O leite do futuro - Digital Balde Branco
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Fazenda 4.0, da Embrapa Gado de Leite, vitrine de inovações, pesquisas e fonte de conhecimentos para produtores (na inauguração do compost barn)

LEITE 4.0

O leite do futuro

Conectado, aberto a inovações, sustentável e biosseguro

É por aí que tem de seguir o produtor de leite – pequeno, médio e grande – para ser profissional e garantir produtividade, qualidade e rentabilidade 

Iuri Fontana e Giordanna Neves

Da máqui­na a vapor, pas­san­do pelos moto­res de com­bus­tão, ele­tri­ci­da­de, auto­ma­ção, para final­men­te che­gar à revo­lu­ção digi­tal. Este foi o cami­nho per­cor­ri­do pela indús­tria ao lon­go dos últi­mos sécu­los até a super­no­va, bada­la­da e, aci­ma de tudo, conec­ta­da revo­lu­ção 4.0, que se encon­tra em cur­so bem dian­te dos nos­sos olhos. A onda tec­no­ló­gi­ca revo­lu­ci­o­ná­ria que inva­de par­ques indus­tri­ais, trans­for­man­do a pro­du­ção por meio da inter­net das coi­sas (IoT), nano­tec­no­lo­gia, com­pu­ta­ção em nuvem e uma série de outros recur­sos, che­ga tam­bém ao cam­po com um gran­de dife­ren­ci­al: a pre­o­cu­pa­ção com o futu­ro do planeta.

É sob essa pers­pec­ti­va que nas­ce con­cei­tu­al­men­te a Fazen­da 4.0 da Embra­pa Gado de Lei­te. Apoi­a­da em uma série de ino­va­ções tec­no­ló­gi­cas, a enti­da­de avan­ça sobre uma nova fron­tei­ra da pes­qui­sa cien­tí­fi­ca da cadeia pro­du­ti­va do lei­te, com olhos apon­ta­dos para o futu­ro, mas com os pés no chão do pre­sen­te, mais espe­ci­fi­ca­men­te no solo do seu cam­po expe­ri­men­tal, loca­li­za­do em Coro­nel Pache­co (MG), onde a revo­lu­ção 4.0 do cam­po já está em curso.

Um dos cená­ri­os cri­a­dos pela Embra­pa nes­te com­ple­xo é o da pes­qui­sa com a Inter­net das Coi­sas (IoT), que pos­si­bi­li­ta que os mais vari­a­dos obje­tos se conec­tem à inter­net e inte­ra­jam entre si. No Cam­po Expe­ri­men­tal, as vacas estão conec­ta­das. Gra­ças a sen­so­res e cola­res que comu­ni­cam dados do ani­mal em tem­po real, os pes­qui­sa­do­res da Embra­pa, das empre­sas e das uni­ver­si­da­des têm a pos­si­bi­li­da­de de con­tro­lar, com mai­or pre­ci­são, por exem­plo, se uma vaca está entran­do no cio ou ini­ci­an­do um pro­ces­so inflamatório.

Todas essas infor­ma­ções são arma­ze­na­das em um ban­co de dados e são desen­vol­vi­dos algo­rit­mos capa­zes de iden­ti­fi­car vari­a­ções nos padrões com­por­ta­men­tais e de pro­du­ção dos ani­mais, como expli­ca o che­fe-adjun­to de trans­fe­rên­cia de tec­no­lo­gia da Embra­pa, Bru­no Car­va­lho. “Quan­do há uma mudan­ça de com­por­ta­men­to, são gera­dos aler­tas auto­má­ti­cos que indi­cam ao pro­du­tor que deter­mi­na­do ani­mal está fora do padrão. Esse aler­ta pode ser no sen­ti­do de avi­sar, por exem­plo, que a vaca X está com uma mudan­ça de ati­vi­da­de, está com uma rumi­na­ção menor e ela pode estar doen­te. E, assim, gera uma toma­da de deci­são pelo produtor.”

Esse cená­rio pro­mo­ve a oti­mi­za­ção de tem­po, pois per­mi­te ao pro­du­tor focar dire­to no ani­mal que está com pro­ble­mas, em vez de ficar pre­o­cu­pa­do em olhar todo o reba­nho para iden­ti­fi­car qual apre­sen­ta um com­por­ta­men­to pas­sí­vel de intervenção.

