Recursos humanos: a base do sucesso de uma fazenda leiteira - Digital Balde Branco

Novos tem­pos, novas manei­ras de tra­ba­lhar e um novo con­cei­to para dire­ci­o­nar o tra­ba­lho na pro­du­ção de lei­te: não mais ges­tão de pes­so­as, mas, sim, ges­tão com as pessoas

Por João Antô­nio dos Santos

Nas rodas de con­ver­sas de pro­du­to­res de lei­te o assun­to é vari­a­do: vacas, gené­ti­ca, raças, nutri­ção, tec­no­lo­gi­as, mane­jos, sila­gens, cus­tos, mer­ca­do, pre­ços do lei­te, rumos do setor… Porém, rara­men­te se ouve falar da pes­soa, de quem que está na base de todo o pro­ces­so, de quem põe tudo para fun­ci­o­nar para bons ou maus resul­ta­dos. E quan­do se fala de pes­so­as, como mão de obra, se faz com um viés não raro nega­ti­vo, depreciativo.

“Está na hora de mudar o rumo des­sa pro­sa”. Com essa adver­tên­cia, Sér­gio Sori­a­no, médi­co vete­ri­ná­rio e ges­tor de pecuá­ria da Fazen­da Colo­ra­do, de Ara­ras-SP, abriu sua pales­tra sobre lide­ran­ça e recur­sos huma­nos den­tro de uma pro­pri­e­da­de lei­tei­ra para 1.300 pro­du­to­res, no I Encon­tro de Empre­en­de­do­res do Lei­te, rea­li­za­do em Goi­â­nia-GO, no mês de outubro.

Logo ao abrir sua apre­sen­ta­ção, ele citou Aldo Bian­co, espe­ci­a­lis­ta em desen­vol­vi­men­to huma­no: “Você seria capaz de fazer sozi­nho tudo o que a equi­pe faz e rea­li­za? Então as pes­so­as têm, de fato, mui­to valor. Lide­ran­ça e ges­tão é isso: enten­der de gen­te e gerir com as pes­so­as os pro­ces­sos para gerar resul­ta­dos”. Tal pen­sa­men­to ser­viu de mote a Sori­a­no, ao des­ta­car que uma sim­ples mudan­ça de conec­ti­vo, tro­can­do o ‘de’ por ‘com’, impri­me nova dimen­são a con­cei­tos comu­men­te uti­li­za­dos quan­do se abor­da a ques­tão dos recur­sos huma­nos numa empresa.

Segun­do ele, não se tra­ta aqui de ‘ges­tão de pes­so­as’, prá­ti­ca que colo­ca de um lado o ges­tor, como um coman­dan­te, e do outro os coman­da­dos, obedecendo‑o para fun­ci­o­na­rem como uma equi­pe. Essa sim­ples tro­ca, optan­do-se pelo ‘com’, colo­ca em pri­mei­ro pla­no a valo­ri­za­ção das pes­so­as que tra­ba­lham numa fazen­da. “Na prá­ti­ca coti­di­a­na da Fazen­da Colo­ra­do, o con­cei­to fun­da­men­tal é com­par­ti­lhar, ou seja, tro­car idei­as e fazer jun­tos para se che­gar às metas deter­mi­na­das”, res­sal­ta ele.
Hoje, ele lide­ra uma equi­pe res­pon­sá­vel pela pro­du­ção média de 70 mil litros de lei­te por dia, sen­do que no pico já che­gou a 74 mil, um recor­de obti­do na pro­pri­e­da­de este ano, gra­ças ao com­pro­mis­so comum de todos de ele­var cada vez mais as médi­as de pro­du­ção de um apu­ra­do reba­nho de vacas Holan­de­sas. “Por trás dos índi­ces alcan­ça­dos, está nos­sa deter­mi­na­ção em valo­ri­zar e focar nas pes­so­as, a base do suces­so de um empre­en­di­men­to, pois são elas que fazem as coi­sas acon­te­ce­rem”, des­ta­ca, citan­do que a ges­tão com as pes­so­as ganha gran­de rele­vân­cia em perío­dos de cri­se e trans­for­ma­ções do mercado.

Leia a ínte­gra des­ta maté­ria na edi­ção Bal­de Bran­co 627, de janei­ro 2017

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