Milho cotado em R$ 101,00 por saca em Campinas (SP) - Digital Balde Branco

MERCADO

Rafael Ribeiro

Zootecnista, msc. Scot Consultoriaa

Milho cotado em R$ 101,00 por saca em Campinas (SP)

O mer­ca­do do grão con­ti­nua fir­me e os pre­ços con­ti­nu­am em alta no País em abril. As pre­o­cu­pa­ções com rela­ção à segun­da safra do cere­al, com uma par­ce­la da área seme­a­da fora da jane­la ide­al de plan­tio, o dólar em pata­mar ele­va­do e o ven­de­dor mais retraí­do nas ofer­tas seguem como prin­ci­pais fato­res de sus­ten­ta­ção das cota­ções, em reais. 

Segun­do levan­ta­men­to da Scot Con­sul­to­ria, na região de Cam­pi­nas (SP), a refe­rên­cia ficou em R$ 101,00 por saca de 60 qui­los no dia 22 de abril, mai­or valor real (cor­ri­gi­do pela infla­ção) des­de o iní­cio da série, em 2000. Na com­pa­ra­ção com mar­ço des­te ano, hou­ve alta de 5,9% e, em rela­ção a abril do ano pas­sa­do, o milho está cus­tan­do 84% mais. 

Para o cur­to e o médio pra­zos, a expec­ta­ti­va é de pre­ços fir­mes para o milho no mer­ca­do bra­si­lei­ro, dian­te da bai­xa dis­po­ni­bi­li­da­de inter­na, que deve­rá per­sis­tir até o iní­cio da colhei­ta da segun­da safra no País, em junho/julho.

Preços firmes da soja em grão e queda para o farelo 

Os pre­ços da soja em grão se fir­ma­ram no mer­ca­do inter­no em abril, mes­mo com a colhei­ta em anda­men­to e na reta final em algu­mas regiões. A sus­ten­ta­ção vem da boa deman­da pela soja bra­si­lei­ra para expor­ta­ção e das incer­te­zas com rela­ção à safra nor­te-ame­ri­ca­na por cau­sa do cli­ma adver­so por lá. 

O plan­tio ganha for­ça em maio nos Esta­dos Uni­dos e, da mes­ma for­ma que o milho, o cli­ma frio em impor­tan­tes regiões pro­du­to­ras tem pre­o­cu­pa­do e dado sus­ten­ta­ção aos pre­ços da soja na Bol­sa de Chi­ca­go (CBOT). Com rela­ção às expor­ta­ções bra­si­lei­ras, a média diá­ria embar­ca­da aumen­tou 18,9% em mar­ço des­te ano, na com­pa­ra­ção anu­al e, em abril, até a ter­cei­ra sema­na, a média diá­ria foi 29,9% mai­or na com­pa­ra­ção com abril de 2020 (dados da Secre­ta­ria de Comér­cio Exte­ri­or, a Secex). 

Dian­te do expos­to, no Por­to de Para­na­guá (PR), a refe­rên­cia para a soja em grão fechou a R$ 178,00 por saca de 60 qui­los (22/4), 78% aci­ma do regis­tra­do em igual perío­do do ano pas­sa­do. Para o cur­to e o médio pra­zos (fim de abril/maio), a expec­ta­ti­va ain­da é de boa movi­men­ta­ção para as expor­ta­ções bra­si­lei­ras, o que deve­rá cola­bo­rar com pre­ços fir­mes para a soja no mer­ca­do bra­si­lei­ro se o câm­bio seguir mais fir­me. Por outro lado, se o dólar recu­ar, os pre­ços da soja em grão ten­dem a cair em reais.

Com rela­ção ao fare­lo de soja, as cota­ções segui­ram mais frou­xas em abril, devi­do ao aumen­to da ofer­ta, com o incre­men­to nos esma­ga­men­tos. Em São Pau­lo, segun­do levan­ta­men­to da Scot Con­sul­to­ria, o pre­ço médio do fare­lo de soja ficou em R$ 2.586,32 por tone­la­da em abril, sem o frete.

Aumento nos preços dos adubos no mercado brasileiro 

Os pre­ços dos adu­bos subi­ram em abril. Além da boa movi­men­ta­ção no mer­ca­do inter­no, o dólar valo­ri­za­do fren­te ao real e os aumen­tos nos pre­ços dos fer­ti­li­zan­tes no mer­ca­do inter­na­ci­o­nal têm cola­bo­ra­do com altas nas cota­ções. Segun­do levan­ta­men­to da Scot Con­sul­to­ria, as cota­ções dos adu­bos nitro­ge­na­dos subi­ram, em média, 4,2% em rela­ção ao fecha­men­to de mar­ço des­se ano.

Para os fer­ti­li­zan­tes potás­si­cos e fos­fa­ta­dos, os aumen­tos foram, res­pec­ti­va­men­te, de 11,6% e 8,4% no mes­mo perío­do. Pegan­do como exem­plo a ureia, a refe­rên­cia ficou em R$ 3.039,43 por tone­la­da em São Pau­lo, alta de 57,6% des­de o iní­cio des­te ano. Na com­pa­ra­ção anu­al, o adu­bo nitro­ge­na­do está cus­tan­do 77,1% mais este ano.

