos. Isso inclui a aqui­si­ção de equi­pa­men­tos que visam faci­li­tar o mane­jo dos ani­mais e a cole­ta de infor­ma­ções para pes­qui­sa, assim como equi­pa­men­tos para a rea­li­za­ção mais acu­ra­da de aná­li­ses labo­ra­to­ri­ais, em mai­or escala.

Luiz Roma Júnior: “A união dessas frentes – a ciência e o produtor de leite – é o combustível que move nossas pesquisas”

Roma Júni­or expli­ca que fazem par­te des­sa área de pes­qui­sa lei­tei­ra o Cen­tro de Pes­qui­sa de Bovi­nos de Lei­te, loca­li­za­do em Nova Odes­sa; a Uni­da­de de Pes­qui­sa de Ribei­rão Pre­to e a Uni­da­de de Pes­qui­sa de Regis­tro, que pos­sui um reba­nho de búfa­los.  Os inves­ti­men­tos, na par­te de recur­sos huma­nos e trei­na­men­to do cor­po téc­ni­co, con­tem­pla­ram um bol­sis­ta de nível de pós-dou­to­ra­do, com trei­na­men­to de pes­qui­sa­do­res no exte­ri­or e a vin­da de um pro­fes­sor visi­tan­te na unidade.

O Cen­tro de Pes­qui­sas de Bovi­nos Lei­tei­ros do IZ con­ta com duas uni­da­des: em Ame­ri­ca­na (SP), com 120 hec­ta­res, e outra em Ribei­rão Pre­to (SP), com 250 ha. Na de Ame­ri­ca­na, está a sede do Cen­tro de Pes­qui­sa, dota­do de toda a infra­es­tru­tu­ra e de um reba­nho expe­ri­men­tal per­ma­nen­te, com­pos­to por 210 ani­mais das raças Holan­de­sa e Jer­so­lan­do, com  75 vacas em lactação.

“Todo o reba­nho foi estru­tu­ra­do para a pes­qui­sa cien­tí­fi­ca, por meio da sin­cro­ni­za­ção de par­tos dos ani­mais em duas esta­ções defi­ni­das (janei­ro e julho). A esco­lha pela sin­cro­ni­za­ção foi para fins de homo­ge­nei­da­de das uni­da­des expe­ri­men­tais em ter­mos de está­gio de lac­ta­ção e ida­de. Além dis­so, o reba­nho será con­du­zi­do para 100% da raça Holan­de­sa para reti­rar o efei­to da raça sobre os resul­ta­dos de pes­qui­sa”, con­ta o pesquisador.

O rebanho leiteiro, com animais Holandeses e Jersolando, foi estruturado para a pesquisa científica

O Cen­tro está em fase de refor­mas e adap­ta­ções para aten­der aos pro­je­tos de pes­qui­sa e ino­va­ção tec­no­ló­gi­ca, com a rea­de­qua­ção ambi­en­tal (para tra­ta­men­to e uso de deje­tos), ampli­a­ção e refor­ma do labo­ra­tó­rio de qua­li­da­de do lei­te, equi­pa­men­to para medi­das de con­su­mo de ali­men­tos e água das vacas, ins­ta­la­ção e moder­ni­za­ção de sala de ordenha.

Segun­do fri­sa Roma Júni­or, o Cen­tro de Pes­qui­sa de Bovi­nos de Lei­te está olhan­do e cami­nhan­do para o futu­ro das ino­va­ções para a cadeia agroin­dus­tri­al do lei­te, mas tam­bém ouvin­do dire­ta­men­te os pro­du­to­res. “Tal­vez a jun­ção des­sas fren­tes – ciên­cia e pro­du­tor – seja o com­bus­tí­vel das nos­sas pes­qui­sas”, fri­sa ele, infor­man­do que são diver­sas as pes­qui­sas em anda­men­to, nas áre­as de nutri­ção e ali­men­tos, eto­lo­gia e bem-estar ani­mal, melho­ra­men­to gené­ti­co, mane­jo da bezer­ra até vaca, sani­da­de, sis­te­mas de pro­du­ção e inte­gra­dos, qua­li­da­de do lei­te, mane­jo de orde­nha, pro­du­ção orgâ­ni­ca e pro­gra­mas de difu­são de tecnologias.

