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Bezerras de diferentes idades podem ser afetadas, no entanto, animais com seis semanas de idade são mais suscetíveis

DIARREIA EM BEZERRAS

Manejo e diagnóstico rápido

é a melhor forma de controle da diarreia

Com o sistema imunológico não totalmente desenvolvido, as bezerras são vulneráveis a diferentes tipos de doenças, como a criptosporidiose, que causa desde a desidratação até a morte, se não tratada adequadamente

Gisele Dela Ricci*

A criptosporidiose bovina ou diarreia neonatal é uma das principais doenças que atingem bezerras leiteiras, causando prejuízos aos animais e à economia da produção. Os protozoários causadores da diarreia são do gênero Cryptosporidium. Trata-se de parasitos que completam seu ciclo biológico na superfície de células epiteliais dos tratos gastrintestinal, respiratório e urinário de mamíferos, aves, répteis e peixes e ocorre por meio da ingestão de alimentos e água. A morbidade em bezerras, segundos estudos, está entre 10% e 85%, com uma média de 25%.

O intestino é formado, entre outras partes, por vilosidades que permitem absorção de nutrientes. Quando ingerido pelo animal, o protozoário atrofia as vilosidades causando prejuízos à absorção de nutrientes e eletrólitos, resultando em diarreia, que pode ser agravada por desidratação e morte se não tratada adequadamente e a tempo.

O parasita causador da doença pode acarretar doenças pulmonares ou gastrointestinais. A infecção ocorre por meio da ingestão de alimentos e água contaminada. Não existem fazendas onde os agentes causadores da criptosporidiose não possam ser encontrados.

Bezerras de diferentes idades podem ser afetadas, no entanto, animais com seis semanas de idade são mais suscetíveis. Quando aderidos, os esporozoítos formam um tipo de bolha que protege o ambiente externo e interno da célula hospedeira, permitindo que o protozoário receba nutrientes do hospedeiro, dificultando a tratativa com a doença.

O tempo de incubação do protozoário é de três a quatro dias, assim como a primeira diarreia aparente. A diarreia tem duração de uma a duas semanas, com liberação de oocistos para o meio externo e ocorre entre 4 e 12 dias após a infecção.

O período de incubação da criptosporidiose em bezerras recém-nascidas é entre três e quatro dias e os animais tendem a se recusar a comer, com diarreia aquosa abundante, desidratação, letargia, coma e até óbito.

A infecção ocorre por meio da ingestão de alimentos e água contaminada.

Não existem fazendas onde os agentes causadores da criptosporidiose não possam ser encontrados

Cuidados preventivos – O vazio sanitário, a desinfecção e a remoção das camas e fezes do ambiente são as principais medidas para diminuir a infecção por esse protozoário. Também podem ser utilizados produtos químicos à base de dióxido de cloro, amônia e peróxido de hidrogênio, que se mostram eficientes e podem contribuir para a redução da carga do protozoário no ambiente. A incidência de radiação solar é uma excelente oportunidade de controle natural da doença.

A autoinfecção resulta em infecções prolongadas com cargas parasitárias importantes. A multiplicação dentro do hospedeiro ocasiona reinfecção diretamente, sem sair dos animais, causando uma disseminação rápida.

Piores condições sanitárias, manejo inadequado e a falta de informação sobre tratamento, medicamentos e administração do tratamento causam surtos importantes da doença no ambiente. Menor mortalidade, inclusive por diarreia, é observada em bezerras criadas em pisos compactos e em pisos ripados, condições estas que permitem um escoamento adequado das fezes e consequentemente diminuem o risco de infecção. Observa-se, também, que há menor frequência de criptosporidiose em bezerros mantidos em baias individuais do que em baias coletivas.

Desta forma, ainda, perdas econômicas estão associadas à utilização abusiva de antibióticos, ineficientemente, já que esta doença é causada por protozoários.

O vazio sanitário, a desinfecção e a remoção das camas e fezes do ambiente são as principais medidas para diminuir a infecção por esse protozoário

O medicamento para prevenção e tratamento da doença mais conhecido é a halofuginona, que impede a reprodução no hospedeiro, por sete dias, sendo necessário observar a duração das diarreias e os sinais de desidratação.

Assim como outros medicamentos é importante a atenção quanto à dose recomendada, que é de 2 ml para cada 10 kg de peso vivo, uma vez ao dia, por via oral, após a alimentação das bezerras, sendo necessário o diagnóstico, acompanhamento e prescrição por um médico veterinário.

Vale alertar que a recomendação dos fabricantes é de que a halofuginona não seja utilizada em animais com sinais de diarreia há mais de 24 horas, devido à desidratação dele, o que o torna mais suscetível à toxicidade do remédio.

Como medida profilática, o medicamento deve ser administrado até 48 horas após o nascimento e, de modo curativo, em até 24 horas após o início dos sintomas da doença. (Obs.: No original, constam diversas referências bibliográficas, à disposição dos interessados)

 

*Zootecnista, mestra, doutora e pós-doutoranda pela USP. Atua no laboratório de Etologia, bioclimatologia e nutrição de animais de produção (bovinos, suínos e ovinos)

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