Info­vi­as de cabos de fibra óti­ca – Esse alto grau de conec­ti­vi­da­de só é pos­sí­vel por cau­sa de um ingre­di­en­te impres­cin­dí­vel: uma inter­net de alta velo­ci­da­de. No cam­po expe­ri­men­tal em Coro­nel Pache­co, a solu­ção encon­tra­da foi a cri­a­ção da Milk Ways, que con­sis­te em qua­tro info­vi­as de cabos de fibra óti­ca – um total de 9 km de fios. Os sinais se difun­dem nas áre­as de expe­ri­men­tos por meio de ante­nas de wire­less, cri­am uma outra dimen­são para os pro­je­tos de pes­qui­sa em dife­ren­tes par­tes dos cer­ca de mil hec­ta­res que com­põem a pro­pri­e­da­de. Os estu­dos apoi­a­dos por IoT avan­çam em Coro­nel Pache­co, com os pes­qui­sa­do­res pre­o­cu­pa­dos tam­bém em des­co­brir solu­ções viá­veis para imple­men­ta­ção de inter­net de alta velo­ci­da­de no res­tan­te do meio rural bra­si­lei­ro, que enfren­ta uma série de limitações.

 

Bruno Carvalho: “Com estudos apoiados por IoT, nossos pesquisadores preocupam-se também em descobrir soluções viáveis para implementação de internet de alta velocidade no restante do meio rural brasileiro”

Vacas no compost barn, com controle do vento, tendo no pescoço colar com sensor, que monitora seu comportamento e movimentos

“Hoje, basi­ca­men­te, os pro­du­to­res usam a rede de celu­lar para aces­so à inter­net. Ain­da não há uma dis­se­mi­na­ção ampla do 4G – ape­sar de já estar­mos aguar­dan­do a che­ga­da do 5G. Por isso, pre­ci­sa­mos aumen­tar a conec­ti­vi­da­de do cam­po para ampli­ar o uso da IoT para gerar fer­ra­men­tas e solu­ções para o pro­du­tor do lei­te, além, cla­ro, de usar­mos o que já é ofer­ta­do pelo mer­ca­do. A base da Fazen­da 4.0 é a garan­tia de aces­so à inter­net de alta velo­ci­da­de e com uma cober­tu­ra espa­ci­al, em diver­sos pon­tos da pro­pri­e­da­de, com ante­nas de mais lon­go alcan­ce”, escla­re­ce Bru­no Carvalho.

A Fazenda 4.0, alicerçada em inovações tecnológicas, estabelece uma nova fronteira da pesquisa científica da cadeia produtiva do leite, com os olhos mirando o futuro, mas com os pés no chão do presente – no campo experimental, em Coronel Pacheco

O leite do futuro e o futuro do planeta

Não há como pen­sar no lei­te do futu­ro sem antes pen­sar no futu­ro do pla­ne­ta. O prin­ci­pal labo­ra­tó­rio apli­ca­dor des­sa máxi­ma no cam­po expe­ri­men­tal da Embra­pa é o úni­co com­post barn ins­ta­la­do em ambi­en­te de pes­qui­sa do País. Essa é uma tec­no­lo­gia que visa aumen­tar o bem-estar dos ani­mais, colo­can­do-os em um gran­de gal­pão, onde há um con­tro­le do ven­to e, con­se­quen­te­men­te, uma redu­ção de tem­pe­ra­tu­ra, já que o calor em exces­so cau­sa estres­se, afe­tan­do dire­ta­men­te a pro­du­ção do lei­te. Com o con­tro­le dos termô­me­tros e da umi­da­de, o gado ganha a pos­si­bi­li­da­de de pro­du­zir em mai­or esca­la, o que refle­te dire­ta­men­te na recei­ta do produtor.

