Manejo de novilhas ao 1º parto: investimento certo - Digital Balde Branco

Todos os cuidados na recria garantem retorno financeiro ao produtor

NOVILHAS

MANEJO DE NOVILHAS

ao 1o parto: investimento certo

A capacidade de produção de leite de uma vaca depende da aptidão da glândula mamária, da habilidade da fêmea de fornecer nutrientes para o úbere e do manejo dispensado à vaca desde a sua entrada no cio 

Gisele Dela Ricci*

Na bovi­no­cul­tu­ra lei­tei­ra, as vári­as cate­go­ri­as de ani­mais, como bezer­ras, novi­lhas e vacas, devem ser con­si­de­ra­das inter­de­pen­den­tes, de for­ma que o suces­so da pro­du­ção depen­de do tra­ba­lho bem fei­to em todas as etapas.

Por não esta­rem em pro­du­ção, bezer­ras e novi­lhas são tidas por mui­tos pecu­a­ris­tas como cus­to adi­ci­o­nal na pro­pri­e­da­de. Entre­tan­to, são essas fême­as que subs­ti­tui­rão as vacas do reba­nho. Além dis­so, em deter­mi­na­das con­di­ções e con­for­me os obje­ti­vos do pro­du­tor, podem se tor­nar uma segun­da fon­te de ren­da por meio de sua comer­ci­a­li­za­ção, no momen­to da esta­bi­li­za­ção do reba­nho leiteiro.

No cus­to de pro­du­ção lei­tei­ra, a eta­pa mais one­ro­sa é ali­men­ta­ção, segui­da da cri­a­ção de ani­mais de repo­si­ção, repre­sen­tan­do entre 15% a 20%. A taxa de des­car­te ide­al pro­pos­ta para os ani­mais em lac­ta­ção encon­tra-se entre 20% e 30% ao ano, porém, para uma taxa de des­car­te igual ou aci­ma de 25%, é indis­pen­sá­vel haver dis­po­ni­bi­li­da­de de novi­lhas para que não ocor­ram situ­a­ções nas quais o reba­nho não con­se­gue cres­cer ou cor­ra o ris­co de enco­lher. Des­sa for­ma, as fases de bezer­ra e novi­lha são fun­da­men­tais para a pro­du­ti­vi­da­de, com o obje­ti­vo de ante­ci­par a ida­de ao pri­mei­ro par­to e, con­se­quen­te­men­te, a vida pro­du­ti­va das fêmeas.

O produtor deve monitorar o desenvolvimento de bezerras e novilhas por meio de avaliações de ganho de peso, altura, dentro da média da raça para cada idade. isso ajuda a definir o manejo nutricional para garantir no futuro uma vaca com ótimo desempenho

O suces­so da cri­a­ção de bezer­ras e novi­lhas pode ser ana­li­sa­do pelo acom­pa­nha­men­to do desen­vol­vi­men­to das fême­as des­de o nas­ci­men­to, perío­do de alei­ta­men­to até o pri­mei­ro par­to, duran­te a fase da recria. Aspec­tos como for­ne­ci­men­to do colos­tro em quan­ti­da­de e qua­li­da­de ide­ais, o alei­ta­men­to, o for­ne­ci­men­to de con­cen­tra­do e volu­mo­so, assim como o tipo de sis­te­ma de pro­du­ção influ­en­ci­a­rão no desem­pe­nho e, con­se­quen­te­men­te, na ida­de ao pri­mei­ro par­to e na pro­du­ção de leite.

O cres­ci­men­to e o desen­vol­vi­men­to da glân­du­la mamá­ria são influ­en­ci­a­dos pela ali­men­ta­ção e por alte­ra­ções hor­mo­nais que ocor­rem con­for­me o desen­vol­vi­men­to da fêmea des­de o nas­ci­men­to, pas­san­do pela puber­da­de e pela ges­ta­ção. Fator impor­tan­te rela­ci­o­na­do às novi­lhas de lei­te é o inter­va­lo entre par­tos. Quan­to menor for, mais bezer­ras nas­cem, obten­do-se mai­or núme­ro de novi­lhas por ano.

Tam­bém é essen­ci­al o moni­to­ra­men­to cor­re­to da taxa de cres­ci­men­to de fême­as, que per­mi­te evi­tar o retar­do na matu­ri­da­de sexu­al e o pri­mei­ro par­to, indi­can­do se as novi­lhas estão sub ou super ali­men­ta­das, deter­mi­nan­do um peso ide­al, entre 80% e 85% do peso cor­po­ral adul­to, no momen­to do parto.

