Milho: Revisão para baixo - Digital Balde Branco

MERCADO

Rafael Ribeiro

Zootecnista, msc. Scot Consultoriaa

Revisão para baixo na produção de milho de segunda safra e nos estoques finais em 2020/21

No dia 10 de agos­to, a Com­pa­nhia Naci­o­nal de Abas­te­ci­men­to divul­gou o 11º levan­ta­men­to de acom­pa­nha­men­to da safra bra­si­lei­ra de grãos (2020/21). Com rela­ção ao milho de segun­da safra, em fase de colhei­ta no Bra­sil, hou­ve revi­são para bai­xo, de 6,3%, na pro­du­ti­vi­da­de média em rela­ção ao esti­ma­do no rela­tó­rio ante­ri­or para este ciclo. Na com­pa­ra­ção com a safra pas­sa­da (2019/20), a que­da no ren­di­men­to das lavou­ras é de 25,7%.

Com isso, a expec­ta­ti­va é de que sejam colhi­dos 60,32 milhões de tone­la­das de milho na segun­da safra 2020/21, 9,9% menos que o pre­vis­to ante­ri­or­men­te e 19,6% abai­xo do colhi­do na segun­da safra pas­sa­da (2019/20). No total (pri­mei­ra, segun­da a e ter­cei­ra safras), a pro­du­ção bra­si­lei­ra está esti­ma­da em 86,65 milhões de tone­la­das de milho em 2020/21, 15,5% ou 15,94 milhões de tone­la­das menos que o colhi­do no ciclo passado.

Com rela­ção aos esto­ques finais no País, estão pre­vis­tos 5,14 milhões de tone­la­das de milho em 2020/21, fren­te aos 5,47 milhões de tone­la­das esti­ma­das ante­ri­or­men­te para a safra atu­al e aos 10,6 milhões de tone­la­das em esto­ques finais na tem­po­ra­da pas­sa­da (2019/20). É o menor esto­que des­de 2015/16.

Preços mais calmos em agosto, mas cenário é de cautela

Os pre­ços do milho anda­ram de lado nas pri­mei­ras sema­nas de agos­to, com que­das pon­tu­ais em algu­mas pra­ças, em fun­ção do avan­ço da colhei­ta da segun­da safra no País e do aumen­to da ofer­ta inter­na. O com­pra­dor mais afas­ta­do das nego­ci­a­ções cola­bo­rou com o viés de bai­xa. Na região de Cam­pi­nas (SP), a refe­rên­cia está em R$ 103,50 por saca de 60 qui­los, recuo de 2,8% no acu­mu­la­do de agos­to (13/8).

Ape­sar dos pre­ços mais frou­xos, o cená­rio é de cau­te­la, dian­te das revi­sões para bai­xo na pro­du­ção espe­ra­da na segun­da safra, em fase de colhei­ta no País. Para o cur­to e médio pra­zos, não estão des­car­ta­das que­das nos pre­ços do milho no mer­ca­do bra­si­lei­ro, com a colhei­ta em anda­men­to e mai­or dis­po­ni­bi­li­da­de interna. 

As impor­ta­ções em alta tam­bém cola­bo­ram para este viés bai­xis­ta (ou limi­tan­do as altas) nos pre­ços no mer­ca­do inter­no. No entan­to, des­ta­ca­mos que a pre­vi­são de esto­ques finais mais enxu­tos nes­te ciclo e boa deman­da inter­na são fato­res limi­tan­tes para que­das mais for­tes nas cota­ções nes­ta temporada.

Recuos nas cotações do farelo de soja 

O pre­ço do fare­lo de soja caiu em agos­to no mer­ca­do bra­si­lei­ro, acom­pa­nhan­do os recu­os do insu­mo no mer­ca­do inter­na­ci­o­nal, além da pres­são de bai­xa sobre as cota­ções da soja em grão. Segun­do o levan­ta­men­to da Scot Con­sul­to­ria, em São Pau­lo, o ali­men­to con­cen­tra­do ficou cota­do, em média, a R$ 2.330,00 por tone­la­da, sem o frete.

Na com­pa­ra­ção men­sal, o pre­ço caiu 1,7%, mas, em rela­ção a igual perío­do do ano pas­sa­do, o insu­mo está cus­tan­do 24% mais este ano. Para o cur­to pra­zo, a expec­ta­ti­va é de pre­ços andan­do de lado para o fare­lo de soja, com a inde­fi­ni­ção da por­cen­ta­gem de bio­di­e­sel no die­sel nor­te-ame­ri­ca­no, além do dólar em pata­ma­res mais altos e a deman­da inter­na firme.

Adubos: boa demanda e câmbio em alta dando sustentação aos preços no mercado brasileiro

A Asso­ci­a­ção Naci­o­nal para Difu­são de Adu­bos (Anda) divul­gou recen­te­men­te os dados de entre­ga de fer­ti­li­zan­tes no Bra­sil em mar­ço des­te ano. Naque­la opor­tu­ni­da­de, foram entre­gues 2,57 milhões de tone­la­das de fer­ti­li­zan­tes, 37,1% mais na com­pa­ra­ção com mar­ço do ano passado.

No pri­mei­ro tri­mes­tre des­te ano, o volu­me de adu­bos entre­gue ao con­su­mi­dor final tota­li­zou 9,01 milhões de tone­la­das, 20,3% mais em rela­ção a igual perío­do de 2020. A expec­ta­ti­va da Scot Con­sul­to­ria é de que sejam entre­gues entre 41,5 milhões e 43 milhões de tone­la­das de fer­ti­li­zan­tes no País, no acu­mu­la­do de 2021, fren­te ao recor­de até então, em 2020, de 40,56 milhões de tone­la­das de adu­bos ven­di­dos no Brasil.

A alta de pre­ços das prin­ci­pais com­mo­di­ti­es agrí­co­las tem incen­ti­va­do o uso de tec­no­lo­gia e puxa­do a deman­da inter­na por fer­ti­li­zan­tes e outros insu­mos agrí­co­las para a pró­xi­ma tem­po­ra­da (2021/22).

Com rela­ção aos pre­ços dos fer­ti­li­zan­tes, estes seguem em alta no mer­ca­do bra­si­lei­ro, em fun­ção da boa deman­da inter­na, dólar em pata­ma­res mais altos e aumen­to nos pre­ços dos adu­bos no mer­ca­do inter­na­ci­o­nal. Segun­do levan­ta­men­to da Scot Con­sul­to­ria, os pre­ços dos adu­bos nitro­ge­na­dos subi­ram, em média, 2,7% na pri­mei­ra quin­ze­na de agos­to, em rela­ção ao fecha­men­to de julho des­te ano. Para os adu­bos potás­si­cos e fos­fa­ta­dos, os aumen­tos foram, em média, de 2,2% e 3,2%, res­pec­ti­va­men­te, no mes­mo período.

A expec­ta­ti­va é de boa movi­men­ta­ção no mer­ca­do de fer­ti­li­zan­tes no País em cur­to e médio pra­zos, o que, soma­do ao câm­bio mais fir­me, man­tém o viés de alta sobre os pre­ços dos adu­bos no mer­ca­do brasileiro.

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