Leite de cabra entra para o Balde Cheio - Digital Balde Branco

Dia de cam­po em fazen­da de capri­nos mar­cou o iní­cio dos tra­ba­lhos do Pro­je­to da Embra­pa na capri­no­cul­tu­ra leiteira

Incluir a pro­du­ção de lei­te de cabra no esco­po do Pro­je­to Bal­de Cheio, cri­a­do há 18 anos, é uma das metas da Embra­pa Gado de Lei­te. O pri­mei­ro pas­so des­sa inclu­são ocor­reu no dia 9 de julho, duran­te dia de cam­po rea­li­za­do numa fazen­da de capri­nos, no muni­cí­pio de Rio Novo-MG. O even­to fez par­te da pro­gra­ma­ção do 14º Cabra Fest, que tam­bém con­tou com um workshop sobre a pro­du­ção de capri­nos na região da Mata Atlân­ti­ca, rea­li­za­do no cam­po expe­ri­men­tal da ins­ti­tui­ção, em Coro­nel Pacheco-MG.

O pes­qui­sa­dor da Embra­pa Pecuá­ria Sudes­te, Artur Chi­ne­la­to, ide­a­li­za­dor do pro­je­to, expli­cou aos par­ti­ci­pan­tes do dia de cam­po as carac­te­rís­ti­cas da ação: capa­ci­tar pro­du­to­res rurais e exten­si­o­nis­tas, uti­li­zan­do as pro­pri­e­da­des rurais para difun­dir infor­ma­ções e tec­no­lo­gi­as apli­ca­das em cada região, moni­to­ran­do os impac­tos ambi­en­tais, econô­mi­cos e soci­ais nos sis­te­mas de pro­du­ção que ado­tam as tec­no­lo­gi­as propostas.

A inclu­são da capri­no­cul­tu­ra de lei­te no Pro­je­to ocor­re num momen­to em que a Embra­pa rees­tru­tu­ra o Bal­de Cheio, redimensionando‑o den­tro da pro­gra­ma­ção de pes­qui­sa da Empre­sa. Diver­sas uni­da­des da Embra­pa estão tra­ba­lhan­do para que o Pro­je­to se trans­for­me em um macro pro­gra­ma de trans­fe­rên­cia de tec­no­lo­gia, ampli­an­do sua ação no Brasil.

Como já ocor­re na pecuá­ria de lei­te bovi­na, o Bal­de Cheio para a capri­no­cul­tu­ra lei­tei­ra terá como obje­ti­vo o desen­vol­vi­men­to da ati­vi­da­de jun­to às pro­pri­e­da­des fami­li­a­res. Segun­do Chi­ne­la­to, o pro­je­to será vol­ta­do, prin­ci­pal­men­te, para o desen­vol­vi­men­to da ati­vi­da­de pra­ti­ca­da em pro­pri­e­da­des familiares.

Em linhas gerais, o Bal­de Cheio pro­mo­ve o desen­vol­vi­men­to sus­ten­tá­vel da pecuá­ria lei­tei­ra via trans­fe­rên­cia de tec­no­lo­gia, aten­den­do a deman­da de exten­si­o­nis­tas de enti­da­des públi­cas e pri­va­das e de pro­du­to­res de lei­te de todo o Brasil.

Leite de cabra entra para o balde cheio
Pro­pri­e­da­de como exemplo

A meto­do­lo­gia, per­fei­ta­men­te adap­ta­da à capri­no­cul­tu­ra, uti­li­za uma pro­pri­e­da­de lei­tei­ra de cunho fami­li­ar como “sala de aula prá­ti­ca” com a fina­li­da­de de reci­clar o conhe­ci­men­to de todos os envol­vi­dos: pes­qui­sa­do­res, exten­si­o­nis­tas e pro­du­to­res, apre­sen­tan­do essa pro­pri­e­da­de como exem­plo de desen­vol­vi­men­to sus­ten­tá­vel da ati­vi­da­de lei­tei­ra em todos os aspec­tos: téc­ni­co, econô­mi­co, soci­al e ambiental.

“Será uma pri­mei­ra ação para adap­tar essa meto­do­lo­gia à capri­no­cul­tu­ra lei­tei­ra, com pers­pec­ti­va de ter­mos no futu­ro uma pro­du­ção inten­si­fi­ca­da e com redu­ção de cus­tos”, expli­ca a pes­qui­sa­do­ra Iza­bel Car­nei­ro, do Núcleo Sudes­te da Embra­pa Capri­nos e Ovi­nos, sedi­a­do em Juiz de Fora-MG.

Para ela, a meto­do­lo­gia tem a van­ta­gem de ser apli­cá­vel aos sis­te­mas de pro­du­ção de cabras lei­tei­ras a pas­to ou em con­fi­na­men­to, refor­çan­do o pro­ce­di­men­to da cha­ma­da escri­tu­ra­ção zoo­téc­ni­ca, que favo­re­ce o acom­pa­nha­men­to téc­ni­co para gerar dados sobre o reba­nho e a pro­du­ção lei­tei­ra, úteis para a pro­du­ção e para outras fina­li­da­des, como o melho­ra­men­to gené­ti­co dos animais.

O Bal­de Cheio já atua em mais de 3.500 pro­pri­e­da­des lei­tei­ras de qua­se 800 muni­cí­pi­os do Bra­sil. Somen­te em Minas Gerais, onde está em fun­ci­o­na­men­to des­de 2007, são 315 muni­cí­pi­os envol­vi­dos, inte­gran­do entre 1.500 e 2.000 pro­pri­e­da­des rurais lei­tei­ras, con­tri­buin­do para melho­ria na gera­ção de ren­da em pecu­a­ris­tas de esca­las diversas.

Ques­tões soci­ais tam­bém têm sido abor­da­das nos trei­na­men­tos, pela inclu­são e/ou par­ti­ci­pa­ção da famí­lia nas deci­sões téc­ni­cas e admi­nis­tra­ti­vas sobre a intro­du­ção tec­no­ló­gi­ca, bem como a mudan­ça de para­dig­mas que per­mi­tam a redu­ção de tra­ba­lhos exaus­ti­vos no campo.

Rolar para cima