Segurança no trabalho: Normas ainda não são cumpridas no campo - Digital Balde Branco

As prá­ti­cas no tra­ba­lho rural nem sem­pre se mos­tram com­pro­me­ti­das com a segu­ran­ça, como esta­be­le­ce a cha­ma­da NR 31, nor­ma­ti­va que está com­ple­tan­do 10 anos
Por Deni­se Bueno

O agro­ne­gó­cio bra­si­lei­ro pas­sou por gran­des trans­for­ma­ções nos últi­mos anos, em decor­rên­cia da evo­lu­ção tec­no­ló­gi­ca e cien­tí­fi­ca. O refle­xo des­sa mudan­ça afe­tou as rela­ções de tra­ba­lho em suas ações cada vez mais meca­ni­za­das, e os tra­ba­lha­do­res fica­ram expos­tos a ris­cos antes nem ima­gi­na­dos. A legis­la­ção, atra­vés do Minis­té­rio do Tra­ba­lho e Empre­go, pas­sou a fis­ca­li­zar o tra­ba­lho rural des­de a publi­ca­ção da nor­ma­ti­va regu­la­men­ta­do­ra da ati­vi­da­de, a cha­ma­da NR 31.

Em vigor des­de 2005, a nor­ma ofe­re­ce desa­fi­os para empre­ga­do­res e empre­ga­dos da agri­cul­tu­ra, pecuá­ria, sil­vi­cul­tu­ra, explo­ra­ção flo­res­tal e aqui­cul­tu­ra. Ape­sar do tem­po da sua implan­ta­ção, 11 anos, ain­da há difi­cul­da­de na sua apli­ca­ção, pois os tra­ba­lha­do­res, por ques­tões cul­tu­rais não pre­ven­ci­o­nis­tas, têm resis­tên­cia quan­to às mudan­ças de pro­ce­di­men­tos para tor­ná-los mais seguros.

Rea­li­zar ava­li­a­ções dos ris­cos para a segu­ran­ça e a saú­de dos tra­ba­lha­do­res e, com base nos resul­ta­dos, ado­tar medi­das de pre­ven­ção e pro­te­ção para garan­tir que todas as ati­vi­da­des, luga­res de tra­ba­lho, máqui­nas, equi­pa­men­tos, fer­ra­men­tas e pro­ces­sos produti¬vos sejam segu­ros e em con­for­mi­da­de com as nor­mas de segu­ran­ça e saú­de, são obri­ga­ções pre­vis­tas na legis­la­ção que devem ser segui­das pelo empregador.

Segun­do dados do DSST (Depar­ta­men­to de Saú­de e Segu­ran­ça do Tra­ba­lho), no ano de 2014, o esta­do de Minas Gerais foi o mais autu­a­do, segui­do por São Pau­lo e Mato Gros­so do Sul. Para a pro­du­to­ra de
lei­te, advo­ga­da e téc­ni­ca em segu­ran­ça no tra­ba­lho, Izil­da Godi­nho, as ati­vi­da­des rurais con­ti­nu­am regis­tran­do gra­ves aci­den­tes do tra­ba­lho, por­que a mão de obra é defi­ci­en­te em esco­la­ri­da­de e o empre­ga­dor pre­fe­re igno­rar as ques­tões rela­ci­o­na­das aos ris­cos de sua atividade.

“É pre­ci­so avan­çar e melho­rar a ges­tão da área de saú­de e segu­ran­ça no cam­po. Há um des­ca­so e não enca­mi­nha­men­to para os trei­na­men­tos que visam cons­ci­en­ti­zar pre­ven­ti­va­men­te o tra­ba­lha­dor para que desem­pe­nhe suas ati­vi­da­des de for­ma segu­ra garan­tin­do-lhe a inte­gri­da­de físi­ca, psí­qui­ca e men­tal no ambi­en­te labo­ral. Neces­si­ta-se de uma mai­or uti­li­za­ção do Senar por par­te do pro­du­tor uma vez que o mes­mo foi defi­ni­do como capa­ci­ta­dor ofi­ci­al”, obser­va ela.

Leia a ínte­gra des­ta maté­ria na edi­ção Bal­de Bran­co 623, de setem­bro 2016

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