Santa Catarina rastreia rebanho leiteiro para eliminar brucelose e tuberculose - Digital Balde Branco
revista-balde-branco-rastreabilidade-01-ed686

Família Bergamin, da Granja Bergamin, em Xavantina, apoia a iniciativa da Secretaria de Agricultura, da Pesca e do Desenvolvimento Rural: mais segurança 

BRUCELOSE E TUBERCULOSE

Santa Catarina rastreia rebanho leiteiro para

eliminar brucelose e tuberculose 

Medidas adotadas pelo Estado, o mais bem classificado nos índices de prevalência das doenças estabelecido pelo Ministério da Agricultura, visam localizar mais rapidamente os focos contaminados

João Carlos de Faria

Depois de se posi­ci­o­nar como o pri­mei­ro Esta­do bra­si­lei­ro a ser cer­ti­fi­ca­do pela Orga­ni­za­ção Mun­di­al de Saú­de Ani­mal (OIE) como área livre de febre afto­sa sem vaci­na­ção e de ter apre­sen­ta­do a menor pre­va­lên­cia de bru­ce­lo­se ani­mal no País, além de um bai­xís­si­mo índi­ce de tuber­cu­lo­se (0,5% do reba­nho), San­ta Cata­ri­na ago­ra alme­ja alcan­çar o pata­mar de insig­ni­fi­cân­cia des­sas doen­ças, visan­do à expor­ta­ção de leite. 

Por isso, des­de janei­ro de 2021 os lati­cí­ni­os cata­ri­nen­ses estão obri­ga­dos a ras­tre­ar toda a maté­ria-pri­ma e soli­ci­tar exa­mes de bru­ce­lo­se e tuber­cu­lo­se do reba­nho de seus for­ne­ce­do­res, con­for­me a Por­ta­ria SAR 44/2020, da Secre­ta­ria de Esta­do da Agri­cul­tu­ra, da Pes­ca e do Desen­vol­vi­men­to Rural. O obje­ti­vo é loca­li­zar os reba­nhos con­ta­mi­na­dos den­tro do Esta­do, que hoje seri­am cer­ca de 2.000 com bru­ce­lo­se e outros 1.000 com tuberculose. 

Karina Baumgarten: Para avançar nesse estágio, é preciso trabalhar com a cadeia produtiva para eliminar as doenças e esse foi o intuito da Portaria 44/2020, quando estabeleceu a rastreabilidade do leite

“Esses núme­ros, embo­ra sejam bai­xos em rela­ção ao total do reba­nho, pre­ci­sam ser loca­li­za­dos para evi­tar que as pes­so­as se con­ta­mi­nem e que se dis­se­mi­nem as doen­ças”, expli­ca a médi­ca vete­ri­ná­ria Kari­na Diniz Baum­gar­ten, ide­a­li­za­do­ra do pro­je­to e coor­de­na­do­ra do Pro­gra­ma Esta­du­al de Erra­di­ca­ção da Bru­ce­lo­se e Tuber­cu­lo­se (PEEBT), exe­cu­ta­do pela Com­pa­nhia Inte­gra­da de Desen­vol­vi­men­to Agrí­co­la de San­ta Cata­ri­na (Cidasc).

A tuber­cu­lo­se, por exem­plo, é uma doen­ça que pode ser trans­mi­ti­da prin­ci­pal­men­te por via res­pi­ra­tó­ria, atra­vés do ar, mas tam­bém por con­ta­to dire­to com secre­ções nasais de ani­mais infec­ta­dos. Por isso, há mai­or ris­co de atin­gir reba­nhos lei­tei­ros por­que ficam mais aglo­me­ra­dos, prin­ci­pal­men­te em pro­pri­e­da­des lei­tei­ras com mai­or tec­no­lo­gia. “Tínha­mos que tra­ba­lhar esses reba­nhos para con­tro­lar a doen­ça de for­ma mais rápi­da”, expli­ca Karina. 

Quan­to à bru­ce­lo­se, o con­tro­le é mais fácil, pois é pos­sí­vel colher e exa­mi­nar amos­tras dire­ta­men­te dos tan­ques de lei­te, pro­ces­so mui­to mais rápi­do do que tes­tar ani­mal por ani­mal. “Nes­se caso, a gen­te uti­li­za o pró­prio flu­xo da cadeia pro­du­ti­va para ras­tre­ar o reba­nho con­ta­mi­na­do”, complementa. 