Entre­tan­to, o com­post guar­da con­si­go um item ele­va­do de cus­to: para fazer todo o pro­ces­so de manu­ten­ção do ambi­en­te há um con­su­mo ele­va­do de ener­gia devi­do aos gran­des ven­ti­la­do­res ins­ta­la­dos. Os impac­tos não apa­re­cem ape­nas no bol­so de quem pro­duz, mas tam­bém no meio ambi­en­te. E foi pen­san­do nes­ta con­jun­tu­ra que a Embra­pa, em par­ce­ria com a I.S Bra­sil – empre­sa espe­ci­a­li­za­da em ener­gia solar –, acei­tou o desa­fio de bus­car tor­nar o com­post sus­ten­tá­vel, com ener­gia 100% lim­pa, com o uso de pla­cas foto­vol­tai­cas. O pro­je­to, ini­ci­a­do em 2020, foi fina­li­za­do no mês pas­sa­do, com a ins­ta­la­ção de um kit solar no telha­do e no chão em sis­te­ma On-Grid (conec­ta­do à rede da con­ces­si­o­ná­ria) e de outro kit gera­dor do tipo usi­na híbri­da, que tra­ba­lha em con­jun­to com outro sis­te­ma de gera­ção elé­tri­ca, um aerogerador.

Samuel Oliveira: “A energia solar no compost barn demonstra aos produtores que é possível ter sistemas de produção com menor impacto ambiental, com redução de custos, e onde as pessoas podem aprender como funciona essa geração de energia”

De acor­do com o pes­qui­sa­dor em Eco­no­mia da Embra­pa, Samu­el Oli­vei­ra, há uma pres­são mui­to gran­de para que a matriz ener­gé­ti­ca tra­di­ci­o­nal (hidre­lé­tri­cas) seja muda­da na pro­du­ção lei­tei­ra, ten­do em vis­ta os pro­ble­mas de aten­di­men­to da deman­da de ener­gia no País. “As hidre­lé­tri­cas não estão con­se­guin­do aten­der exa­ta­men­te à deman­da de ener­gia no Bra­sil, geran­do as ban­dei­ras tari­fá­ri­as ver­me­lhas. Tudo isso resul­ta no aumen­to de cus­to da pro­du­ção de lei­te. A par­ce­ria entre Embra­pa e I.S Bra­sil veio para poder­mos gerar ener­gia de uma manei­ra lim­pa, não só para demons­trar aos pro­du­to­res que é pos­sí­vel ter sis­te­mas de pro­du­ção com menor impac­to ambi­en­tal, com redu­ção de cus­tos, como tam­bém ser um local onde as pes­so­as pos­sam apren­der como fun­ci­o­na essa gera­ção de ener­gia.”
No com­post da Embra­pa, a ener­gia lim­pa ago­ra se soma ao reu­so da água cap­ta­da pela chu­va e esto­ca­da, e tam­bém ao uso de resí­du­os, impor­tan­te para fer­ti­li­zar as pas­ta­gens, já que o subs­tra­to, a cama das vacas, é um bio­fer­ti­li­zan­te de qualidade.

Bios­se­gu­ri­da­de – Não há tam­bém como pen­sar no lei­te do futu­ro sem antes pen­sar em um mun­do pós-pan­dê­mi­co e nos lega­dos que serão dei­xa­dos pela cri­se sani­tá­ria glo­bal. As dis­cus­sões sobre saú­de se apro­fun­da­ram em todos os seto­res e na pecuá­ria não foi dife­ren­te. Nes­sa pers­pec­ti­va emer­ge, em cará­ter urgen­te, o con­cei­to da bios­se­gu­ri­da­de na cadeia pro­du­ti­va do leite. 

Compost barn sustentável com energia 100% limpa, com o uso de placas fotovoltaicas

Cerca de biosseguridade, primeira em propriedade leiteira no Brasil

A bios­se­gu­ri­da­de é um ter­mo usa­do para abar­car todos os aspec­tos de pre­ven­ção da entra­da e da dis­se­mi­na­ção de agen­tes cau­sa­do­res de doen­ças em um reba­nho. Ado­ta­do na sui­no­cul­tu­ra des­de a déca­da de 1960, o con­cei­to pas­sou, ape­nas mais recen­te­men­te, a ser uti­li­za­do na bovi­no­cul­tu­ra de lei­te. Quan­do bem apli­ca­da, a bios­se­gu­ri­da­de pos­si­bi­li­ta a pro­mo­ção da saú­de dos ani­mais, des­de a redu­ção da ocor­rên­cia de doen­ças até sua erra­di­ca­ção no reba­nho. Além dis­so, quan­do ali­nha­da ao con­cei­to de saú­de úni­ca, tem por obje­ti­vo redu­zir o uso indis­cri­mi­na­do de anti­bió­ti­cos e de outros medi­ca­men­tos vete­ri­ná­ri­os, dimi­nuin­do assim o ris­co de resí­du­os no leite.

