Milho: revisão pra baixo na produção na segunda safra 2020/21 - Digital Balde Branco

MERCADO

Rafael Ribeiro

Zootecnista, msc. Scot Consultoriaa

Milho: revisão para baixo na produção na segunda safra 2020/21

A Com­pa­nhia Naci­o­nal de Abas­te­ci­men­to (Conab) divul­gou, no dia 10 de junho, o nono levan­ta­men­to de acom­pa­nha­men­to da safra bra­si­lei­ra de grãos (2020/21). Com rela­ção ao milho, o des­ta­que foi a for­te revi­são para bai­xo na pro­du­ti­vi­da­de média espe­ra­da para a segun­da safra na tem­po­ra­da atu­al, em iní­cio de colhei­ta no País.

O ren­di­men­to médio foi revi­sa­do em 12% para bai­xo em rela­ção às esti­ma­ti­vas de maio. Na com­pa­ra­ção com a safra pas­sa­da (2019/20), a expec­ta­ti­va é de que­da de 14% na pro­du­ti­vi­da­de média nacional.

Ana­li­san­do a situ­a­ção por Esta­do, a que­da na pro­du­ti­vi­da­de média foi de 9,4% em Mato Gros­so, 10,2% no Para­ná, 19,1% em Mato Gros­so do Sul e 29,6% em Goiás, na com­pa­ra­ção com a safra pas­sa­da. As chu­vas abai­xo da média, o plan­tio fora da jane­la ide­al e as con­di­ções adver­sas das lavou­ras leva­ram à redu­ção nas expectativas.

Com rela­ção à pro­du­ção, a esti­ma­ti­va é de que sejam colhi­dos 69,96 milhões de tone­la­das de milho na segun­da safra (2020/21), 12,3% ou 9,84 milhões de tone­la­das a menos que a pre­vi­são ante­ri­or. Na com­pa­ra­ção com a safra pas­sa­da, a pro­du­ção deve­rá ser 6,8% menor no ciclo atu­al, o equi­va­len­te a 5,09 milhões de tone­la­das a menos.

No total (1ª, 2ª e 3ª safras), a pro­du­ção bra­si­lei­ra está esti­ma­da em 96,39 milhões de tone­la­das em 2020/21, fren­te aos 106,41 milhões de tone­la­das esti­ma­das ante­ri­or­men­te e aos 102,59 milhões de tone­la­das colhi­das na safra passada.

Início da colheita e queda do dólar pressionam as cotações do milho

Ape­sar das revi­sões para bai­xo na pro­du­ção bra­si­lei­ra de milho na segun­da safra (2020/21), os pre­ços do cere­al caí­ram no mer­ca­do inter­no em junho. Os fato­res de bai­xa foram o iní­cio da colhei­ta da safra de inver­no no País, os for­tes recu­os do dólar fren­te ao real e as que­das nas cota­ções do milho nos Esta­dos Uni­dos, com as pre­vi­sões de cli­ma melhor e expec­ta­ti­vas por ora posi­ti­vas com rela­ção à safra nor­te-ame­ri­ca­na (2021/22), em fase de desen­vol­vi­men­to das lavouras.

Segun­do levan­ta­men­to da Scot Con­sul­to­ria, na região de Cam­pi­nas (SP), o pre­ço médio ficou em R$ 98,58 por saca de 60 qui­los (18/6), com negó­ci­os em até R$ 90 por saca em mea­dos do mês. Hou­ve que­da de 10,9% no acu­mu­la­do de junho, mas, em rela­ção a igual perío­do do ano pas­sa­do, o milho está cus­tan­do 89,5% mais este ano.

Para o cur­to e o médio pra­zos, con­si­de­ran­do o câm­bio em um pata­mar mais bai­xo e o aumen­to gra­du­al da ofer­ta de milho no mer­ca­do bra­si­lei­ro, con­for­me avan­ça a colhei­ta da segun­da safra, a expec­ta­ti­va é de pre­ços mais frou­xos para o cere­al no País.

De qual­quer for­ma, as con­di­ções das lavou­ras e a pro­du­ti­vi­da­de média apu­ra­da no Bra­sil e o desen­ro­lar da safra nos Esta­dos Uni­dos mere­cem atenção.