A moderna sala de ordenha trará mais conforto para os animais e será adequada às pesquisas

O Cen­tro está em fase de refor­mas e adap­ta­ções para aten­der aos pro­je­tos de pes­qui­sa e ino­va­ção tec­no­ló­gi­ca, com a rea­de­qua­ção ambi­en­tal (para tra­ta­men­to e uso de deje­tos), ampli­a­ção e refor­ma do labo­ra­tó­rio de qua­li­da­de do lei­te, equi­pa­men­to para medi­das de con­su­mo de ali­men­tos e água das vacas, ins­ta­la­ção e moder­ni­za­ção de sala de ordenha.

Segun­do fri­sa Roma Júni­or, o Cen­tro de Pes­qui­sa de Bovi­nos de Lei­te está olhan­do e cami­nhan­do para o futu­ro das ino­va­ções para a cadeia agroin­dus­tri­al do lei­te, mas tam­bém ouvin­do dire­ta­men­te os pro­du­to­res. “Tal­vez a jun­ção des­sas fren­tes – ciên­cia e pro­du­tor – seja o com­bus­tí­vel das nos­sas pes­qui­sas”, fri­sa ele, infor­man­do que são diver­sas as pes­qui­sas em anda­men­to, nas áre­as de nutri­ção e ali­men­tos, eto­lo­gia e bem-estar ani­mal, melho­ra­men­to gené­ti­co, mane­jo da bezer­ra até vaca, sani­da­de, sis­te­mas de pro­du­ção e inte­gra­dos, qua­li­da­de do lei­te, mane­jo de orde­nha, pro­du­ção orgâ­ni­ca e pro­gra­mas de difu­são de tecnologias.

Roma Jr. des­ta­ca ain­da o pro­je­to de ava­li­a­ção do efei­to da difu­são de tec­no­lo­gia por meio de trei­na­men­to de recur­sos huma­nos (pro­du­to­res e téc­ni­cos) sobre a melho­ria da qua­li­da­de do leite.

Sob sua coor­de­na­ção, esse pro­je­to foi rea­li­za­do na região de Ribei­rão Pre­to em 143 pro­pri­e­da­des divi­di­das em dois gru­pos e ava­li­a­das men­sal­men­te ao lon­go de um ano quan­to à qua­li­da­de do lei­te e ao aten­di­men­to dos padrões da legis­la­ção vigen­te. Um gru­po rece­beu trei­na­men­to para as boas prá­ti­cas na pro­du­ção e o outro ape­nas foi moni­to­ra­do (sem treinamento).

Quan­to aos aspec­tos de com­po­si­ção, ambos os gru­pos das pro­pri­e­da­des (que rece­be­ram ou não trei­na­men­to) já apre­sen­ta­vam bom desem­pe­nho, em rela­ção a valo­res médi­os de gor­du­ra, pro­teí­na, lac­to­se e extra­to seco desen­gor­du­ra­do. Os resul­ta­dos de mai­or des­ta­que foram nas áre­as de con­tro­le de mas­ti­te e con­tro­le higi­ê­ni­co da pro­du­ção leiteira.

As pro­pri­e­da­des que rece­be­ram o trei­na­men­to apre­sen­ta­ram con­ta­gem de célu­las somá­ti­cas, na média do ano, menor em 120 mil CCS/ml (de 630 mil para 510 mil) e na con­ta­gem bac­te­ri­a­na hou­ve na média do ano uma redu­ção de 470 mil UFC/ml (de 940 mil para 470 mil). “Esses resul­ta­dos foram todos con­se­gui­dos por meio da difu­são de tec­no­lo­gia pela assis­tên­cia téc­ni­ca para os pro­du­to­res de for­ma bem dire­ta, fácil e com óti­mo rela­ci­o­na­men­to dos pesquisadores/agentes/produtores”, diz Roma Júnior.

