Preço do leite captado em junho é recorde da série histórica do CEPEA - Digital Balde Branco

COLUNA DO CEPEA

Natália Grigol

Pesquisadora do Cepea

  Com a maté­ria-pri­ma mais cara e os esto­ques de lác­te­os enxu­tos, os valo­res dos deri­va­dos lác­te­os tam­bém se ele­va­ram

Preço do leite captado em junho é recorde da série histórica do CEPEA

O pre­ço do lei­te cap­ta­do em junho e pago ao pro­du­tor em julho che­gou a R$ 2,3108/litro na “Média Bra­sil” líqui­da, recor­de real (dados defla­ci­o­na­dos pelo IPCA de jun/21) da série his­tó­ri­ca do Cepea, que se ini­ci­ou em 2005. As altas foram de 5% na com­pa­ra­ção com o mês ante­ri­or e de 21,8% fren­te ao mes­mo perío­do do ano pas­sa­do, tam­bém em ter­mos reais.

O Índi­ce de Cap­ta­ção Lei­tei­ra (ICAP‑L) do Cepea regis­trou alta de 2,12% de maio para junho, puxa­do pela ele­va­ção média de 5,5% na cap­ta­ção dos esta­dos do Sul do País. No entan­to, o aumen­to dos cus­tos de pro­du­ção e o perío­do de esti­a­gem limi­ta­ram a ofer­ta e inten­si­fi­ca­ram a con­cor­rên­cia entre as indús­tri­as de lati­cí­ni­os para garan­tir a com­pra de maté­ria-pri­ma duran­te o mês de junho – oca­si­o­nan­do a alta nos preços.

Des­sa for­ma, a ele­va­ção dos pre­ços não refle­te aumen­to de ren­ta­bi­li­da­de – mas, sim, pres­são de cus­tos. Para se ter uma ideia, bas­ta com­pa­rar o poder de com­pra do pecu­a­ris­ta lei­tei­ro fren­te ao milho, insu­mo bási­co da ati­vi­da­de. Na média de janei­ro a julho de 2021, foram pre­ci­sos 44,67 litros de lei­te para adqui­rir uma saca de 60 kg de milho (base Cam­pi­nas ‑SP), enquan­to na média do mes­mo perío­do do ano pas­sa­do, eram neces­sá­ri­os 35,20 litros – o que repre­sen­tou uma per­da no poder de com­pra de 26,9% em ape­nas um ano. 

Com esto­ques de deri­va­dos enxu­tos, as indús­tri­as acir­ra­ram a com­pe­ti­ção pela com­pra de maté­ria-pri­ma em junho. Nes­se mês, as nego­ci­a­ções de lei­te spot esti­ve­ram aque­ci­das, e o pre­ço médio em Minas Gerais, por exem­plo, che­gou a R$ 2,78/litro, valor 17% aci­ma da média de maio. Com o lei­te mais caro no cam­po, a indús­tria pre­ci­sou ele­var os pre­ços dos deri­va­dos lác­te­os e repas­sar a alta da maté­ria-pri­ma ao con­su­mi­dor. O quei­jo muça­re­la, o lei­te UHT e o lei­te em pó nego­ci­a­dos entre indús­tria e ata­ca­do de São Pau­lo se valo­ri­za­ram 16,1%, 8,6% e 2,6%, res­pec­ti­va­men­te, em rela­ção a maio/21 – o que sus­ten­tou a valo­ri­za­ção do lei­te cap­ta­do em junho e pago ao pro­du­tor em julho.

 

PERS­PEC­TI­VA – O movi­men­to altis­ta no mer­ca­do de deri­va­dos lác­te­os per­deu for­ça em julho, uma vez que os pre­ços dos lác­te­os estão em pata­ma­res mui­to ele­va­dos, o que come­ça a invi­a­bi­li­zar a deman­da, já fra­gi­li­za­da pelo menor poder de com­pra do con­su­mi­dor bra­si­lei­ro. De acor­do com pes­qui­sa diá­ria do Cepea, rea­li­za­da com apoio da OCB, os pre­ços médi­os da muça­re­la, do UHT e do lei­te em pó recu­a­ram 2,8%, 1,5% e 0,8%, nes­sa ordem, entre junho e julho (con­si­de­ran­do dados até 28/07). Jun­to a isso, os mai­o­res volu­mes de lác­te­os impor­ta­dos nos últi­mos meses dimi­nuí­ram a for­te com­pe­ti­ção entre indús­tri­as pela com­pra de lei­te no mer­ca­do spot (lei­te nego­ci­a­do entre indús­tri­as) em julho. A pes­qui­sa do Cepea mos­trou que, em Minas Geais, o lei­te spot regis­trou média de R$ 2,52/litro em julho, que­da de 9,4% fren­te a junho. Esses resul­ta­dos evi­den­ci­am que, mes­mo com cus­tos de pro­du­ção ain­da em alta e cli­ma des­fa­vo­rá­vel à ati­vi­da­de, o pre­ço do lei­te cap­ta­do em julho e pago ao pro­du­tor em agos­to pode não supe­rar o do mês anterior.

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