Produção de Leite e a Renda dos Produtores Em 2019 - Digital Balde Branco

LEITE EM NÚMEROS

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Denis Teixeira da Rocha 

Analista da Embrapa Gado de Leite

PRODUÇÃO DE LEITE

e a renda dos produtores em 2019

O comportamento da rentabilidade do produtor ao longo do ano se refletiu na produção de leite, que cresceu de forma acentuada nos dois primeiros trimestres e perdeu força no restante do ano

   Após cres­cer ape­nas 0,5% em 2018, a pro­du­ção bra­si­lei­ra de lei­te sob ins­pe­ção se ace­le­rou um pou­co mais no ano pas­sa­do, fechan­do 2019 com mais de 25 bilhões de litros, aumen­to de 2,2%, segun­do os dados divul­ga­dos recen­te­men­te pelo IBGE (Ins­ti­tu­to Bra­si­lei­ro de Geo­gra­fia e Esta­tís­ti­ca). Esse per­cen­tu­al repre­sen­tou um incre­men­to de 552 milhões de litros de lei­te que foram adqui­ri­dos pela indús­tria nacional. 

   Den­tre as regiões, ape­nas o Nor­te apre­sen­tou que­da no volu­me pro­du­zi­do, de 3%, mas, por ser a região de menor pro­du­ção do País, a redu­ção de 31 milhões de litros pou­co afe­tou a ofer­ta naci­o­nal de lei­te em ter­mos abso­lu­tos (Figu­ra 1). Nas demais regiões, o cres­ci­men­to foi supe­ri­or a 100 milhões de litros. O mai­or cres­ci­men­to foi no Sudes­te (+ 172 milhões de litros),  puxa­do pelo desem­pe­nho de Minas Gerais e São Pau­lo, vis­to que Espí­ri­to San­to e Rio de Janei­ro tive­ram que­da na produção.

   As regiões Sul e Nor­des­te apre­sen­ta­ram cres­ci­men­to abso­lu­to seme­lhan­te, pró­xi­mo a 150 milhões de litros. No Sul, a pro­du­ção do Para­ná cres­ceu 186 milhões de litros no ano, mai­or aumen­to entre todos os esta­dos bra­si­lei­ros. Tam­bém no Sul foi regis­tra­da a mai­or que­da de pro­du­ção, que ocor­reu no Rio Gran­de do Sul, que redu­ziu sua pro­du­ção em qua­se 80 milhões de litros.

   Já no Nor­des­te, o cres­ci­men­to foi supe­ri­or a 10%, com aumen­to de 55 milhões de litros no Cea­rá, 34 milhões na Bahia, 19 milhões em Per­nam­bu­co e 17 milhões em Ser­gi­pe. No Cen­tro- Oes­te, o aumen­to de 104 milhões de litros veio de Goiás, que cres­ceu sua pro­du­ção em 112 milhões de litros.

   Entre­tan­to, a tra­je­tó­ria de cres­ci­men­to da ofer­ta de lei­te naci­o­nal não foi cons­tan­te duran­te todo o ano de 2019. Nos dois pri­mei­ros tri­mes­tres, o movi­men­to foi de expan­são, com aumen­to de 3,2% no 1º tri­mes­tre e de 6,9% no segun­do, em rela­ção a igual perío­do do ano ante­ri­or. Toda­via, a expan­são do 2º tri­mes­tre foi impul­si­o­na­da pela base de com­pa­ra­ção de 2018, que con­tou com a gre­ve dos cami­nho­nei­ros. Na segun­da meta­de do ano, no entan­to, a pro­du­ção de lei­te se desa­ce­le­rou, com um aumen­to tími­do de 0,6% no ter­cei­ro tri­mes­tre, segui­do de que­da de 0,9% no últi­mo tri­mes­tre do ano (Figu­ra 2).

   Esse com­por­ta­men­to da pro­du­ção naci­o­nal pode ser expli­ca­do, de for­ma sim­pli­fi­ca­da, pela ren­ta­bi­li­da­de do pro­du­tor expres­sa pelo pre­ço rece­bi­do pelo lei­te e o seu cus­to de pro­du­ção. O ano de 2019 come­çou com ele­va­ção mais inten­sa dos pre­ços do lei­te de for­ma ante­ci­pa­da, se com­pa­ra­do ao com­por­ta­men­to sazo­nal dos pre­ços em anos ante­ri­o­res. Ali­a­do a isso, o cus­to de pro­du­ção ficou mais con­tro­la­do em boa par­te do ano, dife­ren­te de 2018, quan­do o cus­to apre­sen­tou uma tra­je­tó­ria de ele­va­ção ao lon­go de todo o ano.

   Des­sa for­ma, os pre­ços reais do lei­te, defla­ci­o­na­dos pelos cus­tos de pro­du­ção, apre­sen­ta­ram altas expres­si­vas nos dois pri­mei­ros tri­mes­tres de 2019, em rela­ção  igual perío­do de 2018. Já na segun­da meta­de de 2019, o pre­ço do lei­te ao pro­du­tor recu­ou e o cus­to de pro­du­ção subiu. Isso pro­vo­cou um recuo na ren­ta­bi­li­da­de média dos pro­du­to­res, enfra­que­cen­do a ofer­ta (Figu­ra 2). Esse com­por­ta­men­to da ren­ta­bi­li­da­de do pro­du­tor ao lon­go do ano refle­tiu na pro­du­ção de lei­te, que cres­ceu de for­ma acen­tu­a­da nos dois pri­mei­ros tri­mes­tres e per­deu for­ça no res­tan­te do ano.

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