Ele infor­ma ain­da que o pro­je­to teve iní­cio na região de Ribei­rão Pre­to e ago­ra tam­bém está sen­do fei­to em Pira­ci­ca­ba e Ita­pe­ti­nin­ga. Nes­te muni­cí­pio, come­çou em 2018, com 25 pro­pri­e­da­des de búfa­las lei­tei­ras, em que já foram con­se­gui­dos resul­ta­dos satis­fa­tó­ri­os na melho­ria da qua­li­da­de e no aumen­to da pro­du­ção de lei­te. “Em 2020, o pro­je­to con­ti­nua tra­ba­lhan­do com qua­se 40 pro­pri­e­da­des e a equi­pe espe­ra que o núme­ro só venha a cres­cer, para bene­fí­cio de todos.”

O laboratório móvel vai aonde o produtor está, levando tecnologia e orientação para boas práticas

LABO­RA­TÓ­RIO MÓVEL LEVA TEC­NO­LO­GIA AOS PRODUTORES

No fim de 2017, para apro­xi­mar os pro­du­to­res dos resul­ta­dos das pes­qui­sas, o Ins­ti­tu­to de Zoo­tec­nia rece­beu um trai­ler equi­pa­do com labo­ra­tó­rio. Esse labo­ra­tó­rio móvel é uti­li­za­do duran­te os even­tos de difu­são de tec­no­lo­gia (pales­tras, cur­sos, dias de cam­po, fei­ras agro­pe­cuá­ri­as). “Rea­li­za­mos as aná­li­ses de qua­li­da­de do lei­te; duran­te o even­to, for­ne­ce­mos os resul­ta­dos e dis­cu­ti­mos com os pro­du­to­res como melho­rar a pro­du­ção”, rela­ta Roma Júni­or, assi­na­lan­do que tais resul­ta­dos auxi­li­am os pro­du­to­res sob diver­sos aspec­tos, como balan­ce­a­men­to da die­ta, con­tro­le da mas­ti­te, mane­jo da orde­nha e higi­e­ne, entre outros.

 

Fito­te­rá­pi­cos em bovi­nos - A par­tir de con­ver­sas com pro­du­to­res, os pes­qui­sa­do­res do IZ foram ques­ti­o­na­dos a res­pei­to de con­tro­le de mas­ti­te sem uso de anti­mi­cro­bi­a­nos. “Essa deman­da pode­ria ser de um sis­te­ma de pro­du­ção con­ven­ci­o­nal, mas tam­bém para a pro­du­ção orgâ­ni­ca.” A par­tir daí, está em desen­vol­vi­men­to uma linha de pes­qui­sa com o uso de fito­te­rá­pi­cos na die­ta de vacas em lac­ta­ção para melho­ria da qua­li­da­de do lei­te, mais espe­ci­fi­ca­men­te no con­tro­le da mas­ti­te bovi­na. “Já foram rea­li­za­dos alguns expe­ri­men­tos em labo­ra­tó­rio com resul­ta­dos pro­mis­so­res e outros uti­li­zan­do o reba­nho experimental.”

Segun­do o pes­qui­sa­dor, em um des­ses tra­ba­lhos, as vacas rece­be­ram por 30 dias óle­os essen­ci­ais de plan­tas medi­ci­nais na die­ta. Foram dia­ri­a­men­te moni­to­ra­dos a pro­du­ção, o con­su­mo ali­men­tar e os aspec­tos da qua­li­da­de do lei­te, incluin­do con­ta­gem de célu­las somá­ti­cas. “Em rela­ção ao gru­po con­tro­le (vacas que não rece­be­ram o tra­ta­men­to), foi pos­sí­vel encon­trar uma redu­ção de 380 mil CCS/ml e tam­bém foi encon­tra­do efei­to sig­ni­fi­ca­ti­vo no sis­te­ma imu­no­ló­gi­co das vacas. Essas res­pos­tas satis­fa­tó­ri­as nos incen­ti­va­ram a con­ti­nu­ar nes­ta área de pes­qui­sa, com outras plan­tas medi­ci­nais, estu­dos de dose e apli­ca­ção, e outras abor­da­gens, como mas­ti­te clí­ni­ca, sub­clí­ni­ca e pató­ge­nos específicos.”

