COLU­NA DO CEPEA

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Natá­lia Grigol 

Pes­qui­sa­do­ra do CEPEA

Preços registram alta pelo terceiro mês consecutivo

O pre­ço do lei­te pago ao pro­du­tor em feve­rei­ro (refe­ren­te ao volu­me cap­ta­do em janei­ro) foi de R$ 1,4175/litro na “Média Bra­sil” líqui­da, aumen­to de 3,6% (ou de qua­se cin­co cen­ta­vos) fren­te ao mês ante­ri­or, segun­do pes­qui­sa do Cepea (Cen­tro de Estu­dos Avan­ça­dos em Eco­no­mia Apli­ca­da), da Esalq/USP. O movi­men­to de alta nos pre­ços do lei­te no cam­po, obser­va­do pelo ter­cei­ro mês segui­do, é influ­en­ci­a­do pela mai­or com­pe­ti­ção entre lati­cí­ni­os para garan­tir a com­pra de maté­ria-pri­ma num con­tex­to de ofer­ta limi­ta­da. A cap­ta­ção das empre­sas amos­tra­das pelo Cepea vol­tou a cair de dezem­bro para janei­ro. O Índi­ce de Cap­ta­ção Lei­tei­ra (Icap‑L) do Cepea recu­ou 3,7% na “Média Bra­sil” – todos os esta­dos regis­tra­ram que­da na cap­ta­ção nes­se perío­do. Essa dimi­nui­ção este­ve atre­la­da, entre outros fato­res, à ins­ta­bi­li­da­de cli­má­ti­ca e às for­tes vari­a­ções nos regi­mes de chu­vas. Vale des­ta­car que, no Sul do País, o cená­rio de bai­xa ofer­ta deve con­ti­nu­ar sen­do veri­fi­ca­do nos pró­xi­mos meses, ten­do em vis­ta que essa região enfren­tou uma séria esti­a­gem pro­lon­ga­da, que pre­ju­di­cou a ati­vi­da­de agro­pe­cuá­ria como um todo. O estres­se caló­ri­co, a menor dis­po­ni­bi­li­da­de de pas­ta­gens e os pre­juí­zos no plan­tio do milho para sila­gem devem ante­ci­par a entres­sa­fra lei­tei­ra na região. Além dis­so, o aumen­to dos cus­tos de pro­du­ção (em espe­ci­al do pre­ço do con­cen­tra­do, puxa­do pela cons­tan­te valo­ri­za­ção dos grãos) e o aba­te de vacas lei­tei­ras (esti­mu­la­do pelos ele­va­dos valo­res no mer­ca­do de gado de cor­te) influ­en­ci­a­ram a toma­da de deci­são dos pecu­a­ris­tas nos últi­mos meses. Tam­bém é impor­tan­te des­ta­car que, fren­te às difi­cul­da­des de anos ante­ri­o­res, os inves­ti­men­tos de lon­go pra­zo para a pro­du­ção lei­tei­ra foram com­pro­me­ti­dos, o que tem limi­ta­do o poten­ci­al de cres­ci­men­to da ati­vi­da­de no presente. 

O estres­se caló­ri­co, a menor dis­po­ni­bi­li­da­de de pas­ta­gens e os pre­juí­zos no plan­tio do milho para sila­gem devem ante­ci­par a entres­sa­fra lei­tei­ra na região Sul do País

PRÓ­XI­MO MÊS – Na opi­nião de agen­tes do setor, a cap­ta­ção de feve­rei­ro não teve gran­de vari­a­ção em rela­ção à de janei­ro. Os pre­ços do lei­te spot (nego­ci­a­ções entre as indús­tri­as) se ele­va­ram na pri­mei­ra e na segun­da quin­ze­nas de fevereiro.

Segun­do levan­ta­men­tos do Cepea, em Goiás e em Minas Gerais, o aumen­to nas médi­as men­sais foi de 4,1% e de 1,7%, res­pec­ti­va­men­te. Como con­sequên­cia, os lati­cí­ni­os tive­ram que repas­sar a valo­ri­za­ção da maté­ria-pri­ma para os deri­va­dos – mes­mo com o con­su­mo de lác­te­os con­si­de­ra­do fra­co em fevereiro.

A difi­cul­da­de em ele­var o pata­mar das nego­ci­a­ções pro­vo­cou bas­tan­te osci­la­ção dos pre­ços duran­te o mês, prin­ci­pal­men­te no caso do lei­te UHT. A pes­qui­sa diá­ria do Cepea indi­cou alta acu­mu­la­da de 4,9% em feve­rei­ro, evi­den­ci­an­do o vai­vém do mer­ca­do. Con­tu­do, a média men­sal de feve­rei­ro ficou ape­nas 0,3% aci­ma da de janeiro.

Cola­bo­ra­do­res do Cepea rela­ta­ram que agen­tes de empre­sas têm apos­ta­do em novas estra­té­gi­as de pro­ces­sa­men­to para man­ter os esto­ques do UHT con­tro­la­dos. As nego­ci­a­ções de muça­re­la, por sua vez, foram mais está­veis: a valo­ri­za­ção acu­mu­la­da no mês foi de 1,7% e a média men­sal subiu 1,2% (dados até o dia 27). No mer­ca­do do lei­te em pó, os pre­ços tive­ram aumen­to acu­mu­la­do de 3,6% em feve­rei­ro e acrés­ci­mo de 2,7% na média de janei­ro para feve­rei­ro. Assim, a expec­ta­ti­va é de que os pre­ços no cam­po sigam fir­mes em março.