Nes­te ano, a Embra­pa imple­men­tou um rígi­do e deta­lha­do pro­gra­ma de desen­vol­vi­men­to de pro­to­co­los de bios­se­gu­ri­da­de em fazen­das de lei­te. O pri­mei­ro acor­do foi fir­ma­do com a Boeh­rin­ger Inge­lheim e inclui pro­to­co­los para asse­gu­rar pro­te­ção para os ani­mais e os tra­ba­lha­do­res, como o con­tro­le da ocor­rên­cia de doen­ças nos reba­nhos. Essa ini­ci­a­ti­va iné­di­ta visa pro­mo­ver a segu­ran­ça do ali­men­to que che­ga até a mesa do consumidor. 

A ideia do pro­to­co­lo é mape­ar as dife­ren­tes áre­as da fazen­da e ado­tar medi­das para garan­tir que os ani­mais fiquem sadi­os. Isso come­ça com pro­to­co­los sani­tá­ri­os, calen­dá­ri­os sani­tá­ri­os com apli­ca­ção cor­re­ta das vaci­nas, com inter­va­los cor­re­tos, tra­ta­men­to ade­qua­do como con­tro­le de car­ra­pa­to, ver­mi­fu­ga­ção, além de pro­te­ção, por­que exis­tem doen­ças que podem vir de fora da pro­pri­e­da­de. Ani­mais sil­ves­tres, ratos, cachor­ros, pom­bos podem trans­mi­tir doen­ças se tive­rem aces­so aos ani­mais de pro­du­ção. Pen­san­do nis­so, o com­post barn da Embra­pa Gado de Lei­te entra nova­men­te em cena, pois o local aca­ba de rece­ber a pri­mei­ra cer­ca de bios­se­gu­ri­da­de em pro­pri­e­da­des lei­tei­ras no Bra­sil, que impe­de que esses ani­mais “intru­sos” che­guem até o rebanho. 

Segun­do Bru­no Car­va­lho, a bios­se­gu­ri­da­de man­tém um sta­tus de saú­de do reba­nho mais ele­va­do, com ani­mais mais pro­du­ti­vos, com redu­ção de cus­tos de medi­ca­men­tos e vete­ri­ná­ri­os. “Isso evi­ta resí­du­os vete­ri­ná­ri­os no meio ambi­en­te e no lei­te. E, ao usar menos anti­bió­ti­co, a gen­te reduz o desen­vol­vi­men­to de bac­té­ri­as super-resis­ten­tes, con­tri­buin­do para o con­cei­to de saú­de pública.”

Além da promoção da saúde dos animais, a biosseguridade, quando alinhada ao conceito de saúde única, tem por objetivo reduzir o uso indiscriminado de antibióticos e de outros medicamentos veterinários, diminuindo assim o risco de resíduos no leite 

Silo: o leite do futuro é fora da caixa 

Por fim, não há como pen­sar no lei­te do futu­ro sem pen­sar “fora da cai­xa”. E é a par­tir des­sa pre­mis­sa que o Silo Ino­va­ção Aber­ta foi cri­a­do, inau­gu­ran­do uma nova fron­tei­ra na bus­ca por solu­ções para o setor. Falar do Silo é, antes de tudo, falar do Ide­as for Milk, pro­je­to de gran­de impac­to pro­mo­vi­do pela Embra­pa Gado de Lei­te e con­si­de­ra­do o embrião da ino­va­ção aber­ta no setor, como defen­de o ana­lis­ta cien­tí­fi­co na Embra­pa e pro­fes­sor da Uni­ver­si­da­de Fede­ral de Juiz de Fora (UFJF), Wag­ner Arbex. “O Ide­as For Milk foi o pre­cur­sor des­se movi­men­to de abrir a nos­sa cabe­ça para o ecos­sis­te­ma de trans­for­ma­ção da cadeia de valor do lei­te. Esse movi­men­to foi encam­pa­do por empre­sas, indús­tri­as e pela aca­de­mia. Nós cri­a­mos, a par­tir do Ide­as For Milk, o pri­mei­ro ecos­sis­te­ma de ino­va­ção do agro­ne­gó­cio no Brasil.”