É cada vez maior o número de propriedades que estão fazendo os testes de tuberculose e brucelose nos rebanhos

Clas­si­fi­ca­ção – Pela Ins­tru­ção Nor­ma­ti­va 10/2017, do Minis­té­rio da Agri­cul­tu­ra, os Esta­dos são clas­si­fi­ca­dos de acor­do com o nível de pre­va­lên­cia das doen­ças, ou seja, quan­to menor o núme­ro de casos, mais bai­xo ou insig­ni­fi­can­te, a situ­a­ção é rela­ti­va ao nível “A” da esca­la. É o caso de San­ta Cata­ri­na, onde a inci­dên­cia é menor do que 2%, tan­to para bru­ce­lo­se quan­to para tuber­cu­lo­se, sen­do, por­tan­to, o úni­co Esta­do bra­si­lei­ro nes­ta condição. 

A clas­si­fi­ca­ção ocor­re entre as letras “A” e “E”, con­for­me a vari­a­ção do índi­ce de con­ta­mi­na­ção, sen­do a clas­se E dada aos Esta­dos que ain­da não rea­li­za­ram nenhum estu­do epi­de­mi­o­ló­gi­co para conhe­cer o total de reba­nhos contaminados. 

“Para avan­çar nes­se está­gio, é pre­ci­so tra­ba­lhar com a cadeia pro­du­ti­va para eli­mi­nar as doen­ças e esse é o intui­to da Por­ta­ria 44/2020, que esta­be­le­ceu a ras­tre­a­bi­li­da­de com regras mais rígi­das para que pudés­se­mos encon­trar mais rapi­da­men­te os focos con­ta­mi­na­dos, pro­te­ger a saú­de públi­ca e evi­tar a dis­se­mi­na­ção a outros reba­nhos”, con­ta Kari­na. Essa não é uma impo­si­ção do Minis­té­rio da Agri­cul­tu­ra, mas cada Esta­do pode ado­tar pro­vi­dên­ci­as para pro­te­ger a sua cadeia pro­du­ti­va. “É um pas­so a mais. Não bas­ta ser clas­se A, a gen­te tem que ser clas­se A3”, afirma.

Fer­ra­men­tas de ras­tre­a­bi­li­da­de – O pri­mei­ro movi­men­to nes­se sen­ti­do foi con­ver­sar com a cadeia pro­du­ti­va e fazer uma minu­ta da por­ta­ria, que foi sen­do ajus­ta­da até ficar viá­vel para ser ado­ta­da den­tro da rea­li­da­de. Para a bru­ce­lo­se, a prin­ci­pal pro­vi­dên­cia foi tor­nar obri­ga­tó­ria uma cole­ta anu­al nas pro­pri­e­da­des, fei­ta pela indús­tria e envi­a­da e ana­li­sa­da por dois labo­ra­tó­ri­os cre­den­ci­a­dos pelo Estado.

“Para isso, tive­mos que afi­nar a ras­tre­a­bi­li­da­de para saber quem pro­duz, para quem pro­duz e onde está a pro­pri­e­da­de e o reba­nho. É impor­tan­te escla­re­cer que essa ras­tre­a­bi­li­da­de é sani­tá­ria, com a fina­li­da­de úni­ca de loca­li­zar os reba­nhos con­ta­mi­na­dos e não como infor­ma­ção ao con­su­mi­dor final”, afir­ma a médi­ca veterinária. 

“Aos dados da Secre­ta­ria se jun­ta­ram infor­ma­ções dos lati­cí­ni­os para defi­nir rotas com as quais é pos­sí­vel loca­li­zar a indús­tria, os pro­du­to­res e a região onde estão. “Isso nos per­mi­te saber de onde são as amos­tras de lei­te e, se o exa­me for posi­ti­vo, aten­der à pro­pri­e­da­de, fazer a fis­ca­li­za­ção e ori­en­tar o produtor.” 

Para a tuber­cu­lo­se, que exi­ge que o exa­me seja fei­to ani­mal por ani­mal, a medi­da ado­ta­da foi a de rea­li­zar exa­mes a cada três anos, com um calen­dá­rio por muni­cí­pio e região esta­be­le­ci­do pela Cidasc, para que esses exa­mes sejam fei­tos de for­ma esca­lo­na­da e não se con­cen­trem ape­nas em deter­mi­na­das épo­cas do ano. 