IDADE

Equação idade versus peso ao primeiro parto não pode ser esquecida 

pro­du­ção de novi­lhas de tama­nho e ida­de ade­qua­dos ao pri­mei­ro par­to pode oti­mi­zar a pro­du­ção de lei­te de for­ma lucra­ti­va. Porém, para obter esse resul­ta­do é neces­sá­ria a ado­ção de prá­ti­cas de mane­jo ali­men­tar de acor­do com a fase do desen­vol­vi­men­to da fêmea. Falhas na nutri­ção, na ade­qua­ção das ins­ta­la­ções e negli­gên­cia com a sani­da­de resul­tam no aumen­to da ida­de ao pri­mei­ro par­to e con­se­quen­te­men­te em menor pro­du­ção de lei­te duran­te a vida pro­du­ti­va, quan­do com­pa­ra­do às novi­lhas que tive­ram um mane­jo adequado.

A pri­mei­ra inse­mi­na­ção é defi­ni­da pelo peso do ani­mal, tor­nan­do a ida­de ao pri­mei­ro par­to depen­den­te da recria rea­li­za­da. Com isso, atra­sos na pri­mei­ra inse­mi­na­ção resul­tam em bai­xo ganho de peso, o que acar­re­ta ida­de tar­dia ao pri­mei­ro parto.

Boas práticas na criação das bezerras desde o parto, e sua continuidade até a fase da inseminação, são fundamentais

O sis­te­ma de pro­du­ção tem influên­cia impor­tan­te na ida­de ao pri­mei­ro par­to. Sis­te­mas de alto cus­to exi­gem novi­lhas mais jovens, como for­ma bus­car menor cus­to, enquan­to em sis­te­mas com bai­xo cus­to o pla­ne­ja­men­to de metas ele­va­das é pou­co viá­vel, uma vez que as novi­lhas terão um alto custo.

Para novi­lhas que apre­sen­tam ida­de ao pri­mei­ro par­to tar­dia, o cus­to de pro­du­ção da recria é mai­or, uma vez que have­rá exces­so de fême­as no reba­nho, cus­to adi­ci­o­nal em ali­men­ta­ção, menor núme­ro de novi­lhas de pri­mei­ra cria no reba­nho por ano.

No entan­to, em par­tos com ida­de menor, devi­do à ele­va­ção das taxas de cres­ci­men­to, obser­vam-se van­ta­gens como retor­no rápi­do de inves­ti­men­to, dimi­nui­ção dos cus­tos, redu­ção do núme­ro de fême­as neces­sá­ri­as para man­ter o tama­nho do reba­nho, aumen­to da vida pro­du­ti­va, redu­ção da quan­ti­da­de total de ali­men­tos neces­sá­ri­os do nas­ci­men­to ao pri­mei­ro par­to e ganho gené­ti­co do reba­nho com mai­or eficiência.

A redu­ção da ida­de ao pri­mei­ro par­to pode acar­re­tar mai­or dis­to­cia, que vai afe­tar a efi­ci­ên­cia pro­du­ti­va do reba­nho. O exces­so de ganho de peso das novi­lhas no ter­ço final da ges­ta­ção, com mai­or desen­vol­vi­men­to fetal, é um dos fato­res para o aumen­to da distocia.

Idade e peso adequados são essenciais para detectar o momento certo de inseminação da novilha

REPRODUÇÃO

Manejo da cobertura requer cuidados especiais para se obter bom resultado

peso ide­al para a cober­tu­ra de novi­lhas situa-se entre 360 e 390 qui­los, e com 1,30 m de altu­ra de cer­ne­lha, no caso de novi­lhas holan­de­sas, com ida­de entre 13 e 15 meses.

A puber­da­de de uma novi­lha é atin­gi­da quan­do esta apre­sen­ta o pri­mei­ro cio, segui­do de ovu­la­ção, com uma fase lute­al nor­mal. Pode haver situ­a­ções em que a novi­lha não se repro­duz na pri­mei­ra ovu­la­ção ou apre­sen­ta ovu­la­ção fér­til mes­mo não demons­tran­do sinais exter­nos de cio. 

As raças apre­sen­tam con­si­de­rá­veis dife­ren­ças entre a ida­de ao pri­mei­ro cio. Em média, novi­lhas zebuí­nas são de 6 a 12 meses mais tar­di­as que as tau­ri­nas, em razão das vari­a­ções gené­ti­cas entre as duas raças. Na tabe­la 1, estão demons­tra­dos a raça, a ida­de e o peso de novi­lhas como indicação.