A par­tir do plan­tio do Ide­as, flo­res­ce o Silo: um hub de ino­va­ção dedi­ca­do à cadeia pro­du­ti­va do lei­te. O pro­je­to é fru­to de uma par­ce­ria públi­co-pri­va­da entre Embra­pa e algu­mas gigan­tes do mer­ca­do, como Micro­soft, TIM Bra­sil, Nes­tlé do Bra­sil, Bel­go Beka­ert, IS Bra­sil, além da Orga­ni­za­ção das Coo­pe­ra­ti­vas Bra­si­lei­ras (OCB) e a ace­le­ra­do­ra cor­po­ra­ti­va Neo Ven­tu­res. Sua cri­a­ção se pau­ta na bus­ca por solu­ções para o agro­ne­gó­cio bra­si­lei­ro, por meio de Ino­va­ção Aber­ta, reu­nin­do com­pe­tên­ci­as cola­bo­ra­ti­vas de empre­sas e ins­ti­tui­ções para gerar impac­to zero em ter­mos de emis­são de gases do efei­to estu­fa, para redu­zir as desi­gual­da­des soci­ais em todas as suas dimen­sões e para asse­gu­rar ganhos econô­mi­cos aos sta­kehol­ders envol­vi­dos com a pro­du­ção de ali­men­tos, ener­gia e fibras.

Wagner Arbex: “O Ideas For Milk foi o precursor desse movimento de abrir a nossa cabeça para o ecossistema de transformação da cadeia de valor do leite”

O projeto é fruto de uma parceria público-privada entre Embrapa e algumas gigantes do mercado, como Microsoft, TIM Brasil, Nestlé do Brasil, Belgo Bekaert, IS Brasil, além da Organização das Cooperativas Brasileiras (OCB) e a aceleradora corporativa Neo Ventures

“Nenhu­ma gran­de empre­sa faz ino­va­ção dis­rup­ti­va sozi­nha hoje em dia. Uma gran­de empre­sa tem tan­tos con­tro­les que matam a ino­va­ção. Por isso, ela tem que se asso­ci­ar a jovens que pen­sam fora da cai­xa”, expli­ca o che­fe-geral da Embra­pa Gado de Lei­te, Pau­lo do Car­mo Mar­tins. O hub per­mi­te a cone­xão de star­tups com empre­sas líde­res de tec­no­lo­gia da infor­ma­ção e comu­ni­ca­ção, uma ace­le­ra­do­ra, agen­tes do agro­ne­gó­cio, inves­ti­do­res e todo o cor­po téc­ni­co da Embra­pa, além das melho­res uni­ver­si­da­des bra­si­lei­ras, que inte­gram a Rede Ino­va 4.0, cri­a­da em tor­no do Silo.

Como funciona?

A meto­do­lo­gia foi desen­vol­vi­da pela ace­le­ra­do­ra cor­po­ra­ti­va Neo Ven­tu­res. O pri­mei­ro pas­so é rea­li­zar um workshop para levan­ta­men­to de desa­fi­os e dores inter­nas da empre­sa (chal­len­ge), evo­luin­do para a eta­pa de cate­go­ri­za­ção e pri­o­ri­za­ção das situ­a­ções levan­ta­das. A par­tir des­sas infor­ma­ções, é rea­li­za­da uma cha­ma­da públi­ca para a apre­sen­ta­ção de rotas de solu­ção para os desa­fi­os pro­pos­tos, segui­da da bus­ca de star­tups com pro­pos­tas para as dores da empre­sa (hun­ting).

São sele­ci­o­na­das as três melho­res rotas de solu­ções apre­sen­ta­das e, pos­te­ri­or­men­te, uma dis­cus­são com espe­ci­a­lis­tas (boot­camp) para o refi­na­men­to da solu­ção entre a star­tup e a empre­sa. Na sequên­cia, é desen­vol­vi­da uma POC (Pro­va de Con­cei­to) para veri­fi­ca­ção da via­bi­li­da­de da solu­ção. Em caso de vali­da­ção, o negó­cio é fecha­do entre a star­tup e a empre­sa deman­dan­te. Nes­te pon­to do pro­je­to, exis­tem pos­si­bi­li­da­des de com­par­ti­lha­men­to de resul­ta­dos duran­te a tra­je­tó­ria de desen­vol­vi­men­to e da comer­ci­a­li­za­ção com as empre­sas par­ti­ci­pan­tes da ini­ci­a­ti­va (roadshow).

