Quer ter vacas mais lucrativas? Foque em saúde na transição - Portal BB

Quer ter vacas mais lucrativas? Foque em saúde na transição

Ale­xan­dre M. Pedroso

Con­sul­tor Téc­ni­co Bovi­nos Leiteiros

Nutron/Cargill

 

 

T odo pro­du­tor de lei­te quer que suas vacas tenham ele­va­da pro­du­ti­vi­da­de, mas em gran­de par­te das fazen­das bra­si­lei­ras, isso não é um obje­ti­vo fácil de atin­gir. São mui­tos os fato­res que afe­tam o desem­pe­nho pro­du­ti­vo e repro­du­ti­vo das vacas lei­tei­ras, e para con­se­guir ele­va­da efi­ci­ên­cia, os pro­du­to­res pre­ci­sam estar aten­tos a todos. Como em qual­quer negó­cio, há os aspec­tos que têm mai­or impac­to sobre o resul­ta­do, e no caso da pro­du­ção de lei­te um dos fato­res que mais afe­ta a lucra­ti­vi­da­de é a saú­de do rebanho.

O perío­do mais desa­fi­a­dor para a saú­de de uma vaca lei­tei­ra é a tran­si­ção, clas­si­ca­men­te as 3 sema­nas antes e as 3–4 sema­nas depois do par­to. São mui­to impac­tan­tes. As alte­ra­ções fisi­o­ló­gi­cas que os ani­mais enfren­tam na pre­pa­ra­ção para o par­to e, iní­cio de uma nova lac­ta­ção, em uma fase na qual, os ani­mais, via de regra, sofrem de imu­nos­su­pres­são, ou seja, ficam mui­to mais sujei­tos à ocor­rên­cia de doen­ças e dis­túr­bi­os meta­bó­li­cos, que nor­mal­men­te se mani­fes­tam nos pri­mei­ros dias da lactação. 

Para mini­mi­zar a chan­ce de pro­ble­mas é fun­da­men­tal garan­tir duas coi­sas para as vacas: con­for­to e boa nutri­ção, tan­to no pré, como no pós-par­to ime­di­a­to. Isso é impres­cin­dí­vel para que o sis­te­ma imu­ne das vacas este­ja ati­vo, pro­te­gen­do ade­qua­da­men­te os ani­mais. A fal­ta de con­for­to no perío­do de tran­si­ção, resul­ta em aumen­to na deman­da nutri­ci­o­nal para man­ten­ça. Pro­ble­mas como calor exces­si­vo ou tem­po ina­de­qua­do para des­can­so, impõem às vacas um stress meta­bó­li­co que “rou­ba” nutri­en­tes que seri­am des­ti­na­dos à pro­te­ção do orga­nis­mo, e os ani­mais ficam mais sujei­tos às doen­ças típi­cas do iní­cio da lac­ta­ção – metri­te, reten­ção de pla­cen­ta, ceto­se, etc.

Se além dis­so, as vacas não tive­rem a nutri­ção ade­qua­da, o pro­ble­ma pode se agra­var mui­to. A prin­ci­pal cau­sa de des­car­tes pre­co­ces em reba­nhos lei­tei­ros, (antes dos 60 dias de lac­ta­ção) é jus­ta­men­te o mane­jo ina­de­qua­do no perío­do de tran­si­ção. Um erro mui­to comum nas fazen­das é jus­ta­men­te que­rer que as vacas pro­du­zam o máxi­mo pos­sí­vel des­de o pri­mei­ro dia da lac­ta­ção. No perío­do ime­di­a­ta­men­te após ao par­to, o obje­ti­vo mai­or do pro­du­tor deve ser garan­tir à vaca as melho­res con­di­ções para que pos­sam se recu­pe­rar ade­qua­da­men­te do par­to, e assim, pos­sam desem­pe­nhar bem no perío­do subsequente. 

Impor às vacas um rit­mo ace­le­ra­do de pro­du­ção nes­se perío­do ini­ci­al da lac­ta­ção é uma estra­té­gia peri­go­sa, pois pode ser um desa­fio ain­da mai­or do que o que elas já têm, por cau­sa do balan­ço ener­gé­ti­co nega­ti­vo que ocor­re nas pri­mei­ras sema­nas pós-par­to. A melhor estra­té­gia nas pri­mei­ras 3 sema­nas pós-par­to é focar na recu­pe­ra­ção hor­mo­nal e na saú­de das vacas, usan­do die­tas menos agres­si­vas, com teor de ami­do mais bai­xo, pri­o­ri­zan­do o uso de volu­mo­sos de alta qualidade.