Em cur­to e médio pra­zos, a deman­da inter­na por fer­ti­li­zan­tes deve­rá seguir fir­me, com as com­pras para as cul­tu­ras de inver­no (safra 2020/21) e para a pró­xi­ma safra (2021/22). Com isso, os pre­ços do insu­mo deve­rão seguir fir­mes no mer­ca­do bra­si­lei­ro nos pró­xi­mos meses. 

Com rela­ção às entre­gas de fer­ti­li­zan­tes no Bra­sil, a Asso­ci­a­ção Naci­o­nal para Difu­são de Adu­bos (Anda) divul­gou recen­te­men­te os dados de novem­bro do ano pas­sa­do. Naque­la opor­tu­ni­da­de foram entre­gues 3,56 milhões de tone­la­das de adu­bos no País, volu­me 12,9% mai­or na com­pa­ra­ção com igual mês do ano anterior.

No acu­mu­la­do de janei­ro a novem­bro de 2020, as entre­gas tota­li­za­ram 37,06 milhões de tone­la­das de fer­ti­li­zan­tes no País, 10,3% mais que o entre­gue em igual perío­do de 2019. O volu­me entre­gue de janei­ro a novem­bro do ano pas­sa­do supe­rou o recor­de, que foi em 2019, quan­do foram entre­gues 36,24 milhões de tone­la­das de adu­bos no acu­mu­la­do do ano. Para 2020, a Scot Con­sul­to­ria esti­ma um volu­me entre 39,5 milhões e 40 milhões de tone­la­das entre­gues. Para 2021, as expec­ta­ti­vas são de 41 milhões de tone­la­das de fer­ti­li­zan­tes entre­gues no Brasil.

Conab: revisão para cima na produção de soja e milho total no Brasil em 2020/21

A Com­pa­nhia Naci­o­nal de Abas­te­ci­men­to (Conab) divul­gou no dia 8 de abril seu séti­mo levan­ta­men­to de acom­pa­nha­men­to da safra bra­si­lei­ra de grãos 2020/21. Com rela­ção à soja, a área seme­a­da na safra atu­al foi pra­ti­ca­men­te man­ti­da (+0,02%) e a pro­du­ti­vi­da­de média foi revi­sa­da ligei­ra­men­te para cima, em 0,3%, fren­te ao rela­tó­rio ante­ri­or, de mar­ço des­te ano.

Com isso, a pro­du­ção foi esti­ma­da em 135,54 milhões de tone­la­das no País nes­ta tem­po­ra­da, em fase de colhei­ta. O volu­me é 0,3% mai­or que o pre­vis­to ante­ri­or­men­te e 8,6% mai­or que os 124,84 milhões de tone­la­das de soja colhi­das na safra pas­sa­da (2019/20).

Para o milho de pri­mei­ra safra (safra de verão), em fase de colhei­ta, hou­ve revi­são para cima na área seme­a­da (+1,5%) e na pro­du­ti­vi­da­de média (+2,9%), fren­te ao rela­tó­rio ante­ri­or. Está pre­vis­ta a colhei­ta de 24,51 milhões de tone­la­das do cere­al na pri­mei­ra safra 2020/21, volu­me 4,4% mai­or que o esti­ma­do no rela­tó­rio de mar­ço para este ciclo, mas ain­da 4,6% menor que o colhi­do na safra pas­sa­da (2019/20).

Com rela­ção ao milho de segun­da safra (safra de inver­no), a área foi revi­sa­da para cima (+1,1%) em rela­ção à pre­vi­são ante­ri­or, mas a pro­du­ti­vi­da­de média das lavou­ras foi revi­sa­da para bai­xo (-1,3%). Com isso, o volu­me pre­vis­to na segun­da safra do ciclo 2020/21, de 82,61 milhões de tone­la­das, é 0,2% menor que o esti­ma­do ante­ri­or­men­te. No entan­to, deve­rá cres­cer 10,1% na com­pa­ra­ção com o colhi­do na safra de inver­no pas­sa­da (2019/20).

No total (1ª, 2ª e 3ª safras), o País deve­rá colher 108,96 milhões de tone­la­das de milho na safra atu­al, 0,8% mais que o pre­vis­to no rela­tó­rio de mar­ço para o ciclo atu­al e 6,2% aci­ma do colhi­do na tem­po­ra­da pas­sa­da.
A seme­a­du­ra do milho de segun­da safra foi con­cluí­da em março/começo de abril nas prin­ci­pais regiões pro­du­to­ras, com uma par­ce­la das áre­as seme­a­da fora da jane­la ide­al de plan­tio, o que man­tém a aten­ção sobre o cli­ma e a situ­a­ção das lavou­ras nas pró­xi­mas semanas.

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