Apresentação de sugestões de desenvolvimento ponderal para fêmeas de reposição de raças grandes, pequenas e de animais mestiços Holandês-Zebu

(Ideagri, 2015)

Aten­te-se ao mane­jo de inse­mi­na­ção: novi­lhas que pre­ci­sam de vári­as inse­mi­na­ções para empre­nhar estão pre­dis­pos­tas ao exces­so de gor­du­ra duran­te a pre­nhez, uma vez que esta­rão mais madu­ras. O intui­to de garan­tir ade­qua­da ali­men­ta­ção das novi­lhas pre­nhes é atin­gir uma con­di­ção cor­po­ral mode­ra­da ao par­to para todas as vacas jovens do rebanho.

Geral­men­te, o pro­pó­si­to dos sis­te­mas de cri­a­ção de novi­lhas é ante­ci­par a puber­da­de e a ida­de a repro­du­ção, bus­can­do dimi­nuir o tem­po da fase não pro­du­ti­va das fêmeas.

Novi­lhas com engor­da defi­ci­tá­ria duran­te essa fase não atin­gem o peso ide­al para a cober­tu­ra, o que traz efei­tos nega­ti­vos para o sis­te­ma de pro­du­ção. Entre­tan­to, exces­so de ganho de peso tam­bém pro­vo­cam com­pro­me­ti­men­to na repro­du­ção e na lactação.

ALIMENTAÇÃO

Dieta bem formulada é fundamental para o desenvolvimento da novilha 

Fator mais one­ro­so da pro­du­ção, o con­tro­le nutri­ci­o­nal tra­rá uma rela­ção impor­tan­te entre o qui­lo de lei­te pro­du­zi­do por qui­lo de ali­men­to ofe­re­ci­do. A efi­ci­ên­cia na uti­li­za­ção do ali­men­to depen­de de fato­res gené­ti­cos, da qua­li­da­de da for­ra­gem, da taxa e do está­gio fisi­o­ló­gi­co de cres­ci­men­to dos ani­mais, do esco­re de con­di­ção cor­po­ral, do estres­se, do nível de exer­cí­ci­os e da gestação.

O acom­pa­nha­men­to do esco­re cor­po­ral das novi­lhas é uma manei­ra efi­ci­en­te de ana­li­sar o cres­ci­men­to. Em suas ava­li­a­ções, o esco­re não deve ultra­pas­sar 3, com vari­a­ção acei­tá­vel entre 2,5 e 3 nas ida­des de 10 a 17 meses, para se evi­tar a depo­si­ção exces­si­va de gordura.

Para bovi­nos em cres­ci­men­to, o for­ne­ci­men­to da quan­ti­da­de ide­al de nutri­en­tes é fun­da­men­tal. Para fême­as lei­tei­ras, o con­tro­le de peso diá­rio é impor­tan­te duran­te as fases de cres­ci­men­to, com a uti­li­za­ção de ração total e úni­ca ali­men­ta­ção diá­ria, poden­do ser uma boa estra­té­gia para se alcan­ça­rem bons resultados.

Antes da puber­da­de, a die­ta deve­rá con­ter mai­or por­cen­ta­gem de pro­teí­na e o nível de con­su­mo mais ele­va­do. O for­ne­ci­men­to na die­ta deve­rá ser em tor­no de 14% a 15% de pro­teí­na bru­ta e o nível de con­su­mo de 2,15% do peso vivo. Depois a puber­da­de, o teor de pro­teí­na pode ser redu­zi­do para 13% a 14% e o nível de con­su­mo para 1,65% do peso vivo. Para as duas fases, a reco­men­da­ção está em tor­no de 35% de pro­teí­na solú­vel nas rações, com a pro­teí­na não degra­dá­vel no rúmen não exce­den­do entre 25% e 30% da pro­teí­na total.

Depois de prenhas, elas merecem toda atenção: ficarem em lugar confortável e serem monitoradas

Estu­dos cien­tí­fi­cos demons­tram que novi­lhas reque­rem pro­teí­na de alta qua­li­da­de, e que estas uti­li­zam com mui­ta efi­ci­ên­cia a pro­teí­na degra­dá­vel no rúmen. A ureia é uma alter­na­ti­va impor­tan­te que pode ser ofe­re­ci­da como boa fon­te de pro­teí­na solúvel.