Esses tra­ba­lhos apro­xi­ma­ram alguns pro­du­to­res orgâ­ni­cos do Cen­tro de Pes­qui­sa. Hoje, essas pro­pri­e­da­des cola­bo­ram com os pro­je­tos, seja nas expe­ri­ên­ci­as tro­ca­das, nos pro­ble­mas encon­tra­dos ou nas dúvi­das iden­ti­fi­ca­das. “Da mes­ma for­ma, esta­mos tra­ba­lhan­do com algu­mas pro­pri­e­da­des con­ven­ci­o­nais para rea­li­za­ção de pro­je­tos de pes­qui­sa, todos visan­do o pro­du­to lei­te e a ati­vi­da­de como negó­cio”, diz o pesquisador.

Ao falar de negó­cio lei­te, o IZ dei­xa aber­to o canal de comu­ni­ca­ção com todos os seto­res que englo­bam a cadeia pro­du­ti­va, como pecu­a­ris­tas, asso­ci­a­ções, coo­pe­ra­ti­vas, indús­tri­as (insu­mos) e lati­cí­ni­os na bus­ca de novas par­ce­ri­as, pro­je­tos e colaborações.

Treinamento sobre qualidade do leite

Pesquisas sobre

sistemas integrados e bem-estar animal

A unidade do IZ de Ribeirão Preto (SP) trabalha em conjunto com o Centro de Bovinos Leiteiros de Nova Odessa. Suas principais linhas de pesquisa são na área de forragicultura, manejo de pastagens, sistemas integrados de produção agropecuária (Sipa), nutrição e manejo de bezerras leiteiras, bem-estar animal, piscicultura, aquaponia, resíduos orgânicos, nutrição de bovinos, imunoensaio e microbiologia. 

Bezerras em ambiente que garante o bem-estar

“Esses pro­je­tos são aces­sí­veis aos pro­du­to­res e podem aju­dá-los na ado­ção de tec­no­lo­gi­as, além de gerar ino­va­ção de pro­du­tos e pro­ces­sos, melho­ran­do o dia a dia nas fazen­das. Tam­bém as ins­ta­la­ções de pes­qui­sas estão dis­po­ní­veis para futu­ras par­ce­ri­as”, assi­na­la Flá­via Simi­li, che­fe da uni­da­de do Cen­tro de Pes­qui­sa de Bovi­nos Lei­tei­ros de Ribei­rão Pre­to. Ela refor­ça que o obje­ti­vo é imple­men­tar uma fazen­da mode­lo com foco em sis­te­mas inte­gra­dos e difun­dir os resul­ta­dos de pes­qui­sa por meio de trans­fe­rên­cia de tecnologia.

Acom­pa­nhan­do as novas deman­das da cadeia pro­du­ti­va do lei­te, em con­so­nân­cia com as exi­gên­ci­as do mer­ca­do con­su­mi­dor, a ques­tão do bem-estar é um dos temas de pes­qui­sa no IZ. “Na base do bem-estar ani­mal está suprir as suas neces­si­da­des para que tudo este­ja em equi­lí­brio, dei­xar que o ani­mal se expres­se e pro­por­ci­o­nar mei­os para que isso pos­sa ser fei­to; por isso, nos­sa pes­qui­sa foca no enri­que­ci­men­to ambi­en­tal”, infor­ma Flá­via. A tec­no­lo­gia do enri­que­ci­men­to ambi­en­tal, ain­da pou­co explo­ra­da, requer um inves­ti­men­to bai­xís­si­mo para ofe­re­cer, no ambi­en­te em que o ani­mal é mane­ja­do, obje­tos que pos­sam pro­mo­ver interação.

Outra fer­ra­men­ta ain­da pou­co uti­li­za­da nas fazen­das é o con­ta­to tátil em bezer­ras, mane­jo que con­sis­te em esco­var o ani­mal por um tem­po na região do pes­co­ço, escá­pu­la, lom­bo e tra­sei­ro. Esse tipo de mane­jo pode esta­be­le­cer um vín­cu­lo do ser huma­no com o ani­mal, faci­li­tan­do a inte­ra­ção com o tra­ta­dor. “Essas duas fer­ra­men­tas pou­co explo­ra­das podem gerar bene­fí­ci­os futu­ros à pro­du­ti­vi­da­de, tor­nan­do o bovi­no mais dócil e assim aten­der às novas exi­gên­ci­as do mer­ca­do mun­di­al”, diz Flá­via (Em edi­ção pró­xi­ma, a Bal­de Bran­co publi­ca­rá repor­ta­gem sobre esse experimento).

