balde branco

Representantes da cadeia láctea francesa seguem os exemplos da vinicultura para agregar valor à produção, ganhar fôlego e rentabilidade, e encarar o momento adverso

Quase um ano e meio após o final do sistema de cotas na pecuária leiteira da comunidade europeia, o momento não é dos melhores para a cadeia produtiva na França. A queda de preços do leite é um sinal claro dessa condição. Em maio de 2016, o valor médio pago por mil litros ao produtor era de 283 (R$ 1.021), segundo o Ministério da Agricultura, Agroalimentar e Florestal do país (Ministére de l’Agriculture de l’Agroalimentare et de la Forét).

Tal cotação, comparada ao preço médio do ano passado, em 309/mil litros (R$ 1.115), houve redução de 8,4%. Tomando como referência o ano de 2014 ( 365/ mil litros – R$ 1.317), a retração chega perto de 22,5%. Há quem diga que a atual fragilidade do setor deve levar ao abate de vacas leiteiras e, consequentemente, à queda na produção de leite.

No entanto, certos segmentos da cadeia produtiva vivem uma situação um tanto quanto diferente. A exemplo dos produtores da região de Franche-Comté, no leste da França, que recebem até 500/ mil litros (R$ 1.805) pela matéria-prima entregue para a fabricação do comté, queijo específico daquela localidade.

“Essa é uma condição particular de nossos fornecedores, pois repartimos de maneira justa o valor agregado na cadeia produtiva e evitamos problemas econômicos”, explica Claude Vermot-Desroche, presidente do Comitê Interprofissional de Gestão do Comté (CIGC-Comite Interprofessionnel de Gestion du Comté). Ele também é produtor e está à frente da queijaria Monts et Terroirs, que recebe o leite fornecido por dez produtores em sistema de cooperativa e produz anualmente 400 t de queijo.

A Monts et Terroirs faz parte de um sistema com 150 queijarias e 2.600 fazendas, que responde pela fabricação do queijo comté. Importante diferencial dessa cadeia produtiva – e que dá sustentação para uma melhor remuneração – é o selo de Denominação de Origem Protegida ou, em francês, AOP-L’Appellation d’Origine Protégeé. Trata-se de uma validação de que o produto em questão foi fabricado naquela região conforme as determinações específicas dali, o que se reflete nas várias particularidades do queijo, como sabor e textura, por exemplo.

É o conceito de terroir, que há muito tempo faz dos vinhos franceses bebidas tão diferenciadas e apreciadas no mundo todo. No caso do queijo comté, o terroir é o Massif du Jura, área serrana que se estende pelos departamentos do Jura e do Doubs, ambos, na região de Franche-Comté, e de Ain, na região Rhône-Alpes.

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