A exi­gên­cia ener­gé­ti­ca em novi­lhas é influ­en­ci­a­da pelo tama­nho do ani­mal, pela sua taxa de cres­ci­men­to e pelo ambi­en­te. Die­tas podem ser for­mu­la­das a par­tir da den­si­da­de ener­gé­ti­ca variá­vel e com for­ne­ci­men­tos à von­ta­de, per­mi­tin­do que a novi­lha sele­ci­o­ne seu con­su­mo ener­gé­ti­co. Uma segun­da alter­na­ti­va são for­mu­la­ções espe­cí­fi­cas e fixas, que nor­mal­men­te são altas e em quan­ti­da­de conhe­ci­da são ofe­re­ci­das aos ani­mais. O con­su­mo diá­rio de ener­gia para um ganho diá­rio de 0,750 a 0,900 kg de peso vivo, ou então, 290 kcal de ener­gia meta­bo­li­zá­vel por qui­lo de peso meta­bó­li­co. Veri­fi­ca-se o for­ne­ci­men­to de altos níveis de fibra e for­ra­gem de bai­xa qua­li­da­de bus­can­do con­tro­lar o con­su­mo ener­gé­ti­co de novi­lhas. O nível ener­gé­ti­co afe­ta dire­ta­men­te o ganho de peso; por isso, é indi­ca­do fazer o acom­pa­nha­men­to por meio de pesagens.

Die­tas com alta con­cen­tra­ção ener­gé­ti­ca podem dimi­nuir o teci­do secre­tó­rio e aumen­tar o teci­do adi­po­so na glân­du­la mamá­ria, depen­den­do do teor de pro­teí­na e, sobre­tu­do, da rela­ção energia/proteína da die­ta. Os efei­tos nega­ti­vos de die­tas na fase pré-púbe­re sobre o desen­vol­vi­men­to da glân­du­la mamá­ria acon­te­cem com mai­or frequên­cia em locais nos quais a die­ta apre­sen­ta bai­xa rela­ção pro­teí­na bruta/energia metabolizável.

Em rela­ção a vita­mi­nas e mine­rais, há pro­du­tos que suprem as neces­si­da­des diá­ri­as dos bovi­nos. Estão dis­po­ní­veis mis­tu­ras espe­cí­fi­cas para cada cate­go­ria ani­mal, tor­nan­do fácil a solu­ção des­ta etapa.

Sepa­ra­ção em lotes — O mane­jo ali­men­tar tor­na- se mais efi­ci­en­te se os ani­mais forem sepa­ra­dos em gru­pos, por tama­nho. As deman­das por nutri­en­tes são cor­re­la­ci­o­na­das com o tama­nho do ani­mal e essa prá­ti­ca faci­li­ta a atividade.

Outra reco­men­da­ção é man­ter ani­mais de até qua­tro meses de ida­de sepa­ra­dos daque­les de outras cate­go­ri­as do reba­nho, bus­can­do sem­pre evi­tar uma vari­a­ção mai­or do que dois a qua­tro meses ou 90 kg de peso vivo. Após a inse­mi­na­ção, os gru­pos podem supor­tar a vari­a­ção de peso de até 140 kg.

Para ani­mais esta­bu­la­dos, é neces­sá­rio evi­tar palhas e ser­ra­gens para a cama de novi­lhas, uma vez que ani­mais jovens pos­su­em mai­or ape­ti­te e podem con­su­mir esse mate­ri­al, que vai alte­rar seu desem­pe­nho. Para ani­mais aci­ma do peso reco­men­da­do e que pas­sa­ram a ser ali­men­ta­dos de for­ma res­tri­ta para a cor­re­ção do peso diá­rio, este tipo de cama tam­bém tem influên­cia negativa.

Para con­tro­le de peso, as novi­lhas devem ser pesa­das roti­nei­ra­men­te na mes­ma hora e com a mes­ma peri­o­di­ci­da­de. Pesa­gens a cada 15 dias são indi­ca­das se hou­ver dis­po­ni­bi­li­da­de de mão de obra e infra­es­tru­tu­ra, porém uma vez por mês é sufi­ci­en­te. Uma amos­tra­gem repre­sen­ta­ti­va pode ser uti­li­za­da em pro­pri­e­da­des com núme­ro ele­va­do de ani­mais. No entan­to, reco­men­da-se a pesa­gem do mai­or núme­ro pos­sí­vel de animais.

*A autora é médica veterinária e doutora em ciência animal 

EXPERIÊNCIA DO PRODUTOR

No cam­po, um exem­plo de pro­du­ção de lei­te e cri­a­ção de novi­lhas é o sis­te­ma ado­ta­do pelo pecu­a­ris­ta Este­vam Tonon, pro­du­tor no Sítio Matão­zi­nho, em São João da Boa Vis­ta (SP). Ele pos­sui 30 vacas da raça Giro­lan­do em lac­ta­ção e média de 22 litros/animal/dia em sis­te­ma semi-inten­si­vo. A peque­na pro­pri­e­da­de vem cres­cen­do em pro­du­ti­vi­da­de e núme­ro de ani­mais. A recria de bezer­ras e novi­lhas ocor­re em sis­te­ma extensivo.

