Produtores conseguem tratar a mastite com racionalidade - Digital Balde Branco
revista-balde-branco-mastite-01-ed686

Com orientação técnica, a equipe da fazenda São Francisco ajustou os processos e foi solucionando as dificuldades no controle da mastite

MASTITE

Produtores conseguem tratar a

mastite com racionalidade

Graças à assistência técnica, produtores de leite reavaliam as práticas adotadas para combater a mastite e estão obtendo bons resultados, tanto produtivos quanto econômicos 

Erick Henrique

Não é novi­da­de que o con­tro­le da mas­ti­te é um dos prin­ci­pais desa­fi­os da pecuá­ria lei­tei­ra, que, por vezes, dei­xa o pro­du­tor, o geren­te e a equi­pe, todos afli­tos quan­do visu­a­li­zam infla­ma­ção no úbe­re e nos tetos das vacas, além de mudan­ças na com­po­si­ção do lei­te, como dimi­nui­ção do volu­me secre­ta­do, gru­mos e pus. Tam­bém pode ser um pro­ble­ma imper­cep­tí­vel, sem sinais clí­ni­cos ou alte­ra­ções no lei­te – a cha­ma­da mas­ti­te sub­clí­ni­ca, que só pode ser iden­ti­fi­ca­da por tes­tes, como o CMT (Cali­for­nia Mas­tit Test).

Para tra­tar a infla­ma­ção da glân­du­la mamá­ria de manei­ra raci­o­nal, visan­do redu­zir cus­tos com tra­ta­men­tos e garan­tir a pro­du­ção lei­tei­ra do reba­nho em sua ple­ni­tu­de, o zoo­tec­nis­ta e coor­de­na­dor da con­sul­to­ria “Vacas & Homens”, Mateus Ribei­ro, diz que a melhor estra­té­gia para redu­zir o impac­to econô­mi­co da mas­ti­te é sem­pre a prevenção.

Ele faz ques­tão de enfa­ti­zar que o lei­te com mas­ti­te é puro des­per­dí­cio, e a con­ta que o pecu­a­ris­ta geral­men­te faz (cus­to com medi­ca­men­tos + des­car­te de lei­te) é só uma fatia do bolo, que repre­sen­ta 10% do cus­to da mas­ti­te, con­for­me mos­tram as pes­qui­sas. Os mai­o­res cus­tos estão na redu­ção da pro­du­ção de lei­te e no des­car­te pre­co­ce de ani­mais. O impac­to dire­to (des­car­te de lei­te + tra­ta­men­to) é de R$ 800 a R$ 1.200 por vaca tra­ta­da, porém esse valor é ape­nas uma peque­na par­te do cus­to. A redu­ção na pro­du­ção de lei­te é o que mais pesa. Vacas de pri­mei­ro e segun­do par­to, com CCS equi­va­len­te a 100.000, dei­xam de pro­du­zir entre 4,8% e 10%, res­pec­ti­va­men­te. Com ani­mais mais velhos, as per­das são ain­da maiores.

Mateus Ribeiro: O impacto direto da mastite (descarte de leite + tratamento) fica entre R$ 800 e R$ 1.200 por vaca tratada, porém esse valor é apenas uma fatia do custo

Filho de pro­du­tor de lei­te, for­ma­do no Ins­ti­tu­to Fede­ral de Edu­ca­ção, Ciên­cia e Tec­no­lo­gia de Minas Gerais (IFMG), com espe­ci­a­li­za­ções, MBA pelo Agro+Lean em ges­tão de pro­ces­sos e cur­sos em ges­tão da qua­li­da­de do lei­te, Ribei­ro pres­ta ser­vi­ços de con­sul­to­ria nos Esta­dos de Minas Gerais, São Pau­lo, Goiás, Rondô­nia, Pará, Ser­gi­pe e Bolí­via. Dire­ta e indi­re­ta­men­te, par­ti­ci­pa de 20 pro­je­tos, com apro­xi­ma­da­men­te 3.700 animais.

Para o espe­ci­a­lis­ta, tudo se ini­cia com o diag­nós­ti­co da situ­a­ção da pro­pri­e­da­de, em seus diver­sos aspec­tos, como o reco­nhe­ci­men­to da equi­pe e seu enten­di­men­to sobre boas prá­ti­cas na pre­ven­ção da doen­ça, ava­li­a­ção dos pro­ces­sos de orde­nha, con­di­ções dos tetos, ambi­ên­cia das vacas, entre outros. Mui­to impor­tan­te tam­bém é o his­tó­ri­co das medi­das de con­tro­le da mas­ti­te já ado­ta­das pela fazen­da, além da for­ma de exe­cu­ção, tais como o uso de pré e pós-dip­ping, lim­pe­za de tetos, tera­pia da vaca seca, den­tre outras.

