Minas Gerais unifica ATeG e Balde Cheio - Digital Balde Branco
revista-balde-branco-ateg-01-ed676

Nos dois primeiros anos sob a orientação do técnico do programa, o produtor pode incrementar significativamente a atividade leiteira

ASSISTÊNCIA EM MG

Minas gerais unifica

ATeG e Balde Cheio

O objetivo do Sistema Faemg/Senar-MG/Inaes é fortalecer e ampliar esses dois importantes programas de assistência técnica aos pequenos produtores 

João Antônio dos Santos

Com uma gran­de con­tri­bui­ção no desen­vol­vi­men­to da pecuá­ria lei­tei­ra minei­ra, dois pro­gra­mas de assis­tên­cia téc­ni­ca pre­sen­tes em todos as regiões do Esta­do, uni­dos, ganham mais robus­tez na assis­tên­cia téc­ni­ca e geren­ci­al para a pro­du­ção de lei­te. Com essa ini­ci­a­ti­va, o Pro­gra­ma Bal­de Cheio e o Pro­gra­ma de Assis­tên­cia Téc­ni­ca e Geren­ci­al (ATeG Lei­te), uni­fi­ca­dos, pas­sam a se cha­mar ATeG Bal­de Cheio, com a meta de fechar 2021 com a par­ti­ci­pa­ção de mais mil pro­du­to­res aten­di­dos, tota­li­zan­do mais de 5 mil bene­fi­ci­a­dos pelo programa.

O supe­rin­ten­den­te do Senar Minas, Chris­ti­a­no Nas­cif, des­ta­ca que, a par­tir de ago­ra, todos esses pro­du­to­res ganham com a soli­dez da meto­do­lo­gia do Senar e com mais capa­ci­da­de téc­ni­ca na pon­ta, gra­ças à expe­ri­ên­cia do Bal­de Cheio. Ou seja, a união traz pro­du­ti­vi­da­de e lucro para os peque­nos pro­du­to­res. A coor­de­na­ção do ATeG Bal­de Cheio está a car­go da Gerên­cia de Assis­tên­cia Téc­ni­ca e Geren­ci­al do Sis­te­ma Faemg/Senar/Inaes. De acor­do com o geren­te, Bru­no Rocha de Melo, foi fei­to um cro­no­gra­ma inten­so de capa­ci­ta­ção para téc­ni­cos e super­vi­so­res, abran­gen­do todas as com­pe­tên­ci­as téc­ni­cas e geren­ci­ais dese­ja­das para esses profissionais. 

Ele expli­ca que o pro­du­tor, que já era assis­ti­do pelo Pro­gra­ma Bal­de Cheio, con­ti­nu­a­rá con­tan­do com a reta­guar­da do ATeG Bal­de Cheio, de for­ma que seu téc­ni­co este­ja sem­pre atu­a­li­za­do e apto à pres­ta­ção do ser­vi­ço. “Já os novos pro­du­to­res que ingres­sa­rem no pro­gra­ma se bene­fi­ci­a­rão com novas abor­da­gens e tec­no­lo­gi­as, com melho­res resul­ta­dos e mai­or poten­ci­al de lucro na sua ati­vi­da­de pro­du­ti­va. Todos sai­rão ganhan­do ao final”, enfatiza.

As equi­pes já estão tra­ba­lhan­do jun­tas des­de o come­ço do ano, sen­do capa­ci­ta­das para o nive­la­men­to dos pro­ce­di­men­tos e para atu­ar sob a mes­ma meto­do­lo­gia. Os Sin­di­ca­tos de Pro­du­to­res Rurais seguem como enti­da­des de refe­rên­cia para pro­du­to­res que dese­jam ingres­sar no Pro­gra­ma ATeG Bal­de Cheio.

Christiano Nascif: “Essa união dos programas significa aumento da produção, da produtividade, da qualidade e da rentabilidade para o produtor de leite de Minas Gerais”

Segun­do aná­li­se de Nas­cif, a pro­je­ção para o ano de 2030 é um aumen­to de 30% no con­su­mo bra­si­lei­ro de lei­te e deri­va­dos em rela­ção ao atu­al. Ele faz ques­tão de fri­sar que um pro­gra­ma de assis­tên­cia téc­ni­ca e geren­ci­al robus­to, con­sis­ten­te e de alta capi­la­ri­da­de como o ATeG Bal­de Cheio, “será de fun­da­men­tal impor­tân­cia para aten­der a esta deman­da. Sig­ni­fi­ca aumen­to da pro­du­ção, da pro­du­ti­vi­da­de, da qua­li­da­de e da ren­ta­bi­li­da­de para o pro­du­tor de lei­te de Minas Gerais”.