Flávia Simili: “Os projetos visam ajudar os produtores na adoção de tecnologias e gerar inovação de produtos e processos, melhorando o dia a dia nas fazendas”

Sis­te­mas inte­gra­dos - O Aqua­pec é o mais novo sis­te­ma inte­gra­do de pro­du­ção agro­pe­cuá­ria do Ins­ti­tu­to de Zoo­tec­nia em Ribei­rão Pre­to.  Flá­via expli­ca que se tra­ta de uma pro­pos­ta de par­ce­ria entre a Secre­ta­ria de Agri­cul­tu­ra do Esta­do de São Pau­lo e empre­sas pri­va­das do setor agro­pe­cuá­rio, com o apoio de agên­ci­as de fomen­to à pes­qui­sa, para o desen­vol­vi­men­to de um sis­te­ma de tec­no­lo­gi­as que tor­nem viá­vel a pro­du­ção pecuá­ria inten­si­va e integrada.

“Esse pro­je­to visa pro­mo­ver o aumen­to da sus­ten­ta­bi­li­da­de da ati­vi­da­de agro­pe­cuá­ria: nos cam­pos econô­mi­co, ambi­en­tal e soci­al, com foco na bio­di­ver­si­da­de; na melho­ria da qua­li­da­de da água e do solo; na via­bi­li­da­de econô­mi­ca e no con­tro­le da emis­são de gases do efei­to estu­fa”, con­ta. Com os resul­ta­dos, espe­ra-se aumen­tar a capa­ci­da­de de gera­ção e trans­fe­rên­cia de conhe­ci­men­tos rela­ci­o­na­dos ao setor pro­du­ti­vo da cadeia agropecuária.

Flá­via expli­ca que o prin­ci­pal dife­ren­ci­al do pro­je­to é a agre­ga­ção da tec­no­lo­gia de pis­ci­cul­tu­ra inten­si­va aos sis­te­mas inte­gra­dos de pro­du­ção agro­pe­cuá­ria, tais como a Inte­gra­ção Lavou­ra-Pecuá­ria (ILP) e Inte­gra­ção Lavou­ra- Pecuá­ria-Flo­res­ta (ILPF).

Os resí­du­os líqui­dos e sóli­dos, ricos em nutri­en­tes gera­dos pela pis­ci­cul­tu­ra, serão apro­vei­ta­dos na fer­ti­li­za­ção de pas­ta­gens e lavou­ras, enquan­to plan­tas for­ra­gei­ras de alta qua­li­da­de serão uti­li­za­das para a cap­tu­ra do exces­so de nutri­en­tes diluí­dos na água dos tan­ques de pis­ci­cul­tu­ra (pro­du­ção aquapô­ni­ca de for­ra­gens para ali­men­ta­ção de bezerros). 

“O IZ/SAA está aguar­dan­do par­cei­ros do setor pri­va­do para ini­ci­ar­mos a implan­ta­ção do Aqua­pec. As empre­sas par­cei­ras terão seu nome vin­cu­la­do ao desen­vol­vi­men­to de um sis­te­ma tec­no­ló­gi­co sus­ten­tá­vel e se bene­fi­ci­a­rão da exten­sa expo­si­ção de seus pro­du­tos e ser­vi­ços. Adi­ci­o­nal­men­te, a empre­sa terá visi­bi­li­da­de pri­vi­le­gi­a­da em fun­ção da par­ti­ci­pa­ção nos dias de cam­po, cur­sos, etc.”, obser­va Flá­via, acres­cen­tan­do que essa par­ce­ria sig­ni­fi­ca fazer par­te da difu­são de tec­no­lo­gia den­tro de uma fazen­da mode­lo, com um sele­to gru­po de pes­qui­sa­do­res, pro­fes­so­res de uni­ver­si­da­des, entre outros, para aten­der às neces­si­da­des do setor.