“Pos­te­ri­or­men­te, tam­bém é ava­li­a­do o his­tó­ri­co da fazen­da quan­to a CCS indi­vi­du­al, mas­ti­te clí­ni­ca, CCS e CBT de tan­que. Para mim, como con­sul­tor, a CCS indi­vi­du­al por vaca é a infor­ma­ção mais impor­tan­te, pois per­mi­te cri­ar e ava­li­ar o his­tó­ri­co de cada ani­mal, com o qual con­si­go com­pre­en­der a situ­a­ção real da pro­pri­e­da­de. Ali­a­da à cul­tu­ra micro­bi­o­ló­gi­ca e ao diag­nos­ti­co prá­ti­co, é pos­sí­vel esta­be­le­cer um pla­no de tra­ba­lho espe­cí­fi­co para a fazen­da”, diz ele, des­ta­can­do que essas ava­li­a­ções fazem toda a dife­ren­ça no com­ba­te à mas­ti­te de for­ma raci­o­nal, pois as ações reco­men­da­das para uma pro­pri­e­da­de com mas­ti­te, cau­sa­da por pató­ge­nos con­ta­gi­o­sos, é total­men­te dis­tin­ta das de uma fazen­da em que os prin­ci­pais agen­tes são de ori­gem ambiental.

Segun­do ele, em uma fazen­da com desa­fi­os com pató­ge­no con­ta­gi­o­so como S. aga­lac­ti­ae ou S. aureus a prin­ci­pal ação é iden­ti­fi­car e sepa­rar os ani­mais con­ta­mi­na­dos dos não con­ta­mi­na­dos. Já em uma pro­pri­e­da­de onde os desa­fi­os são gera­dos por pató­ge­nos ambi­en­tais, as prin­ci­pais medi­das ado­ta­das serão dire­ci­o­na­das ao ambi­en­te das vacas, além da lim­pe­za e da assep­sia dos tetos no momen­to da ordenha.

Na Fazenda São Francisco, além do rigor na desinfecção dos tetos, como prevenção é feita a cultura microbiológica do leite das vacas com mastite para identificar o patógeno causador

“Então, quan­do fala­mos do tra­ta­men­to da mas­ti­te de for­ma raci­o­nal, esta­mos falan­do de fazer cul­tu­ra micro­bi­o­ló­gi­ca dos casos clí­ni­cos; não tra­tar casos nega­ti­vos; dei­xar de uti­li­zar anti­bió­ti­co inje­tá­vel em casos leves e mode­ra­dos e não tra­tar mas­ti­te sub­clí­ni­ca (a não ser em casos de Strep­to­coc­cus aga­lac­ti­ae)”, escla­re­ce Ribei­ro. “São medi­das de extre­ma impor­tân­cia, porém são uma peque­na fra­ção des­sa mudan­ça de con­cei­tos no tra­ta­men­to da mastite.”

Para o zoo­tec­nis­ta, a gran­de revo­lu­ção está em cri­ar medi­das que pre­vi­nam a ins­ta­la­ção da doen­ça, gerir a equi­pe de for­ma con­sis­ten­te e garan­tir que os pro­ces­sos (com­bi­na­dos) sejam exe­cu­ta­dos de for­ma cons­ci­en­te todos os dias.

Segun­do cita Ribei­ro, esse é o caso da Agro­pe­cuá­ria São Fran­cis­co (ASF), uma peque­na pro­pri­e­da­de fami­li­ar, loca­li­za­da em Ari­que­mes (RO), a 200 km da capi­tal, Por­to Velho, e que come­çou a pro­du­zir lei­te em 2015, com apro­xi­ma­da­men­te 50 ani­mais, no sis­te­ma a pas­to, e sofreu bas­tan­te para melho­rar a sani­da­de do plan­tel, além de outros indi­ca­do­res de suma impor­tân­cia para obter suces­so na atividade.