Assim, apro­vei­tan­do a expe­ri­ên­cia do Bal­de Cheio com a meto­do­lo­gia usa­da pelo ATeG, mais a expe­ri­ên­cia e capi­la­ri­da­de do Senar, essa inte­gra­ção AeTG Bal­de Cheio vai ampli­ar sig­ni­fi­ca­ti­va­men­te a capa­ci­da­de de aten­di­men­to e melho­rar a capa­ci­da­de de assis­tên­cia téc­ni­ca dife­ren­ci­a­da a todos os rin­cões do Esta­do. “E, ain­da, o que é mais impor­tan­te, todas as infor­ma­ções téc­ni­cas e econô­mi­cas serão cole­ta­das, cal­cu­la­das e ana­li­sa­das, todas sob a mes­ma óti­ca e meto­do­lo­gia”, res­sal­ta Nascif.

Ao fim des­te ano, a meta é aten­der 5 mil pro­du­to­res de lei­te sob a mes­ma meto­do­lo­gia. “E esse amplo ban­co de dados des­sas pro­pri­e­da­des será mui­to útil para o pla­ne­ja­men­to do Sis­te­ma Faemg em sua abor­da­gem aos pro­du­to­res de lei­te e, por que não, ser­vi­rá de sub­sí­dio a polí­ti­cas públi­cas da Secre­ta­ria de Agri­cul­tu­ra de Minas Gerais”, observa.

O programa foca prioritariamente as pequenas propriedades leiteiras

Aces­so do pro­du­tor ao pro­gra­ma – Os pro­du­to­res que dese­jam se inte­grar ao pro­gra­ma devem pro­cu­rar o Sin­di­ca­to dos Pro­du­to­res Rurais de sua cida­de, que é a por­ta de entra­da para o pro­gra­ma ATeG Bal­de Cheio. “O sin­di­ca­to é o bra­ço do Sis­te­ma Faemg no inte­ri­or do Esta­do, via­bi­li­zan­do que os pro­du­to­res de todos os seg­men­tos do agro par­ti­ci­pem dos pro­gra­mas da entidade.” 

O Pro­gra­ma ATeG é uma meto­do­lo­gia desen­vol­vi­da pelo Senar, dis­po­ní­vel em todos os Esta­dos do País. A par­tir 2016, o Senar-MG ado­tou essa meto­do­lo­gia para gru­pos de pro­du­to­res de café. Hoje, aten­de a 10 mil pro­du­to­res rurais minei­ros, em dez cadei­as pro­du­ti­vas. A meta da enti­da­de é ter­mi­nar 2021 com 13 mil pro­du­to­res na ATeG com aumen­to expres­si­vo, par­ti­cu­lar­men­te, na cadeia do lei­te, que é a mais impor­tan­te do Esta­do, jun­ta­men­te com a do café. 

Con­for­me res­sal­ta o supe­rin­ten­den­te do Senar Minas, o Bal­de Cheio já vinha fazen­do um exce­len­te tra­ba­lho para­le­lo há mui­to tem­po. Então, os 2 mil pro­du­to­res do Bal­de Cheio serão auto­ma­ti­ca­men­te incor­po­ra­dos ao ATeG. “Na base des­sa meto­do­lo­gia do ATeG Bal­de Cheio está o lema, que apren­di com o nos­so ines­que­cí­vel mes­tre Sebas­tião Tei­xei­ra Gomes, da Uni­ver­si­da­de Fede­ral de Viço­sa: ‘Aumen­tar a pro­du­ção e pro­du­ti­vi­da­de é rela­ti­va­men­te fácil, mas fazer com que o pro­du­tor ganhe dinhei­ro, de for­ma sus­ten­tá­vel, é extre­ma­men­te difícil.”

Ele des­ta­ca ain­da que esse lema sig­ni­fi­ca que o pro­gra­ma foca sem­pre na pes­soa do pro­du­tor, não ape­nas no ani­mal nem na plan­ta­ção, entre outros, que são o meio, enquan­to o fim é o pro­du­tor ganhar mais dinhei­ro e viver melhor, com mais ale­gria, com mais dig­ni­da­de, mais con­for­to e fazen­do uma suces­são familiar.

