Mitos e verdades: a gordura do leite é prejudicial? - Digital Balde Branco

Vári­os são os estu­dos e as aná­li­ses cien­tí­fi­cas a res­pei­to das gor­du­ras pre­sen­tes nos pro­du­tos lác­te­os, porém atu­al­men­te mui­tos estu­dos mos­tram que não há evi­dên­ci­as con­sis­ten­tes entre o con­su­mo de lei­te e deri­va­dos (com qual­quer teor de gor­du­ra) e o ris­co de doen­ças car­di­o­vas­cu­la­res, por exem­plo. A nutri­ci­o­nis­ta Ana Pau­la Del’Arco apon­ta os mitos e ver­da­des sobre a gor­du­ra láctea.

Lei­te só tem gordura
Mito: O lei­te é um ali­men­to com alta den­si­da­de nutri­ci­o­nal, onde em cada ml de lei­te há uma quan­ti­da­de mai­or de nutri­en­tes do que calo­ri­as. Os lác­te­os são as prin­ci­pais fon­tes de cál­cio da ali­men­ta­ção, além de apre­sen­ta­rem boas quan­ti­da­des de pro­teí­nas de alta qua­li­da­de, vita­mi­na D, vita­mi­nas do com­ple­xo B, vita­mi­na A, fós­fo­ro, potás­sio e mag­né­sio, que não serão com­pen­sa­dos, na mai­o­ria das vezes, com o con­su­mo de outros alimentos.

Gor­du­ras lác­te­as são pre­ju­di­ci­ais à saúde
Mito: O con­su­mo das gor­du­ras do lei­te não é capaz, por si só, de pre­ju­di­car a saú­de, dife­ren­te do que acon­te­ce quan­do a qua­li­da­de do res­tan­te da die­ta é cons­tan­te­men­te ina­de­qua­da. O mais impor­tan­te é o equi­lí­brio e o balan­ço da die­ta como um todo.

Então os pro­du­tos lác­te­os con­tri­bu­em para a saúde?
Ver­da­de: Os lác­te­os con­têm peque­nas quan­ti­da­des de gor­du­ras trans (Áci­do Lino­lei­co Con­ju­ga­do — CLA), que são natu­ral­men­te pro­du­zi­das no pro­ces­so de diges­tão das vacas (dos rumi­nan­tes), um tipo que tem ganha­do des­ta­que por estar asso­ci­a­do a uma série de bene­fí­ci­os à saú­de. O CLA pode atu­ar na pre­ven­ção de doen­ças car­di­o­vas­cu­la­res, devi­do ao seu efei­to anti­a­te­ros­cle­ró­ti­co, ou seja, impe­din­do a depo­si­ção de gor­du­ra nos vasos san­guí­ne­os, pois é capaz de redu­zir a pro­du­ção de coles­te­rol, prin­ci­pal­men­te o coles­te­rol ruim (LDL), de tri­gli­cé­ri­des (gor­du­ra pre­sen­te no san­gue) e da pres­são arte­ri­al, além de aumen­tar a pro­du­ção de coles­te­rol bom (HDL). Além dis­so, o con­su­mo de lác­te­os com gor­du­ra con­tri­bui para uma die­ta rica em áci­do olei­co (áci­do gra­xo monoin­sa­tu­ra­do pre­sen­te em quan­ti­da­des con­si­de­rá­veis na gor­du­ra lác­tea), o que pode estar asso­ci­a­da à redu­ção dos níveis de coles­te­rol total, LDL-coles­te­rol e triglicerídeos.

A gor­du­ra de pro­du­tos lác­te­os aumen­ta o colesterol
Mito: Estu­dos con­sis­ten­tes demons­tra­ram que as gor­du­ras dos lác­te­os não alte­ram os níveis de gor­du­ras e coles­te­rol no san­gue, não ofe­re­cen­do ris­cos para a saú­de do cora­ção. Ape­sar de a mai­or par­te das gor­du­ras pre­sen­tes no lei­te e em seus deri­va­dos serem satu­ra­das, estu­dos e revi­sões bibli­o­grá­fi­cas recen­tes não encon­tra­ram rela­ção entre seu con­su­mo e o aumen­to do coles­te­rol no sangue.