“Notá­va­mos, nos aba­te­dou­ros, a che­ga­da de mui­tas vacas con­de­na­das por ter tuber­cu­lo­se, que vinham de pro­pri­e­da­des lei­tei­ras e os pro­pri­e­tá­ri­os nem sabi­am que havia ani­mais con­ta­mi­na­dos no seu reba­nho”, lem­bra Kari­na, acres­cen­tan­do que embo­ra o Minis­té­rio da Agri­cul­tu­ra exi­ja tes­tes perió­di­cos, não defi­ne a frequên­cia com que isso deve ocorrer. 

Impac­tos das medi­das – Com essas prá­ti­cas, o total encon­tra­do de reba­nhos con­ta­mi­na­dos aumen­tou em 88% para bru­ce­lo­se e em 9% para tuber­cu­lo­se em rela­ção a 2020, refle­tin­do nas inde­ni­za­ções pagas pelo Esta­do por ani­mais descartados. 

De um ano para outro, o valor pago para os casos de bru­ce­lo­se dobrou, pas­san­do de R$ 7 milhões para R$ 14 milhões, e os de tuber­cu­lo­se subiu em cer­ca de R$ 3,6 milhões, pas­san­do de R$ 11,305 milhões para R$ 17,645 milhões, con­si­de­ran­do obvi­a­men­te a vari­a­ção do pre­ço da car­ne, uma vez que o paga­men­to é fei­to com base no valor do peso do ani­mal vivo. 

Em núme­ros de amos­tras, em 2021, foram 879 posi­ti­vas, num total de 24.665 cole­tas, o que repre­sen­ta uma rea­ção de 3,5% no con­jun­to des­sas amos­tras. Das posi­ti­vas, cer­ca de 500 con­fir­ma­ram ani­mais posi­ti­vos no exa­me de san­gue, se tor­nan­do foco de brucelose. 

A meta ago­ra é se sub­me­ter às audi­to­ri­as do Minis­té­rio da Agri­cul­tu­ra para alcan­çar o nível “A3”, que pode­rá ser uti­li­za­do pelos lati­cí­ni­os para impul­si­o­nar a expor­ta­ção do pro­du­to. “Isso dá repu­ta­ção ao nos­so lei­te e valo­ri­za a pro­du­ção do Estado.”

Em para­le­lo a esse tra­ba­lho fei­to pelo setor lác­teo, a Cidasc rea­li­za a aná­li­se de amos­tras de san­gue em aba­te­dou­ros para a detec­ção de casos de bru­ce­lo­se tam­bém em reba­nhos de cor­te. A inves­ti­ga­ção é fei­ta nos aba­te­dou­ros pelos médi­cos vete­ri­ná­ri­os da ins­pe­ção sani­tá­ria, quan­do se encon­tram lesões (tubér­cu­los) duran­te o aba­te de bovinos. 

Produtores como Lenir Warmling Boeing, do município de Braço do Norte, acataram as medidas como um benefício para melhorar a qualidade da produção leiteira do Estado 

Rea­ção posi­ti­va – As rea­ções da indús­tria e dos pro­du­to­res na ela­bo­ra­ção da pri­mei­ra minu­ta da legis­la­ção foram de ques­ti­o­na­men­to e com algu­mas res­tri­ções, mas um pro­je­to — pilo­to, rea­li­za­do entre 2011 e 2015, nas regiões de Cha­pe­có e Tuba­rão, ser­viu para mos­trar os erros e acer­tos. “A gen­te pode ante­ci­par o que pode­ria dar erra­do e o que pode­ria dar cer­to”, afir­ma Karina.

Um exem­plo dis­so foram os pri­mei­ros tes­tes nos labo­ra­tó­ri­os da Cidasc, que apre­sen­ta­ram rea­ção em 20% das amos­tras, quan­do se sabia que a inci­dên­cia da doen­ça era de ape­nas 2%. “Isso nos assus­tou em prin­cí­pio, mas envi­a­mos as amos­tras para outro labo­ra­tó­rio em Curi­ti­ba para outro tipo de tes­te e deu cer­to”, expli­ca Kari­na. Outro empe­ci­lho nes­sa fase foi a resis­tên­cia das indús­tri­as em se cadas­trar na Cidasc, difi­cul­da­de que tam­bém foi supe­ra­da positivamente. 

“Ain­da esta­mos fazen­do ajus­tes, mas o setor ‘ves­tiu a cami­sa’ e esta­mos a todo vapor”, afir­ma a médi­ca vete­ri­ná­ria. Uma das medi­das posi­ti­vas que vêm sen­do ado­ta­das pelos lati­cí­ni­os, segun­do ela, é a cer­ti­fi­ca­ção e a boni­fi­ca­ção para as pro­pri­e­da­des livres das doenças. 