 

Cus­to para o pro­du­tor – O pro­du­tor não paga nada por dois anos, perío­do sufi­ci­en­te para ele expe­ri­men­tar a assis­tên­cia téc­ni­ca e geren­ci­al de qua­li­da­de e cons­ta­tar seus efei­tos em sua ati­vi­da­de. Fin­do esse perío­do, o Senar-MG faz uma ava­li­a­ção se o pro­du­tor mere­ce con­ti­nu­ar com a assis­tên­cia e tam­bém se o téc­ni­co tem con­di­ções de con­ti­nu­ar aten­den­do pro­du­to­res. Tam­bém é fei­ta uma sele­ção men­sal, mas, ao fim de dois anos, quan­do se encer­ra o pri­mei­ro ciclo, com base no desem­pe­nho, sele­ci­o­nam-se pro­du­to­res e téc­ni­cos que podem con­ti­nu­ar o segun­do ciclo da ATeG.

INVESTIMENTO INTENSO EM CAPACITAÇÃO DE TÉCNICOS PARA LEVAR O MELHOR EM ASSISTÊNCIA TÉCNICA E GERENCIAL PARA OS PEQUENOS PRODUTORES

Apro­va­da sua con­ti­nui­da­de no pro­gra­ma, o pro­du­tor pas­sa a pagar a meta­de do cus­to da assis­tên­cia. “Vale fri­sar que ATeG Bal­de Cheio é, prin­ci­pal­men­te, para os peque­nos pro­du­to­res, e tal­vez médi­os, e pro­du­to­res que não tive­ram aces­so a outro pro­gra­ma de assis­tên­cia téc­ni­ca e geren­ci­al. Ficam de fora os gran­des pro­du­to­res”, expli­ca Nascif. 

O Senar-MG, o mai­or do País, aten­de 420 Sin­di­ca­tos Rurais pre­sen­tes em todos o rin­cões do Esta­do, sen­do que, em 2020, 742 muni­cí­pi­os con­ta­ram com a atu­a­ção dire­ta enti­da­de. Foi o Senar que mais ensi­nou pro­du­to­res rurais e pro­mo­veu assis­tên­cia téc­ni­ca e geren­ci­al em todas as cadei­as do agro minei­ro. Mes­mo duran­te a pan­de­mia, con­ti­nu­ou atuando. 

É inte­res­san­te obser­var que foi dada a opção aos téc­ni­cos e pro­du­to­res de aten­di­men­to da ATeG por meio vir­tu­al, mas a gran­de mai­o­ria deles, mais de 90%, pre­fe­riu a visi­ta men­sal do téc­ni­co à sua pro­pri­e­da­de. E assim fei­to, com todos os cui­da­dos de pro­te­ção con­tra o covid-19 (más­ca­ra, álco­ol em gel, dis­tan­ci­a­men­to soci­al), o pro­je­to con­se­guiu rea­li­zar em tor­no de 13 mil trei­na­men­tos em 2020.

 

Téc­ni­cos – O pro­gra­ma con­ta com 300 téc­ni­cos e seus super­vi­so­res (zoo­tec­nis­tas, agrô­no­mos ou vete­ri­ná­ri­os) para a ori­en­ta­ção dos pro­du­to­res de lei­te. Um téc­ni­co aten­de 30 peque­nos pro­du­to­res e cada super­vi­sor super­vi­si­o­na 15 téc­ni­cos. Todos eles são ter­cei­ri­za­dos, como pes­so­as jurí­di­cas. E há os coor­de­na­do­res de cada cadeia, que são con­tra­ta­dos pelo Senar-MG, e, aci­ma deles, está o geren­te de assis­tên­cia téc­ni­ca e geren­ci­al, que cui­da da ATeG de cada cadeia pro­du­ti­va no Estado.

O pro­gra­ma, além de cui­dar da ges­tão da pro­pri­e­da­de, da par­te econô­mi­co-finan­cei­ra e téc­ni­ca, tem um foco espe­ci­al na valo­ri­za­ção da pes­soa do pro­du­tor, a sua famí­lia, bem como o tra­ba­lha­dor rural. “Assim, há uma pri­o­ri­da­de no Senar para que seus cur­sos sejam ofe­re­ci­dos aos pro­du­to­res e tra­ba­lha­do­res par­ti­ci­pan­tes do pro­gra­ma ATeG. “Este é o nos­so gran­de dife­ren­ci­al, pois ali­a­mos o trei­na­men­to e a capa­ci­ta­ção den­tro do gru­po de pro­du­to­res, evi­tan­do fazer esse tra­ba­lho de for­ma pul­ve­ri­za­da. Garan­te-se, assim, uma con­ti­nui­da­de des­sa capa­ci­ta­ção nas visi­tas téc­ni­cas dos con­sul­to­res às pro­pri­e­da­des”, assi­na­la Nascif. 

