Produção brasileira atinge recorde histórico - Digital Balde Branco

LEITE EM NÚMEROS

Glauco Rodrigues Carvalho 

Pesquisador da Embrapa Gado de Leite

Com mais produtividade e menos vacas, produção brasileira atinge recorde histórico

Em 2020, a pro­du­ção total de lei­te foi de 35,445 bilhões de litros, o mai­or volu­me da série his­tó­ri­ca. É um refle­xo do avan­ço tec­no­ló­gi­co no setor, que é gran­di­o­so, com inú­me­ras pro­pri­e­da­des com­pa­ra­das às melho­res do mundo

O IBGE divul­gou recen­te­men­te os resul­ta­dos da Pes­qui­sa Pecuá­ria Muni­ci­pal refe­ren­tes ao ano de 2020. Com dados de pro­du­ção de lei­te, reba­nho de vacas orde­nha­das e pro­du­ti­vi­da­de, sua aná­li­se per­mi­te tra­çar um exten­so diag­nós­ti­co da ati­vi­da­de lei­tei­ra no Bra­sil, par­tin­do de uma visão mais macro, seja naci­o­nal ou regi­o­nal, até che­gar a um olhar mais deta­lha­do, em nível de mesor­re­gião, micror­re­gião ou muni­cí­pio. No ano pas­sa­do, o País vol­tou a regis­trar novo cres­ci­men­to da pro­du­ção, con­so­li­dan­do a reto­ma­da ini­ci­a­da em 2018, após três anos de que­da, entre 2015 e 2017.

Em 2020, a pro­du­ção total de lei­te foi de 35,445 bilhões de litros, o mai­or volu­me da série his­tó­ri­ca. O núme­ro de vacas orde­nha­das regis­trou novo recuo, com um núme­ro de ani­mais pare­ci­do com o que havia em 1996, quan­do a pro­du­ção bra­si­lei­ra era de 18,515 bilhões de litros. Esse impor­tan­te avan­ço na pro­du­ção ocor­reu com gran­de incor­po­ra­ção tec­no­ló­gi­ca, que se refle­te na pro­du­ti­vi­da­de média dos ani­mais, que atin­giu 2.192 litros por vaca/ano. Em média, a pro­du­ti­vi­da­de ain­da é rela­ti­va­men­te bai­xa na com­pa­ra­ção com gran­des players inter­na­ci­o­nais, mas isso é um refle­xo da hete­ro­ge­nei­da­de e dimen­são da pro­du­ção de lei­te bra­si­lei­ra. Mas o avan­ço tec­no­ló­gi­co que tem sido obser­va­do no setor é gran­di­o­so, com inú­me­ras pro­pri­e­da­des com­pa­ra­das às melho­res do mundo.

A figu­ra abai­xo ilus­tra a evo­lu­ção da pro­du­ção de lei­te e das vacas orde­nha­das nos últi­mos 20 anos. Cha­ma a aten­ção o cres­ci­men­to qua­se con­tí­nuo da pro­du­ção ao lon­go des­se perío­do. Mas tam­bém é notó­rio o impac­to nega­ti­vo da reces­são de 2015 e 2016 sobre a pro­du­ção de lei­te e de como o setor rea­giu com ajus­tes na ofer­ta via des­car­te de ani­mais menos pro­du­ti­vos, em bus­ca de avan­ços tec­no­ló­gi­cos e melho­ri­as de efi­ci­ên­cia. Hou­ve uma for­te que­da no núme­ro de vacas, recu­an­do de 23 milhões de cabe­ças em 2014 para 16,1 milhões em 2020. Isso mos­tra tam­bém um pro­ces­so de con­so­li­da­ção em cur­so, com avan­ço da pro­du­ção de lei­te em sis­te­mas mais efi­ci­en­tes e produtivos. 

As Regiões Sudes­te e Sul repre­sen­ta­ram, jun­tas, 68,4% do lei­te pro­du­zi­do em 2020. Em nível esta­du­al, Minas Gerais segue como o mai­or pro­du­tor do Bra­sil, com um volu­me supe­ri­or à soma da pro­du­ção do Para­ná e do Rio Gran­de do Sul, segun­do e ter­cei­ro colo­ca­dos, res­pec­ti­va­men­te. Com­ple­tam os Top 5 os Esta­dos de Goiás e San­ta Cata­ri­na. Jun­tos, esses cin­co Esta­dos pro­du­zi­ram 70,4% do lei­te brasileiro.

No âmbi­to muni­ci­pal, ana­li­san­do-se os Top 20 muni­cí­pi­os em pro­du­ção de lei­te, veri­fi­ca-se que dez encon­tram-se em Minas Gerais, seis no Para­ná, três em Goiás e um em San­ta Cata­ri­na. Jun­tos, pro­du­zi­ram 7,3% do lei­te bra­si­lei­ro. No topo do ran­king está Cas­tro (PR), a capi­tal naci­o­nal do lei­te, com um volu­me de 363,915 milhões de litros, segui­do de Caram­beí (PR), com 224,778 milhões de litros. Inte­res­san­te notar que esses muni­cí­pi­os regis­tra­ram uma expan­são acen­tu­a­da da pro­du­ção nos últi­mos 20 anos. Em média, os Top 20 qua­se tri­pli­ca­ram a pro­du­ção de lei­te no perío­do, enquan­to a média bra­si­lei­ra cres­ceu 79%.

Fazen­do um outro recor­te e obser­van­do os Top 100 na pro­du­ção de lei­te em 2020, tem-se uma ideia da dis­tri­bui­ção da pro­du­ção pelo País. Nes­te caso, a mai­or par­te dos muni­cí­pi­os encon­tra-se no Sudes­te (39 muni­cí­pi­os), segui­do do Sul (31), Cen­tro-Oes­te (14), Nor­des­te (11) e Nor­te (5). Isso mos­tra que, ape­sar de haver uma ten­dên­cia de con­cen­tra­ção e for­ma­ção de clus­ter no lei­te bra­si­lei­ro, todas as regiões con­tam com polos pro­du­ti­vos impor­tan­tes na ofer­ta do pro­du­to. Os Top 100 muni­cí­pi­os pro­du­zi­ram, jun­tos, 7,389 bilhões de litros de lei­te em 2020, repre­sen­tan­do 21% do lei­te bra­si­lei­ro. É um volu­me bas­tan­te expres­si­vo, se con­si­de­rar­mos que o Bra­sil pos­sui 5.570 muni­cí­pi­os e que a pro­du­ção de lei­te este­ve pre­sen­te em 99% deles em 2020. Esses núme­ros ilus­tram tam­bém a impor­tân­cia des­sa cadeia pro­du­ti­va, geran­do ali­men­to e rique­za em pra­ti­ca­men­te todo o ter­ri­tó­rio nacional.

Coau­tor: Denis Tei­xei­ra da Rocha, che­fe de Trans­fe­rên­cia de Tec­no­lo­gia da Embra­pa Gado de Leite