O que é preciso saber sobre APLV - Digital Balde Branco

A aler­gia à pro­teí­na do lei­te de vaca (APLV) é cons­tan­te­men­te con­fun­di­da com a into­le­rân­cia à lac­to­se e vice-ver­sa. Veja como diferenciar

Dian­te de sinais de aler­gia à pro­teí­na do lei­te de vaca (APLV), reco­men­da-se a con­sul­ta e o acom­pa­nha­men­to de um pro­fis­si­o­nal , com diag­nós­ti­co ade­qua­do, antes de ini­ci­ar qual­quer tra­ta­men­to. Para escla­re­cer alguns pon­tos impor­tan­tes que cau­sam esse tipo de con­fu­são, a con­sul­to­ra e nutri­ci­o­nis­ta da Viva Lác­te­os (Asso­ci­a­ção Bra­si­lei­ra de Lati­cí­ni­os), Ana Pau­la Del´Arco fala sobre o assunto.

1- Não exis­te aler­gia a lac­to­se.

A lac­to­se é o açú­car do lei­te, um car­boi­dra­to e, por­tan­to, o que está asso­ci­a­do à lac­to­se é a into­le­rân­cia e não uma rea­ção alér­gi­ca. Isso por que as rea­ções alér­gi­cas se rela­ci­o­nam com pro­teí­nas, sejam de ori­gem ani­mal ou vege­tal, cau­san­do mani­fes­ta­ções cutâ­ne­as, diges­ti­vas e/ou res­pi­ra­tó­ri­as. Os tipos mais comuns são as aler­gi­as ali­men­ta­res que estão rela­ci­o­na­das ao lei­te de vaca, soja, ovo e tri­go, sen­do que exis­tem rela­tos fre­quen­tes de aler­gi­as rela­ci­o­na­das à pei­xe, fru­tos do mar, amen­doim e castanhas.

2- As aler­gi­as ali­men­ta­res aco­me­tem em tor­no de 6% das cri­an­ças meno­res de 3 anos de ida­de, sen­do a APLV a mais comum.

Há mai­or ocor­rên­cia de aler­gi­as ali­men­ta­res no pri­mei­ro ano de vida, uma vez que o orga­nis­mo do bebê ain­da não está madu­ro o sufi­ci­en­te, e assim pas­sa a rea­gir às novas pro­teí­nas (não huma­nas) as quais seu orga­nis­mo entra em contato.

 3- Uma pes­soa com APLV não pode entrar em con­ta­to com o lei­te ou com pro­du­tos que con­te­nham o ali­men­to em sua com­po­si­ção, inclu­si­ve cosméticos. 

Os prin­ci­pais sin­to­mas da APLV, rela­ci­o­na­dos ao sis­te­ma diges­ti­vo são san­gue nas fezes, cóli­cas, diar­reia e cons­ti­pa­ção, como tam­bém sin­to­mas na pele, como der­ma­ti­te ató­pi­ca e outras mani­fes­ta­ções cutâneas.

4- Den­tre as prin­ci­pais hipó­te­ses asso­ci­a­das às pos­sí­veis cau­sas das aler­gi­as, estão a gené­ti­ca e a tão conhe­ci­da “hipó­te­se da higiene”.

Esta dizia que as expo­si­ções a ambi­en­tes não higi­ê­ni­cos pode­ri­am pro­te­ger o orga­nis­mo para o desen­vol­vi­men­to de aler­gi­as, por que quan­to mais expos­to a cor­pos estra­nhos, mais o sis­te­ma imu­no­ló­gi­co esta­ria pre­pa­ra­do. Em rela­ção a APLV, a expo­si­ção pre­co­ce ao lei­te de vaca tam­bém está asso­ci­a­da a pos­sí­vel cau­sa da aler­gia, sen­do reco­men­da­ção da SBP, que a intro­du­ção do lei­te de vaca na ali­men­ta­ção ocor­ra ape­nas após 1 ano de idade.

5- Em mui­tos casos a APLV é tran­si­tó­ria, até que o orga­nis­mo este­ja apto para então, reco­nhe­cer as pro­teí­nas não huma­nas como bené­fi­cas.

Ini­ci­al­men­te, quan­do diag­nos­ti­ca­da a APLV, o reco­men­da­do é a exclu­são do lei­te de vaca da die­ta e quan­do bebê, o indi­ca­do é que se uti­li­ze as fór­mu­las espe­ci­ais, como as fór­mu­las exten­sa­men­te hidro­li­sa­das, não sen­do reco­men­da­das as fór­mu­las de soja nos pri­mei­ros seis meses de vida. Assim como a APLV, as aler­gi­as ali­men­ta­res, como a aler­gia ao ovo e a soja podem ser tran­si­tó­ri­as, deven­do haver ten­ta­ti­vas de rein­tro­du­ção ali­men­tar a cada 6 a 12 meses, para veri­fi­car se o orga­nis­mo desen­vol­veu tole­rân­cia à pro­teí­na, sem­pre com acom­pa­nha­men­to de um pro­fis­si­o­nal da saúde.

6- Em caso de exclu­são dos lác­te­os deve-se ter aten­ção ao balan­ço nutri­ci­o­nal de cálcio. 

Essa medi­da é indi­ca­da se a APLV per­sis­tir e, nes­tes casos, o acom­pa­nha­men­to nutri­ci­o­nal e a suple­men­ta­ção são fun­da­men­tais, pois a exclu­são pro­lon­ga­da de ali­men­tos pode tra­zer pre­juí­zos nutri­ci­o­nais séri­os. As fon­tes lác­te­as são aque­las que mais for­ne­cem cál­cio, quan­do con­si­de­ra­da a rela­ção quan­ti­da­de e per­cen­tu­al de absor­ção, sen­do as fon­tes vege­tais de cál­cio menos bio­dis­po­ní­veis, ou seja, não se apre­sen­tam qui­mi­ca­men­te ade­qua­das para a absor­ção do organismo.

Rolar para cima