A pro­pri­e­da­de con­ta com uma dis­tri­bui­ção de 45% do seu reba­nho com vacas, 38% com novi­lhas e 17% com bezer­ras, sen­do que 100% das fême­as são recri­a­das na pro­pri­e­da­de até a pri­mei­ra pari­ção. As de alta pro­du­ção ficam na pro­pri­e­da­de, enquan­to as com média/baixa pro­du­ção são descartadas.

Pri­mei­ra pari­ção tar­dia — Ante­ri­or­men­te, a pro­pri­e­da­de enfren­tou pro­ble­mas rela­ci­o­na­dos à pari­ção tar­dia e start na pro­du­ção lei­tei­ra das pri­mí­pa­ras. Após ava­li­a­ção, o zoo­tec­nis­ta Elder Tonon, filho do pro­pri­e­tá­rio, diag­nos­ti­cou que as fême­as tinham um sub­de­sen­vol­vi­men­to, tan­to na fase juve­nil quan­to na puber­da­de, resul­ta­do da nutri­ção pre­cá­ria e inci­dên­cia de ecto­pa­ra­si­tas nes­sas cate­go­ri­as. No pla­no de ação, para tor­nar o sis­te­ma mais viá­vel, esta­be­le­ceu-se a meta de que as pri­mí­pa­ras ini­ci­as­sem seu ciclo pro­du­ti­vo de 24 até no máxi­mo 27 meses de idade.

O téc­ni­co ori­en­tou a cor­re­ta nutri­ção dos ani­mais, com aten­ção à ofer­ta de mine­rais segun­do a exi­gên­cia de cada cate­go­ria. Para os ani­mais man­ti­dos em sis­te­ma exten­si­vo, focou-se na taxa de lota­ção por hec­ta­re (UA/ha), na mine­ra­li­za­ção cor­re­ta para cada perío­do do ano, e, se neces­sá­rio, o pro­pri­e­tá­rio ofe­re­cia uma suple­men­ta­ção com pro­tei­na­do, pro­tei­na­do ener­gé­ti­co ou ração. Além dis­so, o con­tro­le de ecto­pa­ra­si­tas vem sen­do fei­to com mais eficiência.

Com todas essas medi­das, o pecu­a­ris­ta vem obten­do bons resul­ta­dos. As boas prá­ti­cas come­çam des­de o par­to, com todos os cui­da­dos, cor­re­ta colos­tra­gem, alei­ta­men­to ade­qua­do e moni­to­ran­do o peso de cada fase dos ani­mais, obser­van­do o esco­re de con­di­ção cor­po­ral, oti­mi­zan­do um ganho de peso médio para man­ter um cres­ci­men­to line­ar e o desen­vol­vi­men­to do úbe­re, con­tan­do nes­sa fase com um GPD (ganho de peso diá­rio) de 800 gramas.

Segun­do Elder Tonon, na puber­da­de espe­ra-se uma nutri­ção e um mane­jo para que os ani­mais atin­jam 50% a 55% do seu peso adul­to, sen­do a fase mais impor­tan­te rela­ci­o­na­da à fer­ti­li­da­de. “É fun­da­men­tal a inges­tão equi­li­bra­da de mine­rais, como cál­cio, zin­co, cobre, man­ga­nês e prin­ci­pal­men­te fós­fo­ro e selê­nio, que devem estar de acor­do com as exi­gên­ci­as, já que esses são os mais impor­tan­tes no cená­rio repro­du­ti­vo”, destaca.

Já na pre­nhez é impor­tan­te man­ter o desen­vol­vi­men­to liga­do à nutri­ção para apoi­ar a ges­ta­ção e o desen­vol­vi­men­to embri­o­ná­rio, esti­man­do-se um ganho diá­rio de 600 a 650 gra­mas para que esses ani­mais con­si­gam atin­gir 93% do peso adul­to. Com isso, obser­vou-se uma melho­ra na fer­ti­li­da­de dos ani­mais, com mai­or volu­me de pro­du­ção nas pri­mí­pa­ras, além de as cri­as virem com mais vigor. Segun­do o pro­du­tor, esses resul­ta­dos mos­tram que o acom­pa­nha­men­to téc­ni­co pode ser um dife­ren­ci­al no desem­pe­nho do sis­te­ma, garan­tin­do mai­or valor à atividade.

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