ILPF – Em con­ti­nui­da­de às pes­qui­sas com o Sipa, o IZ de Ribei­rão tem con­tri­buí­do com alguns resul­ta­dos de outros estu­dos, a fim de apren­der sobre mane­jo de pas­ta­gem, melho­ri­as no solo, desem­pe­nho de bovi­nos e via­bi­li­da­de econô­mi­ca nos sis­te­mas inte­gra­dos. Nes­ses sis­te­mas, a pas­ta­gem é comu­men­te seme­a­da em con­sór­cio com a cul­tu­ra que vai pro­du­zir grãos. Um dos mai­o­res bene­fí­ci­os da téc­ni­ca é o com­par­ti­lha­men­to do solo e dos insu­mos entre vári­as culturas.

Ao lon­go dos anos é pos­sí­vel obser­var a siner­gia entre os com­po­nen­tes solo-plan­ta- ani­mal, devi­do à mai­or cicla­gem de nutri­en­tes pro­ve­ni­en­tes do uso de ani­mais em áre­as de lavou­ras (milho, soja, sor­go, giras­sol, entre outros) e às espé­ci­es que resul­ta­rão em pas­ta­gem (bra­quiá­ri­as e pani­cuns), além dos espa­ça­men­tos entre linha e téc­ni­cas de plan­tio ado­ta­das. O pro­du­tor esco­lhe­rá qual com­bi­na­ção aten­de­rá melhor ao seu pla­ne­ja­men­to, con­tan­do com a ori­en­ta­ção de um téc­ni­co expe­ri­en­te nes­sa tecnologia.

Consorciação entre de milho para grão e capim marandu

Flá­via rela­ta que coor­de­nou uma pes­qui­sa, com finan­ci­a­men­to da Fapesp, em que usou a seme­a­du­ra con­sor­ci­a­da entre milho para pro­du­ção de grãos e capim maran­du (Bra­cha­ria bri­zantha) para recria de bovi­nos em pas­ta­gem. Como resul­ta­do, foram cons­ta­ta­dos alguns resul­ta­dos, tais como quan­ti­da­de de plan­tas dani­nhas nos pique­tes, for­ma­ção da pas­ta­gem, qua­li­da­de nutri­ti­va do maran­du e con­se­quen­te­men­te o desem­pe­nho dos ani­mais e a via­bi­li­da­de econômica.

A melhor com­bi­na­ção para a implan­ta­ção do Sipa foram os tra­ta­men­tos milho mais capim maran­du seme­a­do simul­ta­ne­a­men­te na linha de plan­tio e milho mais capim maran­du seme­a­do simul­ta­ne­a­men­te na linha e na entre­li­nha, com apli­ca­ção de nico­sul­fu­ron (Fig. 1). “Os resul­ta­dos de via­bi­li­da­de mos­tra­ram dilui­ção dos cus­tos fixos, mai­or valor pre­sen­te líqui­do e menor neces­si­da­de de área para a rea­li­za­ção das duas ati­vi­da­des nos Sipa em rela­ção à agri­cul­tu­ra e à pecuá­ria exclu­si­va”, assi­na­la Flávia.

Ela obser­va ain­da que é pos­sí­vel agre­gar a essa com­bi­na­ção de lavou­ra e pecuá­ria o com­po­nen­te arbó­reo, no sis­te­ma conhe­ci­do como ILPF. As árvo­res con­tri­bui­rão com som­bra para os ani­mais, pro­por­ci­o­nan­do bem-estar ani­mal, prin­ci­pal­men­te para os bovi­nos lei­tei­ros de raças mais puras, que sofrem mui­to com as altas tem­pe­ra­tu­ras duran­te o verão.

Além dis­so, as árvo­res for­ne­cem madei­ra, tra­zen­do a diver­si­fi­ca­ção de pro­du­tos. Depen­den­do da espé­cie uti­li­za­da, há ain­da o bene­fí­cio de fixar o nitro­gê­nio no solo e de con­tri­buir para o aumen­to de esto­que de car­bo­no nos sis­te­mas, melho­ran­do os indi­ca­do­res ambientais.

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