Aten­ção aos pro­ces­sos – “Em 2016, ini­ci­a­mos com o sis­te­ma com­post barn na Fazen­da São Fran­cis­co. Par­ti­ci­pei do desen­vol­vi­men­to inte­gral da pro­pri­e­da­de, bus­can­do sem­pre o bem-estar ani­mal e o dos nos­sos cola­bo­ra­do­res. Os prin­ci­pais desa­fi­os esta­vam na mão de obra exis­ten­te aqui, na região do Vale do Jama­ri. Em 2021, fomos em bus­ca de aju­da e encon­tra­mos a con­sul­to­ria téc­ni­ca de Mateus Ribei­ro, que nos deu ori­en­ta­ção para poder­mos enten­der todos os pas­sos e pro­ces­sos da nos­sa pro­du­ção de lei­te na fazen­da”, recor­da o pro­du­tor e geren­te-geral da ASF, Eloi Alves Moreira.

Eloi Moreira; “Usar medicamentos específicos para cada caso fica mais fácil e aumenta a taxa de cura. Em menos de um ano, diminuímos a CCS em mais de 65%, com boa queda nos custos que a doença causa”

Con­for­me o pecu­a­ris­ta de Rondô­nia, por inter­mé­dio dos trei­na­men­tos minis­tra­dos pelo con­sul­tor téc­ni­co da Vacas & Homens, a equi­pe da fazen­da pôde encon­trar solu­ções para resol­ver as difi­cul­da­des enfren­ta­das nos pro­ces­sos de cada eta­pa da ati­vi­da­de. “Gra­ças à dedi­ca­ção de nos­sos cola­bo­ra­do­res, a Agro­pe­cuá­ria São Fran­cis­co está con­se­guin­do atin­gir as metas dese­ja­das”, diz ele.

“Antes da assis­tên­cia téc­ni­ca, as mas­ti­tes não tinham mui­ta impor­tân­cia aqui na pro­pri­e­da­de, eram tra­ta­das às escu­ras, sem cri­té­rio nenhum. Com isso, foram aumen­tan­do os pre­juí­zos suces­si­va­men­te. Lem­bro de vacas per­den­do tetos por cau­sa da mas­ti­te e ten­do de ser aba­ti­das como gado de cor­te, dimi­nuin­do con­si­de­ra­vel­men­te seu valor no mer­ca­do”, infor­ma Moreira.

Com a con­sul­to­ria téc­ni­ca, foi pos­sí­vel mape­ar o reba­nho e tra­çar uma estra­té­gia raci­o­nal para com­ba­ter a enfer­mi­da­de. “Uma vez mape­a­do, divi­di­mos as vacas afe­ta­das em lotes de pri­o­ri­da­des de tra­ta­men­to. Ini­ci­a­mos o tra­ta­men­to e rapi­da­men­te con­se­gui­mos dimi­nuir a taxa de con­tá­gio. Usan­do medi­ca­men­tos espe­cí­fi­cos para cada caso fica mais fácil e aumen­ta a taxa de cura. Em menos de um ano, dimi­nuí­mos a CCS em mais de 65%. Com isso, melho­ra­mos a qua­li­da­de do lei­te e dimi­nuí­mos o uso de medi­ca­men­tos”, come­mo­ra o geren­te da ASF, obser­van­do que a fazen­da sem­pre faz a cul­tu­ra micro­bi­o­ló­gi­ca do lei­te, de modo a iden­ti­fi­car pató­ge­no cau­sa­dor da doen­ça, o que é fun­da­men­tal na toma­da de decisão.

Agropecuária São Francisco de Ariquemes (RO)

Possui 120 animais em lactação, todos alojados em compost barn, com produção média dia de 18 litros de leite/cabeça. Estão finalizando mais um galpão, com capacidade para mais 80 animais, tendo como meta diária a produção de 25 litros de leite por animal

Cul­tu­ra micro­bi­o­ló­gi­ca no con­tro­le – Segun­do espe­ci­a­lis­tas em qua­li­da­de do lei­te, a fer­ra­men­ta uti­li­za­da pela Agro­pe­cuá­ria São Fran­cis­co, a cul­tu­ra micro­bi­o­ló­gi­ca do lei­te, para con­tro­lar com efi­ci­ên­cia a mas­ti­te, é uma téc­ni­ca fun­da­men­tal por­que per­mi­te a iden­ti­fi­ca­ção dos micro-orga­nis­mos res­pon­sá­veis pelos casos de mas­ti­te clí­ni­ca e sub­clí­ni­ca no reba­nho, auxi­li­an­do o pro­du­tor nas toma­das de deci­são mais assertivas.