Se der­mos a elas as con­di­ções para se recu­pe­ra­rem ade­qua­da­men­te do stress do par­to, bus­can­do a maxi­mi­za­ção do con­su­mo de ali­men­tos (CMS), com menor stress meta­bó­li­co, em um segun­do momen­to (depois de 3–4 sema­nas) pode­rão expres­sar todo o seu poten­ci­al pro­du­ti­vo e, a ocor­rên­cia de dis­túr­bi­os meta­bó­li­cos será mui­to menor. Além dis­so, mui­to pro­va­vel­men­te retor­na­rão mais cedo à ati­vi­da­de estral, o que con­tri­bui­rá deci­si­va­men­te para a melho­ria da efi­ci­ên­cia reprodutiva.


Ris­cos do Bai­xo CMS

Uma série de pro­ble­mas decor­re da bai­xa inges­tão de maté­ria seca, típi­ca do perío­do de tran­si­ção, den­tre os quais três são con­si­de­ra­dos fato­res de ris­co ele­va­do, com a bai­xa do CMS:

  • Leva à mobi­li­za­ção de gor­du­ra, que se for em gran­de quan­ti­da­de pode levar à ocor­rên­cia de sín­dro­me do fíga­do gor­du­ro­so, com sub­se­quen­te desen­vol­vi­men­to de ceto­se, resul­tan­do em pre­juí­zo ao fun­ci­o­na­men­to do fígado;

  • Pre­ju­di­ca o sis­te­ma imu­no­ló­gi­co, o que aumen­ta o ris­co de ocor­rên­cia de mas­ti­tes e metrites;

  • Faz com que o rúmen fique esva­zi­a­do, o que aumen­ta mui­to o ris­co de ocor­rên­cia de Des­lo­ca­men­to de Abomaso;

Para mini­mi­zar os efei­tos des­sa redu­ção de con­su­mo, o melhor cami­nho é com­pen­sar de algu­ma for­ma a que­da na inges­tão de ali­men­tos, de for­ma que a inges­tão de nutri­en­tes, espe­ci­al­men­te ener­gia, não seja tão pre­ju­di­ca­da. O obje­ti­vo nas últi­mas 3 sema­nas de ges­ta­ção é man­ter o teor de ener­gia da die­ta das vacas entre 1,45 e 1,60 Mcal/kg MS, sem que o teor total de ami­do da die­ta pas­se de 18%. Depois do par­to, o teor de ener­gia deve ser ajus­ta­do à pro­du­ção dos ani­mais, mas é impor­tan­te man­ter o teor de ami­do mais bai­xo, em até 20–22%. 

Outro pon­to mui­to impor­tan­te no perío­do de tran­si­ção, está rela­ci­o­na­do ao uso de adi­ti­vos que com­pro­va­da­men­te aju­dam no for­ta­le­ci­men­to do sis­te­ma imu­ne, e melho­ram o apro­vei­ta­men­to dos nutri­en­tes da die­ta. Todos os esfor­ços no sen­ti­do de for­ta­le­cer o sis­te­ma imu­ne das vacas, nes­se perío­do, serão recom­pen­sa­dos ampla­men­te se os ani­mais não fica­rem doen­tes no pós-par­to ime­di­a­to, vol­tan­do rapi­da­men­te à ati­vi­da­de repro­du­ti­va e alcan­çan­do pico ele­va­do de pro­du­ção de leite.

Se o mane­jo nes­ses pri­mei­ros 20–30 dias pós-par­to for fei­to den­tro des­se con­cei­to, focan­do no con­for­to e sani­da­de das vacas, espe­ci­al­men­te na saú­de do rúmen, as vacas terão uma con­di­ção mui­to favo­rá­vel para res­pon­der mui­to bem quan­do entra­rem no lote de alta pro­du­ção. A expe­ri­ên­cia da nos­sa equi­pe téc­ni­ca com essa estra­té­gia é mui­to posi­ti­va, prin­ci­pal­men­te em reba­nhos de alta pro­du­ção. É pre­ci­so lem­brar que em rela­ção ao perío­do total do inter­va­lo entre 2 par­tos, o perío­do de tran­si­ção repre­sen­ta no máxi­mo 15% do total, e é jus­ta­men­te o melhor momen­to para inves­tir no mai­or patrimô­nio dos pro­du­to­res de lei­te: suas vacas!

 

 
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