Sin­di­lei­te – O pre­si­den­te do Sin­di­ca­to de Lei­te de San­ta Cata­ri­na (Sindileite/SC), Val­ter Bran­da­li­se, dis­se que o fato de o setor ter sido con­vi­da­do a par­ti­ci­par da dis­cus­são da minu­ta da por­ta­ria foi mui­to posi­ti­vo para que os inte­res­ses comuns do pro­je­to fos­sem aten­di­dos. Afi­nal, jun­tas, as indús­tri­as ins­pe­ci­o­na­das cole­ta­ram no ano pas­sa­do 2,945 bilhões de litros de lei­te cru em todo o Esta­do, o equi­va­len­te a 11,7% do total naci­o­nal (IBGE).

“Fize­mos suges­tões e aler­tas base­a­dos na nos­sa vivên­cia do dia a dia. Pre­ci­sá­va­mos, por exem­plo, pen­sar na estru­tu­ra neces­sá­ria e se está­va­mos pre­pa­ra­dos para aten­der à nova deman­da, por­que já visu­a­li­zá­va­mos pro­ble­mas como a defi­ci­ên­cia no for­ne­ci­men­to dos antí­ge­nos”, afirma. 

Para che­gar ao pro­du­tor, ele con­ta que foi pre­ci­so que­brar resis­tên­ci­as, uma vez que, antes da obri­ga­to­ri­e­da­de, nem todos se inte­res­sa­vam pelo assun­to. “Mas, sen­do uma por­ta­ria do gover­no, uma obri­ga­ção legal, ficou mais fácil con­ven­cer esses pro­du­to­res a cum­pri­rem a lei.” 

Tam­bém foram mobi­li­za­dos para isso órgãos como o Con­se­lei­te, além de avi­sos envi­a­dos aos pro­du­to­res e os con­ta­tos dire­tos das equi­pes téc­ni­cas das indús­tri­as. “Não fal­tou infor­ma­ção e hoje todo pro­du­tor de San­ta Cata­ri­na sabe que em algum momen­to será visitado.” 

“Não faltou informação e hoje todo produtor de Santa Catarina sabe que em algum momento será visitado” Valter Brandalise

Segun­do Bran­da­li­se, a situ­a­ção ago­ra é de cer­ta nor­ma­li­da­de, sem mui­tas bar­rei­ras para o anda­men­to do tra­ba­lho, além do que os pro­du­to­res que cobram ações para abrir mer­ca­dos exter­nos sabem que a sani­da­de e a qua­li­da­de do lei­te são exi­gên­ci­as dos paí­ses importadores. 

A expor­ta­ção, aliás, é uma das metas da indús­tria, que quer apro­vei­tar os perío­dos de exces­so da pro­du­ção para “enxu­gar” o mer­ca­do, arma­ze­nan­do lei­te em pó para comer­ci­a­li­za­ção no mer­ca­do exter­no nos momen­tos mais pro­pí­ci­os. “A expor­ta­ção depen­de de opor­tu­ni­da­des, ou seja, o inte­res­se varia de acor­do com o melhor pre­ço, seja no mer­ca­do inter­no, seja no exter­no”, diz. 

Hoje o volu­me de expor­ta­ção de San­ta Cata­ri­na ain­da é peque­no, mas, segun­do Bran­da­li­se, já há um pro­gra­ma de trei­na­men­to ban­ca­do pela Agên­cia Bra­si­lei­ra de Pro­mo­ção de Expor­ta­ções e Inves­ti­men­tos (Apex Bra­sil), que capa­ci­ta empre­sas do Esta­do para ven­der no mer­ca­do exter­no, habi­li­tan­do suas res­pec­ti­vas plan­tas para cole­tar mai­o­res volu­mes. Dados do Minis­té­rio da Eco­no­mia apon­tam que, nes­te ano, até o mês de mar­ço, o Esta­do havia expor­ta­do 309,2 mil tone­la­das de pro­du­tos lácteos.