Pro­du­tos lác­te­os são reco­men­da­dos em uma die­ta equilibrada
Ver­da­de: As gor­du­ras pre­sen­tes no lei­te favo­re­cem o aumen­to da sen­sa­ção de saci­e­da­de, pois aumen­tam o tem­po de diges­tão dos ali­men­tos, o que per­mi­te com que o cére­bro enten­da os sinais de saci­e­da­de com mais cla­re­za e pro­mo­va a libe­ra­ção dos hormô­ni­os res­pon­sá­veis pelo con­tro­le da inges­tão de ali­men­tos, poden­do aju­dar no con­tro­le do peso cor­po­ral quan­do não con­su­mi­das em excesso.

Die­ta rica em gor­du­ra satu­ra­da faz mal
Mito: O con­su­mo de lác­te­os com gor­du­ra con­tri­bui para uma die­ta rica em áci­do olei­co (áci­do gra­xo monoin­sa­tu­ra­do pre­sen­te em quan­ti­da­des con­si­de­rá­veis na gor­du­ra lác­tea), o que está asso­ci­a­da à redu­ção dos níveis de coles­te­rol total, LDL-coles­te­rol e tri­gli­ce­rí­de­os e o aumen­to do HDL-coles­te­rol, pro­te­gen­do, assim, a saú­de do cora­ção. O áci­do esteá­ri­co é a prin­ci­pal gor­du­ra satu­ra­da encon­tra­da no lei­te, um tipo que apre­sen­ta um efei­to neu­tro sobre o aumen­to dos ris­cos para as doen­ças do cora­ção, pois, quan­do con­su­mi­do pode ser con­ver­ti­do em áci­do olei­co. Publi­ca­do em 2012 no Bri­tish Jour­nal of Nutri­ti­on, estu­do reve­la que, quan­to mai­or o con­su­mo médio de gor­du­ra satu­ra­da em paí­ses euro­peus (41 paí­ses ana­li­sa­dos), menor é o ris­co de mor­ta­li­da­de por doen­ças cardíacas.

Quei­jo engorda
Mito: Den­tro de uma ali­men­ta­ção balan­ce­a­da, o con­su­mo de um tipo de ali­men­to sozi­nho não é capaz de pro­mo­ver a per­da ou o ganho de peso, dife­ren­te do que acon­te­ce quan­do a qua­li­da­de do res­tan­te da die­ta é ina­de­qua­da ou as quan­ti­da­des são exces­si­vas. O que deter­mi­na o ganho de peso é um balan­ço ener­gé­ti­co ina­de­qua­do, ou seja, quan­do há o con­su­mo exces­si­vo de calo­ri­as em lon­go pra­zo com um  gas­to insu­fi­ci­en­te de ener­gia pelo cor­po, o que acon­te­ce quan­do a pra­ti­ca de ati­vi­da­de físi­ca é insuficiente.

Há dife­ren­ça de gor­du­ra entre os queijos
Ver­da­de: Alguns tipos de quei­jo têm um con­teú­do de gor­du­ras mais ele­va­do que outros, como no caso do roque­fort ou gor­gon­zo­la, quan­do com­pa­ra­do a ver­sões mais magras como a rico­ta, por exem­plo. Por isso é impor­tan­te ter moderação.

Iogur­te aju­da a emagrecer
Ver­da­de: Sabe-se que, como os outros lác­te­os, o iogur­te con­tém um alto teor de pro­teí­nas, que aumen­tam a sen­sa­ção de saci­e­da­de, con­tri­buin­do, assim, com a dimi­nui­ção da inges­tão de ali­men­tos ao lon­go do dia. Isso por­que as pro­teí­nas pre­sen­tes nes­ses pro­du­tos são capa­zes de aumen­tar as con­cen­tra­ções san­guí­ne­as de hormô­ni­os (Cole­cis­to­qui­ni­na, GLP‑1) res­pon­sá­veis por esse processo.

Tex­to pro­du­zi­do pela área de comu­ni­ca­ção da Viva Lácteos

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