“Quan­do se fala em pre­ven­ção e tra­ta­men­to da mas­ti­te, a cul­tu­ra micro­bi­o­ló­gia é como o raio‑x para o orto­pe­dis­ta, uma vez que per­mi­te enxer­gar além. Iden­ti­fi­car o pató­ge­no é impor­tan­te para ajus­tar­mos as medi­das de con­tro­le. Medi­das de con­tro­le para uma fazen­da que está com pro­ble­mas por cau­sa da E.coli são total­men­te dis­tin­tas das de uma pro­pri­e­da­de que está com pro­ble­mas cau­sa­dos por Strep­to­coc­cus aga­lac­ti­ae”, expli­ca Ribeiro. 

De acor­do com o con­sul­tor téc­ni­co, outra van­ta­gem da cul­tu­ra micro­bi­o­ló­gi­ca é a iden­ti­fi­ca­ção de casos nega­ti­vos, que são vacas que apre­sen­tam sinais clí­ni­cos, mas após a aná­li­se labo­ra­to­ri­al é cons­ta­ta­do que já não exis­te a pre­sen­ça de pató­ge­no, logo essa vaca rece­be um supor­te com anti-infla­ma­tó­rio. Na mai­o­ria des­ses casos, em três ou qua­tro dias os sinais clí­ni­cos e qual­quer alte­ra­ção no lei­te desaparecem. 

“A cul­tu­ra nega­ti­va pode ocor­rer em até 40% dos casos de mas­ti­te clí­ni­ca, sen­do então uma gran­de opor­tu­ni­da­de a redu­ção do uso de anti­bió­ti­cos e o des­car­te do lei­te. Outro ganho inte­res­san­te gera­do pela cul­tu­ra micro­bi­o­ló­gi­ca é iden­ti­fi­car aque­les micro-orga­nis­mos de bai­xa chan­ce de cura, como fun­gos e leve­du­ras, em que não rea­li­zar­mos o tra­ta­men­to, mas sim o des­car­te do ani­mal ou seca­gem per­ma­nen­te do teto”, diz o especialista.

 

Cul­tu­ra micro­bi­o­ló­gi­ca na pró­pria fazen­da – Esse é o caso que Mateus Ribei­ro cita da Fazen­da Pedra Pedra d’Água, no muni­cí­pio de Nos­sa Senho­ra da Gló­ria, em Ser­gi­pe, que já uti­li­za­va o Smar­tlab da OnFarm, antes do iní­cio de sua ori­en­ta­ção téc­ni­ca. O pro­pri­e­tá­rio, Mar­ce­lo Bar­re­to Sou­za, tam­bém médi­co vete­ri­ná­rio, res­sal­ta que fazer a cul­tu­ra micro­bi­o­ló­gi­ca do lei­te na fazen­da é um fer­ra­men­ta de exce­len­te pra­ti­ci­da­de e confiabilidade. 

“Em 24 horas após ino­cu­la­da na pla­ca, já temos o resul­ta­do e com isso é pos­sí­vel ser asser­ti­vos nos tra­ta­men­tos, fazen­do uso do que real­men­te é neces­sá­rio. Antes de ter­mos a fer­ra­men­ta, usá­va­mos fár­ma­cos des­ne­ces­sa­ri­a­men­te. Mui­tos dos ani­mais tinham resul­ta­do nega­ti­vo e, antes da cul­tu­ra na fazen­da, esta­ría­mos uti­li­zan­do bis­na­ga por qua­tro dias, daí vinha o des­car­te de mais três dias. Sem neces­si­da­de algu­ma. Hoje, pos­so falar com toda a cer­te­za que toda pro­pri­e­da­de de lei­te tem mui­to a ganhar com a cul­tu­ra micro­bi­o­ló­gi­ca na fazen­da”, res­sal­ta Souza.

Os desa­fi­os da Fazen­da Pedra d’Água - Loca­li­za­da no alto ser­tão ser­gi­pa­no, a fazen­da sem­pre pro­du­ziu lei­te, ini­ci­al­men­te em sis­te­ma semi-inten­si­vo, pas­san­do para o pique­tão com som­bra arti­fi­ci­al e natu­ral. “No fim de 2019, inau­gu­ra­mos um peque­no gal­pão de com­post barn para 28 vacas Holan­de­sas e algu­mas Jer­seys, pro­du­zin­do em média 756 litros/leite/dia. Os desa­fi­os eram inú­me­ros. Con­tu­do, o mai­or deles era enten­der que eu pre­ci­sa­va estar envol­vi­do den­tro dos tra­ba­lhos da pro­pri­e­da­de e não somen­te che­gar algu­mas vezes e que­rer apon­tar os defei­tos e achar res­pon­sá­veis”, diz o produtor. 

