Queda no preço do leite reduz poder de compra - Digital Balde Branco

Pre­ço rece­bi­do pelo pro­du­tor acu­mu­la des­va­lo­ri­za­ção de 13,2% des­de janei­ro, o que com­pro­me­te a rela­ção de troca

A deman­da enfra­que­ci­da na pon­ta final da cadeia e a mai­or ofer­ta de lei­te no cam­po, decor­ren­te do avan­ço do perío­do de safra, têm pres­si­o­na­do a recei­ta do pro­du­tor no Rio Gran­de do Sul, de acor­do com levan­ta­men­tos do Cepea-Cen­tro de Estu­dos Avan­ça­dos em Eco­no­mia Apli­ca­da/E­salq-USP. Com isso, o poder de com­pra do pro­du­tor se redu­ziu nos últi­mos seis meses, o que afe­ta dire­ta­men­te a toma­da de deci­são quan­to a investimentos.

A rela­ção de tro­ca entre o con­cen­tra­do de 22% de pro­teí­na bru­ta e o pre­ço rece­bi­do pelo pro­du­tor, nos últi­mos seis meses, pio­rou em 47,4%. Em mar­ço, eram neces­sá­ri­os 22,9 litros de lei­te para com­prar um saco de ração, ao pas­so que, em agos­to, essa pro­du­ção se ele­vou para 33,9 litros. Com rela­ção ao die­sel, no ter­cei­ro mês do ano o pro­du­tor pre­ci­sou de 2,4 litros de lei­te para adqui­rir um litro do com­bus­tí­vel, e no fecha­men­to de agos­to, o valor subiu para 2,7 litros, redu­ção de 10,8% no poder de compra.

O resul­ta­do está atre­la­do à dimi­nui­ção da recei­ta. O pre­ço do lei­te rece­bi­do pelo pro­du­tor gaú­cho em setem­bro teve redu­ção de 6,2% fren­te a agos­to, fechan­do a R$ 1,0580/litro. Esta é a quar­ta que­da con­se­cu­ti­va no pre­ço men­sal, que já acu­mu­la des­va­lo­ri­za­ção de 13,2% des­de janei­ro. Na com­pa­ra­ção com o pre­ço regis­tra­do no mes­mo inter­va­lo do ano pas­sa­do, a redu­ção é ain­da mai­or, de 30,7% (valo­res reais defla­ci­o­na­dos pelo IPCA de setem­bro de 2017).

Por outro lado, os cus­tos da ati­vi­da­de seguem pra­ti­ca­men­te está­veis. Segun­do pes­qui­sas mais recen­tes do Cepea, de julho para agos­to, o Cus­to Ope­ra­ci­o­nal Efe­ti­vo (COE, que englo­ba os gas­tos cor­ren­tes das pro­pri­e­da­des) das fazen­das modais do Rio Gran­de do Sul regis­trou ligei­ra vari­a­ção de 0,09%. Quan­do ana­li­sa­da o índi­ce acu­mu­la­do de janei­ro a agos­to de 2017, o incre­men­to é de 0,47%.

O aumen­to dos pre­ços dos con­cen­tra­dos e dos com­bus­tí­veis e a redu­ção nos valo­res dos fer­ti­li­zan­tes e defen­si­vos agrí­co­las nos últi­mos meses têm esta­bi­li­za­do os cus­tos, que ini­ci­a­ram o ano em queda.

Com o avan­ço da safra, é espe­ra­do que a recei­ta do pro­du­tor con­ti­nue em que­da nos pró­xi­mos meses. Os cus­tos, por sua vez, ten­dem a subir, acom­pa­nhan­do a ele­va­ção dos pre­ços dos con­cen­tra­dos (milho e fare­lo de soja).

A aná­li­se men­sal da rela­ção de tro­ca dos prin­ci­pais insu­mos usa­dos na pro­du­ção duran­te o ano, por­tan­to, é essen­ci­al para a via­bi­li­da­de econô­mi­ca da ati­vi­da­de, além do acom­pa­nha­men­to dos cus­tos de pro­du­ção da pro­pri­e­da­de. Isso por­que o menor pre­ço de um insu­mo, em um deter­mi­na­do mês, pode não resul­tar no melhor momen­to para com­pra do pro­du­to se a rela­ção com a recei­ta não for favorável.

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Aná­li­se de Ser­gio De Zen, pro­fes­sor da Esalq-Esco­la Supe­ri­or de Agri­cul­tu­ra Luiz de Quei­roz-USP e pes­qui­sa­dor res­pon­sá­vel pela área de pecuá­ria do Cepea-Cen­tro de Estu­dos Avan­ça­dos em Eco­no­mia Apli­ca­da, e Wag­ner H. Yana­gui­zawa, ana­lis­ta da equi­pe Lei­te do Cepea.

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