Pensar em saúde única: A única saída - Digital Balde Branco

OPINIÃO

Roberta Züge

diretora administrativa do Conselho Científico Agro Sustentável (CCAS) e diretora de Inteligência Científica Milk.Wiki

Pensar em saúde única: A única saída

Um regu­la­men­to do con­se­lho euro­peu, a Lei de Saú­de Ani­mal (EU 2016/429), exis­te des­de mar­ço de 2016, mas somen­te no dia 21 de abril des­te ano se tor­nou apli­cá­vel a todos os paí­ses-mem­bros da União Euro­peia. Além de pos­suir um cará­ter para har­mo­ni­zar as legis­la­ções e colo­car o gran­de núme­ro de atos jurí­di­cos em uma úni­ca lei, ela aca­ba sen­do mais sim­ples e cla­ra, per­mi­tin­do que as auto­ri­da­des, assim como toda a cadeia envol­vi­da, con­cen­trem-se nas prin­ci­pais pri­o­ri­da­des: pre­ven­ção e erra­di­ca­ção de doenças.

Outro aspec­to mui­to inte­res­san­te é a visão de saú­de úni­ca, em que ani­mal, homem e meio ambi­en­te não devem ser enxer­ga­dos de for­ma iso­la­da no con­tro­le de enfer­mi­da­des. A legis­la­ção tem um gran­de enfo­que em doen­ças que podem ser trans­mi­ti­das aos huma­nos, as cha­ma­das zoonoses.

O ato legal indi­ca que, ao esta­be­le­cer essas regras de saú­de ani­mal, tor­na-se essen­ci­al que se con­si­de­rem as inter-rela­ções entre a saú­de ani­mal e a saú­de públi­ca, o ambi­en­te, a segu­ran­ça dos ali­men­tos para con­su­mo huma­no e ani­mal, o bem-estar ani­mal, a segu­ran­ça do abas­te­ci­men­to ali­men­tar e os aspe­tos econô­mi­cos, soci­ais e culturais.

A Lei de Saú­de Ani­mal é par­te de um paco­te de medi­das pro­pos­to pela Comis­são Euro­peia já em maio de 2013. Este tem o foco de for­ta­le­cer a apli­ca­ção de nor­mas de saú­de e segu­ran­ça em toda a cadeia agro­a­li­men­tar. Cor­re­la­ci­o­na­da a outros atos nor­ma­ti­vos, ela é resul­ta­do da Estra­té­gia de Saú­de Ani­mal 2007–2013, cha­ma­do de “Pre­ven­ção que Cura”.

Nes­te atu­al cená­rio, em que uma doen­ça emer­giu de ani­mais e cau­sou mudan­ças em todo o pla­ne­ta, um olhar mais seve­ro, com con­tro­les e mei­os de miti­ga­ção efe­ti­vos em rela­ção à sani­da­de ani­mal, não encon­tra­rá tan­tas bar­rei­ras. Há diver­sos estu­dos demons­tran­do que mais enfer­mi­da­des, com impac­tos que podem ser pare­ci­dos ou até pio­res que a covid-19, podem sur­gir nas pró­xi­mas déca­das. E nin­guém pode afir­mar que é imu­ne a tal problema.

Pen­sar pre­ven­ti­va­men­te, algo que qual­quer pecu­a­ris­ta sabe, é mui­to melhor do que bus­car alter­na­ti­vas para solu­ci­o­nar a doen­ça ins­ta­la­da. Nes­te con­tex­to, o Bra­sil pre­ci­sa ampli­ar seus recur­sos para garan­tir a sani­da­de dos seus reba­nhos e tam­bém dos huma­nos. A visão de saú­de úni­ca ain­da não é bem com­pre­en­di­da e pre­ci­sa ser mais bem divul­ga­da e estu­da­da, não somen­te ficar res­tri­ta aos espe­ci­a­lis­tas, mas ser uma pre­mis­sa da sociedade.

A covid-19 nos mos­trou o poder de devas­ta­ção de uma cri­a­tu­ra micros­có­pi­ca, que arras­tou milha­res de vidas e afe­tou seri­a­men­te eco­no­mi­as esta­be­le­ci­das e sóli­das. Reer­guer-se a par­tir des­ta doen­ça vai reque­rer pen­sar em ações con­cre­tas de pre­ven­ção, con­so­li­dar o con­cei­to de saú­de úni­ca e enxer­gar a pecuá­ria com mais pro­fis­si­o­na­lis­mo, não ape­nas como uma for­ma de refor­çar o orça­men­to de algu­mas famílias.

 

Rober­ta Züge é dire­to­ra admi­nis­tra­ti­va do Con­se­lho Cien­tí­fi­co Agro Sus­ten­tá­vel (CCAS); dire­to­ra de Inte­li­gên­cia Cien­tí­fi­ca Milk.Wiki e sócia da Ceres Qualidade

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