Na reta final, são exe­cu­ta­das as eta­pas de ace­le­ra­ção, com indi­ca­ção de star­tups para o pro­gra­ma de ace­le­ra­ção do Silo, e de men­to­ri­as, com a par­ti­ci­pa­ção ati­va no pro­ces­so de desen­vol­vi­men­to das star­tups indi­ca­das. Fecham a cadeia do pro­gra­ma de ino­va­ção a eta­pa de inves­ti­men­to, na qual é pos­sí­vel apli­car recur­sos nas star­tups, e da colhei­ta dos resul­ta­dos e solu­ções desenvolvidas.

Paulo Martins: “Com o Silo, estamos criando oportunidades para os jovens que querem transformar o mundo, mas muitas vezes não encontram a chance para isso”

Par­ce­ri­as que mudam o mun­do – Um dos exem­plos de apli­ca­bi­li­da­de do Silo é o da Nes­tlé do Bra­sil. A orga­ni­za­ção tem o com­pro­mis­so glo­bal de neu­tra­li­zar as emis­sões de car­bo­no de suas ope­ra­ções até 2050. Como a Nes­tlé vai levar seus pro­du­tos para a casa das pes­so­as emi­tin­do car­bo­no zero? As star­tups estão aí para encon­trar essas solu­ções e o Silo é a gran­de pon­te entre as partes.

De acor­do com a geren­te de desen­vol­vi­men­to do for­ne­ce­dor e qua­li­da­de da Nes­tlé, Bar­ba­ra Sole­ro, a ino­va­ção aber­ta gera uma gran­de opor­tu­ni­da­de para que sejam encon­tra­das dife­ren­tes res­pos­tas para os desa­fi­os da com­pa­nhia. “Para ace­le­rar solu­ções, é pre­ci­so estar ao lado dos par­cei­ros que estão nes­sa jor­na­da, como star­tups que tra­zem um olhar ino­va­dor para solu­ções que, mui­tas vezes, não encon­tra­ría­mos sozinhos.”

A Micro­soft é par­cei­ra da Embra­pa em pro­je­tos como o Ide­as for Milk e o Com­post Barn. O intui­to da cone­xão, segun­do o dire­tor de tec­no­lo­gia da empre­sa, Ronan Damas­ce­no, é incen­ti­var a ino­va­ção no agro­ne­gó­cio bra­si­lei­ro. “Ago­ra, a par­tir do Silo – Ino­va­ção Aber­ta, que­re­mos expan­dir nos­sos esfor­ços para que os atu­an­tes do setor pos­sam con­quis­tar ain­da mais. Des­sa for­ma, vamos apoi­ar as star­tups par­ti­ci­pan­tes do pro­je­to por meio do Micro­soft for Star­tups, ini­ci­a­ti­va glo­bal que tem o obje­ti­vo de ace­le­rar o cres­ci­men­to das star­tups em todo o mundo.”

Para Mar­cio Lopes de Frei­tas, pre­si­den­te da Orga­ni­za­ção das Coo­pe­ra­ti­vas Bra­si­lei­ras (OCB), o Silo é o lugar apro­pri­a­do para pen­sar dife­ren­te, para ousar, para cri­ar novi­da­des que tra­gam o bem para toda a huma­ni­da­de. “A OCB tem orgu­lho de ser par­cei­ra em mais esta ini­ci­a­ti­va da Embra­pa e será a pri­mei­ra a estre­ar o Silo com o Ino­va­co­op – um pro­gra­ma de ino­va­ção vol­ta­da para as coo­pe­ra­ti­vas do agro –, que se ini­cia no dia 13 de setem­bro”, afir­ma Freitas.

O lei­te do futu­ro vem para revo­lu­ci­o­nar o setor, e, se depen­der das ambi­ções da Embra­pa e de seus par­cei­ros, vem tam­bém para mudar o mun­do. “O setor pri­va­do está se jun­tan­do à Embra­pa. Esta­mos cri­an­do um novo pata­mar, miran­do uma moder­ni­da­de foca­da no con­su­mi­dor e no pla­ne­ta. Além dis­so, esta­mos cri­an­do opor­tu­ni­da­de para os jovens que que­rem trans­for­mar o mun­do, mas mui­tas vezes não encon­tram a opor­tu­ni­da­de. O Silo vai pos­si­bi­li­tar isso, apoio para que eles trans­for­mem idei­as em rea­li­da­de”, con­clui Pau­lo do Car­mo Martins.

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