Sobre a ras­tre­a­bi­li­da­de, Bran­da­li­se acha que ain­da é cedo para medir os resul­ta­dos, mas diz que é pos­sí­vel sen­tir alguns pro­ble­mas estru­tu­rais a serem supe­ra­dos, como a fal­ta de pes­so­al e a escas­sez de mate­ri­al para os tes­tes. No entan­to, a cer­ti­fi­ca­ção de um núme­ro mai­or de pro­pri­e­da­des, que, segun­do a Cidasc, pulou de cer­ca de 700 em 2018 para 2.000 nes­te ano, seria, segun­do ele, um dos sal­dos posi­ti­vos do pro­gra­ma. Além dis­so, a remu­ne­ra­ção aos pro­du­to­res seria um inves­ti­men­to das indús­tri­as para impulsioná-lo.

Diego Junior Bergamim (de chapéu) e os pais, Salete e Joraci Bergamim, na propriedade localizada em Xavantina e certificada como livre de brucelose e tuberculose desde 2016 

PRODUTORES APROVAM MEDIDAS E ELOGIAM INICIATIVA DO ESTADO

 

As nor­mas para a ras­tre­a­bi­li­da­de agra­da­ram à mai­o­ria dos pro­du­to­res, que tecem elo­gi­os às medi­das. Pro­du­tor de lei­te em Xavan­ti­na, Die­go Juni­or Ber­ga­mim afir­ma que as medi­das foram rece­bi­das com tran­qui­li­da­de na Gran­ja Ber­ga­mim, que já é cer­ti­fi­ca­da des­de 2016, o que, segun­do ele, é uma for­ma de “unir o útil ao agra­dá­vel”, pois, além de man­ter a sani­da­de dos ani­mais e a segu­ran­ça das pes­so­as, há a remu­ne­ra­ção paga pela indústria.

Na Gran­ja, a pro­du­ção é de 1.200 litros/dia, com média de 25 litros/vaca e o reba­nho é for­ma­do por ani­mais das raças Holan­de­sa e Giro­lan­do, sen­do 45 vacas em lac­ta­ção. “O pro­ble­ma era que boa par­te da vizi­nhan­ça não ado­ta­va os mes­mos cui­da­dos, mas ago­ra a mai­o­ria já fez os exa­mes e isso nos dá mais segu­ran­ça”, afirma.

For­ma­do em medi­ci­na vete­ri­ná­ria, ele tra­ba­lha na pro­pri­e­da­de des­de 1985 com os pais e diz que logo per­ce­beu que a sani­da­de e a pre­ven­ção seri­am cami­nhos sem vol­ta, até mes­mo para pre­ser­var a saú­de da pró­pria famí­lia. “Antes não se liga­va para índi­ces como CCS/CBT, por exem­plo, por­que não se per­ce­bia o quan­to isso era impor­tan­te”, revela.

O melhor para o con­su­mi­dor – Em Jabo­rá, no meio-oes­te cata­ri­nen­se, pró­xi­mo a Cha­pe­có, a Caba­nha Cas­si­a­no tam­bém é refe­rên­cia na pro­du­ção de lei­te, com 2 mil litros/dia e média de 40 litros por vaca/dia, com pers­pec­ti­va de che­gar em bre­ve a 4 mil litros. “Nós aqui somos peque­nos”, afir­ma o pro­pri­e­tá­rio, Car­los Luiz Cas­si­a­no, que espe­ra em bre­ve ter todo o seu reba­nho for­ma­do com vacas Holan­de­sas PO, boa par­te de seu pró­prio criatório.

A Caba­nha tam­bém é cer­ti­fi­ca­da des­de 2015 e foca na ofer­ta de um pro­du­to de alta qua­li­da­de no mer­ca­do. “Nós, que somos pro­du­to­res de ali­men­tos, temos de ofe­re­cer o melhor ao con­su­mi­dor. Por isso, acho que as medi­das ado­ta­das pelo Esta­do são de gran­de impor­tân­cia para todos nós”, diz Cas­si­a­no. As exi­gên­ci­as da lei, segun­do ele, ain­da enfren­tam resis­tên­ci­as na sua região, mas acre­di­ta que os pro­du­to­res logo vão se adaptar.

Como tam­bém é o vice-pre­fei­to de Jabo­rá, ele con­ta que tem se esfor­ça­do mui­to para ver con­cre­ti­za­da a ins­ta­la­ção de um labo­ra­tó­rio muni­ci­pal, con­for­me pro­je­to da Secre­ta­ria de Agri­cul­tu­ra local. O obje­ti­vo é fazer as aná­li­ses no pró­prio muni­cí­pio. “Que­re­mos faci­li­tar ao máxi­mo para o peque­no pro­du­tor, para aju­dá-lo a cum­prir a lei”, revela.