Ele apon­ta ain­da outro dife­ren­ci­al impor­tan­te: dar pri­o­ri­da­de, den­tro da ATeG, à ques­tão da suces­são fami­li­ar. Para isso há o pro­gra­ma de suces­são fami­li­ar em todos os gru­pos, “com a fina­li­da­de de ir pre­pa­ran­do para que haja suces­sor e não herdeiro”. 

Depois de cumprir o primeiro ciclo do programa, sem pagar nada, o produtor é avaliado se está apto para continuar, agora pagando 50% do custo da assistência técnica

Sus­ten­ta­bi­li­da­de – No pro­gra­ma ATeG Bal­de Cheio, vale des­ta­car tam­bém a pre­o­cu­pa­ção com a sus­ten­ta­bi­li­da­de, a come­çar com os cui­da­dos com a água. O pro­gra­ma tem esti­mu­la­do a ins­ta­la­ção de hidrô­me­tros nas pro­pri­e­da­des rurais para come­çar a quan­ti­fi­car o pas­si­vo da água no meio rural. Outro pon­to impor­tan­te diz res­pei­to à pega­da de car­bo­no, visan­do dimi­nuir a pro­du­ção de car­bo­no como poluente.

Isso por­que a exi­gên­cia pela sus­ten­ta­bi­li­da­de é uma for­te ten­dên­cia na soci­e­da­de, sobre­tu­do na pro­du­ção lei­tei­ra, e tem leva­do às indús­tri­as lác­te­as a pre­o­cu­pa­ção de desen­vol­ve­rem, jun­to aos for­ne­ce­do­res da maté­ria-pri­ma, a cons­ci­ên­cia sobre a impor­tân­cia des­sas ques­tões. “Além dis­so, para que os peque­nos pro­du­to­res fami­li­a­res não fiquem à mar­gem dos pro­ces­sos de moder­ni­za­ção da pecuá­ria lei­tei­ra, eles rece­bem do pro­gra­ma infor­ma­ções e ori­en­ta­ção sobre diver­sas tec­no­lo­gi­as ante­ri­or­men­te aces­sí­veis ape­nas a médi­os e gran­des pro­du­to­res”, nota Nascif.

Isso, expli­ca, por­que o obje­ti­vo da ATeG é tra­zer aque­les pro­du­to­res das clas­ses D e E para a clas­se C, o que sig­ni­fi­ca ele atin­gir um pata­mar supe­ri­or na bus­ca da pro­fis­si­o­na­li­za­ção da pro­du­ção lei­tei­ra. A par­tir daí, se ele qui­ser con­ti­nu­ar cres­cen­do, terá de bus­car novas ori­en­ta­ções téc­ni­cas e pro­gra­mas de con­sul­to­ria par­ti­cu­la­res. “O obje­ti­vo do Senar-MG é aten­der a esse per­fil de peque­no pro­du­tor que está num pata­mar bai­xo da ati­vi­da­de e que dese­ja evo­luir. Na rea­li­da­de, essa situ­a­ção repre­sen­ta a gran­de mai­o­ria do pro­du­tor de lei­te do Brasil.” 

E tudo, res­sal­va Nas­cif, com a visão de cadeia e arran­jo pro­du­ti­vo local. Assim, nos trei­na­men­tos da ATeG, tam­bém são dis­cu­ti­das ques­tões polí­ti­cas, de infra­es­tru­tu­ra, empre­en­de­do­ris­mo e outras, para que tam­bém se for­mem líde­res para defen­der a clas­se pro­du­to­ra de lei­te, no caso, para par­ti­ci­pa­rem dos sin­di­ca­tos de for­ma ati­va, para ter voz fren­te às empre­sas e pre­fei­tu­ras e ter repre­sen­tan­tes no muni­cí­pio. “Tudo come­ça no sin­di­ca­to dos pro­du­to­res rurais, que é a ins­tân­cia mais repre­sen­ta­ti­va des­sa clas­se e fun­da­men­tal para os avan­ços na defe­sa de seus inte­res­ses. Ou seja, é base ini­ci­al da orga­ni­za­ção para o for­ta­le­ci­men­to dos produtores.”

Rolar para cima