Queda na produção brasileira de caroço de algodão em 2021 

A pro­du­ção bra­si­lei­ra de caro­ço de algo­dão está esti­ma­da em 3,41 milhões de tone­la­das no ciclo atu­al (2020/21), segun­do dados do rela­tó­rio de junho, da Com­pa­nhia Naci­o­nal de Abas­te­ci­men­to (Conab). O volu­me foi revi­sa­do em 4% para bai­xo em rela­ção à expec­ta­ti­va ante­ri­or para a tem­po­ra­da atu­al e, na com­pa­ra­ção com a safra pas­sa­da (2019/20), a pro­je­ção é de que­da de 21,9% no volu­me pro­du­zi­do nes­te ano, o equi­va­len­te a 957,5 mil tone­la­das a menos de caroço.

A menor pro­du­ção é devi­da à redu­ção na área plan­ta­da com algo­dão, que per­deu espa­ço para o milho na segun­da safra, além dos recu­os na pro­du­ti­vi­da­de média no ciclo atu­al, em fun­ção do cli­ma mais adverso. 

A área seme­a­da com a cul­tu­ra dimi­nuiu 17,9% em 2020/21, em rela­ção a 2019/20, e o ren­di­men­to médio deve­rá ser 4,8% menor na tem­po­ra­da atu­al. A colhei­ta do algo­dão está na fase ini­ci­al no Bra­sil e deve­rá ganhar for­ça mais para o fim de junho, come­ço de julho. Os pre­ços do caro­ço de algo­dão estão em alta no mer­ca­do bra­si­lei­ro, dian­te da bai­xa dis­po­ni­bi­li­da­de nes­te momen­to e da boa procura.

Segun­do levan­ta­men­to da Scot Con­sul­to­ria, em São Pau­lo, o pre­ço médio, em junho, ficou em R$ 2.175,00 por tone­la­da, sem o fre­te. Na com­pa­ra­ção com maio últi­mo, o aumen­to foi de 16% e, em rela­ção a junho de 2020, os pre­ços subi­ram 171,9% nes­te ano. Com o avan­ço da colhei­ta do algo­dão de segun­da safra no Bra­sil em julho e agos­to, a mai­or ofer­ta de caro­ço de algo­dão ten­de a dimi­nuir o viés de alta sobre os pre­ços daqui para a frente.

Polpa cítrica: preços firmes no mercado interno

Os pre­ços da pol­pa cítri­ca subi­ram no mer­ca­do bra­si­lei­ro em junho, em fun­ção da bai­xa ofer­ta do insu­mo nes­te iní­cio de safra de citros e da boa deman­da pelo insu­mo, com o intui­to de subs­ti­tuir o milho na die­ta de rumi­nan­tes. Segun­do levan­ta­men­to da Scot Con­sul­to­ria, em São Pau­lo, o pre­ço médio da pol­pa cítri­ca pele­ti­za­da ficou em R$ 1.561,00 por tone­la­da, sem o fre­te. Hou­ve alta de 3% na com­pa­ra­ção men­sal e, em rela­ção a junho de 2020, o insu­mo está cus­tan­do 100,9% mais nes­te ano. 

Para o cur­to pra­zo, com as que­das nos pre­ços do milho no mer­ca­do inter­no e o aumen­to gra­du­al da ofer­ta de pol­pa cítri­ca no País, com a safra de citros ganhan­do for­ça, a expec­ta­ti­va é de que o movi­men­to de alta per­ca for­ça e que­das nos pre­ços da pol­pa cítri­ca não estão descartadas.

Entregas de adubos crescem no país 

A Asso­ci­a­ção Naci­o­nal para Difu­são de Adu­bos (Anda) divul­gou recen­te­men­te os dados de entre­gas de fer­ti­li­zan­tes no Bra­sil refe­ren­tes a janei­ro de 2021. Naque­la opor­tu­ni­da­de, foram entre­gues 3,4 milhões de tone­la­das de adu­bos. O volu­me aumen­tou 11,5% em rela­ção a janei­ro de 2020 e foi o mai­or para o mês de janei­ro, des­de o iní­cio da série his­tó­ri­ca. Os pre­ços das com­mo­di­ti­es agrí­co­las em alta, o uso de tec­no­lo­gi­as e a expan­são da agri­cul­tu­ra têm puxa­do a deman­da inter­na por fer­ti­li­zan­tes nos últi­mos anos. Lem­bran­do que, em 2020, o volu­me entre­gue ao con­su­mi­dor final no Bra­sil foi de 40,56 milhões de tone­la­das, um recor­de. Para 2021, a Scot Con­sul­to­ria esti­ma um volu­me entre­gue entre 41 milhões e 41,5 milhões de tone­la­das de adu­bos no País.

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