A par­tir do momen­to em que Sou­za notou que a mudan­ça come­ça­va por ele pró­prio, a Fazen­da Pedra d’Água ini­ci­ou uma nova fase. “Foi uma fase de mudan­ças, de envol­vi­men­to de toda equi­pe, em que cada inte­gran­te pas­sou a ser de extre­ma impor­tân­cia. Pois, quan­do havia fal­ta de cons­ci­ên­cia da minha par­te, as tare­fas na fazen­da não anda­vam, ocor­ria mui­ta coi­sa erra­da, eu não sabia por onde come­çar. E foi aí que che­gou Mateus Ribei­ro para nos ori­en­tar nas melho­res prá­ti­cas, e então come­ça­mos do zero o projeto.”

Segun­do Sou­za, o con­sul­tor lhe con­ven­ceu da impor­tân­cia de estar pre­sen­te em todos os momen­tos da ati­vi­da­de e o quan­to seu negó­cio lei­te pode­ria evo­luir. “A par­tir dis­so, come­cei a par­ti­ci­par das orde­nhas, a orde­nhar os ani­mais de fato. Estan­do inte­gral­men­te ao lado de minha equi­pe, tudo come­çou a fluir, a ter sentido.”

Mas, antes de essa sin­to­nia dar cer­to na Fazen­da Pedra d’Água, os pre­juí­zos com a mas­ti­te eram gran­des, porém con­ta­bi­li­za­dos de manei­ra errô­nea. Não havia a visão do quan­to esses ani­mais infec­ta­dos esta­vam dei­xan­do de pro­du­zir. Somen­te se con­ta­bi­li­za­vam os cus­tos com tra­ta­men­to e lei­te descartado. 

“Porém, o impac­to da mas­ti­te se refle­te em toda a vida pro­du­ti­va dos ani­mais. Prin­ci­pal­men­te quan­do não se têm estra­té­gi­as ou pla­nos de con­tro­le. Lem­bro que não fazía­mos con­tro­le da CCS men­sal de todo reba­nho, éra­mos falhos em alguns meses e o gran­de pro­ble­ma esta­va prin­ci­pal­men­te em ter os dados e não os uti­li­zar. Em suma, nos­sas ações para o con­tro­le da mas­ti­te não eram das pio­res, entre­tan­to fal­ta­va mais domí­nio, ou seja, ser­mos mais asser­ti­vos”, ava­lia Souza.

Jalcilene Teles (mãe de Eduardo e Marcelo), Rafaela e seu filho mais velho (José Eduardo), Eduardo e seu filho José Miguel), Bruna e sua filha Carolina Feitosa, Marcelo e seu filho Bento

Ele obser­va que a par­ce­ria com Ribei­ro ain­da é recen­te, mas, pelo anda­men­to dos tra­ba­lhos, aos pou­cos esta­rão colhen­do bons resul­ta­dos. “Vale des­ta­car que é neces­sá­rio mui­to empe­nho por par­te de todos, já que de nada adi­an­ta o téc­ni­co pro­por vári­as mudan­ças para apli­car na pro­pri­e­da­de se as pes­so­as que cui­dam da ges­tão, bem como toda equi­pe, não se com­pro­me­te­rem a que­rer o melhor ou não enten­dem o porquê de cada ação a ser ado­ta­da. Então, só por meio des­se enten­di­men­to have­rá melhor resul­ta­do para o con­tro­le des­sa doen­ça, que tan­to pre­ju­di­ca a fazen­da lei­tei­ra”, finaliza. 

A Fazen­da Pedra d’Água con­ta 28 ani­mais em lac­ta­ção das raças Holan­de­sa, que é pre­do­mi­nan­te, e Jer­sey, com algu­mas Jer­sey pro­du­zin­do cer­ca de 27 litros vaca/dia/rebanho. Quan­to aos indi­ca­do­res, são eles: qua­li­da­de do lei­te, gor­du­ra 4,07% e pro­teí­na 3,42%. De acor­do com a equi­pe da fazen­da, há pou­co tem­po a CCS gira­va em tor­no de 680 mil e, segun­do os resul­ta­dos da aná­li­se de abril, caiu para 131 mil. A CBT está em 20 mil UFC/ml. Com as novas pers­pec­ti­vas de melho­ri­as, Sou­za já pla­ne­ja ampli­ar o sis­te­ma de pro­du­ção, ini­ci­an­do com a mon­ta­gem de novo gal­pão de com­post barn para mais 100 vacas, pri­o­ri­zan­do o con­for­to do reba­nho, pois des­sa for­ma, segun­do ele, as vacas serão “mais sau­dá­veis e longevas”.